Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de junho de 2018

"Só a Destruição Apocalíptica Pode Eliminar o Fosso Entre Ricos e Pobres" - Afirma o Historiador


Não é preciso ser um gênio para ver que há muita injustiça em nosso planeta. As pessoas ricas estão ficando mais ricas e as pessoas pobres muitas vezes têm muito poucas possibilidades de melhorar suas vidas.

Um historiador apresentou uma teoria radical sugerindo que apenas a destruição apocalíptica pode eliminar a lacuna entre ricos e pobres.

É uma visão pessimista, mas alguns cientistas acreditam que esta é a única maneira de "salvar" o mundo.

Em seu livro The Great Leveler: Violence and the History of Inequality, da Idade da Pedra até o Século XXI , o historiador de Stanford Walter Scheidel argumenta que a violência em massa e as catástrofes podem diminuir seriamente a desigualdade econômica,

De acordo com Scheidel, os registros históricos mostram que as sociedades são “niveladas” apenas por eventos enormemente destrutivos: guerra de mobilização de massa, revoluções radicais, fracassos do Estado e pandemias mortais.

"...A violência em massa e as catástrofes são as únicas forças que podem reduzir seriamente a desigualdade econômica? Para julgar por milhares de anos de história, a resposta é sim. Traçando a história global da desigualdade desde a Idade da Pedra até hoje, Walter Scheidel mostra que a desigualdade nunca morre pacificamente. A desigualdade diminui quando a carnificina e o desastre aumentam e aumenta quando a paz e a estabilidade retornam. The Great Leveler é o primeiro livro a mapear o papel crucial dos choques violentos na redução da desigualdade ao longo de toda a história humana ao redor do mundo.
  Desde que os humanos começaram a cultivar, rebanhar animais e repassar seus bens para as gerações futuras, a desigualdade econômica tem sido uma característica definidora da civilização. Ao longo de milhares de anos, apenas eventos violentos diminuíram significativamente a desigualdade. Os "Quatro Cavaleiros" de nivelamento - guerra de mobilização de massa, revoluções transformadoras, colapso estatal e pragas catastróficas - repetidamente destruíram a sorte dos ricos. Scheidel identifica e examina esses processos, desde as crises das primeiras civilizações até as cataclísmicas guerras mundiais e as revoluções comunistas do século XX. Hoje, a violência que reduziu a desigualdade no passado parece ter diminuído, e isso é uma coisa boa. Mas lança sérias dúvidas sobre as perspectivas de um futuro mais igual.
  Uma contribuição essencial para o debate sobre a desigualdade, The Great Leveler fornece novos insights importantes sobre por que a desigualdade é tão persistente - e porque é improvável que ela diminua tão cedo."

Como exemplos históricos que comprovam o caso, Scheidel menciona o colapso do Império Romano, da Peste Bubônica, da Revolução Francesa e das Guerras Napoleônicas, da Guerra Civil Americana, das revoluções comunistas russas e chinesas e das Guerras Mundiais I e II.

Quando as sociedades estão sob estresse, elas tendem a se reformar de maneiras que reduzem temporariamente as desigualdades de oportunidade e renda.

Sem um evento dramático e destrutivo, a distância entre ricos e pobres aumentará, disse o historiador.

Nas próximas décadas, o dramático envelhecimento dos países ricos e as pressões da imigração sobre a solidariedade social dificultarão ainda mais a distribuição equitativa dos rendimentos líquidos. E, acima de tudo, a mudança tecnológica em curso pode impulsionar a desigualdade de formas imprevisíveis, desde a automação mais sofisticada que esvazia os mercados de trabalho, até as melhorias genéticas e cibernéticas do corpo humano privilegiado”, disse Scheidel.

Scheidel salienta que uma guerra não é suficiente para melhorar as condições de vida futuras daqueles que são pobres agora. Segundo ele, apenas uma guerra nuclear pode remodelar o mundo como é agora.

"Apenas a guerra termonuclear total", afirma ele, "pode ​​fundamentalmente redefinir a distribuição existente de recursos", disse Scheidel.

Assim, parece que a escolha é a desigualdade ou o apocalipse, a menos que haja uma terceira opção que Scheidel e outros cientistas negligenciaram.


domingo, 23 de abril de 2017

Presidente da Anatel diz que a era da internet ilimitada no Brasil acabou


O atual presidente da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações, João Rezende, diz que a era da internet ilimitada está chegando ao fim.

Não podemos trabalhar com a noção de que o usuário terá um serviço ilimitado sem custo”, diz Rezende. “Em nem todos os modelos cabe ilimitação total do serviço, pois não vai haver rede suficiente para tudo.” Completa.

Ainda de acordo com a Anatel, uma das principais obrigações que as empresas prestadoras de serviços de telecomunicações terão de atender, será a criação de ferramentas que possibilitem ao usuário acompanhar seu consumo para que o mesmo saiba, antecipadamente, se sua franquia está próxima do fim. Se a opção for criar um portal, o cliente poderá saber seu perfil e histórico de consumo, para saber que tipo de pacote é mais adequado.

As empresas também terão que notificar seus usuários quando estiver próximo do esgotamento de sua franquia contratada e informar assim todos os pacotes disponíveis, com previsão de velocidade de conexão e franquia de dados.

Acreditamos que as empresas falharam e estão falhando na comunicação com o usuário”, afirmou Rezende. “Também acho absurdo suspender o serviço sem avisar usuário”, acrescentou.

Rezende ainda disse que as empresas que resolverem prestar os serviços ou continuar a prestar os serviços com pacotes de internet ilimitada, elas poderão fazê-lo. De acordo com ele, esse erro também já foi cometido pelas empresas quando ofereciam pacotes ilimitados de voz.

Quem quiser oferecer pacote ilimitado vai ver até onde vai suportar esse modelo de negócios”, diz Rezende. “Acho que as empresas tiveram um erro estratégico no passado de não perceber que qualquer mudança, como serviço ilimitado de dados, levaria a um momento em que seria preciso corrigir a tal rota, sob risco de queda de investimentos.

Já para o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Max Martinhão, a medida chega para dar equilíbrio e segurança aos usuários de internet. “As coisas estavam acontecendo de forma muito desordenada, a medida traz tranquilidade nesse momento.

Agora para o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), que representa as principais empresas do setor, informou que não irá se pronunciar sobre a cautelar, porque cada empresa tem um posicionamento sobre a questão.


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Como os Ingleses dividiram o Mundo Árabe


O desenvolvimento dos modernos Estados nacionais em todo o mundo árabe é um processo fascinante e comovente. Há 100 anos, a maioria dos árabes faziam parte do Império Otomano / Califado, um grande Estado multiétnico com sede em Istambul. Hoje, um mapa político do mundo árabe parece um quebra-cabeça muito complexo. Um curso complexo e intrincado de eventos na década de 1910 trouxeram o fim dos otomanos e a ascensão dessas novas nações com fronteiras que cortam todo o Oriente Médio, dividindo os muçulmanos uns dos outrs. Embora existam diversos fatores que tenham levado à isso, o papel que os britânicos fizeram nesta tarefa era muito maior do que qualquer outro participante na região. Em três acordos separados, eles fizeram promessas conflitantes em que os britânicos tiveram que sustentar. O resultado foi uma confusão política que dividiu uma grande parte do mundo muçulmano.


A eclosão da Primeira Guerra Mundial

O Império Otomano, em 1914, no início da guerra
No verão de 1914, eclodiu a guerra na Europa. Um complexo sistema de alianças, uma corrida armamentista militarista, ambições coloniais e má gestão geral nos níveis mais altos do governo levaram a esta guerra devastadora que tiraram a vida de 12 milhões de pessoas entre 1914 e 1918. No lado “Aliados” estavam os impérios da Grã-Bretanha, França e Rússia. O poder “Central” consistiu na Alemanha e da Áustria-Hungria.

A princípio, o Império Otomano decidiu permanecer neutro. Eles não eram quase tão fortes quanto qualquer um dos outros países que lutavam na guerra e eram assolados por ameaças internas e externas. O sultão otomano / califa era nada mais do que uma figura de proa, neste ponto, com o último sultão poderoso, Abdulhamid II, tendo sido derrubado em 1908 e substituído por um governo militar liderado pelos “Três Pashas”. Eles eram do grupo ocidentalizado secular, os Jovens Turcos. Financeiramente, os otomanos estavam em um dilema grave, devido a enormes dívidas para as potências européias que eles não foram capazes de pagar. Depois de tentar se juntar ao lado dos Aliados e serem rejeitados, os otomanos alinharam com as Potências Centrais em outubro de 1914.

