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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Juliano Pozati - Os Paradigmas e o Novo Tempo - [VÍDEO]


Vivendo a época onde, mais do que nunca, se faz necessário que abramos nossas mentes e nossos olhos, pra que possamos galgar novo patamar humano, primeiro observando conscientemente  e compreendendo os grilhões infundados que ainda nos aprisionam em filosofias, ideias e comportamentos limitantes, muitas vezes mais globalmente prejudiciais do que jamais imaginamos, para em seguida mudarmos de rumo.

Uma ótima palestra para realmente nos darmos conta do que estamos pensando, fazendo e causando, sem jamais nos questionarmos a respeito dos fundamentos que possam estar incentivando esse comportamento. E pode ser realmente surpreendente descobrirmos que eles não existem.

Trazemos a palestra "Paradigmas e o Novo Tempo", onde Juliano Pozati faz uma abordagem lógica e racional sobre o impacto que novas ideias podem causar sobre dogmas estabelecidos e propõe uma integração cada vez maior entre ciência, filosofia e espiritualidade.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Capacidade de entrar em CONTATO COM ESPÍRITOS pode ser desenvolvida por meio de estudo e dedicação

Medo e curiosidade se misturam quando o assunto é o contato do homem com o mundo dos mortos. Enquanto diversas religiões têm explicações sobre o fenômeno, a ciência ainda tenta desvendar as causas e os efeitos dessa experiência.


Você já sentiu que estava sendo observado, mas, quando se virou para ver quem era, ninguém estava lá? Ouviu alguém dizer o seu nome sem haver ninguém por perto? Teve a impressão de ter sentido a presença de alguém quando estava sozinho em casa? Pode até ser que essas situações não tenham sido nada, mas pode ser também que espíritos estejam tentando se comunicar com você. Pelo menos é o que acreditam os médiuns, pessoas que desenvolveram a habilidade de se conectar, de uma forma ou de outra, com o mundo dos mortos. Segundo eles, sentir essas manifestações de vez em quando é comum, pois todos temos a capacidade de estabelecer esse contato. Decidir trabalhar ou não essa habilidade aparentemente inerente ao ser humano é uma escolha — e os caminhos, não necessariamente, precisam passar por alguma religião.

Ainda que o tema cause certo medo, é fato que o assunto desperta também uma boa dose de curiosidade. Adriana Noviski, autora do recém-lançado Na sala ao lado — Os mundos invisíveis e seus segredos (Editora Évora), é um dos exemplos de como a busca por informação é capaz de mudar paradigmas — e o modo como se encara a vida. Sem nem saber do que se tratava e, a convite de uma amiga, ela resolveu participar de um curso de cura espiritual. “Fui fazer quase que por intuição e descobri que era médium”, completa. A vivência e o trabalho voluntário posterior às aulas a inspiraram a contar as histórias que viu, por meio da personagem fictícia Amanda.

O atendimento a pacientes a deixou impressionada. “Sempre tive muita intuição, mas achava que era só isso”, comenta. “Existe uma diferença entre intuição e mediunidade. A mediunidade é conseguir ver algo a mais.” Sonhos premonitórios, vultos e mesmo percepções que vinham como flashes sobre problemas de pessoas próximas foram, segundo Noviski, o ponto de partida para que ela procurasse se aprofundar no tema. “Quis escrever o livro para encorajar outras pessoas, mostrar que é natural, porque já fui muito ridicularizada por isso.”

Um dos fundadores do Programa de Saúde e Espiritualidade do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) e professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Alexander Moreira Almeida explica que, para fins de estudo, a mediunidade é definida como “uma experiência em que um indivíduo alega estar em comunicação com ou sob a influência de uma pessoa falecida ou de um outro ser não material”.

Depois de sofrer com problemas de saúde e
"crises de loucura", Maria Liosmira encontrou
a cura em um terreiro
O tema, inclusive, é familiar a todos nós — uma vez que está presente na base de grande parte das religiões. Como exemplos, Almeida cita Moisés e os profetas recebendo mensagens de Deus e dos anjos, Maomé recebendo mensagens do anjo Gabriel na composição do Corão, os oráculos gregos, os dons do Espírito Santo nas comunidades cristãs primitivas, bem como entre os católicos carismáticos e protestantes pentecostais. “Deve-se destacar que, especialmente no Brasil, nossas origens indígenas e africanas estão também fortemente permeadas por crenças e vivências ligadas à mediunidade”, completa. “Sendo assim, é uma experiência humana que precisa ser mais bem investigada.”

Sob as lentes da ciência
Há mais de um século, pesquisadores tentam entender do que se trata o fenômeno da mediunidade. O interesse nesse tipo de estudo, explica o psiquiatra, teve seu primeiro pico entre os séculos 19 e 20. Nos últimos anos, o tema parece ter voltado à tona. As experiências mediúnicas têm sido investigadas a fundo por pesquisadores há mais de 100 anos. Houve um grande interesse no tema na transição dos séculos 19 e 20 e,recentemente, houve uma retomada do interesse. Entre as principais hipóteses, estão fraude, doença mental, manifestações do inconsciente do médium, percepção extrassensorial (telepatia e clarividência) e sobrevivência da consciência/personalidade depois da morte corporal.

Desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) em 2013, o trabalho “Neuroimagem e mediunidade: uma promissora linha de pesquisa”, de Julio Peres e Andrew Newberg, usava recursos da neuroimagem para investigar a mediunidade. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que “regiões e sistemas cerebrais mediam os diferentes aspectos da experiência religiosa”, descartando, assim, a teoria ponto de Deus — que postulava um local no cérebro como responsável pela experiência com o divino. Os estudos sugeriram ainda que há uma maior atividade do córtex frontal e pré-frontal (áreas responsáveis pela motricidade voluntária) durante experiências religiosas. Outros achados incluem “um aumento da atividade nas redes atencionais relacionadas ao pensamento reflexivo durante tais experiências”. Os lobos frontal e parietal, segundo alguns levantamentos, são as áreas do cérebro correlacionadas com elementos psicológicos e cognitivos específicos dessas vivências.

Falando em investigação, para os cientistas, a existência de comunicação entre vivos e mortos não é o foco das pesquisas científicas. Para eles, o que importa mesmo é saber qual interpretação a pessoa que vivencia a experiência atribui a ela. Contudo, os estudos demonstram curiosidade em saber o que se passa no cérebro de um médium incorporado, apesar de as pesquisas sobre o assunto ainda serem esparsas. “Em linhas gerais, os resultados demonstram que as experiências espirituais como a mediunidade não estão ligadas a apenas uma região, mas a um complexo padrão de ativação de diversas áreas cerebrais”, afirma Alexander Moreira Almeida.

Com o psicólogo Julio Peres e Andrew Newberg, neurocientista norte-americano pioneiro no estudo neurológico de experiências religiosas e espirituais (conhecido como neuroteologia), Almeida participou de uma pesquisa que buscou descobrir as diferenças de funcionamento do cérebro de médiuns quando eles psicografavam em relação a quando escreviam um texto fora do estado de transe. O estudo, feito na Universidade da Pensilvânia (EUA), usou tomografias para comparar os resultados. “Eles mostraram que os textos psicografados eram mais complexos do que os escritos em estado normal de consciência”, resume. “Apesar disso, entre os médiuns mais experientes, ao contrário do que seria esperado, durante a psicografia, houve menor ativação de várias áreas cerebrais ligadas à construção do discurso e ao pensamento mais elaborado.”

A investigação neurocientífica de experiências espirituais abrange, ainda, a própria saúde mental dos médiuns, uma vez que pode existir a possibilidade de essa faculdade ser, na realidade, causa ou consequência de doenças mentais. Para os médiuns, uma boa notícia: de acordo com o psiquiatra, estudos recentes indicam que eles “possuem boa saúde mental e que essas experiências podem estar associadas a bons níveis de ajustamento social”.

Maria Liosmira Rodrigues dos Santos, 49 anos, passou por várias consultas até descobrir a razão pela qual acordava, sem explicação aparente, em qualquer lugar, menos na própria cama. Quando ainda era adolescente, por volta dos 19 anos, era comum que dormisse em casa e acordasse, por exemplo, no meio do mato. Durante os “acessos de loucura”, como ela define, sintomas como alucinações (via seres andando em telhados), gritos e pessoas que chamavam seu nome eram comuns. “Claro que o diagnóstico era sempre loucura”, resume a costureira e comerciante. Esquizofrenia e transtorno dissociativo de personalidade (mais conhecido como dupla personalidade) eram resultados frequentes nos veredictos dos médicos.

Se a saúde não está bem, não é somente o corpo que reclama: para Maria Liosmira, a mediunidade também se manifesta nessas ocasiões, seja com dores nas pernas, seja com fobias e dores de cabeça inexplicáveis, como no caso dela. “Depois de seis meses de consultas e exames, fui ser curada em um terreiro”, relembra. Quando se mudou para o Maranhão, ela encontrou, no município de Caxias, um povoado chamado Narazé do Bruno, um terreiro de terecó. A religião tem raízes afro-brasileiras e é mais popular em Codó, cidade maranhense a 300km de São Luís. Desde então, Maria Liosmira é mais conhecida pela alcunha de Dalila de Légua.

A linha adotada pela crença de Dalila de Légua é curadora, ou seja, se vale da chamada cura espiritual. Semelhante à umbanda, misturou-se a elementos do catolicismo, aos ancestrais indígenas e à encantaria. “Todo e qualquer culto afro, ou se procura por amor ou pela dor”, opina. Pelo amor seriam os curiosos, “que acham bonito”. A dor, para ela, é o caminho que mais leva à espiritualidade. “Não é uma coisa que se escolha, mas é possível desenvolver em qualquer religião”, resume. “Tem coisas na vida que não dá para se explicar. Somente depois que se vê o resultado é que se vai encontrar explicação. A questão é que, até hoje, nunca mais na minha vida acordei em mato, na rua. Nunca mais me perdi sem me encontrar. Reencontrei o sentido da vida.”

No espiritismo

De acordo com O Livro dos médiuns, de Allan Kardec, há oito principais tipos de médiuns:
Médiuns de efeitos físicos: aptos a produzir fenômenos materiais, como os movimentos dos corpos inertes, os ruídos etc.;
Médiuns sensitivos ou impressionáveis: pessoas capazes de sentir a presença dos espíritos por uma vaga impressão, uma espécie de arrepio que elas mesmas não sabem o que é;
Médiuns audientes: são os que ouvem a voz dos espíritos (mas não necessariamente transmitem o que ouvem);
Médiuns falantes: nessa modalidade, os espíritos agem sobre os órgãos vocais para verbalizar mensagens. Em geral, a pessoa se exprime “sem ter consciência do que diz e quase sempre tratando de assuntos estranhos às suas preocupações habituais, fora de seus conhecimentos e mesmo do alcance de sua inteligência”;
Médiuns videntes: são aqueles dotados da faculdade de ver os espíritos;
Médiuns sonâmbulos: para os espíritas, esse fenômeno é considerado como uma variedade da faculdade mediúnica. “Muitos sonâmbulos veem perfeitamente os espíritos e os descrevem com a mesma precisão dos médiuns videntes”, segundo o livro;
Médiuns curadores: têm o dom de curar por simples toques, pelo olhar ou mesmo por um gesto, sem nenhuma medicação;
Médiuns pneumatógrafos: são aqueles com aptidão para obter a escrita direta.

Fonte: O Livro dos médiuns, de Allan Kardec.

Na umbanda

A mediunidade é expressa de várias. Veja algumas modalidades mais comuns:
Intuição: por meio do pensamento, o médium recebe informações, conselhos ou mensagens dos espíritos;
Incorporação: acontece quando a vibração da entidade se sintoniza com a do médium. Pode ser total ou parcial; ou seja, a pessoa pode ou não se recordar do que aconteceu durante o processo;
Audição: o médium seria capaz de, literalmente, ouvir os espíritos;
Vidência: permite ao médium visualizar as entidades;
Clarividência: permite ao médium visualizar fatos do passado e/ou do futuro. Acredita-se que ele seja capaz de tomar conhecimento da vida em outros planos espirituais, bem como ver os corpos astrais e mentais das pessoas;
Transporte: acontece quando o espírito deixa o corpo para “dar uma volta”, ou seja, é capacidade de visitar outros lugares espiritualmente. Pode ser voluntário ou involuntário;
Desdobramento: quando o espírito do médium sai de seu corpo, vai a outro local e fica visível a outras pessoas;
Psicografia: acontece quando o médium recebe informações dos espíritos por meio da escrita.

Fonte: Centro Espírita Urubatan.

