Mostrando postagens com marcador Meditação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meditação. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A Era das Novas Bruxas


Em uma noite recente, sentei-me em uma aula chamada "Bruxaria 101: Maldições, Feitiços e Pragas", na Catland, a butique de ocultismo da moda no Brooklyn, em Nova York. Mais de uma dúzia de pessoas, a maioria moças, estava acomodada em cadeiras dobráveis no espaço de eventos de paredes negras da loja. A instrutora era uma das donas da Catland, Dakota Bracciale, antiga maquiadora carismática e mal humorada de 28 anos, vestida de preto esvoaçante, com uma barba e longas unhas cor de alfazema.

"Se você não está pronto para admitir que o universo é um caos, não tenho certeza de até onde pode ir", disse Bracciale à classe, descrevendo a bruxaria como uma maneira de exercitar poder em um mundo sem regras morais transcendentes, uma tecnologia sobrenatural para tomar conta de si mesmo quando ninguém mais o fará. A bruxaria, afirmou, "permite que você seja o árbitro de sua própria justiça".

Eu suspeito que essa suposição de caos – a sensação de que as instituições falharam e de que ninguém está no comando – ajuda a explicar o bem documentado ressurgimento do ocultismo entre os integrantes da geração Y. As tentativas de lançar feitiços logicamente não são exclusivas dos jovens de hoje; Sally Quinn, escritora e apresentadora de Washington, acabou de publicar um livro em que se orgulha de ter enfeitiçado o renomado editor de revistas Clay Felker, que foi meu professor de jornalismo, antes que ele morresse de câncer. Ainda assim, a mágica e a bruxaria andam com o ânimo renovado, que parece estar relacionado ao clima atual de colapso da política e da cultura.

"As bruxas estão por todo o lado nos dias de hoje", lê-se na introdução de "Basic Witches" (Bruxas Básicas), um livro atrevido sobre como fazer bruxarias, publicado em agosto. Na Catland, além de velas, pés de faisão e pequenos vidros com ossos de ratos, é possível comprar a Sabat, uma bem produzida revista feminista de bruxaria, cujas capas trazem fotos em preto e branco de lindas garotas pensativas que parecem estrelas do pop. Há um número surpreendente de caixas por assinatura de parafernálias para mágicas. "Por que a Bruxa é a Heroína da Cultura Pop de que Precisamos Nesse Momento", diz a manchete de um artigo recente publicado no site Vulture, da New York Magazine, que integra a série da semana das bruxas.

Parte dessa moda é sobre a bruxa como metáfora, um ícone que captura a fúria e a independência determinada de legiões de mulheres desagradáveis. Mas parte disso é uma prática real, apesar de eclética, e espiritual, adotada por pessoas céticas quanto às religiões organizadas, mas que não se sentem completas sendo ateístas. São essas tentativas sinceras de usar a mágica que me interessam, porque o ocultismo frequentemente cresce durante os tempos de crise social.

Houve um movimento espiritualista vibrante nos Estados Unidos antes da Guerra Civil, e, durante a guerra, diziam que a primeira-dama Mary Todd Lincoln teria mantido sessões na Casa Branca. O ocultismo floresceu na Rússia pré-revolução e na República de Weimar na Alemanha, assim como na época turbulenta e perturbada dos EUA nos anos 1970. Em geral, quando as instituições e crenças tradicionais entram em colapso, e as pessoas ficam entre o desespero cultural e as esperanças cósmicas, elas se voltam para a mágica. Como Bracciale me disse: "Se os poderes existentes e as estruturas estabelecidas estão deixando você pelo caminho, e há uma coisa que essencialmente oferece outra saída, ou uma maneira de manipular as circunstâncias, por que não tentar?".

Bracciale, que usa pronomes neutros de gênero, cresceu em uma casa evangélica – algo "entre um 'acampamento de Jesus' e encantadores de cobras" – e diz que o novo ateísmo de Richard Dawkins e Christopher Hitchens teve um efeito profundo em sua geração. Mas o ateísmo não foi suficiente, explica: "Criou um vácuo imenso que precisou ser preenchido com alguma coisa".

Esse é um padrão familiar. A teosofia, mãe de todos os movimentos New Age, foi fundada no século XIX quando as descobertas de Charles Darwin minaram a fé nas histórias cristãs da Criação, que levaram alguns a abandonar a religião de uma vez, mas outros a se interessar por novas formas de misticismo. O crescimento do ocultismo entre aqueles que abraçaram a contracultura das décadas de 1960 e 1970 confundiu os estudiosos que acreditaram que a sociedade norte-americana estava se tornando ainda mais secular. O modelo sociológico dominante na época, escreveu um professor da Universidade de Chicago em 1970, "não conseguiu lidar com as novas manifestações do sagrado nos campus universitários e nas comunas para onde os estudantes vão quando fogem dos campus".

Hoje também a racionalidade tecnocrática está perdendo a força. Embora a cultura do ocultismo existisse entre os jovens antes de Donald Trump assumir a presidência, Bracciale acredita que a calamidade da eleição acelerou o interesse pela bruxaria. A bruxaria em si, com certeza, tornou-se política. A cada mês, milhares de bruxas, novos-pagãos e outros praticantes de magia se unem virtualmente para jogar uma praga em Trump: "Que ele fracasse completamente. Que ele não faça mal". (A estrela pop Lana Del Rey já participou.)

"Quando uma grande crise está acontecendo, talvez você se sinta impotente para fazer qualquer coisa através de qualquer meio tangível disponível", explicou Jaya Saxena, uma das autoras de "Basic Witches". "Você não é um político. Talvez não tenha muito dinheiro e não esteja no controle de tudo que acaba lhe afetando e acabe procurando maneiras em sua vida para mudar isso."

A Catland já realizou três cerimônias lotadas para enfeitiçar Trump, que envolveram o uso de "ingredientes de maldições", assim como a recitação do Salmo 109: "Sejam poucos os seus dias, e outro tome seu ofício. Sejam órfãos os seus filhos, e viúva sua mulher. Sejam vagabundos e pedintes os seus filhos; e busquem o pão também em lugares desolados".

Pode parecer estranho que pessoas que rejeitam o monoteísmo digam versos da Bíblia, mas Bracciale frequentemente usa o Livro dos Salmos em feitiçarias. (Atentos à apropriação cultural, alguns dos jovens ocultistas de hoje procuram ideias esotéricas em suas próprias culturas em vez de pegar emprestado de tradições estrangeiras.) Bracciale observa, saboreando a ironia, que por oito anos alguns guerreiros de oração cristãos utilizaram o mesmo salmo imprecatório contra Obama. "Eles apenas usam 'pensamentos e orações', e sabemos o quando elas valem", disse Bracciale com desprezo. "Conosco, há uma estrutura em volta, há uma metodologia por trás."

Por décadas, a direita espiritualizou a guerra política, tratando-a como uma disputa metafísica entre o bem e o mal. Não surpreende que a ascensão de Trump, uma pessoa que para muitos representa uma inversão de todos os valores decentes, criaria uma reação sobrenatural na esquerda. Os ocultistas da geração Y podem parecer bobos para quem está de fora, mas você não precisa acreditar em seus feitiços, na bruxaria ou na magia para vê-los seriamente como um sinal de que muita gente acha o presente intolerável. Sob a superfície da cultura norte-americana, uma mistura furiosa está começando a ser preparada.