Os britânicos imediatamente começaram a conceber planos para dissolver o Império Otomano e expandir seu império no Oriente Médio. Eles já tinham o controle do Egito desde 1888 e da Índia desde 1857. O Oriente Médio otomano estava bem no meio dessas duas colônias importantes e os britânicos estavam determinados a exterminá-lo como parte da guerra mundial.
A Revolta Árabe

Uma das estratégias britânicas foi transformar os assuntos árabes do Império Otomano contra o governo. Eles encontraram um ajudante pronto e disposto no Hejaz, a região ocidental da Península Arábica. Sharif Hussein bin Ali, o emir (governador) de Makkah entrou em um acordo com o governo britânico para se revoltar contra os otomanos. Suas razões para aliar-se com os britânicos contra outros muçulmanos permanece incerto. As possíveis razões para a sua revolta foram: desaprovação com os objetivos nacionalistas turcos dos Três Pashas, uma rixa pessoal com o governo otomano ou simplesmente um desejo de ter seu próprio reino.

O que quer que suas razões tenham sido, Sharif Hussein decidiu revoltar-se contra o governo otomano em aliança com os britânicos. Em troca, os britânicos prometeram fornecer dinheiro e armas para os rebeldes para ajudá-los a lutarem contra o exército muito mais organizado Otomano. Além disso, os britânicos prometeram-lhe que, depois da guerra, ele teria seu próprio reino árabe que cobriria toda a Península Arábica, incluindo a Síria e o Iraque. As cartas em que os dois lados negociavam e discutiam a revolta são conhecidas como as Correspondências McMahon-Hussein , já que Sharif Hussein estava se comunicando com o alto comissário britânico no Egito, Sir Henry McMahon.

Rebeldes árabes com os britânicos projetando
a bandeira da revolta árabe
Em junho de 1916, Sharif Hussein levou seu grupo de guerreiros armados beduínos do Hejaz em uma campanha armada contra os otomanos. Dentro de poucos meses, os rebeldes árabes conseguiram capturar inúmeras cidades do Hejaz (incluindo Jeddah e Makkah) com a ajuda do exército e da marinha britânica. Os britânicos prestaram apoio na forma de soldados, armas, dinheiro, conselheiros (incluindo o “lendário” Lawrence da Arábia) e uma bandeira. Os britânicos no Egito elaboraram uma bandeira para os árabes para usarem em batalha, que era conhecida como a “Bandeira da revolta árabe”. Esta bandeira se tornaria mais tarde o modelo para outras bandeiras árabes de países como a Jordânia, Palestina, Sudão, Síria e Kuwait.

Como a Primeira Guerra Mundial atravessou os anos 1917 e 1918, os rebeldes árabes conseguiram capturar algumas das principais cidades dos otomanos. Os britânicos avançaram na Palestina e no Iraque, capturando cidades como Jerusalém e Bagdá, os árabes ajudou-os através da captura de Amman e Aqaba. É importante notar que a Revolta Árabe não teve o apoio de uma grande maioria da população árabe. Foi um movimento minoritário de quase 2000 membros da tribo liderada por alguns líderes que procuravam aumentar seus próprios poderes. A grande maioria dos povos árabes ficou longe do conflito e não apoiaram os rebeldes ou o governo otomano. O plano de Sharif Hussein para criar seu próprio reino árabe foi um sucesso até agora, se não fosse por outras promessas que os britânicos fariam.


O Acordo Sykes-Picot

Antes que a revolta árabe pudesse mesmo começar e antes de Sharif Hussein criar seu reino árabe, os britânicos e franceses tinham outros planos. No inverno de 1915-1916, dois diplomatas, Sir Mark Sykes da Grã-Bretanha e François Georges-Picot da França secretamente se reuniram para decidir o destino do mundo árabe pós-otomano.

Controle britânico e francês de acordo com o Acordo Sykes-Picot

De acordo com o que se tornaria conhecido como o Acordo Sykes-Picot, os britânicos e franceses concordaram em dividir o mundo árabe entre si. Os britânicos estavam a tomar o controle do que é hoje o Iraque, Kuwait e Jordânia. Aos franceses foram dados Síria moderna, Líbano e sul da Turquia. O estado da Palestina foi determinado posteriormente, com a ambição sionista sendo tomada em conta. As zonas de controle que os britânicos e franceses criaram permitiram uma certa quantidade de autonomia árabe em algumas áreas, embora com controle europeu sobre esses reinos árabes. Em outras áreas, os britânicos e franceses foram prometidos controle total.

Apesar de ter sido concebido para ser um acordo secreto para um pós-Primeira Guerra Mundial do Oriente Médio, o acordo ficou conhecido publicamente em 1917, quando o governo russo bolchevique o expôs. O Acordo Sykes-Picot contradisse diretamente as promessas feitas pelos britânicos para Sherif Hussein e causou uma quantidade considerável de tensão entre os britânicos e árabes. No entanto, este não seria o último dos acordos conflitantes que os britânicos fariam.


A Declaração Balfour

Outro grupo que queria seu espaço no poder no cenário político do Oriente Médio foram os sionistas. O sionismo é um movimento político que apela à criação de um Estado judeu na Terra Santa da Palestina. Tudo começou em 1800 como um movimento que buscou encontrar uma pátria fora da Europa para os judeus (a maioria dos quais viviam na Alemanha, Polônia e Rússia).

Arthur Balfour e a Declaração Balfour original
Eventualmente os sionistas decidiram pressionar o governo britânico durante a Primeira Guerra Mundial para que permitissem se estabelecerem na Palestina após a guerra tivesse acabado. Dentro do governo britânico, haviam muitos que eram simpáticos a esse movimento político. Um deles foi Arthur Balfour, o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha. Em 2 de novembro de 1917, ele enviou uma carta ao barão Rothschild, um líder na comunidade sionista. A carta declarou apoio oficial do governo britânico para os objetivos do movimento sionista para estabelecer um Estado judeu na Palestina:

“O ponto de vista do governo de Sua Majestade é a favor do estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e vai usar seus melhores esforços para facilitar a realização deste objetivo, sendo claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades existentes de não-judeus na Palestina, ou os direitos e estatuto político dos judeus em qualquer outro país.”

Três acordos conflitantes

Em 1917, os britânicos tinham feito três acordos diferentes com três grupos diferentes prometendo três futuros políticos diferentes para o mundo árabe. Os árabes insistiram em terem seu reino árabe que foi prometido a eles através de Sharif Hussein. Os franceses (e próprios britânicos) planejavam dividir essa mesma terra entre si. E os sionistas deveriam receber a Palestina como prometido por Balfour.

Em 1918, a guerra terminou com a vitória dos Aliados e a completa destruição do Império Otomano. Embora os otomanos existissem nominalmente até 1922 (e o califado existisse nominalmente até 1924), todos as ex-terras Otomanas estavam agora sob a ocupação européia. A guerra acabou mas o futuro do Oriente Médio ainda estava em disputa entre três lados diferentes.

Os mandatos que a Liga das Nações, criaram após a Primeira Guerra Mundial

Qual lado ganhou? Nenhum totalmente conseguiu o que queria. No rescaldo da Primeira Guerra Mundial, a Liga das Nações (precursora da Organização das Nações Unidas) foi estabelecida. Uma de suas tarefas era dividir as terras otomanas conquistadas. Ela elaborou “mandatos” para o mundo árabe. Cada mandato deveria ser governado pelos britânicos ou franceses “até o momento em que eles fossem capazes de se governarem sozinhos.” A Liga foi a que elaborou as fronteiras que vemos nos mapas modernos políticos do Oriente Médio. As fronteiras foram traçadas sem levar em conta os desejos das pessoas que viviam lá ou ao longo de fronteiras étnicas, geográficas ou religiosas – elas eram verdadeiramente arbitrárias. É importante notar que, ainda hoje, as fronteiras políticas no Oriente Médio não indicam diferentes grupos de pessoas. As diferenças entre os iraquianos, sírios, jordanianos, etc. foram totalmente criadas pelos colonizadores europeus como um método de dividir os árabes uns contra os outros.

Através do sistema de mandato, os britânicos e os franceses foram capazes de obterem o controle que queriam sob todo o Oriente Médio. Para Sharif Hussein, seus filhos foram autorizados a governarem com esses mandatos sob a “proteção” britânica. O Príncipe Faisal foi feito rei do Iraque e da Síria e o príncipe Abdullah foi feito rei da Jordânia. Na prática, porém, os britânicos e franceses tinham autoridade real sobre essas áreas.