Para Ruy Meireles, do Centro Espirita Paz e Amor, a mediunidade é uma grande oportunidade de aprendizado

Tradução simultânea

Paulo Henrique Wedderhoff, coordenador do grupo de exercícios mediúnicos, um módulo do curso de estudos da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), diz que o caminho para desenvolver a mediunidade ao máximo leva, em média, cinco anos. Até lá, é possível perceber-se médium nas pequenas coisas, até mesmo quando se compartilha conhecimento. “Se você lê um livro que o impactou e divide esse conteúdo com alguém, você está mediando um conhecimento que veio de outro espírito que não é o seu”, exemplifica. “A mediunidade é muito extensa e não se limita à troca do polisistema cultural, espiritual e corporal.”

Para os espíritas, a mediunidade seria uma característica do ser. Uma vez que todos teríamos espírito, logo, todos seríamos médiuns. Mais que um dom, seria uma habilidade — que, como todas as outras, precisa ser estimulada e treinada até a perfeição. O objetivo da mediunidade, segundo Wedderhoff, é acessar pensamentos que estão nas “redes mentais”, algo como uma internet universal unindo encarnados de desencarnados. “Por isso a frase ‘orai e vigiai’. Não é para ficar com medo, mas para pensar no que se diz. No banco das ideias, o que manda é a qualidade do pensamento, que determina a qualidade do que se acessa.”

No espiritismo, Wedderhoff explica que o conceito de incorporação é um pouco diferente do que prega o senso comum. Segundo o religioso, o médium jamais se ausenta do próprio corpo. Seria algo como tradução simultânea, com a diferença de que, no processo mediúnico, o espírito emite um pensamento, com base em dados do seu acervo cognitivo e que recebe repassa as informações de acordo com suas habilidades. “Você (o médium) é titular de suas decisões. Se o espírito fala algo que você não concorda, você pode não passar isso para a frente”, reforça.

Antes de se render ao espiritismo, Ruy Barbosa Meireles, 64 anos, era católico de berço e cético a respeito das questões do além. Os velhos questionamentos — para onde vamos? De onde viemos? — pipocavam em sua mente. O aposentado, então, resolveu tirar as dúvidas com o padre, mas as repostas pareciam incompletas. Foi quando, há 25 anos, um amigo emprestou a ele o Livro dos Espíritos, obra fundadora da Doutrina Espírita, escrito por Allan Kardec (pseudônimo do educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail).

Hoje, Ruy comanda o Centro Espírita Paz, Amor e Caridade, na cidade goiana de Luziânia. O caminho até se tornar médium foi longo e permeado por anos de estudo e prática. Assim que adotou a doutrina, começou um curso de um ano e meio para iniciar o desenvolvimento da habilidade: seis meses exclusivamente focados na teoria e o restante em uma mistura de conhecimento e prática. “Foi aí que descobri que tinha sensibilidade mediúnica”, completa. “Sentia coisas, escutava barulhos e sentia presenças que não estavam ao meu lado, que se manifestavam como vultos.”

Antes de saber como essa habilidade funcionava, Ruy ignorava sinais que chama de “fatores mediúnicos”. A sensação de estar sendo observado (sem, de fato, ter alguém olhando) é um dos exemplos de que a sensibilidade para o mundo espiritual pode estar aflorada. “A mediunidade é uma faculdade orgânica do ser humano”, justifica. Como um motorista prestes a tirar a habilitação, além das palestras explicativas, quem quer evoluir tem na prática algo essencial para desenvolver a habilidade de se comunicar com o “outro lado.”

Basicamente, Ruy descreve esse processo como uma exposição aos objetos de estudo. Em uma sala, o médium responsável por conduzir a aula incorpora espíritos protetores, que irão garantir que tudo corra bem. Os alunos se concentram, esquecem o mundo exterior e são conduzidos a um estado quase meditativo. Os espíritos presentes, então, se aproximam dos alunos, para que saibam qual é a sensação de estar próximo a uma entidade. “Nesse contato, sinto um arrepio gostoso e, às vezes, desconfortável”, descreve. “É um bem-estar, uma alegria.” A última etapa (que demora anos até ser alcançada) é a incorporação propriamente dita.

Durante todo o processo, é crucial que a pessoa esteja tranquila e confiante. A aproximação do espírito, de acordo com Ruy, é sutil. “Não pense que é como ser atropelado por um ônibus”, compara. Além de incorporar entidades, ele também psicografa mensagens, tem vidência (capacidade de captar lampejos e impressões do que se passa no plano astral) e passa pelo processos de desdobramento (quando o espírito sai do corpo “hospedeiro” e, literalmente, passeia por outros locais). “A mediunidade é a grande oportunidade para aprender”, analisa. “Se incorporo um irmão sofredor, que passou por dificuldades, isso serve como exemplo para mim. Algo como: ‘Não faça isso, veja no que deu’.” 

A troca de espíritos

Na umbanda, acredita-se que as entidades se apresentem sob a forma fluidílica de caboclos, pretos velhos, crianças e exus. Quem explica é Pedro Miranda, presidente da União Espiritista de Umbanda do Brasil (Ueub). Segundo Miranda, cada uma dessas formas de apresentação tem uma finalidade, que vão desde os chamados passes magnéticos (transposição de energia para o corpo físico do paciente), à cura espiritual. Quando incorporado por uma dessas classes de entidades, o médium, segundo a crença umbandista, “divide” o espaço do corpo para que o espírito o use como ferramenta para ajudar quem precisa.

Aristóteles Talaguibonan Freitas Arruda, 33 anos, é um sacerdote da umbanda. O advogado conta que sua trajetória rumo ao desenvolvimento espiritual começou ainda criança. Aos 4 anos, ele já acompanhava os pais nos cultos. Por volta dos 8, os sinais de que era um médium de incorporação começaram a surgir. “Quando eu participava dos cultos, sentia palpitação, uma sensação de arrepio, até que entrei no estágio de transe”, descreve. Por ter começado tão jovem, Talaguibonan (seu nome espiritual) associa a mediunidade à discriminação. A discriminação sofrida na escola, para ele, ainda é um quesito marcante no que diz respeito à própria espiritualidade. “Passei por preconceito por conta da minha opção religiosa, que nem foi bem uma opção”, conta.

As guias (colares feitos com contas coloridas que fazem parte do uniforme dos médiuns) eram motivo de chacota, assim como as roupas brancas. Mesmo na faculdade, Talaguibonan conta que era excluído, por puro desconhecimento. “Eu era o macumbeirinho, o bruxo, qualquer coisa, menos religioso.” De qualquer forma, o advogado conseguiu prosseguir com sua missão espiritual. Hoje, pai de santo (cargo de alta importância no terreiro), não se ressente. Prefere tratar do tema como um aprendizado. “Ninguém ama o desconhecido, mas ele causa interesse, curiosidade. Faz com que as pessoas busquem se conhecer.”

Na espiritualidade, Talaguibonan conta ter encontrado seu canal para se religar ao sagrado. Por meio da mediunidade, ele diz ter acesso ao Deus que acredita. “É algo que me acalenta. Me considero um escolhido, um privilegiado.” Dependendo da entidade que recebe, ele conta que a sensação muda. Em linhas gerais, há um “apagão”: quando tudo termina, é como se nada tivesse acontecido. Algumas entidades, contudo, consomem grandes quantidades de bebida alcoólica e/ou tabaco, substâncias que causam uma certa rebordosa no médium no momento seguinte à incorporação. “Não fico bêbado, mas sinto a indisposição do álcool”, descreve.

A mediunidade, de acordo com Pedro Miranda, presidente da Ueub, é genérica e extensiva a todos os campos de entendimento. Na umbanda, ela é chamada de incorporação, embora o termo seja impróprio, na visão do religioso. “O espírito não entra no corpo. O guia vibra pelo nosso sistema nervoso, tocando nessas células, o que chamamos de desenvolvimento”, justifica. “As células vão se adaptando àquela vibração, até que se possam fazer a ligação que chamamos de incorporação.” Além dessa modalidade, há a mediunidade de audiência, visão e desdobramento astral. “Ela tem várias formas de apresentação, mas não há mistérios. A limitação da mente humana é que, às vezes, coloca mistério.”

Grande parte das entidades da umbanda já pisaram em terra firme e tiveram experiências no corpo físico. Desencarnados, foram preparados para trazer a quem ficou um pouco da experiência que tiveram e orientar a condução da vida de quem está na Terra. O objetivo do médium é o “trabalho”, termo que se refere ao ato de retribuir a habilidade, considerada uma dádiva dos seres humanos. “As entidades são portadoras de mensagens, não são nossas propriedades”, reforça. “Elas vêm para esclarecer, ajudar e curar aqueles que necessitam de auxílio espiritual.”

Ainda de acordo com o umbandista Pedro Miranda, todos temos uma vibração específica. Algumas se encaixam com o espiritismo, outras, com o catolicismo, e assim por diante. Fábio Araújo, 44 anos, vibra na faixa da umbanda desde cedo. Atualmente, ele se considera um sacerdote da religião. Desde os 12, incorpora entidades e trabalha ativamente em um terreiro desde então. “Nessa idade, você começa a aprender a viver, a saber o que é certo e errado. Ser médium me deu um rumo, uma direção.”

Filho de pais enérgicos, Fábio via na espiritualidade um ponto de apoio emocional que não encontrava dentro de casa. “Poucas pessoas que conheci na juventude estão vivas hoje. Muitas foram assassinadas, porque mexiam com coisas ilícitas”, comenta. “Tivemos uma adolescência muito complicada, sem aquele acompanhamento de pai e mãe. A espiritualidade foi o que me deu esse direcionamento.”

Quando está incorporado, Fábio não sente nada. Segundo ele, é como acordar de um sono pesado. Antes da entidade se aproximar, contudo, há uma série de “sintomas”. Os médiuns, primeiro, passam a mentalizar aquilo que buscam, como na meditação. Depois, a entidade “baixa”, no jargão da umbanda. Muitas vezes, a incorporação vem de uma vez, porém, na maioria dos casos, é resultado de um longo processo. “Cada ser humano tem a sua e ela aflora. São caminhos que se deve escolher.” 

Adaíldo diz que o candomblé manifesta "a força do amor"

Confessionário da alma

Presidente da Federação de Umbanda e Candomblé de Brasília e Entorno, Rafael Moreira explica que, diferente da umbanda, no candomblé há a incorporação de divindades da natureza, conhecidas como orixás, os deuses supremos — ou santos, no sincretismo com o catolicismo. Enquanto na umbanda as entidades (encarnadas ou desencarnadas) descem à Terra para atender a uma pessoa, no candomblé, o orixá descarrega o local (como uma limpeza espiritual). “Ele está acima das entidades. Oxalá, por exemplo, é a representação de Deus, ou seja, são as bênçãos maiores.”

Incorporar, contudo, não é uma finalidade na religião. Cada um tem um dom específico: alguns, para a incorporação de entidades voltadas para a ajuda social, como os umbandistas. Outros, para a incorporação de orixás. Há ainda os que não incorporem nem um nem outro. “O processo não se dá somente porque você vai ao terreiro”, reforça Rafael Moreira. “Cada ser humano tem sua missão na Terra, em qualquer crença.” Médiuns antigos teriam mais capacidade para se manterem conscientes ao longo do processo. “É como se fosse um confessionário”, compara. “Por mais que a pessoa veja e escute o que está acontecendo, não pode falar. Quem fala por ela é a entidade.”

No candomblé, a mediunidade funciona como uma meritocracia misteriosa: a decisão sobre quem será agraciado com o dom é dos orixás. “Sempre falamos que alguns vêm para a religião por vaidade, outros pela ajuda social, e outros porque não tem jeito: vão para um lado e para o outro, mas as entidades o trazem.” Para ser um bom médium, contudo, não basta ter essa faculdade ou estudar bastante. É preciso estar de bem não apenas com a própria espiritualidade, mas em todos os aspectos da vida. “Uma pessoa, para sair de si, tem que se entregar à incorporação.”

“Horrível!”. É assim que Adaíldo Lopes dos Santos, 47 anos, define sua primeira experiência de incorporação. Ele considera o início de sua história com o candomblé “engraçada”. Há 30 anos, o assessor técnico da Secretaria de Defesa da Mulher e da Igualdade Racial teve leucemia e nada parecia dar certo. Evangélico, ele superou seus preconceitos e resolveu conhecer um culto da umbanda. Na primeira vez que pisou no terreiro, incorporou o caboclo Sete Flechas. Lá, aprendeu a única cura bem-sucedida, segundo ele. “Não era uma doença, era só uma cobrança de santo”, justifica. Cobrança de santo, de acordo com o religioso, significa uma oportunidade de se encontrar no mundo dos orixás, como se as entidades o estivessem chamando.

Antes de acabar no terreiro, o plano inicial era ir para uma vigília evangélica (reuniões de oração, louvor e pesquisa bíblica). Com a mudança de planos, Adaíldo colocou a Bíblia debaixo do braço e foi, rumo ao desconhecido. “Não estava com medo. Estava, na realidade, observando o que acontecia e criticando por dentro.” O servidor público tomou coragem por lembrar as vezes que assistiu, escondido, a irmã, umbandista de longa data, praticar os rituais. “Nesse dia, eu estava indo para o culto, escutei o tambor e o segui”, relembra.