Por Michelle Goldberg


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Como Desenvolver Habilidades Psíquicas


Médiuns são pessoas capazes de entrar em contato com o subconsciente. A maioria das pessoas possui habilidades psíquicas, mas elas podem estar escondidas na bagunça da mente ou você ainda pode não saber como aperfeiçoá-las ou colocá-las em prática. As habilidades psíquicas podem ser trazidas à tona, aperfeiçoadas e desenvolvidas.

Desenvolvendo as habilidades psíquicas através de exercícios


1. Aprenda mais sobre os diferentes tipos de habilidades psíquicas.
Alguns médiuns têm mais aptidão para uma determinada área psíquica ou decidem focar em uma habilidade em detrimento das outras.
  • Imagine-se usando o "terceiro olho" — o chacra (ou campo de energia) localizado acima dos olhos físicos. Visualize o terceiro olho abrindo e expandindo. Preste atenção no que consegue visualizar na "tela interna" da mente. Tente fazer isso com os olhos fechados.
  • A clarividência é a capacidade de visualizar imagens espirituais. Uma característica da clarividência é a "visão remota", ou seja, a capacidade de ver coisas que não podem ser percebidas pelos sentidos comuns. Os clarividentes usam a aura para entrar em contato com comunicadores espirituais. Para esse tipo de visualização, decida um local remoto ao qual você deseje sentir. Feche os olhos e pense nesse local. Transfira este desejo para o terceiro olho. Observe e anote a primeira impressão que tiver.
  • A clariaudiência também possibilita o recebimento de impressões espirituais, mas nas formas de sons. As palavras são transmitidas através da aura para o subconsciente do médium, como se ele fosse um tipo de telefone. Para praticar a clariaudiência, repita uma palavra em sua mente, concentrando-se bastante nela. Isso auxilia o desenvolvimento da voz interior. A clarisciência é a capacidade de sentir a presença de um espírito, incluindo suas emoções e personalidade.


2 - Use pequenos objetos para praticar a capacidade psíquica.
Alguns médiuns, como os que trabalham em investigações criminais, usam roupas. O segredo é encontrar um objeto usado, já que os médiuns acreditam que ele terá mais energia do que um objeto novo.
  • Coloque o objeto nas mãos, feche os olhos, relaxe e sinta o que seu corpo estiver sentindo. Você poderá perguntar a si mesmo se o objeto pertencia a um homem ou a uma mulher, quais eram as emoções do dono desse objeto e com que ele trabalhava.
  • Escreva o que vier até você de forma instintiva. Isso é conhecido como impressão energética. Não edite nada. O ideal é que a pessoa que deu o objeto para você conheça seu proprietário, mas não diga nada. Assim, você poderá comparar o que escreveu com a realidade.

3 - Tente outros exercícios com objetos.
Peça para alguém esconder um item e veja se consegue encontrá-lo. O segredo, mais uma vez, é tentar sentir a energia do objeto. Tente "sentir" onde o objeto está localizado.
  • Visualize-se conectando-se com a energia desse item para descobrir onde ele está. Pergunte a si mesmo se ele está em um lugar baixo ou alto, se está escondido embaixo de alguma coisa ou guardado dentro de outra coisa.
  • Você poderá usar imagens em vez de objetos. Peça para um amigo recortar algumas fotos de revistas e colocá-las em envelopes fechados. Então, veja em quantos detalhes das fotos você consegue pensar.

4 - Desenvolva as habilidades psíquicas através da meditação.
Assim, você conseguirá limpar a mente e concentrar-se no seu sexto sentido. É extremamente importante diminuir a bagunça mental.
  • Ao acordar de manhã, esforce-se para ficar quieto por alguns minutos, mantendo os olhos fechados. Antes de abrir os olhos, tente perceber tantos sons, texturas e cheiros quanto for possível. Se realizado por várias semanas, este exercício poderá contribuir bastante para o aumento dos níveis de consciência e intuição.
  • Para meditar, feche os olhos e respire de forma lenta e profunda. Em seguida, inspire pelo nariz. Segure o fôlego por um momento. Volte a respirar pela boca.
  • Uma música suave ao fundo poderá ajudá-lo a acalmar a mente. Você também pode recitar um mantra (uma palavra ou frase curta que você repete para si mesmo, por várias e várias vezes). O objetivo é eliminar a bagunça mental indesejada. A meditação funciona porque nos ajuda a desligar a mente e a liberar o subconsciente analítico.
  • Imagine um sinal de "mais" ao inspirar e um sinal de "menos" ao expirar. Repita o exercício várias vezes. Limpe a mente de todos os pensamentos negativos, pois eles podem bloquear as habilidades psíquicas.

Reforçando o subconsciente


1 - Aprenda a confiar na intuição e a reconhecê-la.
A intuição é a sensação ou crença em alguma coisa que não se baseie no raciocínio lógico. É um instinto que transcende a lógica.
  • Embora todos tenham intuição, algumas pessoas conseguem desenvolvê-la mais do que as outras. É preciso confiar na intuição para desenvolvê-la. Ela é aquele sentimento instintivo que você tem quando conhece alguém novo. Para que as tendências psíquicas sejam liberadas, suas motivações devem ser puras.
  • Preste atenção nos pensamentos e sentimentos aleatórios. Mantenha um diário à mão em todos os momentos e escreva aqueles pensamentos que parecem surgir do nada. Depois de um tempo, você poderá observar o surgimento de certos padrões. Pensamentos que antes pareciam completamente aleatórios e desconexos começarão a transforma-se em temas ou ideias reconhecíveis.
  • Ao acordar, é bem mais fácil lembrar dos sonhos em detalhes quando permanecemos quietos por alguns minutos do que quando nos apressamos para sair da cama e começar o dia. Tente definir o despertador para acordá-lo dez ou quinze minutos antes da hora habitual. Dê-se um tempo para lembrar dos sonhos e fazer algumas anotações rápidas no diário. O subconsciente fica mais livre durante o sono.

2 - Aprimore a capacidade de sentir empatia.
Algumas pessoas acreditam que os médiuns estão em sintonia plena com as emoções, dores e energia de outras pessoas. Eles conseguem vivenciar as experiências alheias como se fossem suas próprias experiências.
  • Embora as pessoas já nasçam com empatia, elas também podem adquiri-la. Algumas pessoas acreditam que todo mundo nasce com algum grau de habilidade psíquica, portanto ela sempre poderá ser desenvolvida. Especialize-se na leitura da linguagem corporal. Os videntes aprendem muito sobre as pessoa porque conseguem ler os sinais não verbais, que podem fornecer indicadores-chaves dos sentimentos de alguém.
  • Às vezes, os curadores psíquicos colocam as mãos no paciente para poder perceber melhor as emoções dele. Proteja-se da energia psíquica negativa. Isso é conhecido como proteção psíquica e significa conseguir se proteger ou criar um escudo contra as energias negativas alheias.

3 - Aprenda a concentrar-se.
Se quiser ler os pensamentos de outra pessoa ou mover objetos com o poder da mente, você precisará desenvolver a habilidade de concentração. A capacidade de focar a mente é vital.
  • Olhe para uma imagem por um minuto. Em seguida, feche os olhos e tente reproduzir essa imagem em sua mente, com todos os detalhes que conseguir lembrar. Essa técnica de visualização vai ajudá-lo a aperfeiçoar a habilidade de concentração.
  • Use o poder da imaginação e de sonhar acordado. Não é nenhuma surpresa que as crianças, muito mais imaginativas, sejam mais capazes de usar o subconsciente. A imaginação incentiva as habilidades psíquicas.