Para os sionistas, eles foram autorizados pelo governo britânico a se estabelecerem na Palestina, embora com limitações. Os britânicos não queriam irritar os árabes que já viviam na Palestina, então eles tentaram limitar o número de judeus com permissão para migrar para a Palestina. Isto enfureceu os sionistas, que procuravam formas ilegais de imigrar ao longo das décadas de 1920 e 1940, bem como os árabes, que viram a imigração como a invasão da terra que havia sido deles desde que Salah al-Din a libertou em 1187.

A confusão política que a Grã-Bretanha criou no rescaldo da Primeira Guerra Mundial permanece até hoje. Os acordos concorrentes e os países subseqüentes que foram criados para desunir um muçulmanos do outro levou à instabilidade política em todo o Oriente Médio. O surgimento do sionismo juntamente com a desunião dos muçulmanos na região levou a governos corruptos e declínio econômico para o Oriente Médio como um todo. As divisões que os britânicos instituiram no mundo muçulmano permanecem fortes até hoje, apesar de terem sido inteiramente criadas dentro dos últimos 100 anos.


Bibliografia

  • Fromkin, David. A Peace to End All Peace: The Fall of the Ottoman Empire and the Creation of the Modern Middle East. New York: H. Holt, 2001.
  • Hourani, Albert Habib. A History Of The Arab Peoples. New York: Mjf Books, 1997. Print.
  • Ochsenwald, William, and Sydney Fisher. The Middle East: A History. 6th. New York: McGraw-Hill, 2003. Print.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Quer estudar na Alemanha? Agora é de graça!

A Alemanha aboliu completamente as mensalidades das universidades em todo o seu território. A gratuidade também vale para estudantes internacionais: agora qualquer pessoa, de qualquer nacionalidade, pode estudar lá sem pagar nada.


Segundo um ranking da consultoria QS, o país é o quarto destino mais popular do mundo entre estudantes de ensino superior.

Comparadas a instituições de outros países, como os Estados Unidos, as universidades alemãs já cobravam mensalidades relativamente baixas, de acordo com o site ThinkProgress.

Em média, o aluno precisava pagar cerca de 500 euros por semestre, além de ter direito a diversos benefícios, como transporte barato ou gratuito entre cidades.

A gratuidade na oferta de educação superior é uma tendência em diversos europeus, com algumas exceções, como o Reino Unido.

Gabrielle Heinen-Kjajic, ministro da Baixa Saxônia – a última região alemã a abolir as mensalidades –  disse ao site German Pulse que a decisão foi tomada porque “não queríamos um ensino superior que dependesse da riqueza dos pais [do estudante]”

Fonte: EngenhariaÉ

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ex-Operador de nave espacial da NASA afirma que ETs visitaram Ônibus Espacial!


As missões dos Ônibus Espaciais da NASA já não existem mais, e todos se perguntaram o porquê da interrupção do projeto que facilitou a ida do homem ao espaço.

De qualquer forma, o histórico dessas missões guardam uma rica gama de eventos anômalos, os quais são sempre explicados pela NASA como sendo de interpretação errônea, ou ocorrência natural.  Porém, há casos testemunhados pelos próprios funcionários da agência espacial, aos quais a NASA se recusa a comentar.

Um desses casos, foi registrado na declaração feita pelo ex-operador de nave espacial, Clark C. McClelland, em seu próprio site, alegando o avistamento de um ser extraterrestre embarcado na baia de carga do Ônibus Espacial.

Veja:

Clark C. McClelland.
I, Clark C. McClelland, ex-ScO (Space Craft Operator – Operador de Nave Espacial), pessoalmente observei um ET de 8 a 9 pés (2,43 a 2,74 metros) de altura nos meus vídeo monitores de 27 polegadas, enquanto eu estava de plantão no Centro Espacial Kennedy, Centro de Controle de Lançamento (LCC – sigla em inglês).  O ET estava em pé na área de carga do Ônibus Espacial, tendo uma conversa com dois astronautas da NASA.  Eu também observei nos meus monitores, a nave espacial do ET, enquanto estava em uma órbita segura e estabilizada na parte de trás dos motores do Ônibus Espacial.  Eu observei este incidente por aproximadamente um minuto e sete segundos.  Tempo o suficiente para memorizar tudo que eu estava observando.  ERA UM ET e uma Nave Espacial Alienígena!
Para todos que colocam fé em mim, eu apresento-os com uma concepção artística (ver foto abaixo) do que vi muitos anos atrás no KES.  Era uma criatura alta, de aproximadamente 8 a 9 pés de altura.  Ela tinha um corpo humanoide, com dois braços, duas mãos, duas pernas, dois pés, um torso esguio e uma cabeça normal para seu tamanho.  A cor de sua pele não pode ser determinada.  Ele parecia ter dois olhos, mas [a imagem] não possui detalhes o suficiente para que quaisquer outros comentários possam ser ditos.

 
Como a criatura se comunicava?  Eu não tenho a menor ideia.  Ela movia os braços bastante. Quando como se estivesse dando instruções!  Eu não escutei nenhuma comunicação por voz. O capacete não era tão grande quanto os de nossos dois astronautas da NASA, e tinha um visor para olhar para frente.  Ela tinha talvez um pequeno aparelho de comunicação, acoplado somente ao lado direito do capacete.

Não vi nenhum tanque de oxigênio.  Ela tinha um cinto largo ao seu redor. Ela não parecia estar atrelada à sua nave, como os dois astronautas estavam ao Ônibus Espacial.  Não pude observar nada que se parecesse como uma arma.  O tempo de duração desta cena espetacular foi de um minuto e sete segundos.  Eu cronometrei no meu relógio cronógrafo de astronauta.

Mais tarde, um amigo meu me contactou e disse que também observou um ET de 8 a 9 pés de altura DENTRO DO COMPARTIMENTO DA TRIPULAÇÃO DO ÔNIBUS ESPACIAL!  Sim, dentro do NOSSO ÔNIBUS ESPACIAL!

Com o meu histórico verificável, não há nenhuma Agência Governamental Federal que possa dizer que estou louco.

Clark

A declaração acima pode ser lida em sua versão original, na língua inglesa, no site do próprio Clark: www.stargate-chronicles.com.

Fonte: ovnihoje.com


Webdesigner parou de cobrar por seu trabalho e NÃO SE ARREPENDE!

Com a opção dos clientes pagarem o quanto (e se) quiserem, Adrian Hoppel acabou fechando contratos melhores do que no modelo tradicional.


Adrian Hoppel é um webdesigner Filadélfia e há alguns anos  decidiu que não queria trabalhar em um emprego tradicional.

Se isso já parece arriscado para um adulto com uma família e filho pequeno  para criar, Hoppel foi além. Decidiu por uma mudança ainda mais radical e parou de cobrar dinheiro por seu trabalho. Ao invés disso, começou a operar dentro do que chamou de "economia do presente".

Hoppel explicou em seu blog sua nova filosofia de trabalho. "Se nós decidirmos trabalhar juntos, eu vou construir um site como um presente, e depois que estiver pronto, eu dou a você. Então, se você considerar que o projeto valeu a pena, pode escolher algo justo de presente de volta para mim. Não há nenhum contrato, nenhuma negociação, nenhuma pressão".

A única pressão que existe, claro, é o de de ganhar o pão de cada dia. Mas quanto a isso, Hoppel não parece preocupado. “A maioria dos clientes me presenteou com pagamento em dinheiro, e em uma quantia maior do que eurecebia no modelo tradicional, baseado na negociação, em que os menores preços vencem a concorrência. Já o modelo de presente que se baseia no respeito mútuo e na justiça”.

Segundo ele, adotar esse sistema não significa trabalhar de graça, mas se baseia em uma troca de confiança. “As pessoas confiam em mim para construir um site, e eu confio neles para apoiar meu trabalho da maneira mais justa”. E complementa: “Com essa escolha, eu recebi o presente mais importante de todos: a verdadeira fé nas pessoas em serem honestas, justas, generosas e solidárias”.

Segundo ele, nunca algum cliente deixou de dar pelo menos algum presente por seu trabalho.



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Canadá divulga manual de sobrevivência para APOCALIPSE ZUMBI

Nós, aqui do Filosofia Imortal, pensamos: o que estes "poderosos" estão aprontando, hein?


Canadá divulga manual de sobrevivência 
para apocalipse zumbi

Governo publicou guia sobre invasão de mortos-vivos; iniciativa faz parte de uma campanha de prevenção a desastres naturais


São Paulo - Você saberia o que fazer durante uma epidemia zumbi? Onde se esconder? Como procurar suprimentos? O que é mais útil: armas de fogo ou armas brancas?

Pensando em evitar o pior, o governo da província da Columbia Britânica, a terceira maior do Canadá, divulgou um guia de sobrevivência para invasões de mortos-vivos.