Adaíldo não achou a sensação de incorporar muito agradável da primeira vez. “Parece que eu tinha tomado um litro de cachaça. A minha cabeça rodava o tempo todo e o chão balançava comigo.” Depois disso, ele apagou. Não se lembra de nada do que foi dito pelas entidades, só sabe o que lhe contaram. Hoje, é sacerdote do candomblé e comanda um terreiro em Luziânia (GO). Para ele, a mediunidade se desenvolve de várias formas, mas, principalmente, no respeito ao próximo. “Quando eu era evangélico e chegava em uma casa de candomblé, não  respeitava aquela pessoa. Tudo o que eles estavam fazendo, para mim, era em adoração ao satanismo”, analisa. “Depois que você recebe essa energia, descobre que há uma força muito além de tudo isso, que é a força do amor, do respeito.”

Contar a novidade para a família evangélica foi um desafio. Quando aderiu à religião, aos 17 anos, até tomar coragem para falar, Adaíldo aproveitava quando faltava luz para acender velas e oferecê-las para as entidades. “Quando eles descobriram, fui criticado por uns, enquanto outros tiraram o chapéu”, descreve. Adaíldo tem irmãos pastores e irmãs missionárias, mas garante que, quando todo mundo se reúne, o assunto religião não gera polêmica. “Nós nos respeitamos como família.” 

Estudos espirituais

Não é de hoje que a ciência busca entender como funcionam algumas manifestações religiosas. A mediunidade não é exceção. Veja alguns exemplos de trabalhos importantes que tentaram desvendar um pouco do desconhecido:

  • No estudo Fenomenologia das Experiências Mediúnicas, Perfil e Psicopatologia de Médiuns Espíritas, de 2004, o psiquiatra Alexander Moreira de Almeida estudou 115 médiuns com o objetivo de definir o perfil sociodemográfico e a saúde mental dessas pessoas, bem como a fenomenologia e o histórico de suas experiências mediúnicas. Os participantes responderam vários questionários — como o Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire (SRQ), instrumentos planejados para triar transtornos mentais. A conclusão foi que “os médiuns estudados evidenciaram alto nível socioeducacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos menores e razoável adequação social”;

  • Em sua tese de doutorado, pela Unicamp, a historiadora Eliane Moura da Silva analisou a relação entre psiquiatria, espiritismo e doenças mentais, ou “o processo de construção da representação da mediunidade enquanto loucura”. O foco do estudo foi o período entre 1900 e 1950, quando essas experiências  passaram a ser interpretadas pelos psiquiatras como causa e/ou manifestação de doenças mentais;

  • Há também estudos recentes investigando a origem da mediunidade, buscando desvendar se médiuns podem realmente obter informações que não estão disponíveis a eles pelas vias convencionais. O vídeo Pesquisa sobre cartas psicografadas por Chico Xavier (disponível no YouTube), foi feito pelo Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da UFJF (Nupes) em uma pesquisa para a USP, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora, o tema é abordado a partir do contexto histórico da mediunidade.


Fonte: SaúdePlena

terça-feira, 24 de junho de 2014

A CONEXÃO LIBERTADORA

Por Eckhart Tolle


Existe uma Vida Única, eterna e sempre presente, além das inúmeras formas de vida sujeitas ao nascimento e à morte. Muitas pessoas empregam a palavra Deus para descrevê-la, outras costumam chamá-la de Ser.

Costumo utilizar a palavra “Ser”, pois, tem a vantagem de sugerir um conceito aberto. Não reduz o invisível infinito a uma entidade finita. É impossível formar uma imagem mental a esse respeito. Ninguém pode reivindicar a posse exclusiva do Ser. É a sua essência, tão acessível como sentir a sua própria presença. Portanto, a distância é muito curta entre a palavra “Ser” e a vivência do Ser.

O Ser não está apenas além, mas também dentro de todas as formas, como a mais profunda, invisível e indestrutível essência interior. Isso significa que ele está ao seu alcance agora, sob a forma de um eu interior mais profundo, que é a verdadeira natureza dentro de você. Mas não procure apreendê-lo com a mente. Não tente entendê-lo.

Só é possível conhecê-lo quando a mente está serena. Se estiver alerta, com toda a sua atenção voltada para o Agora, você até poderá sentir o Ser, mas jamais conseguirá compreendê-lo mentalmente.

Recuperar a consciência do Ser e submeter-se a esse estado de “percepção dos sentidos” é o que se chama iluminação.

A palavra iluminação transmite a ideia de uma conquista sobre-humana – e isso agrada ao ego -, mas é simplesmente o estado natural de sentir-se em unidade com o Ser. E um estado de conexão com algo imensurável e indestrutível. Pode parecer um paradoxo, mas esse “algo” é essencialmente você e, ao mesmo tempo, é muito maior do que você. A iluminação consiste em encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da forma.

A incapacidade de sentir essa conexão dá origem a uma ilusão de separação, tanto de você mesmo quanto do mundo ao redor. Quando você se percebe, consciente ou inconscientemente, como um fragmento isolado, o medo e os conflitos internos e externos tomam conta da sua vida.

O maior obstáculo para vivenciar essa realidade é a identificação com a mente, o que faz com que estejamos sempre pensando em alguma coisa. Ser incapaz de parar de pensar é uma aflição terrível, mas ninguém percebe porque quase todos nós sofremos disso e, então, consideramos uma coisa normal. O ruído mental incessante nos impede de encontrar a área de serenidade interior, que é inseparável do Ser. Isso faz com que a mente crie um falso eu interior que projeta uma sombra de medo e sofrimento sobre nós.

A identificação com a mente cria uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições, que bloqueia todas as relações verdadeiras.

Essa tela se situa entre você e o seu eu interior, entre você e o próximo, entre você e a natureza, entre você e Deus. É essa tela de pensamentos que cria uma ilusão de separação, uma ilusão de que existem você e um “outro” totalmente à parte. Esquecemos o fato essencial de que, debaixo do nível das aparências físicas, formamos uma unidade com tudo aquilo que é.

Se for usada corretamente, a mente é um instrumento magnífico.

Entretanto, quando a usamos de forma errada, ela se torna destrutiva. Para ser ainda mais preciso, não é você que usa a sua mente de forma errada. Em geral, você simplesmente não usa a mente. É ela que usa você. Essa é a doença. Você acredita que é a sua mente. Eis aí o delírio. O instrumento se apossou de você.
É quase como se algo nos dominasse sem termos consciência disso e passássemos a viver como se fôssemos a entidade dominadora.

A liberdade começa quando você percebe que não é a entidade dominadora, o pensador. Saber disso permite observar a entidade. No momento em que você começa a observar o pensador, ativa um nível mais alto de consciência.

Começa a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência.

Percebe também que todas as coisas realmente importantes, como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria e a paz interior, surgem de um ponto além da mente.  Você começa a acordar.

Eckhart Tolle

sábado, 21 de junho de 2014

Histórias de Vidas Passadas - Documentário do Discovery Channel [VÍDEO]

Surpreendentemente, o canal Discovery, conhecido como mídia oficial de cientistas "ortodoxos", produz um documentário, onde várias histórias comprovadas de reencarnação são trazidas até nós, de forma séria e sem tendências a desacreditar as pessoas envolvidas e o próprio estudo em si.

Parabéns ao Discovery, pela coragem de ultrapassar preconceitos e tendências tradicionalistas. Ficamos realmente surpresos com esta ousada postura de comprometimento.

Este documentário foi realizado há alguns anos e merece realmente ser trazido até nossos leitores.


Fonte do vídeo: Youtube

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Webdesigner parou de cobrar por seu trabalho e NÃO SE ARREPENDE!

Com a opção dos clientes pagarem o quanto (e se) quiserem, Adrian Hoppel acabou fechando contratos melhores do que no modelo tradicional.


Adrian Hoppel é um webdesigner Filadélfia e há alguns anos  decidiu que não queria trabalhar em um emprego tradicional.

Se isso já parece arriscado para um adulto com uma família e filho pequeno  para criar, Hoppel foi além. Decidiu por uma mudança ainda mais radical e parou de cobrar dinheiro por seu trabalho. Ao invés disso, começou a operar dentro do que chamou de "economia do presente".

Hoppel explicou em seu blog sua nova filosofia de trabalho. "Se nós decidirmos trabalhar juntos, eu vou construir um site como um presente, e depois que estiver pronto, eu dou a você. Então, se você considerar que o projeto valeu a pena, pode escolher algo justo de presente de volta para mim. Não há nenhum contrato, nenhuma negociação, nenhuma pressão".

A única pressão que existe, claro, é o de de ganhar o pão de cada dia. Mas quanto a isso, Hoppel não parece preocupado. “A maioria dos clientes me presenteou com pagamento em dinheiro, e em uma quantia maior do que eurecebia no modelo tradicional, baseado na negociação, em que os menores preços vencem a concorrência. Já o modelo de presente que se baseia no respeito mútuo e na justiça”.

Segundo ele, adotar esse sistema não significa trabalhar de graça, mas se baseia em uma troca de confiança. “As pessoas confiam em mim para construir um site, e eu confio neles para apoiar meu trabalho da maneira mais justa”. E complementa: “Com essa escolha, eu recebi o presente mais importante de todos: a verdadeira fé nas pessoas em serem honestas, justas, generosas e solidárias”.

Segundo ele, nunca algum cliente deixou de dar pelo menos algum presente por seu trabalho.



sábado, 23 de novembro de 2013

EU MAIOR (Filme)

Combinando imagens espetaculares da natureza e da civilização humana com depoimentos de grandes expoentes das mais diversas áreas do conhecimento humano sobre o ser humano e o universo, incluindo líderes espirituais, artistas, cientistas, artistas, intelectuais e esportistas, o filme Eu Maior traz uma reflexão contemporânea sobre autoconhecimento e busca pela felicidade.

Eu Maior (Filme)


As entrevistas realizadas trazem reflexões pertinentes acerca de determinados aspectos da busca do ser humano pelo conhecimento de sua verdadeira essência.

Lançado ontem, dia 21 de novembro de 2013, o filme está sendo disponibilizado no cinema, em DVD, Blu-Ray, para download e através do Youtube.

O ecletismo com que esta busca é retratada revela a inclinação gnóstica natural do filme, a qual ajuda a compreensão da universalidade da gnosis.

Entre os participantes estão a astróloga Bárbara Abramo, o teólogo Leonardo Boff, o cientista Marcelo Gleiser, o filósofo Mário Sérgio Cortella, a budista Monja Coen, a líder politica Marina Silva, a sensível atriz Letícia Sabatella, o ambientalista Kaká Werá, o psiquiatra Flávio Gikovate, o escritor Rubem Alves, o psicólogo Roberto Crema, o ilustre professor Hermógenes, e o Bispo Ricardo Lindemann.

Mais informações no site: www.eumaior.com.br.


domingo, 14 de julho de 2013

Você convive intimamente com alguma PESSOA TÓXICA?

De fato estamos cercados de pessoas tóxicas.

Pessoas que são egocêntricas, manipuladoras, interesseiras, arrogantes, rancorosas, amarguradas, mal amadas, invejosas ou fracassadas, que não conseguem ver o sucesso ou a felicidade alheia. Enfim, pessoas sombrias que minam os relacionamentos e amizades com intrigas, críticas excessivas, falta de consideração e respeito pelo outro e abusos verbais ou físicos. Pessoas muito perigosas de se conviver.

Essas pessoas tóxicas acabam, de alguma forma, nos envenenando. Direta ou indiretamente, acabamos agindo por influência delas, seja com atitudes ou omissões. Muitas vezes acabamos agindo por impulso para evitar essas pessoas, ou, na pior das hipóteses, acabamos agindo da mesma forma. São pessoas nocivas, intoxicando nosso comportamento e nos levando a agir e a tomar decisões que, em outras circunstâncias poderiam ser completamente diferentes.

São tóxicas, porque conseguem despertar o que há de pior dentro de nós, não apenas no sentido de maldade ou crueldade, mas no sentido de perdermos a identidade, a autonomia, a energia, a iniciativa e o poder de decisão. Ficamos estagnados, hipnotizados, paralisados. São verdadeiros vampiros, sem Luz própria, que consomem nossa energia vital, que exploram e manipulam pessoas de acordo com os seus interesses e vivem às custas da energia dos outros para se sustentarem.

Tóxicas são aquelas pessoas que sabem tudo a respeito da vida das outras pessoas, mas não conseguem administrar a própria vida. Sabem dar conselhos como ninguém tem um discurso lindíssimo para o mundo lá fora, mas que, na vida pessoal, nos bastidores, na vida íntima, são pessoas frustradas, isoladas, verdadeiras ilhas no meio da sociedade, que não tomam para si os próprios conselhos.