Usando campos de energia


1 - Aprenda mais sobre o seu campo de energia pessoal.
Os médiuns acreditam que todas as pessoas são cercadas por campos eletromagnéticos, usados para transmitir energia em um nível psíquico. Você fará melhor uso dessas energias se entender o que elas são.
  • As auras e os chacras são dois aspectos do campo de energia pessoal. Se você compreendê-los, poderá controlar melhor o fluxo de energia que entra e sai do seu corpo. Aprimorar as habilidades telepáticas poderá levar muitos anos, portanto tente praticar essas habilidades diariamente, se possível. As auras são campos de energia que rodeiam o corpo, já os chacras são os pontos onde a energia flui para dentro e para fora do corpo.
  • Você pode tentar sentir os campos de energia pessoais das outras pessoas e, assim, aumentar a capacidade de ler pensamentos alheios. Peça para as pessoas desenharem alguma coisa em um papel e tente descobrir o que elas desenharam, sem ver os papeis.

2 - Estude os principais chacras e trabalhe para desobstrui-los.
O corpo possui sete chacras principais. Eles são aberturas pelas quais a energia flui para dentro e para fora do corpo. Os dois chacras superiores são centros mentais, os quatro frontais estão relacionados com as emoções e os outro quatro, localizados na parte posterior do corpo, relacionam-se à vontade. O chacra base ou raiz está relacionado com o aspecto físico do organismo.
  • Se um chacra estiver bloqueado, a energia deixará de fluir e isso poderá causar doenças e a supressão das emoções. Se os chacras estiverem muito abertos, poderão causar reações exageradas e problemas emocionais.
  • Imagine-se abrindo e fechando o terceiro olho, o chacra localizado logo acima e entre os olhos físicos. Feche os olhos reais e imagine o terceiro olho abrindo-se ainda mais.

3 - Descubra como enxergar a aura de alguém.
As auras são campos de energia emitidos por todos os seres humanos. Elas variam de cor e intensidade. Se você aprender a sentir a aura de uma pessoa, poderá ler melhor os pensamentos dela.
  • A energia está em toda parte, inclusive sendo irradiada pelo corpo. Posicione-se a aproximadamente três metros de distância de outra pessoa e peça para ela ficar na frente de um fundo branco ou preto.
  • Olhe relaxadamente para o nariz da pessoa e use a visão periférica. No começo, a aura se parecerá com uma névoa suave. Mantenha o olhar nessa névoa. Quando a vir, continue olhando para ela e conseguirá enxergá-la. Quando você piscar, a aura provavelmente desaparecerá.

4 - Livre-se da energia negativa.
Para desenvolver sensibilidade aos sentimentos e experiências alheios, sua própria energia deverá operar em um nível de frequência mais alto.
  • Energias como a negatividade e a infelicidade bloqueiam as habilidades psíquicas. Pense positivo tanto quanto conseguir.
  • Comece entrando em contato com a terra. Isso vai ajudá-lo a aprender a controlar a energia. Fique em pé e mantenha os braços soltos e os pés afastados. Dobre os joelhos ligeiramente e afunde os pés no chão. Mentalmente, transfira a energia para os pés. Visualize raízes saindo dos seus pés e penetrando profundamente no solo.

5 - Fique parado e em silêncio para poder perceber a energia natural.
Você deverá desligar-se do caos da vida moderna e de todas as distrações para conseguir perceber melhor a energia.
  • Manter-se longe de alvoroços e atividades distrativas e barulhentas ajudará a mente a pensar com mais clareza, desenvolvendo uma maior concentração e precisão mental. Desfrute da beleza dos sons naturais, como o canto dos pássaros, o barulho da água correndo em um riacho ou cachoeira, etc.
  • Esses sons naturais são famosos por melhorar a intuição e as habilidades psíquicas. Elimine todas as distrações criadas pelos aparelhos eletrônicos – o telefone celular, a televisão e até mesmo a iluminação elétrica podem criar uma barreira para as habilidades psíquicas.

DICAS
  • Pratique, pratique, pratique! O desenvolvimento das habilidades psíquicas não foi feito para pessoas que se decepcionem facilmente. Você precisará de muita motivação e dedicação para conseguir alcançar resultados.
  • A sensibilidade especial propiciada pela auto-hipnose poderá ajudá-lo a alcançar os objetivos por meios psíquicos.
  • Na próxima vez que estiver na piscina, tente prever o sexo da próxima pessoa que descerá pelo toboágua. As aplicações práticas aperfeiçoarão as habilidades psíquicas.
  • Às vezes, o simples ato de observar a habilidade sendo praticada por outra pessoa poderá torná-lo capaz de praticá-la também. Note que este é apenas um "choque" temporário do subconsciente ao observar a coisa sendo feita de verdade.
  • Ouvir a voz do inconsciente e permitir que ela o guie também ajuda. Às vezes, essa voz fala através dos pensamentos e nos diz se algo é bom ou ruim. Geralmente, nós a ignoramos mas mais tarde acabamos descobrindo que deveríamos tê-la escutado. Ela é nosso guia espiritual e pode ser uma ferramenta poderosa quando ouvida.
  • Quando estiver meditando, limpe a mente para que os espíritos possam falar com você.

AVISOS
  • O público em geral não reagirá muito bem se você falar sobre qualquer coisa relacionada a habilidades ou experiências psíquicas.
  • A maioria das pessoas não vai ou não poderá compreender a realidade de habilidades psíquicas.
  • Os efeitos das habilidades psíquicas são pouco compreendidos.
  • A ciência convencional ainda se recusa a aceitar a validade dos estudos científicos a respeito da parapsicologia e das pesquisas sobre a consciência.

Fontes e Citações

http://www.wingsforthespirit.com/

quarta-feira, 15 de julho de 2015

AS SETE LEIS HERMÉTICAS


1 – A LEI DO MENTALISMO

“O Todo é Mente; o Universo é mental.” (O Caibalion)

O universo funciona como um grande pensamento divino. É a mente de um Ser Superior que “pensa” e assim, tudo existe. É o Todo. Toda a criação principiou como uma idéia da mente divina que continuaria a viver, a mover-se e a ter seu ser na divina consciência.

O Universo e toda a matéria são como os neurônios de uma grande mente, um universo consciente e que “pensa”. Todo o conhecimento flui e reflui de nossa mente, já que estamos ligados a uma mente divina que contém todo o conhecimento.

2 – A LEI DA CORRESPONDÊNCIA

“O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima” (O Caibalion)

Essa lei nos lembra que vivemos em mais que um mundo.

Vivemos nas coordenadas do espaço físico, mas também vivemos em um mundo sem espaço e sem tempo.

A perspectiva muda de acordo com o referencial. A perspectiva da Terra normalmente nos impede de enxergar outros domínios acima e abaixo de nós. A nossa atenção está tão concentrada no microcosmo que não nos percebemos o imenso macrocosmo à nossa volta.

O principio de correspondência diz-nos que o que é verdadeiro no macrocosmo é também verdadeiro no microcosmo e vice-versa. Portanto podemos aprender as grandes verdades do cosmo observando como elas se manifestam em nossas próprias vidas.

Por isso estudamos o universo: para aprender mais sobre nós mesmos. Na menor partícula existe toda a informação do Universo.

3 – A LEI DA VIBRAÇÃO

“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra”.

No universo todo movimento é vibratório. O todo se manifesta por esse princípio. Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso. Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento.

Todos os objetos materiais são feitos de átomos e a enorme variedade de estruturas moleculares não é rígida ou imóvel, mas oscila de acordo com as temperaturas e com harmonia.

Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso. Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo está em movimento.

A matéria não é passiva ou inerte, como nos pode parecer a nível material, mas cheia de movimento e ritmo.

4 – A LEI DA POLARIDADE

“Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados”
(O Caibalion)

A polaridade revela a dualidade, os opostos representam a chave de poder no sistema hermético. Mais do que isso, tudo é dual, os opostos são apenas extremos da mesma coisa. Tudo se torna idêntico em natureza.

O pólo positivo (+) e o negativo (-) da corrente elétrica são uma mera convenção. Energia negativa (-) é tão “boa” ou “má” quanto energia positiva (+).

Amor e o ódio são simplesmente manifestações de uma mesma coisa, diferentes graus de um sentimento.

5 – A LEI DO RITMO

“Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação”.

Pode se dizer que o princípio é manifestado pela criação e pela destruição. É o ritmo da ascensão e da queda, da conversão de energia cinética para potencial e da energia potencial para energia cinética. Os opostos se movem em círculos.

É a expansão até chegar o ponto máximo, e depois que atingir sua maior força, se torna massa inerte, recomeçando novamente um novo ciclo, dessa vez em um sentido inverso.

Tudo está em movimento, a realidade compõe-se de opostos. A lei do ritmo assegura que cada ciclo busque sua complementação. As coisas avançam e recuam, sobem e descem. Mas também giram em círculos e em espirais ascendentes e descendentes.

6 – A LEI DO GÊNERO

“O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino, o gênero se manifesta em todos os planos da criação”.

Os princípios de atração e repulsão não existem por si só, mas somente um dependendo do outro. Tudo tem um componente masculino e um feminino independente do gênero físico. Nada é 100% masculino ou feminino, mas sim um balanceamento desses gêneros.

Existe uma energia receptiva feminina e uma energia projetiva masculina, a que os chineses chamavam de “ying” e de “yang”. Nenhum dos dois pólos é capaz de criar sem o outro. É a manifestação do desejo materno com o desejo paterno.

É uma importante aplicação da lei da polaridade. É semelhante ao principio animas – animus de Carl Jung ou seja, que cada pessoa contém aspectos masculinos e femininos, independente do seu gênero físico. Nenhum ser humano é 100% masculino ou 100% feminino.

7 – A LEI DE CAUSA E EFEITO

“Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei”.

Nada acontece por acaso, pois não existe o acaso, já que acaso é simplesmente um termo dado a um fenômeno existente e do qual não conhecemos a origem, ou seja, não reconhecemos nele a Lei à qual se aplica.

Para todo efeito existe uma causa, e que toda causa é, por sua vez, um efeito de alguma outra causa.

Esse princípio é um dos mais polêmicos, pois também implica no fato de sermos responsáveis por todos os nossos atos.

No entanto, esse princípio é aceito por todas as filosofias de pensamento, desde a antiguidade. Também é conhecido como karma.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

9 SINAIS de que você é uma ALMA ANTIGA


Há um tipo especial de pessoa em nosso mundo que se encontra sozinha e isolada, quase desde o nascimento. Sua existência solitária não é por uma preferência ou um temperamento antisocial, ela é simplesmente da idade, velha de coração, velha na mente e velha na alma.

Essa pessoa é uma alma antiga que possui uma visão de vida muito diferente e mais amadurecida do que daquelas ao seu redor. Como resultado, a velha alma vive sua vida internamente passeando em seu próprio caminho solitário, enquanto o resto do rebanho ao seu redor segue outro caminho.

Talvez você já tenha experimentado isso em sua própria vida, ou testemunhado em outra pessoa? Se assim for, este artigo é dedicado a você, na esperança de que o ajude a definir-se ou a compreender melhor o outro.

A velha alma

Robert Frost, Eckhart Tolle e até mesmo Nick Jonas têm sido chamados assim; talvez até mesmo você tem sido… Eu, como muitos deles, fiz esta auto descoberta após a reunião com Sol, que me contou sobre sua infância como um menino precoce e inteligente que teria amizade com os professores ao invés de alunos, apenas porque eles eram muito diferentes de si, e de como relatou sua incapacidade de encontrar interesse e conexão com as pessoas de sua idade. Descobri que sentia o mesmo que Sol. E ainda sinto.

Se você ainda não descobriu se é uma velha alma, leia alguns dos sinais reveladores abaixo:

1. Você tende a ser um solitário.

Devido ao fato de que as velhas almas são desinteressadas ​​nas atividades e interesses de pessoas de sua faixa etária, elas acham lamentável fazer amizade com pessoas que possuem dificuldades de se relacionar. Assim, as velhas almas tendem a encontrarem-se sozinhas a maior parte do tempo… as pessoas simplesmente não se relacionam com elas.

2. Você ama o conhecimento, a sabedoria e a verdade.

Sim… Isso parece um pouco grandioso e excessivamente nobre, mas a velha alma se encontra naturalmente gravitando para o lado intelectual da vida. Velhas almas entendem que o conhecimento é poder, a sabedoria é a felicidade e a verdade é a liberdade. Então por que não buscar tais coisas? Essas atividades são mais significativas para elas do que ler sobre as últimas fofocas do mais recente namorado de uma famosa qualquer, ou os últimos resultados do futebol.

3. Você é espiritualmente inclinado.

Velhas almas são mais emocionais e tendem a naturezas sensíveis e espirituais, a superar os limites do ego, a buscar a iluminação, promover o amor e a paz. Estas são suas principais atividades, pois para elas o uso gratificante do tempo é algo sábio.

4. Você entende a transitoriedade da vida.

Velhas almas são frequentemente atormentadas com lembranças não só da sua própria mortalidade, mas de tudo e de todos ao seu redor. Isto faz com que eles sejam cautelosos e por vezes sabiamente se retirem, buscando uma melhor maneira de viverem suas vidas.

5. Você é pensativo e introspectivo.

Velhas almas tendem a pensar muito sobre tudo. Sua capacidade de refletir e aprender com as suas ações e as ações dos outros é o seu maior mestre na vida. Uma razão pela qual as almas sentem tanto no coração é porque elas aprenderam muitas lições através de seus próprios processos de pensamentos, e possuem muito conhecimento sobre diversas situações da vida devido a sua capacidade de silêncio e de atenta observação do que se passa ao seu redor.

“Com que idade você estaria se você não soubesse quantos anos tem?” - Satchel Paige

6. Você vê o panorama da situação.

Raramente velhas almas se perdem em detalhes superficiais, promoções no trabalho, bustos e homenagens na TV, artificialidades em geral… Velhas almas têm a tendência de olhar para a vida a partir de uma visão panorâmica, vendo qual o caminho mais sensato e significativo para abordar a vida. Quando confrontadas com questões, velhas almas tendem a vê-las como dores temporárias que apenas servem para aumentar a quantidade de alegria sentida no futuro. Consequentemente, velhas almas tendem a ser plácidas, de natureza estável, como resultado de sua abordagem à vida.

7. Você não é materialista.

Riqueza, status, fama, e a última versão do iPhone são um fardo para as velhas almas, que não veem o propósito de perseguir coisas que podem ser facilmente tiradas de seu meio. Além disso, elas possuem pouco tempo e interesse pelas coisas de curta duração na vida, pois estas trazem consigo pouco significado ou satisfação duradoura. No entanto, costumam ter facilidade para entender como funcionam as novidades tecnológicas, pois possuem mentes ágeis e de fácil assimilação.

8. Você era uma criança estranha e socialmente mal adaptada.

Isso nem sempre é o caso, mas muitas almas apresentam sinais estranhos de maturidade em idades jovens. Muitas vezes essas crianças são rotuladas como “precoces”, “introvertidas” ou “rebeldes”, deixando de se enquadrar nos comportamentos tradicionais. Geralmente são extremamente curiosas e inteligentes, vendo a inutilidade de muitas coisas que seus professores, pais e colegas proferem, resistindo a elas de forma passiva ou agressiva. Se você pode falar com seu filho/filha como se ele/ela fosse um adulto, você provavelmente tem uma velha alma sob seus cuidados.

9. Você apenas “sente” a idade.

Antes de colocar um nome para o que eu sentia experimentei algumas sensações de ser simplesmente uma “pessoa idosa” por dentro… Os sentimentos que acompanham uma velha alma geralmente são: desconfiança mundial, cansaço mental, paciência vigilante e calma destacada. Infelizmente, muitas vezes isso pode ser percebido como indiferença e frieza, apenas um dos muitos mitos em relação a uma velha alma. Assim como algumas pessoas já de idade se descrevem como sendo “jovens de coração”, também os jovens podem se sentir “velhos no coração”.

Fontes: 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Quem É Você?


Porque, como imagina em sua alma, assim ele é...” - Provérbios 23.7 ARA

A grande questão que inquieta é a respeito de quem nós somos. Procuramos por uma natureza humana, uma essência, algo que nos explique e nos justifique. Por conta disso, sempre achamos que falta alguma coisa, sentimo-nos incompletos e imperfeitos. A própria busca por uma perfeição comporta em si mesma um equívoco.

A expectativa da perfeição é uma ficção das mais perversas, pois é a causa de muitas frustrações, alimenta muitos ressentimentos e provoca os preconceitos. Não podemos nos esquecer de dois aspectos muito importantes: primeiro, que somos pessoas marcadas pela ambiguidade. Ao mesmo tempo que tememos o nosso fim, desejamos o que está além de nós mesmos. Segundo, que na história da humanidade houve um momento em que nos perdemos de nós mesmos. A Bíblia chama esse momento de “queda” e o trata na perspectiva do pecado de Adão e Eva no paraíso. Adão é o arquétipo do homem em condição de perdição. Tinha tudo, vivia no paraíso, poderia fazer a melhor escolha de ajustar a vida àquele estado, mas preferiu ir além e experimentar o fruto que ampliava o seu conhecimento. O resultado dessa história é que o próprio ser humano passou a olhar para si como incompleto, desalojado de sua condição primeira, em busca de algo que lhe devolva o sentido primeiro.

Para que possamos resgatar algo que nos faça sentido, precisamos de um espelho, que é a imagem do outro. É pela criação da imagem do outro que conseguimos compreender a nós mesmos. A imagem do espelho é a imagem do outro que pode ser eu mesmo, mas que só consigo me ver como outro. Esse outro é o que eu desejo ser e não há qualquer relação de unidade entre essa imagem e quem de fato sou, a não ser como imaginário.

A psicanálise nos ajuda a compreender essa nossa realidade humana. Entretanto, essas reflexões não são só da psicanálise, embora ela tenha desenvolvido uma abordagem bastante interessante sobre essa relação. A Bíblia já apontava caminho para essa compreensão. O apóstolo Paulo disse certa vez: “Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.” 1 Coríntios 13.12

Conhecer mais a si mesmo é uma necessidade humana. Este é um princípio presente em várias culturas. O budismo ensina a conhecer a si mesmo como princípio para que possa aprender a esquecer de si mesmo. Sócrates usou o princípio do oráculo de Delfos do “conhece a ti mesmo” para orientar a prática do cuidado de si. E a Bíblia recomenda em várias passagens, especialmente do Novo Testamento, a ter essa mesmo preocupação com a descoberta de si e do cuidado consigo mesmo.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

O Papel da Consciência na Meditação

Por Radha Burnier


Existem várias palavras importantes, tais como deus, cujo significado tornou-se tão amplo pelo uso vago, que elas tendem a perder todo o significado. Meditação é uma palavra que pode denotar experiência profunda bem como práticas estranhas.

Para aprender a meditar, deve-se em primeiro lugar considerar o que significa meditação e não começar com o meditar. Não podem ser adotados os meios sem dar relevância ao fim. É necessário saber primeiro se você quer subir uma montanha ou cruzar o mar, antes que encontre os meios para fazê-lo. Se você deseja cruzar o mar, seria insensato equipar-se com uma picareta e uma corda. Assim, é necessário primeiro tentar entender o que a meditação implica e somente então é possível saber como empreendê-la.

No curso da evolução, as formas são desenvolvidas e aperfeiçoadas; a consciência, incorporada às formas vivas, expande-se e , portanto, manifesta os poderes inerentes a ela própria. Na antiga tradição da sabedoria, é dito que não há forma que não incorpore vida ou consciência. O que aparece como “matéria” não está destituída de consciência; mas a consciência está tão oculta, tão latente, que não a percebemos. Nas formas rudimentares de vida, a consciência funciona de uma maneira também rudimentar. Neste estágio, a vida incorporada está apenas vagamente consciente. Nas formas de vida mais desenvolvidas, por exemplo no reino vegetal, há mais consciência. Têm sido provadas nos últimos anos que as plantas respondem aos sentimentos em torno delas, fato descoberto décadas atrás por um cientista indiano, Sir Jagadish Chandra Bose. Entretanto, as plantas não têm aquele grau de consciência que é encontrado nos animais inteligentes: o elefante, o cachorro, o macaco são todos criaturas nas quais a consciência está muito mais desenvolvida. Quando chegamos aos seres humanos, os poderes da consciência revelam-se numa medida ainda maior.

Este movimento da evolução, que é o desenvolvimento do organismo, implica em que o organismo se torne mais e mais capaz de ser um canal para a força da vida. Também implica na expansão da consciência que está incorporada no organismo. Isto é retratado pelo símbolo que foi amplamente usado na Índia, no Egito e alhures – o lótus. O lotús  tem seu nascimento em terreno grosso, lamacento. Ele eleva-se na opacidade da água misturada com lama, depois ainda mais além, na água clara, até que alcança o ar puro do céu. Ele simboliza como a consciência se expande desde as formas inferiores, que não lhe permitem revelar muito seus poderes, até as formas superiores, que permitem a canalização de seus poderes em medida cada vez maior. À medida que o lótus se eleva no ar, é primeiro um botão fechado sobre si mesmo. Então floresce como uma bela flor, considerada por alguns de beleza incomparável. Ele recebe a luz do sol, abre-se para a imensa extensão do céu e espalha seu perfume no ar.

A consciência humana, como existe no indivíduo comum, pode ser comparada ao botão de lótus. Ela tem de florescer e revelar a beleza e a fragrância que são inerentes ao seu interior. Aprender a despertar a consciência, para que sua presente potencialidade oculta floresça para um estado de absoluta plenitude e meditação.

