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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Professor da UFMG traduz Textos Mesopotâmicos Direto do Acádio para o Português


Depois de traduzir a Epopeia de Gilgamesh, que sai no segundo semestre pela Autêntica, Jacyntho Lins Brandão prepara uma edição comentada do poema A descida de Ishtar ao mundo dos mortos.

Na adolescência, o mineiro Jacyntho Lins Brandão encontrou uma gramática de grego, escrita em francês, no meio de um amontoado de livros que sua mãe herdara de um parente. Começou ali sua aproximação com uma cultura que marcaria sua trajetória.

Hoje, aos 65 anos, 40 anos deles dedicados ao estudo e ensino do grego como professor de Língua e Literatura Grega na UFMG, Brandão finalizou a tradução-concluída ano passado-, direto do acádio, da Epopeia de Gilgamesh, poema épico da antiga Mesopotâmia [atual Iraque] escrito por volta do século 13 a.C. A tradução, que levou dois anos para ser concluída, sai no segundo semestre pela editora Autêntica. Sua base para estudar os escritos originais foi uma edição crítica do poema publicada em 2003 na Inglaterra.

Escrito em doze tábuas de argila que possuem, cada uma, aproximadamente 300 versos, Gilgamesh narra as lendas e cosmogonias mesopotâmicas, com enfoque na história do rei mitológico sumério que dá título à epopeia. Ao ler sobre culturas do Oriente Médio para um trabalho sobre a Grécia, surgiu o desejo de se aprofundar no mundo mesopotâmico.

“O primeiro requisito foi aprender a língua, o que levou ao desejo de traduzir o poema, o que passou a ser meu projeto oficial de pesquisa”, conta o professor. E seu projeto não para com o Gilgamesh. Brandão já traduziu outro poema acádio, A descida de Ishtar ao mundo dos mortos, e prepara sua edição comentada.

Foi durante o doutorado que Brandão entrou em contato com a cultura mesopotâmica, ao frequentar um curso do professor convidado Jean Bottéro, historiador francês especialista no Antigo Oriente Médio. “Depois desse primeiro contato, novamente uma coisa ficou hibernando em mim. Até que, depois de 20 anos sendo professor de grego, resolvi fazer essa tradução do Gilgamesh”, conta.

Para o professor, sair da Grécia é importante pois ajuda a desmoronar o mito do “milagre grego”, “essa ideia muito preconceituosa de achar que a Grécia foi escolhida como início da cultura ocidental, como se a cultura ocidental fosse diferente das outras culturas por conta disso”.

Início da 5ª tábua do Gilgamesh encontrada em 2015 - Foto: Osama Shukir Muhammed Amin FRCP(Glasg)

Aficionado por línguas, Jacyntho estudou russo, francês, alemão e hebraico durante a graduação e, com o acádio, não encontrou muitos problemas. “Comecei a estudar acádio em 2005, mas já havia estudado hebraico antes e, como o acádio é também uma língua semítica, não havia grande novidade do ponto de vista gramatical, embora o sistema verbal seja mais variado que o do hebraico”.

Formado em Letras pela UFMG, seus principais estudos e traduções, no entanto, são sobre a Grécia Antiga, como A poética do hipocentauro (2001), Introdução ao Grego Antigo (2005) e Arqueologia da ficção (2005). Um de seus prosadores antigos preferidos, Luciano de Samósata, foi seu objeto de estudo no doutorado, concluído em 1992 na USP. “Descobri em Luciano uma literatura que me agrada muito, que é meio radical em considerar que, afinal de contas, as coisas humanas são essencialmente ridículas”.

Apesar de brincar que se tornou professor da língua mais inútil, a grega, Jacyntho considera fundamental a cultura antiga: “Estudar poesia antiga é como fazer psicanálise da nossa cultura. De um lado, descobrir, nas convergências, muito das nossas motivações, imaginário e sentimentos. De outro, pela via do estranhamento, experimentar o contato com o outro. Os antigos nos permitem ver nosso tempo e nosso mundo com os olhos que nos emprestam, sua distância, no tempo e no espaço, nos proporcionando mais acuidade de visão”.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Ataque Químico à Síria foi um Atentado de Falsa Bandeira Realizado pelos EUA, Afirma Putin

"Eles planejam plantar produtos químicos em Damasco e acusar o governo sírio pelo ataque".


O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o recente ataque químico na província de Idlib na Síria foi uma operação de falsa bandeira e que mais "provocações" estão sendo preparadas.

"Temos relatórios de várias fontes de que falsas bandeiras como esta - e não posso chamá-las de outra forma - estão sendo preparadas em outras partes da Síria, incluindo os subúrbios do sul de Damasco." disse Putin durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente italiano Sergio Mattarella em Moscou.

"Eles planejam plantar alguns produtos químicos lá, e acusar o governo sírio pelo ataque", disse Putin a representantes da mídia, acrescentando que ele tem "fontes confiáveis".

Putin passou a comparar a situação na Síria com as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, indicando que ele pode acreditar que os EUA estão por trás da falsa bandeira, ou pelo menos ativamente empurrando essa propaganda, enquanto os rebeldes anti-governo na Síria efetuam o ataque.

"O Presidente Mattarella e eu discutimos, e eu disse a ele que isso me lembra fortemente os acontecimentos de 2003, quando os representantes dos EUA demonstraram na sessão do Conselho de Segurança da ONU as supostas armas químicas encontradas no Iraque", disse Putin.

"A campanha militar foi posteriormente lançada no Iraque e terminou com a devastação do país, o crescimento da ameaça terrorista, e o aparecimento do Estado Islâmico (ISIS) no palco mundial", acrescentou Putin.

"Todos os incidentes que fazem lembrar os ataques químicos que ocorreram em Idlib devem ser investigados minuciosamente", concluiu Putin, também esclarecendo que ele não tem uma reunião programada com Rex Tillerson, que está a caminho da Rússia.

Além disso, a equipe geral russa disse que as forças sírias não possuem armas químicas e que outros ataques à Síria serão considerados inaceitáveis.