Sabem olhar de fora, apontar defeitos, problemas, erros. Mas não sabem participar, não conseguem enxergar os próprios problemas ou defeitos. Apontam os erros alheios para, de certa forma, esconder os seus próprios. São os “sabe-tudo” e só a sua forma de pensar é que está certa. Não suportam ser contrariados e confrontados. Quando o são, perseguem a pessoa até “livrarem-se” dela ou então se vingam. Seu ego é superlativo para compensar a sua extrema falta de Amor-Próprio. Usam as pessoas conforme seus interesses e, quando estas discordam de suas ideias, são descartadas e eliminadas, sem a menor consideração.

A toxicidade reside exatamente no fato de não nos darmos conta de que estamos sendo manipulados ou influenciados. Ficamos hipnotizados, fascinados, imersos numa imensa ilusão, até o dia em que despertamos e tomamos consciência de que estamos muito mal, morrendo por dentro, e que algo urgente necessita ser feito. Um corte para a nossa libertação, para resgatar a nossa sanidade, saúde, alegria de viver.

Em nossa busca pela felicidade, por tudo aquilo que nos traz bem-estar e alegria, o grande segredo é não se deixar influenciar, se afastar e evitar a convivência com esses tipos. Isso não significa alimentar sentimentos negativos dentro de si com relação a eles, mas de preferência visualizá-los felizes e agradecidos em sua vida, emanando energias e vibrações positivas.

Reflita, você convive intimamente com alguma pessoa tóxica, seja na família, no trabalho, ou nas “amizades”?

Tenha cuidado, afaste-se, fique longe o quanto antes dessas pessoas.

Cuide-se, preserve-se, seja você mesmo, seja pleno e feliz.

E acima de tudo sempre perdoe essas pessoas, muitas vezes, elas não tem consciência de seus próprios malefícios.



terça-feira, 28 de maio de 2013

Menininho e sua lógica brilhante para não comer o Polvo

Veja a brilhante e simples argumentação deste menininho para não comer o polvo.  Seu nome é Luiz Antônio. 

Se todos nós parássemos para pensar a respeito, chegaríamos à simples conclusão que este menininho já chegou.

Talvez devêssemos procurar ver o mundo como esse emocionante menininho e, quem sabe assim, não passaríamos a acreditar um pouco mais no futuro da raça humana?

Podemos dizer que, após vermos este vídeo, não só as lágrimas desceram, como realmente tivemos mais força para acreditar que a sociedade será transformada por estas pessoinhas que estão chegando.


Fonte do vídeo: Flavia Cavalcanti


Você Ama Demais?

Estou certo de que todos, ao lerem o título, dirão que sim. Que amam, que se entregam de corpo e alma. E é disso que falo: o cuidado que devemos ter no amor. 

Amar, decerto, é compromisso, entrega, mas não podemos ultrapassar os limites do ser amado, nem deixar que ele ultrapasse os nossos. No relacionamento saudável, há uma troca, um compartilhamento, uma cumplicidade feliz. Cada um é cada um. Não existe "metade da laranja", nem "alma gêmea"

No amor maduro e real, não há duas metades se relacionando, mas duas pessoas, com suas próprias idéias, gostos e personalidades. Dois seres distintos que se unem por prazer e escolha. Não há sofrimento. 

Para saber se você está vivendo um amor de verdade, basta sentir seu coração, sua alma. Você está feliz? Não? Então, não está amando nem sendo amado. Você vive os dias pensando no ser amado? Espera com, ansiedade o telefone tocar? Conta os minutos para o próximo encontro? Isso não é amor. É dependência, e faz sofrer muito. 

O amor de verdade é sereno, faz bem à alma. Quando você ama de fato, não esquece seus amigos, seus hobbies ou o seu trabalho. Tudo é compartimentado, tem seu lugar na sua vida. Você se nutre um pouco de tudo e seu companheiro ou companheira vem acrescentar. Você o(a) escolheu, mas não precisa dele(a)

Precisar não é amar. Canções nos incutiram por décadas a idéia de que amar é sofrer, chorar, sentir saudades e ciúmes. Essa visão não condiz com o verdadeiro amor e sim, com a falsa idéia do que é amor. Traduzindo, trata-se de dependência, e esta é um vício, uma doença a ser devidamente tratada. 

Há que se atentar para outro detalhe muito importante: você é correspondida(o)? Recebe carinho, atenção, respeito, admiração na mesma intensidade? Ou seu amor é do tipo desligado, sempre ocupado para você? Se for assim, cuidado. Você está entrando em terreno perigoso e devastador. Querer quem não nos quer é sofrimento certo, perda de um tempo precioso. E nem pense em mudar seu amado(a) se tem esta intenção, vai sofrer uma grande frustração. Provavelmente você vem de uma família na qual cresceu uma criança ávida pelo amor do pai ou da mãe. Ou ainda, sofreu abusos ou repressão, trazendo dentro de si uma criança assustada e triste. 

Portanto, preste muita atenção: se amar para você é uma escolha, está no caminho certo. Mas se você precisa de alguém para amar, alguma coisa está fora do lugar. O melhor "norte" para seu caminho é o autoconhecimento. Entretanto, se você está confusa(o) e já não sabe mais se ama ou se precisa, se está apaixonada(o) ou dependente, misturando tudo no caldeirão de suas emoções, é hora de procurar ajuda, pois você tem o direito e o dever de ser feliz. Não dependa. 

Paulo Plaisant

Fonte: amadeirado.blogspot.com.br


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Com a Morte do Ego, Nasce o Reino dos Céus

por Eckhart Tolle
Publicado em 01 de fevereiro de 2011



ALÉM DO EGO: NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADE

Quando o ego está em guerra, saiba que isso não passa de uma ilusão que está lutando para sobreviver. Essa ilusão pensa ser nós. A princípio, não é fácil estarmos lá como testemunhas, no estado de presença, sobretudo quando o ego se encontra nessa situação ou quando um padrão emocional do passado é ativado. No entanto, depois que sentimos o gosto dessa experiência, nosso poder de atingir o estado de presença começa a crescer e o ego perde o domínio que tem sobre nós. E, assim, chega à nossa vida um poder que é muito maior do que o ego, maior do que a mente. 

Tudo de que precisamos para nos livrar do ego é estarmos conscientes dele, uma vez que ele e a consciência são incompatíveis. A consciência é o poder oculto dentro do momento presente. É por isso que podemos chamá-la de presença. 

O propósito supremo da existência humana, isto é, de cada um de nós, é trazer esse poder ao mundo. E é também por isso que nossa libertação do ego não pode ser transformada numa meta a ser atingida em algum ponto no futuro. Somente a presença é capaz de nos libertar dele, pois só podemos estar presentes agora - e não ontem nem amanhã. Apenas ela consegue desfazer o passado em nós e assim transformar nosso estado de consciência. 

O que é a compreensão da espiritualidade? A crença de que somos espíritos? Não, isso é um pensamento. De fato, ele está um pouco mais próximo da verdade do que a ideia de que somos a pessoa descrita na nossa certidão de nascimento, mas, ainda assim, é um pensamento. A compreensão da espiritualidade é ver com clareza que o que nós percebemos, vivenciamos, pensamos ou sentimos não é, em última análise, quem somos, que não podemos nos encontrar em todas essas coisas, que são transitórias e se acabam continuamente. É provável que Buda tenha sido o primeiro ser humano a entender isso, e dessa maneira anata (a noção do não-eu) se tornou um dos pontos centrais dos seus ensinamentos. E, quando Jesus disse "Negue-se a si mesmo", sua intenção era afirmar: negue (e assim desfaça) a ilusão do eu. Se o eu - o ego - fosse de fato quem somos, seria um absurdo "negá-lo". O que permanece é a luz da consciência, sob a qual percepções, sensações, pensamentos e sentimentos vêm e vão. Isso é o Ser, o mais profundo e verdadeiro eu. Quando sabemos que somos isso, qualquer coisa que ocorra na nossa vida deixa de ter importância absoluta para adquirir importância apenas relativa. Respeitamos os acontecimentos, mas eles perdem sua seriedade plena, seu peso. A única coisa que faz diferença realmente é isto: podemos sentir nosso Ser essencial, o "eu sou", como o pano de fundo da nossa vida o tempo todo? Para ser mais exato, conseguimos sentir o "eu sou" que somos neste momento? Somos capazes de sentir nossa identidade essencial como consciência propriamente dita? Ou estamos nos perdendo no que acontece, na mente, no mundo?


TODAS AS ESTRUTURAS SÃO INSTÁVEIS

Seja qual for a forma que assuma, a motivação inconsciente por trás do ego é fortalecer a imagem de quem nós pensamos que somos, o eu-fantasma que passa a existir quando o pensamento - uma enorme bênção, assim como uma grande maldição - começa a dominar e a obscurecer a simples, e ainda assim profunda, alegria da conectividade com o Ser, a Origem, Deus. Independentemente do comportamento que o ego manifeste, a força motivadora oculta é sempre a mesma: a incessante necessidade de aparecer, ser especial, estar no controle, ter poder, ganhar atenção. E, é claro, a necessidade de experimentar uma sensação de isolamento, ou seja, de oposição, de ter inimigos. O ego sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. No caso dele há sempre um plano oculto, um sentimento de "ainda não é o bastante", de insuficiência e falta, que precisa ser atendido. Ele usa as pessoas e situações para conseguir o que deseja e, até mesmo quando é bem-sucedido, nunca fica satisfeito por muito tempo. Em geral, vive frustrado com seus objetivos - na maior parte do tempo, a lacuna entre o "eu quero" e "o que acontece" torna-se uma fonte constante de aborrecimento e angústia. 

A clássica canção dos Rolling Stones (I Can’t Get No) Satisfaction ("Não consigo ter satisfação") é sua música. A emoção subjacente que governa todas as atividades do ego é o medo. O medo de não ser ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte. Todas as suas ações, enfim, destinam-se a eliminar esse temor. No entanto, o máximo que o ego consegue fazer é encobri-lo temporariamente, seja com um relacionamento íntimo, a aquisição de um novo bem ou tendo um bom desempenho numa coisa ou noutra. A ilusão nunca nos satisfaz. Apenas a verdade de quem nós somos, se compreendida, nos libertará. Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias. Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante. 

Certa vez, quando eu caminhava com um amigo numa linda reserva natural próxima a Malibu, na Califórnia, chegamos às ruínas do que fora uma casa de campo, destruída pelo fogo décadas atrás. Aos nos aproximarmos da propriedade, toda cercada de árvores e de plantas magníficas, vimos, ao lado da trilha, uma placa que as autoridades do parque haviam colocado ali. Nela estava escrito: "Perigo. Todas as estruturas são instáveis." Comentei com meu amigo: "Este é um sutra profundo." E ficamos parados, impressionados. 

Depois que compreendemos e aceitamos que todas as estruturas (formas) são efêmeras, até mesmo os materiais aparentemente sólidos, a paz surge dentro de nós. Isso acontece porque o reconhecimento da impermanencia de todas as formas nos desperta para a dimensão do que não tem forma no nosso interior, o que está além da morte. Jesus chamou isso de "vida eterna".


A NECESSIDADE DO EGO DE SE SENTIR SUPERIOR

Existem muitas formas sutis de ego que, mesmo sendo tênues, podemos observar com facilidade nas pessoas e, mais importante, em nós. Lembre-se: no momento em que nos tornamos conscientes do nosso ego, essa consciência emergente é quem somos além do ego, o "eu" profundo. O reconhecimento do falso já é o surgimento do real. Por exemplo, imagine que você está prestes a contar uma novidade a alguém. "Já sabe o que aconteceu? Não? Vou lhe dizer." Se estiver alerta o suficiente, no pleno estado de presença, será capaz de detectar um rápido sentimento de satisfação dentro de si imediatamente antes de dar a notícia, até mesmo se ela for má. Isso ocorre porque, por um breve momento, existe, aos olhos do ego, um desequilíbrio a seu favor na relação entre você e a outra pessoa. Durante esse instante, você sabe mais do que ela. Essa satisfação provém do ego e ela surge porque sua percepção do eu é mais forte em comparação com a outra pessoa. Ainda que o interlocutor seja o presidente ou o papa, você se sente superior a ele naquele momento porque sabe mais. Esse é um dos motivos que fazem com que muita gente se vicie em fofoca. Além disso, a fofoca costuma carregar um elemento de crítica e julgamento malicioso dos outros. Dessa forma, também fortalece o ego por meio da superioridade moral imaginada, que fica implícita em toda apreciação negativa que fazemos de alguém. 

Se uma pessoa tem mais, sabe mais ou pode fazer mais do que nós, o ego se sente ameaçado porque o sentimento de "menos" diminui sua percepção imaginada do eu em relação a ela. Assim, ele pode tentar se recuperar procurando, de algum modo, criticar, reduzir ou menosprezar o valor das capacidades, dos bens ou dos conhecimentos desse indivíduo. Ou pode mudar de estratégia: em vez de competir, vai se valorizar por meio da associação com essa pessoa, caso ela seja considerada importante aos olhos dos outros.