O manual, publicado no site do Centro de Informações para Emergências do estado, justifica: "Ainda que as chances de um zumbi batendo na sua porta sejam pequenas, nós acreditamos que, se você está pronto para zumbis, está pronto para qualquer desastre".

Protocolos oficiais de segurança são bem comuns em caso de terremotos, tsunamis e inundações, mas podemos dizer que a província mostra certo ineditismo. A ideia, explica o órgão, foi escolher um tema popular para alertar os cidadãos sobre a importância da preparação para situações extremas.

"Você está pronto?"

O conteúdo do guia é bem didático, e dividido em estratégias pré-ataque, o que fazer nos primeiros cinco dias de epidemia e como mapear os melhores locais para fuga. Há ainda uma série de vídeos que ilustram o que fazer - e não fazer - em caso de um vírus zumbi à solta. 

As dicas incluem, por exemplo, manter ao menos metade do tanque do seu veículo abastecido, planejar uma rota de evacuação, estocar água e alimentos e ter um kit de primeiros socorros por perto - ainda que, uma vez que você seja mordido, não há muito o que possa ser feito. Um dos trechos ainda avisa: cuidado, tudo pode começar com um surto de gripe particularmente agressivo, então é bom ficar atento às notícias da TV. 

A campanha, que começou esta semana, contou também com tweets enviados pela conta oficial do Centro de Emergências com conteúdo sobre os ataques. Um discreto aviso esclarecendo que o apocalipse ainda não começou de verdade ajudou a evitar (por enquanto) o pânico dos canadenses.

Fonte: Exame


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Ministério Público pede bloqueio de bens de Lula

O Ministério Público Federal (MPF) de Brasília pediu à justiça o bloqueio dos bens do ex-presidente Lula da Silva, a quem acusa de improbidade administrativa por ter usado verba pública com claro intento de promoção pessoal.


O bloqueio de bens tem como finalidade garantir a devolução aos cofres públicos de quatro milhões de euros que Lula, segundo o MPF, usou indevidamente.

A acção interposta pelo MPF refere-se ao gasto desses quatro milhões de euros com a impressão e o envio pelo correio de mais de dez milhões de cartas enviadas pela Segurança Social a reformados entre Outubro e Dezembro de 2004, segundo ano do primeiro mandato de Lula.

A missiva avisava os reformados que um convênio estabelecido entre a Segurança Social e o até então desconhecido Banco BMG lhes permitia a partir de então pedirem empréstimos a juros baixos e sem qualquer burocracia àquela instituição bancária, com o desconto das parcelas sendo feito diretamente nas reformas.

 Até aí não haveria problema, não fossem dois detalhes, que chamaram a atenção dos promotores. O BMG, único banco privado a ser autorizado na altura a realizar esse tipo de empréstimo, conseguiu a autorização em menos de duas semanas, quando o normal seriam vários meses, e as cartas, simples correspondência informativa, eram assinadas por ninguém menos que o próprio presidente da República, algo nada comum para esse tipo de aviso.

Para o Ministério Público, não há dúvida de que Lula e o então ministro da Segurança Social, Amir Lando, que também assinou as cartas e é igualmente acusado na ação  usaram a correspondência para obterem promoção pessoal e lucro político e que a ação do presidente da República favoreceu a extrema rapidez com que o BMG conseguiu autorização para operar o negócio, desrespeitando as normas do mercado. A 13.ª Vara Federal, em Brasília, a quem a ação foi distribuída, ainda não se pronunciou sobre o pedido do MPF.


Leia mais: LULA - Bloqueio dos bens no valor de R$ 9.526.070,64 por IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ataque aéreo israelense a Damasco provocou 300 mortos


Cerca de 300 militares foram mortos no ataque aéreo de Israel a um subúrbio de Damasco, centenas de pessoas ficaram feridas, informou o portal da Internet Damas Post, alegando fontes próprias.

Segundo se informa, o ataque foi assestado contra uma área suburbana, na qual estão aquarteladas duas brigadas da Guarda presidencial. Além disto, foram atacados depósitos de armas e um centro militar de pesquisas, na localidade de Jamraia.

Hoje, o vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Mekdad, qualificou o ataque israelense como “declaração de guerra”.


Síria responderá com mísseis ao próximo ataque israelense


O canal de televisão libanês Al Mayadeen, ligado ao movimento islamista Hezbollah, anunciou que as autoridades sírias ordenaram grupos palestinos clandestinos nas Colinas de Golã para começarem a agir contra Israel.

O canal também informou que os mísseis sírios agora estão apontados para Israel. O canal afirma que em caso de qualquer nova violação israelense da soberania da Síria será lançado um ataque de mísseis contra Israel.

Fonte:



terça-feira, 9 de abril de 2013

O Descobrimento Planejado Do Brasil

A Tomada De Posse Da Terra Prometida


Ao longo deste capítulo, serão abordadas questões extremamente importantes e, infelizmente, pouco conhecidas. Antes de mais nada, é preciso esclarecer que o Brasil não foi "descoberto" em 22 de abril de 1500, conforme regularmente se ensina (e se comemora) e que a missa aqui celebrada em 26 de abril também não foi a primeira. 

Em seguida, convém registrar que o "descobrimento" não se deu por acaso, como se costuma (ou se costumava) ensinar nos livros escolares; foi, ao contrário, cuidadosamente planejado pelos reis templários portugueses, que tinham conhecimento da existência destas terras do outro lado do Atlântico e sabiam das correntes marítimas para a elas chegar muito antes das primeiras navegações lusitanas.

Em terceiro lugar, é preciso retificar que o principal motivo para as grandes navegações não foi de ordem econômica, como costumeiramente se acre-dita; ao contrário, o projeto dos descobrimentos obedeceu, antes de tudo, a uma motivação espiritual - dentro do plano dos cavaleiros da Ordem do Templo ou de Cristo de chegar à Terra da Promissão, à Grande Ilha Sagrada ou Ilha Imperecível, onde seria feito, de acordo com as profecias , o Reino de Deus na Terra.

Em quarto, o nome Brasil não veio de pau-brasil (cor de brasa) como se ensina e, sim, é uma denominação que já existia antes da oficialização da descoberta, significando "terra abençoada".

Finalmente, quem nos colonizou não foram só bandidos degredados e gente da pior espécie, conforme se afirma injusta e inveridicamente; ao contrário, o Brasil foi povoado principalmente por uma elite constituída por cristãos-novos, cavaleiros templários e pessoas perseguidas ( degredadas) por questões ideológicas ou religiosas, como os festeiros do Divino.Vamos ver esses cinco aspectos um por um.


1343: Portugal Anuncia ao Papa a "Descoberta" da Ilha do Brasil

Oficialmente, sabe-se que os portugueses já no ano de 1343 ou antes dele aqui estiveram, enviados pelo rei de Portugal Afonso IV, filho de D. Dinis.

Afirma-nos Roberto Costa Pinho que "o primeiro registro da Ilha Brasil encontra-se na Carta Náutica do cartógrafo genovês Angel Dalorto, elaborada em 1325, onde ela figura a oeste da costa sul da Irlanda, 175 anos antes do Brasil ser oficialmente descoberto."


Como podia um cartógrafo genovês saber da existência desta terra, que os irlandeses da época passaram depois a chamar de Ilha de São Brandão? De duas maneiras: ou porque teve acesso a mapas existentes (como os dos templários) – assunto de que falaremos mais à frente - ou porque, já nessa época, navegadores portugueses, orientados por genoveses, cruzavam os mares e aportavam no Novo Mundo.

Esta última hipótese sem dúvida é plausível, pois convém lembrar que o rei D. Dinis, de Portugal, nascido em 1260 e considerado o pai do projeto dos descobrimentos, contratou navegadores genoveses para construção da primeira armada portuguesa, com vistas às navegações marítimas futuras. Foi este monarca que plantou pinhais pelo reino, para fornecer a madeira necessária ao feitio das embarcações.

O ano de 1325, em que apareceu a Carta Náutica de Ângelo Dalorto, foi também o ano em que morreu D. Dinis, subindo ao trono seu filho Afonso IV. Dezoito anos após a morte de D. Dinis, em 1343, foi oficiada ao papa a descoberta da Ínsula Brasil, conforme registra Felipe Cocuzza:

"Sancho Brandão foi o navegador português que, a mando de D. Afonso IV chegou ao Brasil na Idade Média, conforme atesta Assis Cintra, em seu livro "Revelações Históricas para o Centenário", em 1923. Essa navegação foi informada por D. Afonso IV ao papa Clemente VI em carta de 12 de fevereiro de 1343, acompanhada de um mapa com a inscrição de "Ínsula do Brasil ou de Brandam". O nome Sancho, de Sanctius, o mais santo, ajudou a convergência para São Brandão". 