A palavra cônscio significa estar apercebido. Não há consciência destituída do poder de estar cônscia, de estar apercebida. Nós todos somos indivíduos cônscios. Entretanto, se observássemos a nós mesmos, saberíamos que nosso poder de ser cônscios é muito limitado. A consciência funciona de muitas maneiras diferentes: através dos sentidos, através do observar, do ver, do escutar, do sentir, etc. A consciência está cônscia através da modalidade do sentir quando há simpatia; quando pensamos em alguma coisa, isto também é uma maneira de estar cônscio. Assim, existem vários modos de estar cônscio.

Agora vamos tentar descobrir como alguém está cônscio. Pensemos numa pessoa que olha para uma bela cadeia de montanhas. Ela pode estar cônscia apenas de uma grande massa de matéria na frente dela, se é uma pessoa insensível. Isto equivale a dizer que sua consciência não está muito cônscia. Portanto, ela não percebe nada mais do que a massa física diante dela. Existem muitos seres humanos assim. A maioria das pessoas torna-se assim, se vêem uma montanha durante muito tempo. Quando continuamos  a ver uma coisa, nos tornamos insensíveis a ela; cessamos de estar cônscios da maravilhosa cadeia de montanhas e nos tornamos absorvido em pequenas preocupações insignificantes. Ou somos às vezes cônscios da massa material apenas ou outras vezes sensíveis a alguma coisa mais, à majestade, à estabilidade, à beleza da cadeia de montanhas. Quando a consciência está apercebida não apenas da aparência física mas dos atributos intangíveis pertencentes à montanha, então ela está mais apercebida, mais cônscia do que estava anteriormente.

Pensemos num outro exemplo – uma flor. Uma pessoa que é comercialmente inclinada, pensa na flor meramente como um objeto que dá dinheiro. Alguém que responda um pouco mais, nota várias coisas -  a maneira pela qual ela é formada, o desenho das pétalas, a textura, a delicadeza da coloração e assim por diante. Mas, embora nota mais, ele pode ainda falhar de estar cônscio daquilo que pode ser chamado a “essência” da flor – sua natureza intrínseca, a verdade oculta dentro dela.

Os filósofos têm salientado que a beleza é descoberta ao ir-se abaixo da superfície das coisas. Keats escreveu: “Beleza é verdade – verdade-beleza – isso é tudo”. A beleza é ver a verdade oculta no interior, que tem pouco a ver com as qualidades ou características externas. A forma externa pode ser bela para uma pessoa e não parecer assim para outra. Quer a forma pareça bela ou não, aquele que ama vê a verdade dentro, como faz uma mãe que percebe a natureza preciosa de uma criança que outros consideram feia. A verdade ou realidade oculta existe em toda a parte, não somente numa criança particular, numa pessoa ou coisa. Alguns a vêem num lugar, outros em outro. A consciência que desfrutamos é apenas mais ou menos sensível, freqüentemente vendo apenas a forma externa, outras vezes vendo a forma bem como suas qualidades, ocasionalmente vendo ainda mais, no coração das coisas. Quando penetra no coração, ela pode assim fazer mais ou menos profundamente. Ver profundamente é ver o significado, o sentido, o valor. Despertar não meramente para o valor das particularidades, mas despertar para o valor e o significado de toda a vida é alcançar um estado de sabedoria.

Para aquele que atingiu este estado de profundo apercebimento e sabedoria, a vida torna-se totalmente diferente. Ver e agir corretamente, afetuosamente, harmoniosamente, é sabedoria. Se uma pessoa vê somente a forma externa de uma flor e para ela esta é somente o valor monetário, pode esmagá-la e jogá-la fora no momento em que ela cessa de ser de valor pessoal. Mas aquele que vê a beleza, o significado, a verdade da flor, não pode danificá-la. Ele a trata com amor, cuidado, delicadeza. Isto é verdade com referência à vida como um todo. Uma pessoa que percebeu o significado da vida não pode atuar de uma maneira destrutiva. Ela age espontaneamente de uma maneira criativa, amável, que é sabedoria em ação. Assim, quando há um completo despertar da consciência, quando há total apercebimento, manifesta-se como uma vida santa e um relacionamento afetuoso.

Aprender a alcançar esta sabedoria é meditação. Meditação é o despertar do poder de apercebimento, de consciência, para que assim ela veja não somente o externo, mas também o interno; não somente o que é material, mas também o invisível; não meramente o grosseiro, mas o sutil.

O que auxilia alguém na meditação é o que auxilia a consciência a tornar-se mais profundamente cônscia, a tornar-se muito mais sensível do que ela é; assim, suas respostas não são limitadas às coisas externas, materiais, grosseiras. Ela vibra com as coisas sutis, internas, espirituais. Quando isto é entendido, está claro o que é a base da meditação. Obviamente isto implica numa maneira de viver. A consciência não pode ser sensível quando existem fatores na mente que são destruidores desta sensibilidade, condições que obscurecem a percepção. Quando certas paixões, certos tipos de pensamentos existem, o apercebimento é destruído. É impossível ver corretamente. Uma pessoa que é ciumenta não pode ver por causa do ciúme, que atua como uma tela ou nuvem. Otelo, de Shakespeare, via tudo através da coloração de seu ciúme. Ações inocentes pareciam-lhe culposas. Tudo o que sua esposa dizia ou fazia a ele parecia conter um mal, pois não estava vendo os fatos como são; ele estava iludido por seu ciúme. Quer exista ciúme, amor ao poder, cólera, inveja ou outras tais paixões, a consciência perde sua capacidade de ser verdadeiramente cônscia. Ela pensa que vê, mas vê falsamente. Portanto, deve-se aprender a viver de maneira correta e trabalhar para purificar, através da observação e do entendimento, todas aquelas tendências que distorcem a mente. Tudo o que tem sabor de egoísmo é destruidor do poder da consciência. Portanto, na antiga tradição da ioga, eles ensinaram que a base da meditação é um modo ético de vida. Violência, agressão (que eles chamavam himsa), gula, ganância, trapaça, etc., atuam como uma barreira à percepção. Assim, se tem de estar constantemente vigilante aos impulsos e motivos conscientes e subconscientes, se está realmente interessado em expandir os poderes da consciência e preparar-se para a meditação num sentido mais profundo.

Sem estabelecer um alicerce, nenhuma estrutura pode ser construída. No mundo de hoje, as pessoas buscam atalhos para tudo e querem “atingimento instantâneo”. Existem os ditos “gurus” que dizem que você pode viver qualquer tipo de vida que queira, uma vida de indulgência, auto-interesse, buscando poder, prazer, etc. – e também obter a iluminação, sob sua égide. Mas o raciocínio mostraria que isso não é possível. Iluminação significa ser capaz de ver e não se pode ver mesmo coisas ordinárias, mundanas, corretamente, como era o caso de Otelo, se a mente não está na condição correta e se não faz o esforço para viver uma vida reta.

Descobrir o que torna a pessoa mais cônscia é a próxima tarefa. Quando nós observamos, vemos escutamos, é a consciência que está vendo, escutando. Mas nós vemos muitos pouco na vida. Quando olhamos para uma flor, não apenas não vemos a sua “interioridade”, mas também deixamos de ver o que está acontecendo dentro de nós. Não notamos sequer se nós notamos. Não observamos nossas próprias reações clara  e cuidadosamente. Desenvolver o poder de apercebimento significa aprender a observar não somente o que está fora mas também o que está acontecendo a si mesmo, cuidadosamente, sensivelmente, dando a si próprio o tempo, o silêncio, a quietude que é necessária.

Muito poucos seres humanos gostam de fazer isto. Se alguma coisa acontece interiormente, digamos um movimento de raiva, então imediatamente existe o desejo de encobrir o fato ou escapar dele. Encobre-se ele dizendo que não aconteceu. “Não foi devido à minha falta; foi a outra pessoa que me fez fazê-lo”. Assim, existe a recusa de olhar para a raiva que surgiu. Os sintomas de egoísmo, raiva, amor ou poder, etc., podem ser muito sutis. Há o desejo de importância em cada pessoa. Este desejo é algumas vezes muito óbvio naqueles que se pavoneiam, que divulgam a si próprios. Mas ele também pode estar não articulado, mas habilmente escondido. Quando, sentindo-se ofendido, o senso de importância é ofendido, o que poucos compreendem. À medida que aprende a observar, a pessoa torna-se progressivamente cônscia não somente das sutilezas exteriores, como as cores reluzindo nas folhas, a luz caindo sobre a água e assim por diante, mas do que está acontecendo dentro de si mesma em relação a tudo o mais. Ela se torna cônscia de todos os movimentos da mente e das emoções. E a cuidadosa observação intensifica a sensibilidade da consciência, sendo que desse modo ela se torna cada vez mais capaz de esta cônscia.

A maioria das pessoas escuta muito pouco. Enquanto outra pessoa está falando, o “ouvinte” já está pensando no que ele quer dizer. A mente prossegue com sua própria tagarelice a maior parte do tempo. Mas deve-se aprender a escutar, como uma base para a meditação. Quanto mais profundamente se escuta, mais a consciência se torna cônscia. Tem-se de escutar a sons e também ao silêncio, ao que não é dito. Um homem irado pode dizer palavras ásperas. A pessoa que realmente escuta aprende que o que o outro está realmente dizendo é que ele é solitário, infeliz, frustrado. Aquele que não escuta cuidadosamente ouve apenas a palavra áspera, não o que o homem está realmente mostrando, que é a sua dor. Assim, a pessoa tem de escutar não somente ao que é falado, mas ao que não é dito; ao silêncio bem como ao som.

Então, por cuidadosa observação e escuta, o poder da consciência expande-se. Ela começa a florescer, o que significa que se torna mais aberta ao que a vida está dizendo. É sensível em sua apreensão do que existe, e é necessário sensibilidade para descobrir aquilo que faz no mais profundo, que é o significado, a verdade oculta. 

O significado, como dissemos, está em tudo na vida – em cada átomo de matéria, na folha de releva bem como no ser humano, naqueles a quem consideramos feios, bem como naqueles que parecem encantadores e adoráveis. É a falha em nossos olhos que os torna cegos para o que existe. Nos Upanichades, que são os mais antigos tratados filosóficos e religiosos da Índia, um sábio ensina que o verdadeiro Eu (atman), a Realidade, está em toda parte. Você ama sua esposa porque pensa que ela é sua, mas a esposa é amável não porque é sua esposa mas porque é aquela realidade oculta, o atman. O esposo não é querido porque é o esposo, mas porque é o atman. Assim, também o amigo, a criança, as relações, o dito inimigo, cada um tem um valor intrínseco. A pessoa que tem o poder de ver – o sábio – sabe que a verdade, a beleza, a bondade estão em todas as coisas. Nós todos temos de aprender a ver o real em todas as coisas e isto somente pode acontecer se aumentarmos nosso poder de visão.

Isto não pode vir de fora. Nenhum guru pode dá-lo, embora alguns pretendam que possam. A pessoa apenas pode ver aquilo que sua consciência é capaz de ver. Portanto, a menos que empreenda o difícil trabalho de viver uma vida diária, na qual o poder de observação, de visão, de sensibilidade, de resposta, de abertura, está aumentando, ela não pode ver a verdade, a realidade, deus, brahman, ou como quer que se queira chamá-la.

Na passagem do Upanichade referido, é dito que se você quer ver o real, o verdadeiro, a significação última, absoluta da vida, então aprenda a observar, a escutar, a ponderar e então medite. Assim, a pessoa tem de começar a ponderar. A vida da maioria das pessoas é gasta em trivialidades. Se elas observassem a si próprias, descobririam quantas horas do dia e da noite – pois os sonhos, na maior parte, repetem, de uma maneira incoerente, os pensamentos do dia – quantas horas são gastas em futilidades: o  que fazer; o que o vizinho disse, fazendo compras; quem brigou bom quem; a última intriga, etc. Cada um vive num pequeno círculo minúsculo de interesses e torna-se um cativo dentro deste círculo, identificado com esses interesses, quer sejam eles de sua família, de sua comunidade religiosa, de sua nação ou de alguma outra coisa. Ele não é mais do que um prisioneiro do círculo de seus próprios pensamentos e apegos. E tem de se liberar da pequena prisão de sua criação e aprender a ponderar sobre questões que são de significação mais profunda, de relevância mais universal.

O Sr. J. Krishnamurti, que atualmente tem algumas das coisas mais significativas a ensinar sobre meditação, diz: “ Vagueie pela praia e deixe qualidade meditativa ver até você. Se ela não vier, não a persiga. O que você perseguir será a memória do que foi – e o que foi é a morte do que é. Ou quando você vaguear pelas montanhas, deixe que todas as coisas lhe contem da beleza e da dor da vida, para que assim desperte para sua própria dor e para o fim dela”.

Há muito de importância universal sobre o que a pessoa tem de ponderar. A questão da dor e da alegria é de importância universal. Elas não são o que parecem ser na superfície. Há a busca de prazer, mas este prazer finda rapidamente. A morte toma alguém a quem alguém estava apegado, a afeição não é retribuída, a doença aflige os que são queridos. Inumeráveis são as maneiras elas quais o prazer termina em pesar e dor. Qual é o significado disso tudo? O que é o “eu” que continuamente busca prazer e tenta evitar a dor? Este eu existe por uma vida apenas? Existem muitas questões fundamentais que demandam uma resposta – uma resposta que seja real, não um eco vazio de palavras faladas por alguém mais. O que as escrituras dizem, o que Jesus Cristo ou Shankaracharya disseram são apenas palavras, até que pela séria ponderação, assimilação, se começa a descobrir por si mesmo o que cada questão realmente significa. Portanto, reflexão, capacidade de ponderar sobre verdades que são de significação universal, questionamento e investigação de problemas que se aplicam a todos os seres humanos, tudo é parte da prática meditativa. E ao fazer assim, a consciência abre-se e amplia o seu espaço. Ela quebra e ultrapassa as barreiras que criou para si mesma.

Assim, à medida que a base é estabelecida, o que auxilia a mente a despertar, a tornar-se mais reflexiva, observadora, sensível, escutando, observando, pensando, adquire a qualidade da profundidade. Somente a profundidade na própria consciência da pessoa é capaz de perceber a profundidade de toda a vida. A mente que vive em superficialidades pode ver somente coisas superficiais. Ao aprofundarmos a percepção, chegamos à profunda interioridade das coisas, aos níveis ocultos, sutis da vida. E existe uma profundidade infinita na vida; seu significado não tem limites. A descoberta dele é meditação; sua culminância é sabedoria.

No ensinamento budista, diz-se que a senda é tríplice. Ela começa com a reta conduta, chamada shila, o que significa que todos os fatores obscurecedores, as paixões  animais, os pensamentos egoístas que impedem a visão, devem chegar a um fim. Em segundo lugar, a senda implica em auxiliar a consciência a despertar através da observação, do escutar sensível e da profunda reflexão. Então a sabedoria começa a despontar. O caminho dá acesso a uma vasta esfera da qual não temos consciência agora. Então começa a revelar-se o supremo significado que abrange toda a vida.


A AUTO-INICIAÇÃO

​​(Texto de Humberto Rohden, escrito nos anos 70)


Hoje em dia, muitas pessoas falam em iniciação. Todos querem ser iniciados. Mas entendem por iniciação uma alô-iniciação, uma iniciação por outra pessoa, por um mestre, um guru. Esta alô-iniciação é uma utopia, uma ilusão, uma fraude espiritual.

Só existe auto-iniciação. O homem só pode ser iniciado por si mesmo.

O que o mestre, o guru, pode fazer é mostrar o caminho por onde alguém se pode auto-iniciar; pode colocar setas ao longo do caminho setas ao longo da encruzilhada, setas que indiquem a direção certa que o discípulo deve seguir para chegar ao conhecimento da verdade sobre Si mesmo. Isto pode e deve o mestre fazer - suposto que ele mesmo seja um auto-iniciado.

Jesus, o maior dos Mestres que a humanidade ocidental conhece, ao menos aqui, durante três anos consecutivos, mostrou a seus discípulos o caminho da iniciação, o que ele chama o "Reino dos Céus", mas não iniciou nenhum dos seus discípulos. Eles mesmos se auto-iniciaram na gloriosa manhã do domingo de Pentecostes, às 9 horas da manhã - como diz Lucas nos Atos dos Apóstolos. Mas esta grandiosa auto-iniciação aconteceu só depois de 9 dias de profundo silêncio e meditação; 120 pessoas se auto-iniciaram, sem nenhum mestre externo só dirigidas pelo mestre interno de cada um, pela consciência de seu próprio EU divino, da sua alma do seu Cristo Interno. E esta auto-iniciação do primeiro Pentecostes, em Jerusalém, pode e deve ser realizada por toda pessoa.

Mas acima de tudo, o que quer dizer Iniciação?

Iniciação é o início na experiência da verdade sobre si mesmo. O homem profano vive na ilusão sobre si mesmo. Não sabe o que ele é realmente. O homem profano se identifica com o seu corpo, com a sua mente com as suas emoções. E nesta Ilusão vive o homem profano a vida inteira, 30, 50, 80 anos. Não se iniciou na verdade sobre si mesmo, não possui autoconhecimento, e por isso não pode entrar na auto- realização. O que deve um homem profano fazer para se auto-iniciar? Para sair do mundo da ilusão sobre SI mesmo e entrar no mundo da verdade? Deve fazer o que fez o primeiro grupo de auto-iniciados, no ano 33, em Jerusalém, isto é, deve aprender a meditar, ou cosmo-meditar.

O iniciado dá tudo e não espera nada do mundo. Ele já encerrou as contas com o mundo. Pode dar tudo sem perder nada.

O auto-iniciado é um místico não um místico de isolamento solitário, mas um místico dinâmico e solidário, que vive no meio do mundo sem ser do mundo.

Onde há plenitude, aí há um transbordamento.

O homem plenificado pelo autoconhecimento e pela auto-realização transborda a sua plenitude, consciente ou inconscientemente, saiba ou não saiba, queira ou não queira. Esta lei cósmica funciona infalivelmente. Ele faz o bem pelo fato de ser bom, de viver em harmonia com a alma do Universo. Por isto, para fazer bem aos outros e à humanidade, não é necessário nem é suficiente fazer muitas coisas, mas é necessário e suficiente ser bom, ser realizado e plenificado do seu EU central, conscientizar e vivenciar de acordo com o seu EU central, com o seu Cristo Interno. A plenitude da consciência mística da paternidade única de Deus transborda irresistivelmente na vivência ética da fraternidade universal dos homens.

Para ter laranjas - laranjas verdadeiras - não é necessário fabricá-las. É necessário e suficiente ter uma laranjeira real e mantê-la forte e vigorosa. Nem é necessário ensinar a laranjeira como fazer laranjas, ela mesma sabe, com infalível certeza, como fazer flores e frutos. Assim, toda a preocupação de querer fazer bem aos outros sem ser bom é uma ilusão tão funesta como o esforço de querer fabricar uma laranja verdadeira sem ter uma laranjeira.

Mais importante que todo o fazer é o ser. Onde não há plenitude interna não pode haver transbordamento externo.

Para fazer o bem aos outros deve o homem ser realmente bom em si mesmo. Que quer dizer ser bom? Ser bom não é ser bonachão, nem bonzinho, nem bombonzinho. Para ser realmente bom deve o homem estar em perfeita harmonia com as leis eternas da verdade, da justiça, da honestidade, do amor, da fraternidade, e viver de acordo com esta sua consciência. Todo o fazer bem sem ser bom é ilusório, assim como qualquer transbordamento é impossível sem haver plenitude. O nosso fazer bem vale tanto quanto nosso ser bom. O ser bom é autoconhecimento e auto-realização.

Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante.

Os mais ruidosos sucessos sem a realização interna são deslumbrantes vacuidades; são como bolhas de sabão - belas por fora, mas cheias de vacuidade por dentro. 1% de ser bom realiza mais do que 100% de fazer bem. Auto-iniciação é essencialmente uma questão de ser e não de fazer. Esta plenitude do ser não se realiza pela simples solidão, mas pelo revezamento de introversão e extroversão. O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso dentro de si mesmo, na solidão da meditação e depois fazer o regresso para o mundo externo, a fim de testar a força e autenticidade do seu ingresso.

Todo auto-iniciado consiste nesse ingredir e nesse regredir, nessa implosão mística e nessa explosão ética.

Os discípulos de Jesus fizeram três anos de aprendizado e nove dias de meditação, depois se auto-iniciaram. Descobriram a verdade libertadora sobre si mesmos. A verdade que os libertou da velha ilusão de se identificarem com o seu corpo, com a sua mente, com as suas emoções, saíram das trevas da ilusão escravizante, e ingressaram na luz da verdade libertadora:

“Eu sou espírito, eu sou alma, eu e o Pai somos um, o Pai está em mim e eu estou no Pai... o Reino dos Céus está dentro de mim." (é a afirmação da UNIDADE de toda a VIDA)

E quem descobre a verdade sobre si mesmo, liberta-se de todas as inverdades e ilusões. Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda injustiça, de toda desonestidade, de todos os ódios e malevolências - de todo o mundo caótico do velho ego. O iniciado morre para o seu ego ilusório e nasce para o seu EU verdadeiro. O iniciado dá o início, o primeiro passo, para dentro do "Reino dos Céus". Começa a vida eterna em plena vida terrestre. Não espera um céu para depois da morte, vive no céu da verdade, aqui e agora - e para sempre. Isto é auto-iniciação. Isto é autoconhecimento. Isto é auto-realização.

Por Humberto Rohden - Do livro: PROFANOS E INICIADOS.
Colaboração: Régis Alves de Souza