Fonte: luzdegaia.net


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Saiba porque a EDUCAÇÃO não melhora e NÃO MELHORARÁ!


Coerência e dados históricos. Muito bom vídeo e de fácil entendimento, seja qual for o nível de cultura e educação.

Há indubitavelmente uma agenda secreta sendo seguida e estamos servindo constantemente de massa de manobra deste processo, cujo objetivo é o controle absoluto por uma elite muito pequena.

Se não despertarmos e rumarmos contra a corrente, seremos mais um no saco e no fundo do buraco. Aí, é só jogar uma pá de cal em cima, porque estaremos mortos e enterrados, senão estivermos ainda como verdadeiro gado novo, no curral do sistema que vem se estabelecendo aos poucos e debaixo de nossos narizes.


Fonte do vídeo: Carol Silva


quinta-feira, 25 de abril de 2013

NANDANA: Autista, Savant e... TELEPATA!


EMIRADOS ÁRABES UNIDOS. Na cidade de Sharjah (sede de governo do Emirado homônimo), Nandana Unnikrishnan, uma menina de origem indiana, nove anos de idade (em 2013), autista e também portadora da Síndrome de Savant* chamou a atenção de médicos especialistas de todo o mundo quando, no fim de março (2013), uma reportagem publicada no Khaleej Times revelou sua habilidade telepática. Nandana Unnikrishnan pode, incontestavelmente, ler a mente de sua mãe.

* Pessoas com síndrome de savant apresentam habilidades extraordinárias, mas têm sérias deficiências mentais, incluindo o transtorno autista.
  
A extraordinária faculdade da garota começou a se manifestar há dois anos atrás (em 2011). A menina começava a manifestar uma espécie de pré-ciência (conhecimento prévio) daquilo que sua mãe estava pensando ou, ainda, prestes a falar ou fazer. À princípio, os pais consideraram que - as inúmeras vezes nas quais a menina antecipava palavras e gestos materno - eram mera coincidência.

A mãe de Nandana  ̶  Sandhya conta: Ela pode sentir minhas emoções e ler meus pensamentos... Ela vinha para mim e me dizia o nome da comida que eu estava pensando em preparar. Se eu e meu marido decidíamos levá-la a algum lugar ela se antecipava e reagia de acordo.

Nandana foi diagnosticada autista quando tinha um ano e meio de idade. Mais especificamente ela tem  um transtorno do espectro autista (ASD) e síndrome de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Por outro lado, a Síndrome de Savant, encontrada em mais ou menos uma em cada 10 pessoas com autismo é um distúrbio psíquico cujos portadores possuem com uma grande habilidade intelectual aliada a um déficit de inteligência. Tais habilidades são sempre ligadas a uma memória extraordinária... (WIKIPEDIA)

Sandhya continua:  Inicialmente, era muito difícil para mim para ensiná-la o conceito de alguns objetos. Eu tive que lutar muito para fazê-la entender o quê é um copo. ...Mas, nestes dias (depois que a telepatia começou a se manifestar)  é muito fácil fazê-la aprender alguma coisa. Ela é boa em matemática. Mas às vezes eu sinto que quando ela faz o seu dever de casa rápido, é porque estou pensando naquilo...

Nandana tem problemas de fala. Tem muita dificuldade para pronunciar as palavras com clareza. Por isso, os pais demoraram ainda mais para crer na ligação telepática entre mãe e filha. Então, em janeiro deste ano (2013), Nandana aprendeu a usar o teclado do computador.


TELEPATIA & TECNOLOGIA

Sandhya explica: Eu a ensinei a digitar... Agora, se eu pedir-lhe para escrever o quê eu estou pensando, ela pode fazer isso. Às vezes acontecem erros de ortografia e ela ainda não entende bem os conceitos da pontuação. Se eu disser "espaço" (entre palavras) em minha mente, ela digita a palavra "espaço" ao invés de digitar a "separação" entre os vocábulos.


Sandhya Unnikrishnan não se encaixa no padrão comum de mãe de uma criança com necessidades especiais. Depois que percebeu que Nandana era autista, ela foi estudar e fez um curso superior de Análise Comportamental Aplicada com duração de dois anos e pós-graduou-se em Reabilitação Socialmente Integrada (Community-Based Rehabilitation) na Bangalore University, Índia. Ela é a professora particular da filha que cursa o Grau 3 em uma escola regular em Sharjah.

No final de fevereiro os pais a levaram para uma Clínica de Orientação da Criança (Child Guidance Clinic) onde o caso foi analisado por uma equipe de especialistas entre os quais: um psiquiatra especializado  ̶  Dr. Jeena Fiji (do Sunny Speciality Medical Centre, em Sharjah)  ̶  um assistente social, um educador também dedicado à crianças portadoras de autismo e síndromes conexas e, ainda, um grupo de enfermagem. Todos testemunharam as habilidade telepáticas de Nandana.

O Jornal Khaleej Times (Emirados Árabes), recebeu uma cópia do certificado emitido pelo Dr. Jeena Fiji no qual o médico testemunha a capacidade de Nandana de captar os pensamentos, desejos e intenções de sua mãe. Então, Mr. Unnikrishnan, entrou em contato com o Jornal por telefone pouco antes de uma cópia do certificado emitido pelo médico ser entregue na Redação.

Seu objetivo não é expor a filha demasiado mas chamar a atenção de cientistas a fim de que a capacidade de Nandana possa ser não somente explicada mas utilizada em benefício do desenvolvimento da menina na superação das limitações do autismo.

Apesar do ceticismo, a editoria resolveu investigar e enviou repórteres para a residência dos Unnikrishnan. Submeteram a garota a alguns testes e ficaram completamente perplexos com o desempenho da criança. A seguir, o Jornal colheu opiniões de alguns peritos que trabalham nas áreas da psicologia, neurologia e autismo, especificamente, para saber como avaliavam o fenômeno.

Descobriram, então, que crianças e adultos autistas, quando também portadores da Síndrome de Savant (ou Síndrome do Sábio), de fato, possuem habilidades intelectuais desconcertantes como: memória fotográfica, memória musical excepcional ou seja, são capazes de reproduzir uma música perfeitamente depois de ouvi-la uma só vez, fazer cálculos matemáticos complexos mentalmente e rapidamente. 

Porém, nenhum pesquisador conhece caso semelhante ao de Nandana: um portador da Síndrome de Savant com capacidade de comunicação telepática em qualquer grau. E o pai de Nandana parece ter alcançado seu objetivo: os cientistas querem estudar a telepatia da menina a fim de descobrir sua origem, sua causa  ̶  e seus efeitos sobre o desenvolvimento dela nos próximos anos. 

O presidente da Biological Psychiatry Section da Indian Psychiatry Society (IPS), Dr Philip John, um dos especialistas consultados pelo Khallej Times, comentou que o caso de Nandana, sua telepatia exercida exclusivamente sobre a mente de sua mãe (ao menos até agora, 2013) poderia ser um tipo de memória genética peculiar que só poderia ser encontrada (compartilhada) entre a mãe e a criança enquanto vivas ao mesmo tempo.


Savvy Kisani, mãe de um adolescente autista que também tornou-se professora especializada em crianças especiais, acredita que alguns autistas, por vezes, possuem percepções extra-sensoriais.

Kisani conta: Ainda que eles não possam dizer, eles podem visualizar coisas significativas que estão por acontecer. Meu filho, Krishna, comportou-se muito estranhamente quando seu avô (pai dela) estava para morrer. Chorava alto, corria para o quarto do avô e batia a cabeça na porta. Minha mãe, então, disse que provavelmente tinha chegado a hora de meu pai partir. E foi.


TESTES

NA CLÍNICA, COM OS ESPECIALISTAS. Um poema classificado como "de Nível 2" foi entregue à mãe, Sandhya. Esta, leu o poema mentalmente e Nandana digitou o poema inteiro, lendo a mente da mãe.

Depois, um papel com um número de seis dígitos escritos foi entregue a Sandhya. E Nandana reproduziu o número em seu teclado. Outro número foi dado a Sandhya que, desta vez foi separada da filha, em outro aposento. E a menina reproduziu o número mesmo assim provando que podia ler a mente de sua mãe à distância.

SASEENDRAN, Sajila. Nandana has access to mother’s memory.
KHALEEJ TIMES/EMIRADOS ÁRABES, publicado em 25/03/2013.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Kymatica - Documentário


Kymatica (2009) é um filme que foi produzido por Ben Stewart, o vocalista da banda Hierosonic, o mesmo produtor do documentário "The Esoteric Agenda (2008)".

Centrado na consciência humana e universal, o documentário dá-nos uma visão sobre o que nos retém, aquilo que nos adoece, aquilo que está a nos destruir.

Trata-se de um documentário que explora os mitos e a Psicologia que governam a humanidade.

Sinopse: O filme centra-se na consciência humana e universal e assinala a doença da psique que a humanidade tem induzido pela criação de uma insana ilusão, que é a principal causa de dor e sofrimento. Avança mais em aspectos metafísicos e conecta antigos mitos e a história escondida com modernas formas de sociedade e resultado político. Explica xamanismo, dualidade, e a realidade por trás DNAs e modernas falsas crenças.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

UFOlogia: Caso Antônio Villas Boas


Na tarde de 22 de fevereiro de 1958, Antônio Villas Boas prestou o seguinte depoimento, na cidade do Rio de Janeiro, no consultório médico do Dr. Fontes e na presença do jornalista João Martins, testemunha. Eis a transcrição:

“Meu nome é Antônio Villas Boas, tenho 23 anos, sou agricultor, vivo com a minha família numa fazenda, de nossa propriedade, situada nas imediações da cidade de São Francisco de Sales, Estado de Minas Gerais, perto dos limites do Estado de São Paulo”. Tenho dois irmãos e três irmãs, todos eles morando na vizinhança; outros dois irmãos meus já faleceram. Todos os homens da família trabalham na fazenda, cujas terras abrangem campos extensos e muitas plantações a serem cuidadas. Para lavrar a terra, temos um trator com motor a gasolina, marca Internacional, com o qual trabalhamos em duas turmas, uma diurna, outra noturna, na época do plantio. De dia, trabalham os trabalhadores rurais, nossos empregados, de noite, eu costumo trabalhar sozinho ou, às vezes, junto com meus irmãos. Sou solteiro, tenho boa saúde, trabalho duro, faço curso por correspondência e estudo, sempre que posso. Para mim foi um sacrifício viajar até o Rio, pois estão precisando de mim, lá na fazenda. No entanto, considerei meu dever relatar os acontecimentos extraordinários nos quais fui envolvido. Farei de bom grado tudo quanto os senhores acharem que devo fazer e também me prontifico a depor perante autoridades civis e militares. 
'Uma luz forte... '

Tudo começou na noite de cinco de outubro de 1957. Naquela noite, tivemos visita, razão pela qual fomos dormir somente lá pelas 23h, bem depois da hora de costume. Eu estava no meu quarto, em companhia do meu irmão João. Fazia bastante calor naquela noite e, por isso, abria a janela, que dá para o terreiro, quando lá vi uma luz brilhante, que iluminava todo o ambiente. Era uma luz bem mais clara do que aquela do luar e não consegui saber de sua procedência. Mas, evidentemente, deveria ser refletida de lá, bem em cima, pois me deu a impressão de holofotes dirigidos para baixo e iluminado a nossa fazenda toda. Porém, lá no céu, eu não pude distinguir coisa alguma. Chamei por meu irmão, para ele também ver aquela luz, mas, recatado e comodista como ele só, não se incomodou e achou melhor dormimos. Em seguida, fechei as venezianas e ambos fomos dormir. No entanto, aquela luz não me saía da cabeça e nem me deixava pregar os olhos de modo que, sentindo uma curiosidade imensa, tornei a levantar-me e a abrir as venezianas, para ver o que se passava lá fora. A luz continuava inalterada, no seu lugar. Fiquei de olhar fixo naquela luz quando, de repente, se deslocou para perto da minha janela. Assustado, bati as venezianas, com tamanho barulho que acordei meu irmão que entrementes tinha adormecido. Dentro do quarto escuro, ele e eu acompanhamos a luz que entrava pelas venezianas; passou em direção ao telhado, de onde penetrou, então, pelas frestas entre as telhas. Por fim, a luz desapareceu e não voltou mais. 