Segundo este mesmo autor, mapas e textos europeus da Idade Média, entre eles o célebre "The Canterbury Tales", de Geolfroy Chaucer (1380) ligam sempre o nome do Brasil ao de Portugal, às vezes dando idéia inequívoca de posse: Brasil de Portugal.

Esta "descoberta" de 1500 foi, portanto, uma "tomada de posse", uma vez que os reis templários de Portugal já sabiam da existência destas terras muito antes dessa navegação ordenada pelo rei Afonso IV, aliás preparada pelo seu pai, D. Dinis, chamado por Fernando Pessoa de "plantador de naus".


O Plano da "Descoberta"

Se quem conseguiu primeiramente sucesso nas navegações portuguesas foram os reis D. Dinis e Afonso IV, o monarca que ficou com a fama dos descobrimentos foi D. Manuel, o Venturoso, pois foi ele quem tratou da oficialização perante o mundo da descoberta do Brasil. O alegado "descobrimento casual" foi, na verdade, resultado de um plano cuidadosamente preparado durante séculos pelos reis templários lusitanos.

Foi esse plano que levou o rei D. Dinis a reflorestar Portugal, plantando os pinhais para fornecer madeira para as embarcações, duzentos anos antes do "descobrimento" oficial, e a criar a primeira armada portuguesa, com auxílio de navegadores genoveses. Depois disso, os reis dele descendentes continuaram o projeto de chegada à "terra prometida".

Os mapas e registros dessa terra e das correntes marítimas para a ela chegar (oriundos dos navegadores fenícios e hebreus), juntamente com profecias detalhadas sobre esse longínquo mundo, teriam passado ao poder dos cavaleiros templários quando, no século XII, fundaram a Ordem do Templo em Jerusalém, no mesmo local onde antes se situara o templo de Salomão, conforme vimos nos capítulos 5, 6 e 7 deste livro.


A Origem Templário (Espiritual ) dos Descobrimentos

É do conhecimento das pessoas mais evoluídas que existem aspectos, ou mesmo fatos na História, ou ainda até a própria História que são deliberadamente omitidos ou ocultados por razões de quem tem o poder ou de quem quer se proteger dele.

Acreditar, como é ensinado por exemplo no Brasil, que seu descobrimento se deve a uma chegada fortuita e, mais, que o interesse pelo monopólio das especiarias motivou a expansão marítima portuguesa e os descobrimentos é ter, como diz Antônio Quadros, a visão limitada das pessoas que só enxergam até onde a miopia do dinheiro lhes permite.

Assim como o Império Romano se deveu ao estoicismo, Portugal do século XV ao XVI foi dono da metade do planeta e ainda invencível em terra e nos mares porque tinha um alvo muito além do mero interesse pelas riquezas, que certamente houve.

O Porto do Cálice ou Porto do Graal (Portugal), país templário por excelência, era naquele período um conjunto de forças e aspirações superiores condensados num só sentido: a expansão da fé de Cristo e a formação do Reino do Espírito Santo, baseado na tradição templária, com sua visão joanina, fundamentada na doutrina de Gioachino di Fiori sobre o advento da Terceira Idade - impelia-os a fé no destino de uma pátria messiânica portuguesa.

O principal móvel secreto dos descobrimentos, como bem assinalam Antônio Quadros e outros autores, foi de ordem espiritual: o desejo de construir o Quinto Império ou reino do Espírito Santo no mundo. Para tanto, conforme mostramos em nosso livro, ambicionavam chegar à Grande Ilha que, segundo as profecias, estaria destinada para tal propósito.

Rainer Daenhardt, historiador alemão, afirma que não é por acaso que os grandes navegadores portugueses dos séculos XV e XVI eram membros das ordens de Cristo e de Avis, nem é por motivos fortuitos que levavam em suas embarcações a cruz da Ordem de Cristo nas velas.

"A expansão do mundo português não foi o resultado ocasional de aventureiros que se lançaram à procura de conquistas de novas rotas marítimas para enriquecerem rapidamente e de qualquer maneira. Na História escrita por mãos portuguesas não houve a aniquilação sistemática de povos, religiões ou culturas, ao primeiro contato, como a extinção dos astecas, no México, dos Incas no Peru e dos Guanches nas Canários, por exemplo. Com a Ordem de Cristo foi tudo diferente. "

Para esse escritor, a expansão portuguesa não foi sempre pacífica, mas de qualquer modo, uma pequena nação pôde escrever páginas significativas na História da Humanidade, sem impor extermínio de populações. Foram cavaleiros iniciados que navegaram por todos os mares e levantaram padrões com símbolos da Ordem de Cristo, da Cruz de Avis e da Cruz das Quinas, circundada pelo escudo dos castelos.

Afirma Daenhardt que a orientação da Ordem de Cristo, que supervisionava toda a expansão marítima, imprimiu uma vontade férrea à atuação portuguesa, liderada por cavaleiros iniciados, vivos exemplos de uma interpretação da fé, bem diferente da missão que lhes estava destinada. Essa já era a força da "Fé de Portugal".


Brasil Não Veio de "Pau-Brasil"

Conforme foi afirmado anteriormente, o nome Ilha Brasil já existia antes do descobrimento oficial do Brasil por Pedro Álvares Cabral – quando, em 1343 o navegador Sancho Brandão representou o continente com o nome de Ínsula Brasil ou Brandam.

O pesquisador Felipe Cocuzza explica que "durante a Idade Média, a lendária Ilha Brasil povoou a poesia, os mapas, as tradições, as profecias e o folclore. A palavra Brasil tem duas etimologias convergentes: o germânico brasa, que passou ao Latim e ao Português, de onde veio a designação pau-brasil, devido à cor vermelha e o celta BRAS ou BRES, paralelo ao inglês BLESS que significa benção; prende-se ainda ao hebraico BRACHA (ch aspirado como em alemão) também com o sentido de benção e ao sânscrito BRHAMA da raiz BRITH, expandir, irradiar; brilhar, com o sentido de Deus, benção, suma ventura. Portanto, Ilha Brasil quer dizer Ilha Abençoada."


Livres-Pensadores, não Degredados

Diversos autores apontam que uma das maiores injustiças feitas ao Brasil é dizer que foi povoado por degredados, gente da pior espécie. Ao mesmo tempo, a história ensinada nos bancos escolares salienta, é claro, que os Estados Unidos foram colonizados por pessoas da melhor espécie. Autores como Cocuzza, Varnhagen, João Francisco Lisboa, entre outros, desmentiram essas duas falsidades infelizmente arraigadas na mente do povo por força de um ensino errôneo.

Na verdade, a maior parte dos degredados não eram prisioneiros de crime comum, mas livres-pensadores perseguidos por motivos ideológicos (Inquisição) como cristãos novos e humanistas. Não nos podemos esquecer, em honra dos portugueses, do belo trabalho efetuado pelos jesuítas (Nóbrega. Anchieta) com suas missões, e pelos franciscanos da Ordem Terceira. As duas ordens religiosas trouxeram ao Brasil a tolerância racial, o culto ao Espírito Santo, a Festa do Divino e o sonho de realizar o Reino de Deus na Terra.

Saliente-se o povoamento feito por levas de famílias açorianas que se fixaram no Rio Grande do Sul - ou que fundaram, entre outros Estados, o do Espírito Santo, cuja capital, significativamente, chama-se Vitória.

Entre os degredados vindos ao Brasil, para felicidade de nossa terra, estavam os festeiros do Divino, que na Europa estavam sendo perseguidos pela Inquisição por anunciarem o futuro Império do Espírito Santo. Neste país, eles organizaram as festas que existem com pujança até os dias de hoje.

Constitui portanto uma insensatez dizer que foi má sorte para o Brasil ter sido colonizado pelos portugueses; que seria melhor termos sido colonizados pelos ingleses, franceses, holandeses, etc. É só ver o racismo, a intolerância e o clima insuportável existente nas terras colonizadas por tais países, para suspirarmos aliviados por termos sido um país descoberto e povoado por lusitanos.


Vespúcio descobre o Paraíso Terrestre

Américo Vespúcio (1452 a 1512), cosmógrafo e navegador, é um dos nomes mais importantes da história da descoberta do Novo Mundo. Graças às suas cartas, que se difundiram em forma de folhetins de sucesso e encantaram a Europa renascentista, as terras descobertas receberam o nome de América. Das quatro viagens que Vespúcio realizou, esteve no Brasil em três delas, comparando nosso país ao "paraíso terrestre":

"(...) fomos à terra e descobrimo-la tão cheia de árvores que era coisa maravilhosa, não somente a grandeza delas, mas seu verdor e cheiro suave, que delas saía e dava tanto conforto ao olfato que grande recreio tiramos disso. E o que vi aqui foi uma feíssima coisa de pássaros de diversas formas, e cores, e tantos papagaios que era deslumbrante; alguns coroados como carmim, outros verdes, e cor limão, e outros negros, e encarnados, e o canto dos pássaros que estava nas árvores era coisa tão suave, e de tanta melodia, que nos acontece muitas vezes estarmos parados pela doçura deles. E a mata é de tanta beleza e suavidade que pensávamos estar no paraíso terrestre. (...) Naquele país tal multidão de gente encontramos que ninguém enumerar poderia, como se lê no Apocalipse: gente digo mansa e tratável."

Foi baseado nos relatos de Américo Vespúcio que Thomas Morus escreveu Utopia, que depois influenciou Jean Jacques Rousseau com a sua teoria do bom selvagem.

Trecho extraído do livro:
História Secreta do Brasil
Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco
Editora Proton

Assista ao vídeo abaixo:

Os EUA e seu plano antigo de INVADIR O BRASIL

EUA planejavam tomar o País caso Getúlio não entrasse na guerra contra os nazistas


O governo do presidente americano Franklin Roosevelt tinha um plano para invadir o Brasil pelo Nordeste do País, caso não houvesse um entendimento com Getúlio Vargas sobre a cessão das bases militares de Natal, Recife, Salvador e Belém. As forças aliadas, que combatiam a Alemanha nazista, precisavam de uma rota para a África. O plano do Estado-Maior americano para a invasão do Brasil foi confirmado, pela primeira vez, em artigo publicado na revista Proceedings, de distribuição restrita à Marinha americana. O texto foi cedido a ISTOÉ pelo tenente Luiz Paulino Bonfim, que atuou na área de inteligência da Força Expedicionária Brasileira sob o comando do general Amaury Kruel. O general Octávio Costa, que lutou contra os nazistas na Itália, desconhecia o plano. No entanto, confirmou: “Vargas realmente hesitou entre a Alemanha nazista e os aliados e a rota do Norte e Nordeste para a África tinha uma importância estratégica para os americanos.”

O tenente Bonfim, que está terminando um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, relatou a presença de simpatizantes do nazismo no primeiro escalão da ditadura Vargas, principalmente Filinto Muller, então chefe da Polícia e o general Góis Monteiro, ministro da Guerra. Bonfim afirma que o plano de invasão previa o desembarque das tropas americanas no litoral nordestino em 1942, com base em um planejamento aprovado no início daquele ano. Segundo Bonfim, era necessário garantir o apoio do Brasil. A rota pelo Nordeste impediria que os alemães avançassem para a África.

O artigo da Proceedings ressalta o poder ditatorial que Vargas assumira a partir de 10 de novembro de 1937, quando proclamou o “Estado Novo fascista, passando a ter plenos poderes, sem o Congresso Nacional”, registra a revista. O autor do artigo, Michael Gannon, chama a atenção para a simpatia de Vargas pelos nazistas. Uma das preocupações dos americanos era a afinidade do presidente brasileiro com os principais ditadores da época, além de Hitler: Mussolini (Itália) Salazar (Portugal) e Franco (Espanha).

O tenente Bonfim conta no livro que somente após o torpedeamento de navios da Marinha mercante por submarinos alemães é que Vargas decidiu, com atraso, assumir o estado de beligerância com as forças do eixo (Alemanha, Itália e Japão) e só depois declarou guerra. “Entramos em operação em 17 de agosto de 1944, e dependíamos dos americanos”, diz. Os brasileiros ainda tiveram, segundo Bonfim, que passar por outro constrangimento: “Nosso uniforme era parecido com o dos alemães e tivemos de usar a jaqueta dos americanos.” Com a adesão do Brasil, em encontro no Rio de Janeiro entre Vargas e Roosevelt – que antes esteve em Natal – o plano de invasão foi arquivado. 


Se não Puderem Comprar, Vão Tomar!

Sendo quatro ou sendo sete as novas bases militares americanas na Colômbia, parece bom atentar para números bem superiores e mais perigosos. Porque no mundo inteiro eram 865 os estabelecimentos castrenses que os Estados Unidos mantém fora de seu território. Aliás, agora são 872. Registre-se que por bem ou por mal, 46 países abrigam essas bases, em todos os continentes, perfazendo o total de 290 mil soldados ao preço de 250 bilhões de dólares por ano.

Some-se a esse predomínio indiscutível das forças armadas americanas no planeta a presença de sete frotas da sua Marinha de Guerra, patrulhando todos os oceanos com porta-aviões e submarinos nucleares. Para não falar, é claro, dos mísseis de todos os tamanhos e alcances, incrustados em boa parte das bases terrestres. E fora delas, também.

Até a queda do Muro de Berlim, a explicação envolvia a bipolaridade mundial, pois a extinta União Soviética dispunha, senão de igual, ao menos de razoável presença militar em países ao seu redor. Desaparecido o “perigo vermelho”, porém, faltam justificativas para a existência de tamanho poder fora de suas fronteiras. Afinal, mesmo que o complexo industrial-militar dos Estados Unidos se beneficie enormemente com encomendas sempre maiores de armas letais, 250 bilhões de dólares anuais bastariam para o presidente Barack Obama estabelecer o mais formidável sistema de saúde pública de todo o Universo, favorecendo sua população. Como isso não acontece, há que indagar porque. 

Quem deu a resposta foi o Assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, general James Jones, em recente visita ao Brasil. Em demorada audiência com o ministro Edison Lobão, o gringo abriu o jogo. Reconheceu que segurança, hoje, para a nação americana, traduz-se em energia. Garantir petróleo e outras fontes energéticas transformou-se na maior preocupação e no principal objetivo de seu país. Sem combustível, que não produz mais nas quantidades necessárias ao consumo, os Estados Unidos iriam atrás da vaca, quer dizer, para o brejo. Assim, todo o aparato militar é mobilizado para sustentar o abastecimento.

O general não falou, e nem precisava, que por esses motivos os americanos invadiram o Afeganistão e o Iraque, como poderão estar a um passo de fazer o mesmo com o Irã. Fica ridículo inventar perigos e provocações inexistentes, como a existência de armas de destruição em massa ou instalações nucleares nos países cobiçados por dispor de petróleo.

Como o Brasil acaba de requerer passaporte para entrar no clubinho dos privilegiados produtores em massa, é bom tomar cuidado. Por certo que adiantará muito pouco mantermos as reservas enterradas no pré-sal. Precisamos extrair e vender, lógico que para os maiores compradores, entre os quais destacam-se os Estados Unidos. A China também, mas essa é outra história. O perigo está em nossa histórica falta de recursos e nossa natural mania de deixar para amanhã o que podemos fazer hoje. Mesmo tendo os chineses oferecido quinze bilhões de dólares, e o Eximbank, sete, para ajudar nas operações do pré-sal, a coisa pode demorar. E eles exigem pagamento em petróleo, daquele que vier a ser extraído. Se a demora causar preocupação ou acirrar necessidades prementes por parte dos Estados Unidos, explica-se a razão de tantas bases, frotas e mísseis. Se puderem obter o produto por vias comerciais, ótimo. Não podendo, tomarão… 

Para comprovar não se tratar de sinistrose essa previsão, basta olhar para a História. Ao entrar na II Guerra Mundial os Estados Unidos decidiram começar pela invasão do Norte da África. Naqueles idos, nenhum avião conseguia sair de seu território e chegar ao Marrocos ou, mesmo, à Mauritânia. Tornavam-se necessárias bases intermediárias. O Nordeste e até o Norte brasileiros eram essenciais. Antes mesmo que o presidente Franklin Roosevelt se encontrasse com o presidente Getúlio Vargas, em Natal, os gringos já haviam fincado pé em Belém, Fortaleza, Recife e Salvador, para não falar na capital do Rio Grande do Norte. Construíram aeroportos, pistas e estradas que hoje fingimos só terem aparecido depois do aval do presidente brasileiro. Mentira. Já estavam sendo implantados, sabe-se lá em função de que acordo. Com a reunião dos dois presidentes mascarou-se a face da soberania nacional através da versão de que as bases só vieram depois que o americano comprometeu-se a mandar, desmontada, uma usina siderúrgica para sediarmos em Volta Redonda. Acrescente-se que os Estados Unidos estavam prontos para conseguir pela força o que conseguiram pelo diálogo a posteriori. Foi muito bom porque, naquele caso, estariam lá até hoje.



Vargas era neutralista na Segunda Guerra, mas teve de ceder à pressão dos EUA. Ele aproveitou para negociar e obter vantagens. Graças a ele, o Brasil é hoje um país industrializado, diz professor Moniz Bandeira.


Em entrevista à DW-WORLD sobre os 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, o professor Moniz Bandeira, da Universidade de Brasília, avalia as posições adotadas pelo Brasil durante o conflito. O autor do livro Relações Perigosas – Brasil e Estados Unidos fala da influência norte-americana sobre o Exército brasileiro, a entrada de fugitivos nazistas no país e da recente descoberta dos diários de Mengele em São Paulo. Ele afirma que tanto os EUA quanto a União Soviética aproveitaram ex-agentes nazistas no pós-guerra.

DW-WORLD: O que significou e/ou ainda significa o dia 8 de maio de 1945 para o Brasil?

Moniz Bandeira: O dia 8 de maio significou para o Brasil o que significou para todo o mundo: o fim de uma guerra que devastou as cidades na Alemanha, comprometeu quase todos os países do mundo e envolveu também o Brasil, que mandou tropas para a Itália. É uma data significava, porém não desperta interesse especial no Brasil, porque já se passaram mais de 60 anos. Não há motivo para festejar nem para chorar nessa data, por se tratar de uma era completamente superada.

Quais foram os motivos que levaram o governo Vargas (no Estado Novo) a oscilar entre o apoio ao III Reich, a neutralidade no início da guerra e, por fim, sua entrada nos combates ao lado dos Aliados?

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: EUA entraram na guerra após ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941O governo Vargas era neutralista, mas sabia perfeitamente que o Brasil não poderia manter-se nessa posição se os Estados Unidos entrassem no conflito. O Brasil dependia das exportações de café, e o café, do mercado americano. Vargas aproveitou a situação para negociar com os Estados Unidos e obter vantagens, principalmente a instalação de uma siderúrgica no Brasil. Houve uma negociação. Os americanos pretendiam instalar bases no litoral do Brasil, particularmente no Nordeste, para defender o Atlântico Sul, porque os alemães já estavam no noroeste da África.

Os EUA já estavam se preparando para entrar na guerra. Não foi Pearl Harbor que levou os EUA a entrar na guerra. Pearl Harbor apenas foi o pretexto, provocado pelo presidente Roosevelt, que fora informado sobre o ataque e deixou que acontecesse. Como o Pentágono quis invadir o Brasil, a fim de instalar tais bases, houve um alarme tanto no governo brasileiro quanto no governo americano. Os militares brasileiros, entre eles o ministro da Guerra, Marechal Dutra, o general Goes Monteiro, chefe do Estado-Maior, eram pró-Alemanha e iriam reagir. Roosevelt sabia que haveria essa reação, os alemães atravessariam o Atlântico e a guerra entraria no Brasil. Então ele negociou com Vargas, que permitiu a construção das bases, sob a condição de que os Estados Unidos concedessem um crédito para a instalação de uma siderúrgica no Brasil, um país com abundantes jazidas de ferro, que queria transformar o ferro em aço e criar uma indústria de bens de capital, uma indústria pesada, para impulsionar seu processo de industrialização.

Roosevelt se dispôs a fazer esse investimento para evitar que fosse feito pela Krupp (empresa alemã), com quem Vargas estava também a negociar. Vargas criou então uma empresa estatal – a Companhia Siderúrgica Nacional – e o governo americano, coisa que nunca havia feito, concedeu o crédito, porque a United Steel não queria fazer o investimento. Depois do bombardeio de Pearl Harbor, o Brasil rompeu relações com a Alemanha, cujos submarinos, depois, começaram a torpedear os navios brasileiros. Foi por isso que Vargas entrou na guerra contra a Alemanha. Mas não entrou em guerra contra o Japão. A declaração de guerra foi só contra a Alemanha e a Itália, por causa dos torpedeamentos.

A política de Vargas foi correta. Graças a ele, o Brasil é hoje um país industrializado, porque pôde implantar o maior complexo siderúrgico da América Latina, que começou a funcionar em 1946. O Brasil, com abundantes jazidas de ferro e uma indústria de bens de consumo já bem desenvolvida, pôde desenvolver uma indústria de bens de capital, o setor que permite a auto-sustentação e a autotransformação do capitalismo, e assim ganhou extraordinário impulso, o boom dos anos 50, época em que justamente os capitais alemães para lá fluíram, porque não podiam ir para o Leste Europeu, subordinado ao regime comunista, e temiam uma guerra atômica na Europa. Já no tempo de Vargas, em 1953, começaram os entendimentos para a instalação das fábricas da Volkswagen e da Mercedes Benz, cujos investimentos amadureceriam durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, nos anos 1957–59.

Em seu livro Brasil, Argentina e Estados Unidos. Conflito e integração na América do Sul, da Tríplice Aliança ao Mercosul, 1870–2003, o Sr. analisa, entre outros assuntos, a manutenção de um vínculo tardio argentino à Inglaterra em contrapartida às relações intensas entre Brasil e Estados Unidos no contexto da Segunda Guerra Mundial. Que conseqüências teve o fim da Segunda Guerra para as relações do Brasil com seus vizinhos da América do Sul, principalmente diante da determinação dos EUA de exercer hegemonia direta sobre o continente? Os pracinhas da FEB foram lutar na Europa para mostrar quem manda na América do Sul, modificando o jogo de forças na região?

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Angra II: negociações para transferência da tecnologia nuclear começaram logo após a Segunda GuerraA FEB foi para a Itália no 5° Exército dos Estados Unidos, e lá sofreu a influência dos americanos. No contexto da Guerra Fria, houve uma divisão no Exército brasileiro: mais ou menos 20% eram anti-Vargas e anticomunistas, outros 20% de esquerda e uma grande maioria nacionalista, mas com medo do comunismo. Isso influiu na política brasileira durante os anos 50. A CIA, criada em 1947, começou a ter uma atividade dentro do Brasil, inclusive para desestabilizar o governo Vargas, por causa da indústria petrolífera e atômica que ele quis implantar.

Por meio da "black propaganda", agitou as Forças Armadas contra Vargas, que havia implantado a Petrobrás e negociado com os cientistas alemães a transferência da tecnologia de enriquecimento de urânio, por meio das últimas centrífugas fabricadas clandestinamente na Alemanha. A CIA descobriu esse fato, e o Alto Comissariado Aliado impediu o embarque das ultracentrífugas para o Brasil, no porto de Hamburgo em 1954.

Em relação à Argentina, os Brasil saiu fortalecido, não por causa da Guerra propriamente dita e, sim, porque a Inglaterra declinou. Como a Argentina dependia das exportações de trigo e carnes para o mercado inglês, ela não conseguiu dar um salto no seu processo de industrialização. Perón, quando tentou, foi muito tarde; não pôde jogar com as contradições internacionais. O setor agrário argentino era muito mais forte que o brasileiro porque a burguesia industrial brasileira era ao mesmo tempo ligada à agricultura, à plantação de café, ao passo que na Argentina nunca houve essa ligação entre os dois setores. A indústria argentina estava em mãos dos empresários de origem italiana.

O forte interesse do governo brasileiro em atrair agricultores, técnicos e operários especializados alemães para o projeto de desenvolvimento nacional logo após a guerra, mencionado em seu livro O Milagre Alemão e o Desenvolvimento do Brasil, favoreceu a entrada clandestina de fugitivos nazistas no país? As autoridades brasileiras foram coniventes nesse ponto, como parece ter ocorrido, pelo menos em parte, na Argentina e no Paraguai?

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Capa do livro 'O Milagre Alemão e o Desenvolvimento do Brasil', de Moniz Bandeira Não, eles foram independentemente disso. Os poucos fugitivos nazistas que foram para a Argentina, Paraguai e Brasil não tiveram muito significado lá. Nem foram através da importação da mão-de-obra. Além do mais, foram poucos os técnicos recrutados para o Brasil, bem menos por exemplo do que os alemães que foram para os Estados Unidos. A CIA, que na época ainda se chamava OSS, recrutou seus agentes entre os integrantes do serviço secreto alemão, da Gestapo. Inclusive o chefe do serviço secreto dos EUA na Alemanha, logo depois da guerra, era um ex-agente do tempo do nazismo. Todos os agentes secretos da CIA na Alemanha foram recrutados nessa base porque, quando previu que a luta ia ser contra a União Soviética, a CIA tratou de recrutar os nazistas. E muitos foram para os Estados Unidos. Também a União Soviética, através da Alemanha Oriental, aproveitou muitos militares do tempo do nazismo.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Capa do livro 'Relações Perigosas: Brasil – Estados Unidos', de Moniz Bandeira Já no caso do Brasil, não há nenhuma ligação entre a busca de mão-de-obra qualificada na Alemanha e a entrada clandestina de fugitivos nazistas no país. Quanto a isso, a documentação de Mengele encontrada recentemente no Brasil – que eu ainda não conheço – não deve conter novidades. Trata-se de correspondência de pós-guerra, porque ele não levou documentos para lá, ele saiu fugitivo da Alemanha. Durante a guerra, sim, houve atividade nazista no Brasil, inclusive com serviço de espionagem, por conta do partido nazista, proibido em 1937. E grande parte da colônia alemã no Brasil era simpatizante do nazismo, mas isso não teve maior importância. Não só os descendentes alemães e, sim, muitos brasileiros eram simpatizantes do nazismo. Isso não porque fossem pró-nazismo por convicção, mas sim porque eram contra a Inglaterra e os EUA. O nacionalismo na América Latina sempre foi basicamente, essencialmente, anti-americano. Daí porque tomou uma conotação esquerdista, como foi o caso de Vargas no Brasil e de Perón na Argentina no contexto bipolar da Guerra Fria, em que ser antiamericano parecia ser pró-soviético, ainda que não o fosse.

Luis Alberto Moniz Bandeira é professor titular de História da Política Exterior do Brasil na Universidade de Brasília e autor de mais de 20 obras sobre as relações dos Estados Unidos com o Brasil e a América Latina. Uma delas é Relações Perigosas: Brasil – Estados Unidos (Editora: Civilização Brasileira, 2004). 
Sobre as relações da Alemanha com a América Latina escreveu, por exemplo, O Milagre Alemão e o Desenvolvimento do Brasil (editora Ensaio, 1994).


NAZISTAS RECRUTADOS PELOS EUA E ENVIADOS AO BRASIL PARA COMBATER A SUPOSTA AMEAÇA COMUNISTA

Os Estados Unidos. A CIA, que na época ainda se chamava OSS, recrutou seus agentes entre os integrantes do serviço secreto alemão, da Gestapo. Inclusive o chefe do serviço secreto dos EUA na Alemanha, logo depois da guerra, era um ex-agente do tempo do nazismo. Todos os agentes secretos da CIA na Alemanha foram recrutados nessa base porque, quando previu que a luta ia ser contra a União Soviética, a CIA tratou de recrutar os nazistas. E muitos foram para os Estados Unidos. Também a União Soviética, através da Alemanha Oriental, aproveitou muitos militares do tempo do nazismo.

Quarta Frota dos EUA e controle pela Halliburton de dados sobre as atividades de pesquisa e exploração de petróleo no País tornam urgente exercício militar brasileiro no Atlântico.

A custo de R$ 20 milhões, exercício militar, denominado Operação Atlântico, que poucos países têm capacidade de fazer, será realizado neste mês de setembro na região das recentes descobertas de gás e óleo do pré-sal, simulando situação de confronto em que a infra-estrutura da indústria petrolífera do Brasil será alvo de inimigo fictício. Em meio à reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA e ao fato de estar sob controle, desde 2001, da empresa norte-americana Halliburton o gerenciamento do Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o exercício militar brasileiro no Atlântico assume dimensão especial. Um dos principais objetivos, segundo um dos oficiais que coordena a operação, é mandar claro sinal de que o Brasil está pronto para defender-se; outro será dimensionar as necessidades de investimentos para equipar a Marinha de modo a realmente controlar a vasta área, que se estende por 800 quilômetros, do Espírito Santo a Santa Catarina, e contém bilhões de barris de óleo equivalente (boe).

O pré-sal, camada do subsolo marinho de cinco a sete quilômetros de profundidade, sequer teve seu potencial petrolífero detectado completamente. Mas os reservatórios já dimensionados, pequena fração do total, permitem supor reserva entre 70 bilhões e 90 bilhões de barris de óleo equivalente.Na hipótese mais realista, essas reservas elevariam o cacife brasileiro para 104 bilhões de barris, apenas 10% abaixo do Iraque, segundo maior potencial do planeta. A produção diária brasileira, nesse caso, poderia evoluir dos atuais 2 milhões para até 10 milhões de barris, gerando exportações de até US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020. "Será investimento. É como se fosse seguro", disse o almirante Edlander Santos, subchefe de operações do Comando de Operações Navais da Marinha, força que comandará o exercício bélico. "Normalmente todos fazem seguro do carro e não fazem seguro da casa. Esse é o seguro da casa", acrescentou. Serão mobilizados nove mil militares, cerca de 20 navios, entre 40 e 50 aeronaves, submarinos, número expressivo de lanchas e 250 viaturas militares, entre caminhões de transporte, blindados e carros de combate. Mas a manobra não contará com porta-aviões. Segundo o almirante Edlander, serão feitas diversas simulações durante a manobra militar. "Nós teremos ataques a pontos centrais da infra-estrutura logística localizados na área de Macaé (RJ) e de São Sebastião (SP). Teremos a defesa das três bacias petrolíferas. Isso é grande exercício envolvendo as outras forças, não só no mar, mas também gasodutos, oleodutos, pontos estratégicos", disse ele. Manobra como a Operação Atlântico não é corriqueira, por conta de sua magnitude.

Em 2007, lembrou o militar, foi realizado exercício de defesa do setor petrolífero, mas concentrou-se na área de Campos."A descoberta do pré-sal foi feliz coincidência. Nós já tínhamos decidido ampliar o exercício e veio a descoberta do pré-sal", disse. No planejamento da manobra, segundo o almirante, já foram detectadas algumas carências que precisam ser resolvidas. "Nós precisamos incrementar a aquisição de navios-patrulha. Estamos construindo alguns poucos. Para você ter ideia  especificamente para a defesa das plataformas, nós precisamos de 27 novos navios-patrulha", disse o almirante. A Marinha trabalha na construção de duas dessas embarcações e já projetou a fabricação de outras cinco. Segundo Edlander, a Marinha está em negociações com a Petrobras para uma parceria na qual a estatal colaboraria na aquisição dos equipamentos. Recentemente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu a liberação de recursos que são destinados à Marinha, oriundos dos royalties do petróleo, mas que ficam contingenciados pelo governo federal.O comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, reconheceu a atual fragilidade naval militar do país.Em meio à reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA, Edlander procurou minimizar o fato e disse que o recado que o Brasil quer enviar com o exercício não tem destinatário específico. "O Brasil não possui provável contestador, provável inimigo", disse. Mas para ele, é importante fazer sinalização porque ela evita o surgimento de desafiante. "Dentro da visão moderna de planejamento você emite sinal à comunidade internacional, emite sinal a todos: 'estou pronto, estou preparado'".

Halliburton 

A Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) acionou o Ministério Público Federal para questionar contrato firmado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) com a empresa norte-americana Halliburton, que já foi presidida pelo vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, e é alvo mundial de protestos por conta de obras bilionárias no Iraque.A Landmark Digital and Consulting Solutions, subsidiária da Halliburton no Brasil, é responsável pelo gerenciamento do Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da ANP desde 2001. O BDEP é o principal banco de dados sobre as atividades de pesquisa e exploração de petróleo no país.Reúne todas as informações coletadas pela Petrobras e por empresas privadas em bacias, campos e poços.Esse acervo ficou ainda mais valioso depois da descoberta do campo de Tupi, anunciado em novembro do ano passado e que descortinou um imenso potencial de exploração na costa brasileira.Só para Tupi, são estimadas reservas de até 8 bilhões de barris. No BDEP, ficam armazenados os dados de sísmica (que indicam o caminho para a perfuração e a localização dos reservatórios de petróleo) e as informações relativas aos métodos usados nas pesquisas.As empresas são obrigadas a enviar esses dados à ANP. 

Muitas dessas informações são sigilosas - a divulgação só é permitida após determinado prazo, que pode chegar a cinco anos, dependendo da informação."Sempre questionamos esse contrato, mas agora, com a descoberta do pré-sal, o acesso aos levantamentos feitos pela Petrobras passa a ser questão crucial. É resultado de 30 anos de pesquisas. E não sei se essa informação está segura sendo administrada pela Halliburton", diz Fernando Siqueira, diretor da Aepet. A guarda das informações sobre exploração de petróleo pela ANP foi determinada pela lei 9.748, de 1997, que quebrou o monopólio da Petrobras e abriu o mercado para atuação de empresas privadas.Em 2000, a ANP criou o BDEP, que armazena dados "pesados", como os obtidos por levantamentos sísmicos.São informações que exigem grande capacidade de processamento e armazenamento.

Relações Perigosas: Brasil – Estados Unidos (Editora: Civilização Brasileira, 2004). Sobre as relações da Alemanha com a América Latina escreveu, por exemplo, O Milagre Alemão e o Desenvolvimento do Brasil (editora Ensaio, 1994).

Fontes:
Terra 
E-Mail