Uma tentativa de 'caça' ao objeto

A 14 de outubro houve o segundo incidente. Deve ter ocorrido lá pelas 21h e 30 m e 22h, não posso precisar a hora exata, pois não tinha relógio comigo. Trabalhei com o trator, em companhia de um outro dos meus irmãos. De repente, avistamos uma luz muito clara, penetrante, a ponto de doer à vista. Quando a vimos, pela primeira vez, despontou grande e redonda, como uma roda de carroça, na ponta norte do campo, cuja terra lavramos, era de um vermelho-claro e iluminou uma grande área. Distinguimos alguma coisa dentro da luz, ela deslocou-se, repentina e ultra velozmente, para a ponta sul do campo, onde ficou novamente parada. Corri atrás da luz, que então, tornou a voltar para onde estava antes. Tornei a correr atrás, mas ela fugiu de mim. Então, desisti de pegá-la e voltei para junto do meu irmão. Por uns poucos minutos a luz ficou imóvel, à distância, ela parecia emitir raios intermitentes, em todas as direções, que me fizeram pensar nos raios do sol poente. Em seguida, desapareceu tão repentinamente que tive a impressão de ter sido apagada. No entanto, não tenho certeza absoluta dessas coisas, realmente, se terem passado dessa maneira, pois não sei mais se, por aquele tempo todo, olhei em direção da luz. Talvez tenha desviado o olhar por algum instante, quando, então, poderia ter subido de repente e, quando tornei a olhá-la, já não estava mais lá, tinha sumido. 


O contato

No dia seguinte, 15 de outubro, trabalhei sozinho com o trator. Foi uma noite fria e o céu noturno, claro, estava salpicado de estrelas. Precisamente a 1 h vi uma estrela vermelha, de aparência igual à de uma daquelas grandes estrelas bem claras. No entanto, percebi logo que não se tratava de uma estrela, pois aumentou progressivamente de tamanho e parecia aproximar-se de mim. Dentro de alguns instantes, ficou um objeto brilhante, da forma de um ovo e com velocidade incrível. A sua aproximação era tão veloz que já estava sobre o trator, antes que eu pudesse pensar o que deveria fazer. De repente, o objeto ficou parado e desceu até uns 50 m acima da minha cabeça. O trator e o campo ficaram iluminados, como mergulhados em plena luz do dia. A luz dos faróis do meu trator ficou completamente ofuscada por aquele brilho penetrante, vermelho-claro. Senti um medo horrível, pois não podia fazer idéia do que aquilo seria. Eu queria fugir com o trator, mas, em comparação com a velocidade daquele objeto, a sua marcha era lenta demais e foram inúteis todos os meus esforços para acelerá-lo. Igualmente, pular do trator e tratar de fugir a pé, correndo na terra recém-lavrada, tampouco me teria adiantado qualquer coisa; ademais, desse jeito, eu me teria arriscado a fraturar a perna. Enquanto eu fiquei lá, uns dois minutos, hesitante, sem saber o que fazer, a luz tornou a deslocar-se e parou a uns 10 a 15 m à frente do meu trator, para, então, lentamente, pousar no solo. 


Descrição do OVNI

Aproximou-se de mim, mais e mais, até quando pude distinguir que se tratava de uma máquina fora do comum, quase redonda, com pequenas luzes vermelhas dispostas em toda a circunferência. À minha frente, havia um enorme farol vermelho, que ofuscou minha vista, quando o objeto desceu lá de cima. Agora distinguia nitidamente os contornos da máquina; ela era parecida com um ovo alongado, apresentando três picos, um no meio e um de cada lado. Eram picos metálicos, de ponta fina e base larga; não pude distinguir a sua cor, por causa da forte luz vermelha, na qual estavam mergulhados. Em cima havia algo rodando à alta velocidade, que, por sua vez, emitia luz vermelha, fluorescente. No instante em que a máquina desacelerou, para pousar, as rotações da peça giratória diminuíram e a luz mudou - assim me parecia - para o verde. Naquele momento, a peça giratória era como um prato ou uma cúpula achatada. Aliás, aquela peça giratória jamais parou, por um segundo sequer, mantendo-se em rotação permanente, mesmo depois do objeto voador encontrar-se no solo. A maioria desses detalhes só notei um pouco mais tarde porque, logo de início, fiquei nervoso demais para percebê-los. E quando, a alguns metros acima do solo, a parte de baixo do objeto se abriu e dele saíram três suportes metálicos, perdi os últimos resquícios do meu autocontrole. Evidentemente, estava descendo o "trem de pouso". Mas eu não estava disposto a esperar tanto. 


Tentativa de Fuga

Durante esse tempo todo, o trator estava de motor ligado e, então, pus pé no acelerador, desviei-o do objeto voador e tentei escapar, quando após avançar por alguns metros, o motor parou e os faróis apagaram. Eu não sabia por que, pois o motor estava ligado e os faróis estavam acesos. Dei partida, mas o motor não pegou. Em vista disso, pulei do trator, detrás do objeto e corri. Porém, logo mais, um minúsculo ser estranho, que mal chegava à altura dos meus ombros, pegou no meu braço. 


O seqüestro

Desesperado, apliquei-lhe um golpe, que o fez perder equilíbrio, largar o meu braço e cair para trás. Novamente, tentei correr, quando, instantaneamente, três outros seres alienígenas pegaram-me por trás e pelos lados, segurando meus braços e minhas pernas e levantando-me do solo, sem que eu pudesse esboçar sequer o menor gesto. Tentei livrar-me deles, mas me seguraram firme. Gritei por socorro, maldisse-os e exigi que me soltassem. Meus sequestradores devem ter ficado espantados ou curiosos com aqueles meus gritos, pois, enquanto me levavam para o objeto voador, toda vez que abria a boca, me olhavam na cara, sem, no entanto, afrouxar, no mínimo, a garra com que me prendiam. Tirei esta conclusão da sua atitude comigo e, com isso, fiquei um pouco aliviado. Carregaram-me até a máquina, que estava pousada a uns 10 m acima do solo, sobre os suportes metálicos já descritos. Na parte traseira do objeto voador havia uma porta, que se abria de cima para baixo e, assim, serviu de rampa. Na sua ponta estava uma escada de metal, do mesmo metal prateado das paredes e que descia ao solo. Os meus sequestradores alienígenas tiveram dificuldades em me fazer subir aquela escada, que só dava para duas pessoas, uma ao lado da outra e, além do mais, não era estável, balançando fortemente, com cada uma das minhas tentativas de livrar-me dos meus raptores. De cada lado havia um corrimão, da espessura de um cabo de vassoura, no qual me agarrei, para não ser levado para cima, o que fez com que eles tivessem de parar, a fim de tirar as minhas mãos daquela peça. No entanto, também o corrimão era móvel e quando, depois, desci por aquela escada, eu tive a impressão de ser de elos de corrente. 


A espaçonave

Por fim, me deixaram em um pequeno recinto quadrado. A luz brilhante do teto metálico refletia-se nas paredes, de metal polido; era emitida por numerosas lâmpadas quadradas, embutidas debaixo do teto, ao redor da sala. Deixaram-me em pé, no chão. A porta de entrada, junto com a escada recolhida, levantou-se e fechou. O recinto estava iluminado como se fosse pela luz do dia, mas, mesmo nessa luz brilhante, não se percebia o lugar da porta que, depois de fechada, ficou totalmente integrada à parede; somente a escada metálica indicava o lugar, onde ela deveria achar-se. Um dos cinco seres presentes apontou com a mão para uma porta aberta e me fez compreender que eu deveria segui-lo para aquele recinto contíguo. Obedeci, já que não havia outro jeito. Prosseguimos, então, para aquele recinto, que era maior do que o outro e semi-oval. Lá, as paredes brilhavam como as da sala anterior. Creio que me encontrava bem no setor central da máquina, pois no meio havia uma coluna redonda, aparentemente maciça, cujo diâmetro diminuía no seu meio. Dificilmente aquela coluna estaria ali apenas a título de enfeite. A meu ver, ela suportava o teto. Os únicos móveis existentes eram uma mesa, de desenho esquisito, e várias cadeiras giratórias, parecidas com as nossas cadeiras de balcão de bar. Todos os objetos eram de metal. A mesa e as cadeiras tinham um só pé, no centro, que, na mesa, era firmemente fincado na base, nas cadeiras, o pé era ligado a três reforços laterais salientes, por um anel móvel e embutido no piso. Assim, as cadeiras tinham movimento livre, para todos os lados.

SÍMBOLO VISTO POR VILLAS BOAS
DENTRO DA ESPAÇONAVE

Os exames

Os seres alienígenas continuaram a segurar-me e, evidentemente, conversavam a meu respeito. Quando digo "conversaram" é bom frisar que aquilo que ouvi não teve sequer a menor semelhança com sons humanos. Tampouco, posso imitar a sua fala. De repente, pareciam ter chegado a uma decisão. Todos os cinco, juntos, começaram a despir-me. Eu me defendi o melhor que pude, gritei, xinguei. Eles pararam me olharam e tentaram fazer-me compreender que queriam passar por gente educada. No entanto, mesmo assim, continuaram a despir-me, até que fiquei completamente nu, não obstante os meus protestos violentos, debatendo-me fortemente durante todo aquele processo, não chegaram a machucar-me, nem a rasgar qualquer peça de minha roupa. Por fim, lá estava eu, completamente pelado e com um medo horrível, pois não sabia o que fariam em seguida. Um dos meus sequestradores aproximou-se de mim, segurando algo na mão que me parecia uma espécie de esponja, com a qual passou um liquido em todo meu corpo. Era uma esponja bem macia, não uma daquelas esponjas comuns, e o líquido bem claro e inodoro, porém mais viscoso que água. Primeiro, pensei que fosse um óleo, mas não pode ter sido, porque minha pele não ficou oleosa, nem gordurosa; quando passaram aquele líquido no meu corpo, senti um frio intenso, pois, no interior da máquina a temperatura era bastante baixa. Sofri por ficar despido, mas sofri ainda mais, depois de me terem passado aquele liquido e tremi como varas verdes, de tanto frio que senti. No entanto, o liquido secou logo e, pouco mais tarde, já não senti mais nada...

““... Então, três dos sequestradores levaram-me para a porta, do lado oposto daquela pela qual entrei. Um deles tocou em algo, bem no centro da porta que, em seguida, se abriu para os dois lados, como uma porta de encaixar, de bar, feita de uma só folha, do piso ao teto. Em cima, havia uma espécie de inscrição com letreiros luminosos, vermelhos; os efeitos de luz deixaram aqueles letreiros salientes, destacados da porta em 1 ou 2 cm. Eram totalmente diferentes de quaisquer dos símbolos ou caracteres que eu conheço. Procurei gravá-los em minha memória, mas, entremente, já os esqueci. Em companhia de dois dos seres alienígenas, ingressei em uma pequena sala quadrada, iluminada como os demais recintos; a porta fechou-se atrás de mim. Quando olhei para lá, nada havia de porta, somente uma parede, igual às outras. De repente, a parede tornou a abrir-se e, pela porta, entraram mais dois seres; levavam nas mãos dois tubos de borracha, vermelha, bastante grossos, cada um medindo mais de um metro. Um dos tubos estava ligado por uma de suas pontas a um recipiente de vidro, em forma de taça; na outra ponta havia uma peça de embocadura, parecida com uma ventosa, que colocaram sobre a minha pele, debaixo do queixo, lá onde ainda tenho uma mancha escura, que ficou como cicatriz. 


Sangria

Antes do alienígena iniciar a sua operação, ele comprimiu o tubo de borracha fortemente com a mão, como se dele quisesse expelir todo o ar. Logo de começo, não senti nem dores, nem comichão, mas notei apenas que minha pele estava sendo sugada; em seguida, senti que ela ardia e tive vontade de coçar-me; enfim, descobri que a pele ficou machucada, ferida. Depois de me terem colocado o tubo de borracha, vi como a taça se encheu, lentamente, do meu sangue, até a metade. Aí, então, pararam; retiraram o tubo de borracha e substituíram-no pelo outro. Sofri nova sangria; desta vez, no outro lado do queixo. Ali, os senhores podem verificar uma mancha escura, igual à que já lhes mostrei. Daquela vez, a taça ficou cheia, até a borda. Terminada a sangria, os homens retiraram o tubo de borracha e também nesse lugar a minha pele ficou ferida, ardendo e me deixando com coceira. 


Mau cheiro e enjôo

Depois disso, eles saíram, fecharam a porta atrás de si e eu fiquei sozinho naquela sala. Por um bom tempo, ninguém se preocupou comigo e fiquei só, por mais de meia hora. Naquela sala não havia móveis, além de uma espécie de cama, sem cabeceira, nem moldura. Como aquela cama era curva, saliente para cima, bem no meio, não era muito cômoda, mas, pelo menos, era macia, como se fosse de espuma e coberta de uma fazenda grossa, cinzenta, também macia. Depois de tudo pelo que passei me senti cansado, sentei-me naquela cama. No mesmo instante, senti um cheiro forte, estranho, que me causou náuseas; tive a impressão de inalar uma fumaça grossa, cortante, que me deixou quase asfixiado. Talvez fosse isto mesmo, pois, quando examinei a parede, pela primeira vez, notei uma quantidade de pequenos tubos metálicos, fechados em uma das pontas, embutidos na parede, à altura da minha cabeça. Semelhantes a um chuveiro, apresentavam múltiplos furinhos, pelos quais saiu uma fumaça cinzenta, que se dissolveu no ar. Daí, o cheiro. Senti-me bastante mal e fiquei com ânsias de vômito, fui para um canto da sala e vomitei. Em seguida, pude respirar sem dificuldades, porém, continuei a sentir-me mal com aquele cheiro. Fiquei bastante deprimido. O que será que eles pretendiam comigo? Até àquela hora não fiz a menor idéia de como seria a aparência daqueles alienígenas. 


Os seres

Os cinco usavam macacões bem colantes, de uma fazenda bem grossa, cinzenta, muito macia e, em alguns pontos, colada com tiras pretas. Cobrindo a cabeça e o pescoço, usavam um capacete da mesma cor, mas de material mais consistente e reforçado atrás, com estreitas tiras de metal. Este capacete cobria a cabeça toda, deixando à mostra somente os olhos, que pude distinguir através de algo parecido com um par de óculos redondos. Os homens estranhos fixaram-me com seus olhos claros, que me pareciam de cor azul. Acima dos olhos, o capacete tinha duas vezes a altura de uma testa normal. Provavelmente, sobre a cabeça, debaixo do capacete, usavam mais alguma coisa, invisível de fora. A partir do meio da cabeça, descendo pelas costas e entrando no macacão, à altura das costelas, notei três tubos redondos, de prata, dos quais não sei dizer se eram de borracha ou metal. O tubo central descia pela coluna vertebral à esquerda e à direita desciam os dois outros tubos, até uns 10 cm debaixo das axilas. Não vi nenhuma depressão ou protuberância, que indicasse uma ligação entre esses tubos e um recipiente ou instrumento, escondido debaixo do macacão. As mangas do macacão eram estreitas e compridas; os punhos continuavam em luvas grossas. Percebi como os homens mal conseguiam tocar com as pontas dos dedos a parte interna da mão. Contudo, isto não os impediu de segurar-me com tamanha firmeza e manipular habilmente os tubos de borracha, enquanto me fizeram à sangria. Quanto aos seus macacões, creio que eram uma espécie de uniforme, pois todos os tripulantes usavam um escudo do tamanho de uma rodela de abacaxi. De lá, uma tira de pano, prateada ou de metal, ligava-se à cinta estreita, sem fivela. Nenhum dos macacões tinha bolsos ou botões. As calças eram compridas e colantes e continuavam numa espécie de sapatos, sem, no entanto, mostrar onde terminava a calça e começava o sapato. Todavia, a sola dos sapatos era de 4 a 7 cm de espessura; era bem diferente da dos nossos sapatos. Nas pontas, os sapatos eram levemente encurvados para cima, mas não como a gente vê nos contos de fadas. Os alienígenas movimentavam-se hábil e rapidamente; só que o macacão parecia interferir um pouco com os movimentos livres do seu corpo, pois eles me impressionaram como figuras um tanto rígidas. Todos eles eram do meu tamanho, menos um, que não chegava nem à altura do meu queixo. Eram fisicamente fortes, mas não a ponto de me meterem medo; lá na minha terra, eu não teria dúvida em brigar com qualquer um deles. 


Sexo dentro da espaçonave

No meu entender, passou-se uma verdadeira eternidade, quando então um ruído na porta interrompeu minhas meditações. Virei-me para lá e vi uma moça aproximando-se. Lentamente, ela veio ao meu encontro. Estava totalmente nua, descalça - como eu. Fiquei perplexo e, aparentemente, ela achou divertida a expressão do meu rosto. Ela era muito formosa, completamente diferente das outras mulheres que conheço. Seus cabelos eram macios e louros, quase da cor de platina - como esbranquiçados - e lhe caiam na nuca, com as pontas viradas para dentro. Ela usava o cabelo repartido ao meio e tinha grandes olhos azuis, amendoados. O seu nariz era reto. Os ossos da face, muito altos, conferiam às suas feições uma aparência heterogênea, deixando o rosto bem mais largo do que o das índias sul-americanas e, com o queixo pontudo, ele ficava quase triangular. Tinha os lábios finos, pouco perfilados e suas orelhas (que cheguei a ver mais tarde) eram exatamente como as das nossas mulheres terrestres. Tinha o corpo mais lindo que já vi em moça alguma, com os seios bem formados, firmes e altos, cintura fina. Os seus quadris eram largos, as coxas compridas, os pés pequenos, as mãos finas e as unhas normais. Era de estatura bem baixa, e a sua cabeça mal chegava aos meus ombros. Essa moça aproximou-se de mim, em silêncio; fitou-me com seus olhos grandes, expressando expectativa, dizendo que estava esperando algo de mim. De repente, ela me abraçou e começou a esfregar o rosto dela contra o meu, enquanto apertava o corpo dela contra o meu. Tinha a pele alvíssima das nossas mulheres louras e os braços cheios de sardas. Senti somente o cheiro de seu corpo, tipicamente feminino, sem nenhum perfume na pele ou nos cabelos. A porta tornou a fechar-se. A sós com aquela moça, que não me deixou a menor duvida quanto a seus desejos, fiquei fortemente excitado. Considerando a situação na qual me encontrava, isto parece um tanto improvável, mas creio que foi por causa do líquido que passaram no meu corpo. Devem tê-lo passado de propósito. Só sei que não consegui mais refrear o meu apetite sexual. Jamais isto me aconteceu. Enfim, acabei não pensando em mais nada, peguei a moça e retribui as suas carícias. Era um ato normal e ela comportou-se como qualquer outra mulher, mesmo após várias repetições do ato. Depois, ela ficou cansada e respirou com dificuldade. Eu ainda continuei em estado de forte excitação, mas ela recusou o meu amor. Fiquei um tanto zangado, mas não mostrei emoção alguma, pois, apesar de tudo, tive uma experiência bastante agradável. Porém, eu não trocaria uma das nossas moças por ela, porque prefiro uma para conversar e que entenda o que a gente fala. Além disso, o seu grunhido, em dados momentos, deixou-me irritado. Tampouco ela sabia beijar, a não ser que as leves mordidas, no meu queixo, valessem um beijo. Em todo o caso, não tenho certeza de nada disso. Só achei esquisito que os cabelos de suas axilas e "aqueles em outro lugar" fossem da cor de vermelho-sangue. Pouco depois de nossos corpos se terem separado, a porta se abriu e um dos homens alienígenas chamou a moça. 

Antes de sair da sala, ela virou-se para mim, apontou primeiro, para a sua barriga, depois, com uma espécie de sorriso, para mim e, por último, para o céu. Depois, ela saiu. Interpretei esse gesto como uma advertência, prenunciando a sua volta, quando então, ela me levaria consigo, para onde quer que fosse. Até hoje estou tremendo de medo, ao pensar que, se retornarem e me sequestrarem de novo, eu estarei definitivamente perdido. De jeito algum estaria disposto a separar-me da minha família e abandonar a minha terra. 

Àquela altura, um dos alienígenas voltou com a minha roupa, que tornei a vestir. Devolveram-me tudo, menos o meu isqueiro que bem poderia ter caído ao chão, durante a luta corporal com os seqüestradores. Voltamos para o outro recinto, onde três dos tripulantes estavam sentados nas cadeiras giratórias, grunhindo um para o outro (acho que conversavam). Aquele que me veio buscar, juntou-se a eles e me deixou sozinho. Enquanto eles "falavam", procurei gravar na memória todos os detalhes ao meu redor e observar minuciosamente tudo quanto ali se passava. Neste empenho, reparei sobre a mesa, ao lado dos homens, dentro de uma caixa quadrada, com uma tampa de vidro, em um disco, parecido com o mostrador de um despertador; havia um ponteiro e, no lugar dos números 3, 6 e 9, uma marcação negra. Somente no lugar em que, normalmente, está o numero 12, havia quatro pequenos símbolos negros, um ao lado do outro. Não sei para que serviria isso, mas foi assim que eu o vi. Primeiro, pensei que aquele instrumento fosse uma espécie de relógio, pois, vez ou outra um dos alienígenas o fitava. No entanto, dificilmente, seria um relógio, pois, durante todo o tempo em que o olhei, os ponteiros permaneceram imóveis, na mesma posição. Aí, então, tive a idéia de pegar naquela coisa e levá-la comigo, a título de prova desta minha aventura. Com aquela caixa, o meu problema teria sido resolvido. Quem sabe, quando os homens notassem o meu interesse por aquele objeto, talvez me dessem de presente. Aproximei-me dele, aos poucos e, quando eles não me olhavam, puxei-o da mesa com as duas mãos. Era pesado, certamente uns 2 kg. Porém, eles não me deram tempo, nem para olhá-lo de perto, pois, com a rapidez de um raio, um dos homens empurrou-me para o lado, tirou a caixa das minhas mãos e, furioso, tornou a colocá-la em seu lugar. Recuei até a parede mais próxima e lá fiquei parado, imóvel. Normalmente, não costumo sentir medo, mas, naquela situação, achei melhor ficar quieto, pois eu já sabia que eles me tratavam bem somente quando o meu comportamento era do agrado deles. Fiquei parado ali, à espera que as coisas acontecessem. A moça não apareceu mais, nem despida, nem vestida, mas eu descobri onde ela deveria estar. Na parte dianteira do recinto grande havia mais uma porta, um pouco entreaberta e, vez ou outra, dava para ouvir o ruído de passos, que se dirigiam para lá e para cá. Como todos os demais tripulantes estavam naquele recinto grande, os passos que ouvi somente poderiam ter sido os da moça. Suponho que essa parte dianteira se tratava da cabina de navegação da máquina. Enfim, um dos homens alienígenas levantou-se e me fez um sinal para segui-lo. Os demais nem me olharam e, assim, atravessamos a pequena ante-sala, até a porta de entrada, já aberta e com a escada descida. No entanto, ainda não descemos, mas o homem me fez compreender que eu devia acompanhá-lo até a rampa, que havia em ambos os lados da porta; ela era estreita, mas permitiu dar uma volta completa ao redor da máquina. Primeiro, fomos para frente e lá vi uma protuberância metálica sobressaindo da máquina; na parte oposta havia essa mesma protuberância. A julgar por sua forma, conclui que talvez fosse o dispositivo de controle para a decolagem e o pouso da máquina. Devo admitir que jamais vi aquele dispositivo em funcionamento, nem quando a máquina levantou vôo, razão pela qual não sei explicar sua função. Em frente, o alienígena apontou para os picos de metal ou, melhor, esporas metálicas, já mencionadas. Todas as três estavam firmemente ligadas à máquina; a do meio, diretamente com a parte dianteira. As três esporas tinham a mesma forma, base larga, diminuindo para uma ponta fina e sobressaindo horizontalmente. Não posso avaliar se eram do mesmo metal da máquina; elas brilhavam como metal incandescente, mas não irradiavam nenhum calor. Um pouco acima das esporas metálicas estavam luzes vermelhas; as duas laterais eram pequenas e redondas, ao passo que aquela na parte dianteira era enorme. Eram os possantes faróis, que já descrevi. Acima da rampa, a qual, por sua vez, terminava, em frente, com uma grande placa de vidro grosso, que entrava fundo no revestimento de metal, um pouco saliente e diminuindo de espessura, nos lados. Como não havia janelas em parte alguma, julguei que aquela vidraça serviria para, através dela, olhar o mundo lá fora, mesmo que não desse boa visão, pois, visto de fora, o vidro parecia bastante turvo. A meu ver, as esporas metálicas na frente dianteira deveriam estar relacionadas com a força de propulsão, pois, quando a máquina levantou vôo, o seu brilho ficou muito intenso e se confundiu, por completo, com o da luz do farol principal. 

Após a vistoria da parte frontal da máquina, voltamos para a de trás (essa parte apresentava curvatura bem mais pronunciada do que a da frente), mas, antes disso, paramos mais uma vez, quando o alienígena apontou para cima, onde estava rodando a imensa cúpula, em forma de prato. Ao rotar lentamente, estava mergulhada numa luz esverdeada, cuja fonte não consegui detectar; simultaneamente, emitia certo som de assobio, lembrando o ruído de um aspirador ligado ou de ar que entrasse por numerosos pequenos orifícios. Quando, mais tarde, a máquina decolou, as rotações da cúpula aceleraram progressivamente, até desaparecer por completo e, em seu lugar, permanecer tão-somente um brilho de luz vermelho-clara. Ao mesmo tempo, o ruído cresceu para um estrondoso uivar e, com isto, para mim não havia dúvida de que a velocidade da rotação da cúpula determinava o volume do som do ruído. Depois de me ter mostrado tudo, o alienígena levou-me para a escada metálica e me deu a entender que eu estava livre para sair. Ali estava ele, apontando primeiro, para si próprio, depois, para mim e, finalmente, para o quadrante sul, lá no céu. Em seguida, fez o sinal de recuar e desapareceu no interior da máquina. A escada metálica foi se encurtando, com um degrau empilhando sobre o outro, como em uma pilha de lenha e, ao chegar lá em cima, a porta levantou-se - quando aberta, formava a rampa - até ficar embutida na parede da máquina e tornar-se invisível. As luzes das esporas metálicas do farol principal e da cúpula ficaram progressivamente mais intensas, com o aumento das rotações. Lentamente, a máquina subiu, em linha vertical, recolhendo, ao mesmo tempo, o seu "trem de pouso"; em seguida, a parte de baixo do objeto parecia tão lisa, como se de lá jamais tivesse saído coisa alguma. O objeto voador subiu devagar, até uns 30 a 50 m de altura; lá parou por alguns segundos, enquanto a sua luminosidade se tornou mais intensa. O ruído de uivar tornou-se mais forte, a cúpula começou a girar a uma velocidade enorme, ao passo que a luz mudou, progressivamente, até ficar vermelho-claro. “Naquele instante, a máquina inclinou-se, de leve, para o lado, ouviu-se o ruído rítmico, de bater, e, repentinamente, desviou-se para o sul, desaparecendo de vista uns poucos segundos depois...”.


A finalidade de tais seqüestros ainda é um grande mistério para ufologia

“... Voltei, então, para o meu trator. À 1h e 15 m fui levado, contra minha vontade, para o interior da máquina alienígena, de onde saí às 5h e 30 m da madrugada. Portanto, lá me prenderam durante 4 h e 15 m. Bastante tempo. Nada falei dessa minha vivência a ninguém, a não ser à minha mãe, a única pessoa com quem me abri. Ela achou melhor jamais ter contato com gente assim. Não tive coragem de falar coisa alguma ao meu pai. Já lhe havia falado, anteriormente, sobre a luz na cúpula, mas ele não acreditou em minhas palavras e achou que tudo aquilo era pura imaginação minha. Mais tarde, resolvi escrever ao Sr. João Martins, contando o que houve; para tanto fui motivado pela leitura do seu artigo publicado em novembro próximo passado, na revista "O Cruzeiro", solicitando para que os leitores lhe enviassem qualquer relato referente a discos voadores. Se eu tivesse dinheiro, já teria viajado para o Rio em data anterior, mas, como não tive, foi preciso aguardar a sua resposta e a oferta de financiar parte das minhas despesas de viagem". 

Notas clínicas e relatório sobre o exame médico, assinado pelo Dr. Olavo Fontes: 

Dados pessoais: Antônio Vilas Boas, branco, solteiro, fazendeiro, residente em São Francisco de Sales, Minas Gerais. 

Ficha Clínica: Conforme o seu depoimento, ele deixou a máquina em 16 de outubro de 1957, às 5 h e 30 m. O seu estado físico era bastante fraqueza, pois nada tinha comido, desde as 21 h da véspera e, enquanto estava na máquina, vomitou diversas vezes. Voltou para casa, exausto e dormiu quase o dia todo. Ao acordar às 16 h e 30 m, sentiu-se bem e tomou uma refeição regular. No entanto, já naquela noite e nas noites seguintes, não conseguia dormir. Ele ficava muito nervoso, fortemente excitado e sempre que conseguia pegar no sono, sonhava com os acontecimentos da noite anterior, como se estivesse revivendo tudo. A essa altura, despertava com um grito e tinha a sensação de estar, outra vez, preso por seus seqüestradores. Após ter passado repetidamente por aquela experiência, ele desistiu de tentar dormir naquela noite e procurou passá-la, lendo e estudando. No entanto, tampouco logrou realizar este seu intento, pois não conseguia concentrar-se naquilo que estava lendo; seus pensamentos sempre voltavam e giravam em torno dos acontecimentos daquela noite fatídica. Ao raiar o dia, ele estava completamente confuso, correndo de um lado para o outro, fumando um cigarro após o outro. Sentiu-se cansado, exausto. Teve vontade de comer alguma coisa, mas acabou tomando somente um cafezinho; logo em seguida, sentiu-se mal, vomitou; a ânsia de vômitos e as fortes dores de cabeça continuaram durante todo o dia. Como ele estava absolutamente sem apetite, rejeitou qualquer alimento. Também a segunda noite, após o incidente, ele a passou em claro e no mesmo estado físico. Ainda sentiu seus olhos arderem, mas as dores de cabeça cederam. No segundo dia, continuou com ânsia de vômitos e sem apetite, porém, não vomitou mais, provavelmente porque nada comeu. Igualmente, os olhos ardiam mais e começaram a lacrimejar constantemente, embora não fosse constatada qualquer inflamação do tecido conjuntivo, nem fossem achados sintomas de outra qualquer irritação da vista ou impedimento da visão. Na terceira noite, o paciente conseguiu dormir, normalmente. A partir de então, ele sentiu uma excessiva necessidade de sono, que perdurou mais de um mês. Até o dia, chegou a cochilar, pouco importava onde se encontrasse ou o que estivesse fazendo; cochilava mesmo enquanto conversava com outras pessoas. Para adormecer, bastava ficar quieto algum tempo. Durante aquele estado de sonolência, os seus olhos continuavam a arder e lacrimejar. Quando, no terceiro dia, as ânsias de vomito cederam, seu apetite voltou e ele comeu normalmente. Os olhos pioravam, quando expostos ao Sol, e, assim sendo, procurou evitar toda claridade. No oitavo dia, quando já estava trabalhando no campo, sofreu uma ligeira efusão de sangue, no antebraço; no dia seguinte, o hematoma infeccionou, formando pus e provocando coceiras. Depois de sarar, no lugar do hematoma ficou um circulo vermelho. Uns 4 a 10 dias mais tarde, de repente e sem qualquer ferimento prévio, semelhantes lesões dermatológicas apareceram nos antebraços e nas pernas. Começavam com uma pústula, aberta ao meio, que provocava fortes coceiras e levava uns 10 a 20 dias para sarar. O paciente referiu que essas pústulas, depois de sarar, deixavam cicatrizes, com manchas vermelhas escuras à sua volta. Ele informou que, anteriormente, jamais havia sofrido de eczemas ou irritações cutâneas, tampouco de hematomas, contusões, ou feridas abertas (segregando sangue); quando estas últimas apareciam, vez por outra, eram tão leves que nem chegava a notá-las. Igualmente, no 15º dia após a sua vivência, surgiram duas manchas amareladas, mais ou menos simetricamente dispostas, à direita e à esquerda do nariz, o paciente comentou a respeito: "aquelas manchas pareciam como se a pele fosse esbranquiçada, carente de irrigação sangüínea". Depois de uns dez dias, as manchas desapareceram tão de repente quanto surgiram. Ao lado das cicatrizes deixadas pelas pústulas, esporadicamente surgidas nos braços, ao longo desses últimos meses, ainda ficaram duas pequenas feridas abertas. Os demais sintomas descritos não tornaram a aparecer, até o momento. Atualmente, o paciente sente-se bem e ele próprio considera bom o seu presente estado de saúde. Ele nega a ocorrência de sintomas, tais como, febre, diarréia, hemorragias, icterícia, durante a fase aguda da sua doença ou logo em seguida. Tampouco, referiu depilação no corpo ou rosto, ou queda de cabelos, no período de outubro até agora. Na fase da sonolência, a sua capacidade de trabalho não ficou notadamente diminuída. Da mesma maneira, não se registrou qualquer diminuição na sua libido, na sua potência ou visão, como não teve anemia, nem pústulas na boca. 

Quanto às doenças infantis agudas, o paciente referiu ter sofrido de sarampo e varicela, sem complicações. Não teve doenças venéreas. Em anos passados, sofreu de uma colite, que não incomoda mais. 
Ausência de sintomas de males agudos ou Exame médico: trata-se de pessoa do sexo masculino, de cor branca, cabelos pretos, macios, olhos escuros. crônicos. Biótipo: pernas compridas, leptossômico. Fácies: atípico, altura média (1,64m, sem sapatos), esbelto, porém, forte e de musculatura bem desenvolvida. 
Estado de nutrição: nenhum sintoma de carência de vitaminas; nenhuma má-formação ou anomalia física. 
Pêlos do corpo e característica sexuais: normais.
Dentes: em bom estado de conservação. 
Gânglios: não palpáveis externamente. 
Mucosas: todas um tanto pálidas. 
Exame dermatológico: foram constatadas as seguintes alterações patológicas: 

1.À direita e à esquerda do queixo, duas pequenas manchas, hipercromáticas, quase redondas; uma delas é do tamanho de uma moeda de 10 centavos; a outra é maior e de contornos irregulares. Ali, a pele parece mais fina e delicada, como recém-formada ou um tanto atrofiada. Inexistem pontos de referência para determinar o tipo e a idade daquelas duas manchas. Tudo quanto se pode dizer a respeito resume-se no seguinte: são cicatrizes de feridas superficiais, na pele, relacionadas com efusão de sangue, datando, no máximo, de uns doze meses e, no mínimo de um mês. É licito supor que se trata de manchas da pele, as quais, provavelmente, desaparecerão dentro de alguns meses. Além dessas manchas, não foram constatadas outras manchas similares ou marcas na pele. 

2.Foi notada a presença de cicatrizes deixadas por feridas na pele ( datando de alguns meses, no máximo), na parte externa da mão, nos antebraços e nas pernas. O exame revelou tratar-se de pequenas pústulas ou feridas cicatrizadas, com a pele saindo, esfolando nas bordas, o que permite concluir por seu aparecimento em data recente. Duas dessas pústulas, no braço direito e no esquerdo, ainda não chegaram a sarar; apresentam-se como pequenos nós ou bubões, salientes, avermelhados; são mais duros do que a pele ao seu redor, causam dor quando comprimidos e, no seu centro, segregam um liquido amarelado, seroso. A pele circundante apresenta alterações inflamatórias. Vestígios de pequenos arranhões, feitos pelas unhas do paciente, permitem supor que trata de urticária. Quanto às alterações patológicas constadas, cumpre mencionar que todas as cicatrizes e alterações dermatológicas se encontram no centro de uma área hipercromática, de cor de lilás clara, um sintoma completamente fora do âmbito das nossas experiências, razão pela qual não é possível avaliar a importância ou o significado de tais áreas. Como o médico-examinador não é dermatologista, carece das condições necessárias para a devida diagnose deste sintoma e, assim sendo, limita-se a descrever as alterações em apreço, que, aliás, também foram documentadas por fotos. 

Estado neurológico orientação no espaço e tempo: boa. 
Reações sensoriais, afecções: dentro do normal. 
Atenção espontânea e estimulada: normal.
Percepções e associações mentais: reações normais. 
Memória a longo e em curto prazo: boa. 
Memória visual: extraordinária; detalhes relatados verbalmente são, de imediato, esboçados ou ilustrados pelo próprio paciente. Ausência de quaisquer sintomas diretos ou indiretos de uma doença mental. 

Olavo Fontes, Doutor em Medicina 

Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 1958. 

Em resumo, o Dr. Fontes tornou a salientar que, logo no início dos exames, soube que Antônio não tem qualquer disposição psicopática. Ao prestar o seu depoimento, nem por uma só vez, ele caiu em contradições ou perdeu o autocontrole. Igualmente, quando, por algumas ocasiões, hesitou em responder a uma pergunta, revelou comportamento normal de um indivíduo que não quer responder a determinadas perguntas, sobre circunstâncias fora do comum. Sempre quando isto aconteceu, ele disse, simplesmente: "não sei" ou "não sei explicar isto", mesmo sabendo que tais evasivas poderiam pôr em dúvida a credibilidade do seu relato. Aliás, Antônio disse ao jornalista João Martins que se sentiu sem jeito para falar de certos detalhes, quanto à extraterrestre. Tampouco, Antônio revelou inclinações para a superstição, o misticismo; ele não considerou os tripulantes do objeto como anjos, super-homens ou demônios, mas, sim, achou que se tratava simplesmente de homens, provenientes de outras regiões, de um outro planeta. Ele explicou esta idéia pelo fato de o tripulante que o acompanhou ao deixar o objeto voador, ter apontado primeiro, para ele, depois para o solo e, por fim, para o céu. Além disso, durante toda a sua permanência a bordo, Antônio observou como os tripulantes usavam uniformes e capacetes fechados; dali ele concluiu que o ar normalmente aspirado por eles deve ser diferente daquele aqui na Terra. Quando o jornalista João Martins falou a Antônio que, caso aquele seu relato viesse a ser divulgado, muitas pessoas iriam considerá-lo como um louco ou impostor, Antônio não se impressionou absolutamente diante de tais perspectivas, mas disse apenas: "Nesse caso, convidaria as que falam tais coisas a irem até minha terra e solicitar-lhes-ia que se informassem sobre minha pessoa. Logo saberiam do conceito de que desfruto lá, se estou sendo considerado como homem direito, ou não." 

Fonte: CUB

 O saudoso apresentador Flávio Cavalcanti entrevista Antonio Villas Boas em 1978. 
Escute a entrevista em áudio:


Vídeo de reconstituição: