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quarta-feira, 12 de março de 2014

Mulheres denunciam VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA; saiba se você foi vítima!

POR GIOVANNA BALOGH

Mulheres são diariamente vítimas da chamada violência obstétrica em consultórios e hospitais das redes pública e privada de saúde. Muitas parturientes não sabem dos seus direitos no pré-natal, na hora do parto e no pós-parto e constantemente sofrem com agressões físicas ou emocionais por parte dos profissionais de saúde.


É considerada violência obstétrica desde a enfermeira que pede para a mulher não gritar na hora do parto normal até o médico que faz uma episiotomia – o corte entre o ânus e a vagina para facilitar a saída do bebê . Apesar de a OMS (Organização Mundial da Saúde) determinar critérios e cautela para a adoção do procedimento, médicos fazem a prática de maneira rotineira. A obstetriz Ana Cristina Duarte, do Gama (Grupo de Maternidade Ativa), estima que entre 80% a 90% das brasileiras são cortadas durante o parto normal. “Sabemos que há evidências de que não é necessário mais cortar as mulheres. As mulheres são cortadas sem o consentimento delas e isso é uma violência obstétrica”, comenta.


De acordo com a pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, divulgada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto. Por conta do grande número de denúncias que tem recebido, o Ministério Público Federal decidiu instaurar nesta semana um inquérito civil público para apurar esses casos.


Segundo o MPF, algumas denúncias “demonstram o desrespeito” a essas mulheres. Para Ana Cristina, o número da pesquisa está subestimado pois muitas mulheres ainda não entendem que foram vítimas desse tipo de violência. Ela diz que os efeitos da violência obstétrica são sérios e podem causar depressão, dificuldade para cuidar do recém-nascido e também problemas na sexualidade desta mulher. Os tipos mais comuns de violência, segundo o estudo, são gritos, procedimentos dolorosos sem consentimento ou informação, falta de analgesia e até negligência.


A Defensoria Pública de São Paulo também tem intensificado as ações para orientar as mulheres e sobre a importância de denunciar os casos para a Justiça, a ouvidoria dos hospitais e os conselhos de classe, como o CRM (Conselho Regional de Medicina).


A free-lancer Marina de Oliveira Kater Calabró, 36, conta que sofreu episiotomia no parto dos três filhos e que teve dificuldades na recuperação dos pontos, principalmente, no parto do caçula, ocorrido no ano passado em um hospital particular de São Paulo. “Na primeira gravidez eu realmente não sabia que não era necessário. No terceiro parto, minha recuperação da episiotomia foi horrível, sofri pacas, demorou muito até eu conseguir andar direito”, lamenta Marina, que fez todos os partos com a mesma médica.


Outros exemplos de violência obstétrica são a infusão intravenosa para acelerar o trabalho de parto (ocitocina sintética), a pressão sobre a barriga da parturiente para empurrar o bebê (manobra de Kristeller), o uso rotineiro de lavagem intestinal, retirada dos pelos pubianos (tricotomia) e exame de toque frequente para verificar a dilatação. São comuns também os relatos de humilhações praticados por parte dos profissionais de saúde que dizem frases como “se você não parar de gritar, eu não vou mais te atender”, “na hora de fazer não gritou” e outras do gênero.


Também é considerada violência obstétrica agendar uma cesárea sem a real necessidade, recusar dar bebida ou comida para uma mulher durante o trabalho de parto ou impedir procedimentos simples, como massagens para aliviar a dor e a presença de um acompanhante na hora do parto, que pode ser o marido ou qualquer pessoa da escolha da parturiente.


Segundo os relatos do MPF, muitas mães são amarradas e obrigadas a ficar deitadas durante o trabalho de parto quando é comprovado cientificamente que, para minimizar os incômodos das contrações, a mulher deve se movimentar e ficar na posição que se sente mais confortável para parir. Mães que são impedidas de ter contato com o bebê e amamentá-lo logo após o parto também podem denunciar os profissionais de saúde.


Além de fiscalizar as entidades de saúde que estão desrespeitando os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, o MPF pretende divulgar a ocorrência das práticas indevidas durante o trabalho de parto, bem como os direitos das parturientes. As procuradoras da República Luciana da Costa Pinto e Ana Previtalli, responsáveis pela instauração do inquérito civil público, defendem que as mulheres precisam ser informadas para que possam cobrar dos profissionais que as atendem a assistência digna e baseada em evidências científicas já estabelecida pela OMS. Os casos podem ser denunciados no site do Ministério Público Federal.


AÇÕES NA JUSTIÇA

A advogada Priscila Cavalcanti conta que entrou com várias ações na justiça por conta dos maus-tratos sofridos por suas clientes. Além de processar o hospital e o profissional de saúde envolvido, em alguns casos o plano de saúde também é incluído na ação. “Usamos o respaldo de que o médico consta da rede credenciada e deveria ser melhor qualificado ou estar mais a par das evidências”, comenta. A advogada, que se especializou nesse tipo de ações, aconselha as mulheres a tentar reverter o quadro no momento, quando isso é possível.

“Toda mulher tem direito a um acompanhante da sua escolha na hora do parto, então, ela deve se informar de seus direitos para exigir na hora do parto”, comenta. Ela ainda aconselha as pacientes a prestar atenção nos nomes de quem está praticando a violência obstétrica e, após a alta, pedir o prontuário da mulher e do bebê. “Depois, o ideal é escrever o relato do que aconteceu, com riqueza de detalhes, e procurar um advogado de confiança, para que possam ser tomadas as medidas legais cabíveis”, orienta.

A cidade de Diadema, na Grande SP, foi pioneira ao criar, no ano passado, uma lei contra a violência obstétrica na rede municipal de saúde.


RELATOS

Apesar do termo violência obstétrica ser relativamente novo, além de denunciar, muitas mães têm trocado experiências e divulgado os casos nas redes sociais para que outras mulheres não passem pelo mesmo sofrimento. Desde março do ano passado, a fotógrafa Carla Raiter, 31, coleta histórias e registra imagens de mulheres que foram vítimas na hora do parto. Com o projeto “1:4 Retratos da Violência Obstétrica”, ela mostra de forma anônima o sofrimento dessas mulheres.

Ao receber o relato, ela faz uma tatuagem temporária que é aplicada na pele da mulher que será fotografada. Confira nas imagens a seguir o que passaram algumas mulheres no momento que deveria ser o mais feliz de suas vidas. E você, já foi vítima de violência obstétrica?



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Roseana Sarney veta lei contra escravidão

Governadora do Maranhão alega que proposta vai contra Constituição e recebe críticas; deputado autor do projeto promete tentar derrubar veto. Ela enfrenta, ainda, pedido de cassação do mandato por abuso de poder político e econômico
A governadora do Estado do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), vetou o projeto de lei nº 169/2013, que havia sido aprovado na Assembleia Legislativa do Estado e previa a cassação do registro de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de empresas flagradas com trabalho escravo. O veto foi publicado na edição de segunda-feira (5) do Diário Oficial da Assembleia Legislativa e, na sua justificativa, a governadora alegou que o texto é inconstitucional.

De autoria do deputado Othelino Neto (PPS), o projeto foi inspirado na lei paulista nº 14.946/2013, de autoria do deputado Carlos Bezerra Jr. (PSDB), que foi regulamentada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em maio. Propostas semelhantes já foram apresentadas nos estados de Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rio de Janeiro. Além da cassação do registro de ICMS, ambas as matérias determinam que as empresas que se beneficiarem de mão de obra escrava serão impedidas de exercer o mesmo ramo de atividade econômica ou abrir nova empresa por dez anos.

O projeto de lei de Othelino Neto é o segundo com o mesmo teor a ser proposto neste ano na Assembleia Legislativa do Maranhão. Em maio, a Repórter Brasil noticiou que o deputado Bira do Pindaré (PT) havia apresentado o projeto de lei nº 078/2013, que também foi inspirado na lei paulista. A matéria, no entanto, não obteve parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde teve como relator o deputado Tatá Milhomem (PSD), que alegou “vício de iniciativa”. No seu entendimento, esse tipo de lei não poderia partir do Poder Legislativo. Quando um projeto de lei recebe parecer negativo da CCJ, o deputado que o propôs pode pedir que o plenário vote por reverter o parecer, o que permite a votação do projeto. Bira, no entanto, não fez isso: “Para reverter precisamos de 22 votos, que é a maioria dos deputados da Assembleia. Como faço parte da minoria que faz oposição ao governo, nunca consegui reverter um parecer contrário ao meu”, explicou.

Os dois projetos se diferenciam majoritariamente no primeiro artigo, que define quais serão as empresas punidas. Enquanto a proposta de Bira também pune as empresas que se beneficiaram de trabalho escravo em qualquer etapa da cadeia produtiva, sendo responsabilizadas também pelo flagrante de funcionários em empresas terceirizadas, somente as empresas envolvidas diretamente com escravidão são alvo do projeto de Othelino Neto.

Para Ítalo Rodrigues, procurador do Ministério Público do Trabalho no Maranhão, “responsabilizar a empresa por condições indignas em qualquer das etapas de produção é bem mais condizente com as disposições internacionais acerca do trabalho”. Ele ressalta que as empresas flagradas fazendo uso de trabalho escravo colocam, em geral, o seu processo produtivo de uma forma “pulverizada”, o que resulta na subcontratação de outras empresas, processo também conhecido como “terceirização”. O deputado paulista Carlos Bezerra Jr. considera que alteração do primeiro artigo “suprime a possibilidade de penalizar a terceirização de fachada e tira a possibilidade de enfrentar o problema na sua raiz”.

Questionado, Othelino disse que a proposta de lei “atinge seu objetivo” e que “não tem a pretensão de atacar todos os aspectos do trabalho escravo”. À Repórter Brasil, ele afirmou que vai tentar convencer os demais deputados a derrubar o veto de Roseana. Para isso, é necessário que ao menos 22 deputados, a maioria simples do plenário, votem pela derrubada. O projeto de Othelino foi apresentado semanas depois do de Bira. Com tramitação em regime de urgência – para que, segundo o deputado, “fosse aprovada antes do recesso do Legislativo” –, ele conseguiu as assinaturas necessárias que garantiram a reapresentação de projeto semelhante a outro rejeitado no mesmo ano. Tendo o deputado Rubens Júnior (PCdoB) como relator na CCJ, a proposta obteve parecer favorável e foi aprovada pelo plenário em 8 de julho.

Apesar das diferenças entre as propostas, Bira do Pindaré acha “positivo o fato de que o que era nossa intenção principal tenha prosperado na Assembleia”. Ele considera “pouco provável” que o veto de Roseana Sarney seja derrubado, mas apoia a iniciativa de Othelino Neto de tentar derrubá-lo.


Opção conservadora

A justificativa de veto da governadora do Maranhão é, para o deputado paulista Carlos Bezerra Jr., “uma opção conservadora, que vai na contramão dos avanços da luta contra o trabalho escravo”. Já Othelino acredita que Roseana Sarney “se demonstra insensível a um tema importante como esse, que está acima de questões meramente partidárias”.

Para vetar a proposta de Othelino, a governadora do Maranhão alegou que o texto é incompatível com o artigo 43 da Constituição do Estado do Maranhão, que garante ao Poder Executivo exclusividade para propor leis de natureza tributária, categoria na qual, no seu entendimento, o projeto de lei estaria incluído.

O próprio artigo 43 é alvo de questionamento do deputado Hélio Soares (PP), que elaborou, em 2011, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) visando alterá-lo para derrubar essa exclusividade do Executivo. A PEC 03/2011 já foi aprovada por todas as comissões da Assembleia Legislativa do Estado e passou em primeira votação, mas ainda é necessária uma segunda votação antes que possa ser encaminhada à governadora para sanção.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também vem discutindo a questão. De acordo com o advogado Eduardo Corrêa, presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB no Maranhão, “existem reiteradas decisões no STF sobre as quais os Poderes Legislativos estaduais possuem poder de iniciativa para legislar sobre matéria tributária”. “Tecnicamente a Assembleia Legislativa do Maranhão pode derrubar o veto. A questão é se eles vão ter a disposição política para isso”, disse.

Trabalhadores resgatados em fazenda zoológico no Estado viviam em tendas improvisadas - Foto: MTE

Trabalho escravo no Estado

Um levantamento de 2007 da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) do Maranhão mostrou que o Estado era então o principal fornecedor de mão de obra escrava. Na lista suja, o Maranhão aparece ao lado do Tocantins como a quinta unidade da federação com maior número de empregadores flagrados com escravos. Dos 498 nomes, 34 são de flagrantes no Estado. Além disso, o Maranhão tem a segundo pior colocação no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de acordo com o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013.


Pedido de cassação

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu a cassação da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e de seu vice, Washington Luiz Oliveira (PT), em processo que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eles são acusados de abuso de poder político e econômico no pleito de 2010, quando Roseana tentava a reeleição.

O processo foi movido pelo ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB). Segundo ele, houve intensificação de convênios com prefeituras com intenção de obter apoio de prefeitos e de lideranças locais. As provas indicam que nos três dias anteriores à convenção partidária, 670 convênios foram assinados para a liberação de mais de R$ 165 milhões.

Outra acusação aponta que o governo de Roseana investiu na construção de moradias do Programa Viva Casa no período que antecedeu as eleições, com gastos de R$ 70 milhões não previstos em orçamento. (com informações da Agência Brasil)

Foto: Elza Fiúza/ABr


quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Grito Silencioso - O que os olhos não veem...

Editor: Você é a favor da legalização do aborto? Bem, pelo sim e pelo não, leia esta matéria e assista ao vídeo.

Confiram este vídeo do Dr. Bernard D. Nathanson, que já foi considerado o "rei do aborto", mas hoje é um ativista pró-família. Ele se arrependeu depois de surgir a tecnologia da ultrassonografia que permite visualizar o feto dentro do útero, que tenta se defender da agressão imposta a ele.


Atualmente, quando se fala em aborto poucas pessoas têm em suas mentes a real dimensão de seu significado, não imaginam como ele acontece ou quais são as técnicas utilizadas. O filme "O Grito Silencioso" é uma importante ferramenta para acabar com a ignorância que cerca o assunto. É um meio eficaz de visualizar, sem interferências ideológicas ou intelectuais o que de fato acontece num aborto.

Nesse momento, em que os grupos extremistas pró-aborto formados - pasmem, por mulheres em sua maioria - discutem com tanta paixão se o aborto é ou não um direito reprodutivo, se o feto é ou não um ser humano, se o feto pertence ou não ao corpo da mulher para que dele possa dispor como bem entender, quando se inicia a vida, e tantas outras questões, que o filme "O Grito Silencioso" desempenha um papel fundamental e deveria ser visto por todos. Isso para que haja um debate sério com honestidade intelectual suficiente para se chegar a uma decisão que abarque todos os interessados: a sociedade, o Estado, a mãe, o pai e o próprio feto. Todos devem saber o que acontece num aborto antes de emitirem opinião ou de legislarem. 

O filme "O Grito Silencioso" foi produzido em 1985 pelo Dr. Bernard D. Nathanson, médico americano que chegou a ser conhecido pela alcunha de "Rei do Aborto" por seu papel desempenhado na legalização do aborto nos Estados Unidos. Ele ajudou a criar a Liga Nacional de Ação pelo Direito ao Aborto (NARAL). E, na iminência da aprovação da lei, fundou o Centro de Saúde Reprodutiva e Sexual em Nova York, onde coordenava a equipe e ele mesmo realizava os abortos. Esta clínica era a maior de NY e a mais ativa. Em seguida, criou o departamento de Fetologia no Hospital São Lucas, onde foi nomeado diretor do serviço de obstetrícia. 

O Dr. Nathanson chegou a afirmar ter feito pessoalmente mais de cinco mil abortos. Até que surgiu a ultrassonografia. O aparelho de ultrassom foi a peça decisiva na mudança de vida do médico que, de maior abortista americano, passou a ativista pró-vida. 

O filme "O Grito Silencioso" retrata de maneira inequívoca o que o Dr. Bernard Nathanson enxergou no útero de sua paciente que o fez mudar radicalmente. 

A mensagem que o filme "O Grito Silencioso" transmite é tão forte e profunda que houve muitos casos de ferrenhos abortistas que mudaram radicalmente de opinião após assisti-lo, o Dr. Nathanson foi apenas um deles. Ele também é uma importante ferramenta para impedir que novas vidas sejam ceifadas ainda no ventre materno. 

Se você conhece alguém que esteja pensando ou que tenha resolvido abortar, mostre este filme a ela.

Finalmente, lançamos uma pergunta a todos aqueles que são favoráveis ao aborto, mesmo em casos isolados: "depois de assistir ao filme, você ainda continua a favor do aborto"? Responda-nos.

Fonte do vídeo: Padre Paulo Ricardo
Fonte da matéria: libertar.in


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Registro do extermínio de índios é resgatado após décadas desaparecido

Relatório de mais de 7 mil páginas que relatam massacres e torturas de índios no interior do país, dado como queimado num incêndio, é encontrado intacto 45 anos depois.

A expedição percorreu mais de 16 mil quilômetros e visitou mais de 130 postos indígenas onde foram constatados inúmeros crimes e violações aos direitos humanos. O governo ignorou pedido do Relatório Figueiredo para demitir 33 agentes públicos e suspender 17.
Depois de 45 anos desaparecido, um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século, o chamado Relatório Figueiredo, que apurou matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades praticadas contra indígenas no país – principalmente por latifundiários e funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI) –, ressurge quase intacto. Supostamente eliminado em um incêndio no Ministério da Agricultura, ele foi encontrado recentemente no Museu do Índio, no Rio, com mais de 7 mil páginas preservadas e contendo 29 dos 30 tomos originais.


Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, a que o Estado de Minas teve acesso e publica na data em que se comemora o Dia do Índio, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.


Entre denúncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a estricnina, o texto redigido pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.

A investigação, feita em 1967, em plena ditadura, a pedido do então ministro do Interior, Albuquerque Lima, tendo como base comissões parlamentares de inquérito de 1962 e 1963 e denúncias posteriores de deputados, foi o resultado de uma expedição que percorreu mais de 16 mil quilômetros, entrevistou dezenas de agentes do SPI e visitou mais de 130 postos indígenas. Jader de Figueiredo e sua equipe constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de agentes públicos. Ao final, no entanto, o Brasil foi privado da possibilidade de fazer justiça nos anos seguintes. Albuquerque Lima chegou a recomendar a demissão de 33 pessoas do SPI e a suspensão de 17, mas, posteriormente, muitas delas foram inocentadas pela Justiça.

Os únicos registros do relatório disponíveis até hoje eram os presentes em reportagens publicadas na época de sua conclusão, quando houve uma entrevista coletiva no Ministério do Interior, em março de 1968, para detalhar o que havia sido constatado por Jader e sua equipe. A entrevista teve repercussão internacional, merecendo publicação inclusive em jornais como o New York Times. No entanto, tempos depois da entrevista, o que ocorreu não foi a continuação das investigações, mas a exoneração de funcionários que haviam participado do trabalho. Quem não foi demitido foi trocado de função, numa tentativa de esconder o acontecido. Em 13 de dezembro do mesmo ano o governo militar baixou o Ato Institucional nº 5, restringindo liberdades civis e tornando o regime autoritário mais rígido.

 O vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e coordenador do Projeto Armazém Memória, Marcelo Zelic, foi quem descobriu o conteúdo do documento até então guardado entre 50 caixas de papelada no Rio de Janeiro. Ele afirma que o Relatório Figueiredo já havia se tornado motivo de preocupação para setores que possivelmente estão envolvidos nas denúncias da época antes de ser achado. “Já tem gente que está tentando desqualificar o relatório, acho que por um forte medo de ele aparecer, as pessoas estão criticando o documento sem ter lido”, acusa.

Suplícios 

O contexto desenvolvimentista da época e o ímpeto por um Brasil moderno encontravam entraves nas aldeias. O documento relata que índios eram tratados como animais e sem a menor compaixão. “É espantoso que existe na estrutura administrativa do país repartição que haja descido a tão baixos padrões de decência. E que haja funcionários públicos cuja bestialidade tenha atingido tais requintes de perversidade. Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos. Torturas contra crianças e adultos em monstruosos e lentos suplícios”, lamentava Figueiredo. Em outro trecho contundente, o relatório cita chacinas no Maranhão, em que “fazendeiros liquidaram toda uma nação”. Uma CPI chegou a ser instaurada em 1968, mas o país jamais julgou os algozes que ceifaram tribos inteiras e culturas milenares.

Fonte: em.com.br



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Cânula Ruminal - O Abuso Humano Além dos Limites!



Até que ponto temos o direito de dominar incessantemente a natureza?

Porque nos colocamos tão fora da natureza para assim dominá-la a qualquer preço?

Temos este direito?

Se você acha que não temos este direito assine para parar com o uso da cânula ruminal, a qual dá acesso permanente ao estômago de vacas para analisar o processo de alimentação do animal para maximização da produção de carne e leite.

Domínio total da natureza por pura visão de lucro.

Para assinar contra isto acesse o link:



segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Verdadeira história de Dino Kraspedon e Aladino Félix

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga

O polêmico Aladino Félix, que também assinava livros como
Dino Kraspedon, Sábado Dinotos e Dunatos Menorá
Aladino Félix é um dos nomes mais polêmicos da Ufologia Brasileira. Félix escreveu livros como Contato com os Discos Voadores, um clássico da literatura ufológica mundial, Mensagens aos Judeus, o Hebreu e A Antiguidade dos Discos Voadores, que se antecipava a Erich von Daniken. E para completar, o autor líder messiânico e acusado de terrorismo, preso pelo Departamento de Ordem Política e Social(DOPS) e demais órgãos de repressão política do regime militar(1964-1985)- Aladino Félix foi torturado conseguiu escapar e acabou recapturado. Depois de cumprir pena, desapareceu. A meteórica trajetória de Félix é em si mesma um mistério, ele foi responsável por cerca da metade de todos os principais atentados políticos ocorridos em São Paulo em 1968. Tais atos acabaram errônea e convenientemente atribuídos a esquerda, e contribuíram de sobremaneira para disseminar o clima de agitação e desordem que abriria o leque de justificativas para o fechamento total do regime militar, por meio da decretação do Ato Institucional numero 5 – o famigerado AI-5 em dezembro daquele ano. Ligado a altos escalões do governo, Félix insurgiu-se como o primeiro a alertar que um “golpe dentro do golpe” estava em vias de ser implantado, e a denunciar, junto com seus adeptos, as torturas a que foram submetidos nas dependências do Departamento Estadual de Investigações Criminais(DEIC).

Durante cinco anos, desde novembro de 1952, Aladino Félix teria conservado em segredo o contato que alegava ter mantido com os tripulantes de um disco voador na Estrada de Angatuba, interior de São Paul, bem como a visita que recebera do comandante deste. Os visitantes que dizia ter encontrado eram altos, tinham suas cabeças raspadas e usavam macacões colantes. Pelo que lhe fora explicado pelo comandante da nave – disse proceder de dois satélites de Júpiter, Io e Ganímedes – as naves deviam sua alta velocidade ao vácuo que formavam com o bombardeio de raios catódicos em toda a parte externa, formando um túnel. Tendo o vácuo sempre a sua frente, o disco podia movimentar-se sem qualquer atrito, em qualquer velocidade e em todas as direções.

O comandante ainda teria postulado que o Sol e os planetas se sustentam no espaço de forma contrária a que a ciência terrena afirma. O Sol não atrairia os planetas, mas provocaria uma repulsão. “ Se até então a ciência não encontrara a solução para o problema dos três corpos, brevemente haveria maior dificuldade com a inclusão de um outro sol em nosso sistema”, dizia Félix, aliás, segundo ele, essa seria uma das razões que atrairia naves extraterrestres aqui, além de nos prevenir contra os perigos a que estávamos expostos com o advento da era atômica. O comandante dizia que todos os planetas teriam suas órbitas modificadas. A Terra por exemplo, sob a pressão de dois Sóis, iria ocupar a zona onde hoje se encontra o cinturão de asteroides, entre Marte e Júpiter. 

Contato com os Discos Voadores aborda assuntos como astronavegação e a vida em outros mundos. Lança novos conceitos sobre Deus, matéria e energia. Alerta-nos sobre o perigo atômico e discute os erros cometidos por nossas ciências. Os visitantes espaciais se identificaram como habitantes de dois satélites jupiterianos, chamados Io e Ganimedes. Quanto à aparência física, Dino descreve o comandante como um homem alto, corpo esguio de simetria perfeita e com olhos grandes e azuis.

Em seu livro, Dino afirma, entre outras coisas, que há um planeta em nosso sistema solar, conhecido como SS433, que, segundo os extraterrestres, está vindo de encontro à Terra. “Quando chegar à altura do Sol, irá se incandescer”, garantiu. Como os corpos se repelem pela luz, todos os planetas serão afastados de suas órbitas. “Com isso, nosso ano passará a ter 1000 dias”, finalizou.


Foi após esses encontros que o senhor escreveu o livro?
DINO – Sim, mas só fui escrevê-lo em 1955. Nesta época, o comandante veio novamente à minha casa. Só que a razão da visita era trazer uma profecia que deveria ser incluída no livro. Esta profecia previa um trágico fim para a humanidade: “De todo será esvaziada a Terra e de todo será saqueada, porque o Senhor anunciou esta palavra: a maldição consome a Terra e os que habitam nela serão desolados. Por isso, serão queimados seus moradores e poucos homens restarão. Os fundamentos da Terra tremem. De todo será quebrantada a Terra, de todo se romperá a Terra e de todo se moverá a Terra. De todo vacilará a Terra como o ébrio e será movida e removida como uma choça da noite”.


Para o senhor, o que quer dizer esta profecia?
DINO – Bem, para eu entender a profecia, o comandante precisou fazer um desenho no meu caderno (que está reproduzido na página 47 do livro). Esse desenho mostra dois sóis... Ele me explicou que – ao contrário do que explica a nossa física clássica – os corpos se repelem pela luz. Explica também que todos os corpos têm luz, mas nós não temos capacidade de perceber isso. A luz é uma força que repele outros corpos. Assim, os astros se movem e não se chocam uns com os outros. Eles se repelem mutuamente. Esse é um fato que os astrônomos não dão nenhum valor... Mas voltando à profecia, ela diz respeito a um novo corpo celeste que iria invadir o nosso sistema e comprometer a vida na Terra.

De que forma esse astro pode nos prejudicar?
DINO – O nosso sol repele naturalmente a Terra. Segundo as palavras do comandante, virá um outro sol, que também a repelirá. Essa repelência afastará todos os corpos do Sistema Solar, de forma que o planeta Plutão será jogado fora do sistema. A Terra também será afastada, indo até a região espacial dos planetoides, perto de Marte. Ao chegar nesse ponto, começará a fazer o movimento de translação em torno dos dois sóis existentes. Porém – como disse o comandante – para chegar até a região dos planetoides, nosso planeta levará aproximadamente seis ou sete dias.
Nesse período ela tremerá, causando um grande cataclismo. Este sol será detectado pelos cientistas ainda antes do fim do século (lembrar que a entrevista foi feita em 1996). Desta forma, como diz a profecia, a Terra tremerá como um ébrio... infelizmente, com isso, dois terços da humanidade serão extintos.

E foi por isso que o senhor escreveu o livro?
DINO – Sim, por todos os motivos. Foi ele quem me pediu para escrever. Apenas cumpri uma missão... e foi o único livro que escrevi na minha vida. Várias pessoas leram a obra e gostaram muito. Em 1957, alguém levou o livro para a Rússia e, em março do mesmo ano, a Academia de Ciências da União Soviética enviou uma carta para a editora no Brasil. Então, como naquela época havia muita repressão, o Departamento de Ordem Política e Social do governo controlava tudo, principalmente o que vinha da Rússia [risadas]. O pessoal tinha horror a comunistas. O departamento pegou a carta dos russos, abriu-a e foi até a editora tirar satisfações.


Alguns fatos sobre ele

O trabalho de Cláudio Suenaga, 1968, A História Que Tentaram Apagar traz revelações surpreendentes sobre a figura de Aladino Félix e levanta a suspeita de que a sua participação na história daquele conturbado período foi subestimada pelo descaso ou preconceito de nossos historiadores. As informações a seu respeito se resumem a rotulá-lo de louco ou lhe atribuir um papel secundário.

Há muitas evidências de que Aladino tinha contatos com altos escalões do Regime Militar e é provável que acreditasse servir-se deles no seu projeto de tomada do poder. Pode ter sido um inocente útil que acreditava no apoio de alguns militares aos seus planos, ou também um bode expiatório utilizado pob eles para deflagrar a caça às bruxas. Para o pessoal da esquerda, ele não passava de um simples informante ou agente provocador. O Dr. Walter Bühler declarou que Aladino havia sido treinado pela CIA, em Chicago, de onde, “por uma razão qualquer, foi desligado”. As evidências de suas ligações com autoridades militares e as suspeitas de que poderia ter agido cumprindo ordem deles nunca foram investigadas a fundo. Isto é compreensível partindo de quem estava ligado ao regime militar; só não consigo entender o desinteresse dos historiadores em geral, que poderiam talvez levantar fatos inéditos de nossa História. As autoridades sempre negaram qualquer ligação com Aladino e apenas diziam que recebiam dele informações e denúncias, de caráter grave, sobre a situação do país. Mas, na época, falava-se que o terrorismo de grupos paramilitares de direita não começara nos anos 60, mas décadas atrás, nos anos 40 e 50. Aladino também fez esta denúncia, mas tido na conta de “louco”, “místico” e “visionário”, ninguém acreditou que por trás dele pudesse ocultar-se uma “gigantesca rede conspiratória que ao longo dos anos assumiu o controle de todos os aspectos da vida da nação”.

Diz Cláudio, em sua tese: “Os problemas com a Igreja explicam porque Aladino não foi nem mesmo citado no livro “Brasil: nunca mais”, projeto conduzido e coordenado pelos arcebispos da Arquidiocese de São Paulo. A omissão é tanto mais grave se levarmos em conta que Aladino e seus seguidores foram praticamente os primeiros “terroristas” torturados pelo aparato repressivo que se solidificava. Apenas à página 116 deste livro, numa tabela mostrando a atuação de diversos grupos de esquerda, vemos que uma “organização sem identificação” atuou em 1968. Muito pouco para um movimento responsável por quase metade dos atentados cometidos naquele ano em São Paulo.


Provas de que Aladino Félix era Dino Kraspedon

O bancário aposentado Oswaldo Pedrosa, já falecido, assumiu
a identidade de Dino Kraspedon, inventada por Aladino Félix
Ao assumir a identidade de Dino Kraspedon, o bancário aposentado Oswaldo Pedrosa necessariamente teria também de alterar sua personalidade em todos os aspectos que esta comportava. Mas não foi o que fez, entretanto [Veja UFO 106]. No intuito de restabelecer a verdade histórica sobre esse curioso personagem da Ufologia Brasileira, apresentamos provas incontestáveis de que Pedrosa não é nem nunca foi o autor de Contato com os Discos Voadores, como alardeou em congressos de Ufologia pelo Brasil afora, que freqüentou a partir dos anos 90, já octogenário. Todos aqueles que se acostumaram à falsa certeza de que o bancário era de fato Kraspedon talvez estivessem convencidos pelo seu singelo discurso ou influenciados pela ação de seus arautos, também iludidos pelo imponderado consenso que se formou a respeito.

Usurpação do nome — Um dos argumentos mais capciosos e recorrentes dos ufólogos que defendem o bancário é o de que Dino Kraspedon e Sábado Dinotos seriam personagens distintos. Para eles, Dino seria o bancário e contatado, e Sábado seria Aladino Félix, o líder messiânico e terrorista. Nada mais falso. Como se já não bastassem os testemunhos de todos os que conheceram Félix, incluindo sua família, há garantias documentais de que o autor de Contato com os Discos Voadores era de fato Aladino Félix, apenas e tão somente ele. Uma prova é a edição de 24 de agosto de 1968 do jornal Última Hora, de São Paulo [Número 5.090, ano XVII], que traz nas páginas 08 e 09 uma reportagem cujo título principal é Os Caminhos do Terror, e na página 10, um perfil do contatado e terrorista, sob o título O Incrível Aladino ou Sábado Dinotos ou Dino Casperton. Embora o jornal tenha errado na grafia, fica patente que na época a própria imprensa já reconhecia Dino e Sábado como sendo a mesma pessoa, ou seja, Aladino Félix.

A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, instituição que armazena os registros de todos os escritores nacionais, enviou a este autor, em 24 de novembro de 1995, um documento assinado por Anna Naldi, chefe da Divisão de Informação Documental, e referendado pela pesquisadora Cássia Krebs, confirmando que Dino Kraspedon e Sábado Dinotos eram a mesma pessoa, ou seja, Aladino Félix. Em sua lista, constam como sendo de Félix as obras Bíblia Sagrada [Pentateuco], Contato com os Discos Voadores, O Hebreu: O Libertador de Israel, Mensagem aos Judeus: O Nascimento do Messias e A Órbita da Terra e a Gravitação.

Poucos meses antes de falecer, em 13 junho de 1996, este autor manteve intensa correspondência com o médico e pioneiro da Ufologia Brasileira Walter Karl Bühler, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores (SBEDV), que estabelecera vários encontros com Félix na década de 50. Bühler citou Félix inúmeras vezes nos boletins da SBEDV, sempre fazendo questão de relacionar o pseudônimo Dino Kraspedon ao verdadeiro nome do mencionado, Aladino Félix. Como que antevendo a usurpação do nome, em seu Livro Branco dos Discos Voadores [Editora Vozes, 1985], Bühler ainda fez questão de declinar em várias passagens o verdadeiro nome de Kraspedon, isto é, Félix.

Por fim, durante uma visita que fiz ao veterano ufólogo carioca Fernando Cleto Nunes Pereira [Veja seção Diálogo Aberto de 132], em companhia do ufólogo espanhol e também consultor da Revista UFO Pablo Villarrubia Mauso, em 1996, aproveitei para mostrar-lhe a edição de 06 de março de 1968 do Jornal da Tarde com a matéria O Golpe Fantástico, que traz uma foto de Félix, que já fora hóspede em sua residência. Ao vê-la, Cleto logo reconheceu o velho colega. Acima da foto, o pioneiro escreveu: “Acredito que este é o Dino Kraspedon que conheci na década de 50”. O ufólogo decano Fernando Grossmann confirmou igualmente que Dino Kraspedon era de fato Aladino Félix.

Explicação necessária — Mas os leitores certamente devem estar se perguntando por que só agora, passados mais de 10 anos, é que resolvi publicar estes fatos. Em consideração aos que prezam pelo silogismo, explico. Antes, cabe dizer que este texto é apenas uma breve síntese de um extenso trabalho que compôs pouco mais da metade de minha tese de mestrado, intitulada A Dialética do Real e do Imaginário: Uma Proposta de Interpretação do Fenômeno OVNI, desenvolvida entre os anos de 1994 e 1998. O trabalho contou com a orientação do antropólogo Benedito Miguel Angelo Perrini Gil, foi apresentado junto ao Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Assis, e defendido em 22 de março de 1999. Ou seja, no âmbito acadêmico, a verdade sobre Dino Kraspedon é fartamente conhecida e está acessível a qualquer pessoa que se predisponha a consultar o banco de teses daquela universidade.

Mas se até agora eu vinha adotando uma postura de resignação e protelando a publicação destes dados, isso se deveu a uma série de fatores que fugiram ao meu controle. Inúmeros problemas pessoais, inclusive de saúde, tiraram-me de circulação por anos seguidos. Compromissos e projetos mais urgentes também me ocuparam integralmente. Foram anos pesquisando e escrevendo sobre outros assuntos até que dissesse a mim mesmo que conseguiria fazer o que deveria sobre esse tema. Mesmo assim, ainda antes de ter concluído a referida tese, jamais me neguei a enviar informações a respeito aos pesquisadores sérios que me têm solicitado.

A maior preocupação, porém, não era com o desconforto de reviver episódios pouco agradáveis da história de nosso país e da Ufologia Brasileira, remexendo suas piores memórias. Mas o desafio de encontrar um tom apropriado para abordar o caso, sem ferir suscetibilidades ou instar conflitos desnecessários, ainda que em certo grau isso fosse absolutamente inevitável. Tampouco me faltaram vontade e coragem para tanto, ainda que sob a ameaça de retaliações em forma de ataques via imprensa ufológica. O que determinou meu silêncio foi, principalmente, a intimidação velada que sofri dos detentores do poder econômico, que me acenavam com infaustos processos judiciais, e o pedido de Raul Félix, filho de Aladino, para que aguardasse pacientemente o desfecho da ação que movia contra os usurpadores do nome e da obra de seu pai. Assim o fiz.

A verdade acima de tudo — Nesse período, entretanto, confesso que não foram pequenas as decepções diante da indiferença, da incompreensão e da veleidade renitente de alguns ufólogos e pesquisadores ilustres em relação às descobertas que apresento neste box e no artigo principal. Em compensação, também foram muitas as satisfações que tive, mais tarde, com o apoio e a colaboração que passaram a prestar alguns colaboradores, igualmente ilustres, entre os quais estão Mauso, Grossmann e Bühler, já citados, e ainda Antônio Manoel Pinto, Lobo Câmara, Ari Nicácio Moreira.

Embora a mentira sobre a identidade de Dino Kraspedon já tenha se consagrado, temos que fazer com que a verdade seja ouvida, principalmente para que sirva de estímulo e força impulsionadora para todos aqueles que têm coragem e a necessária força de vontade para prosseguir lutando por ela. Foi estimulado por tal propósito que fiz intensa pesquisa sobre Aladino Félix, resultando nas descobertas aqui apresentadas e no livro que acabo de lançar pela coleção Biblioteca UFO, Contatados. Mover céus e terras para localizar documentos históricos, testemunhas idôneas e informações fidedignas, que nos ajudassem a desvelar os segredos que se ocultavam sob uma crosta de 30 anos de silêncio, compensou.

Fontes: 
O livro sobre sobre Aladino Felix foi escrito pelo historiador Claudio Tsuyoshi Suenaga que pesquisou os arquivos da ditadura em São Paulo.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Wagner Moura desabafa sobre o Pânico na TV

Palavras do ator Wagner Moura sobre o Pânico na TV, em carta aberta:

“Quando estava saindo da cerimônia de entrega do prêmio APCA, há duas semanas em São Paulo, fui abordado por um rapaz meio abobalhado. Ele disse que me amava, chegou a me dar um beijo no rosto e pediu uma entrevista para seu programa de TV no interior. Mesmo estando com o táxi de porta aberta me esperando, achei que seria rude sair andando e negar a entrevista, que de alguma forma poderia ajudar o cara, sei lá, eu sou da época da gentileza, do muito obrigado e do por favor, acredito no ser humano e ainda sou canceriano e baiano, ou seja, um babaca total. Ele me perguntou uma ou duas bobagens, e eu respondi, quando, de repente, apareceu outro apresentador do programa com a mão melecada de gel, passou na minha cabeça e ficou olhando para a câmera rindo. Foi tão surreal que no começo eu não acreditei, depois fui percebendo que estava fazendo parte de um programa de TV, desses que sacaneiam as pessoas. Na hora eu pensei, como qualquer homem que sofre uma agressão, em enfiar a porrada no garoto, mas imediatamente entendi que era isso mesmo que ele queria, e aí bateu uma profunda tristeza com a condição humana, e tudo que consegui foi suspirar algo tipo “que coisa horrível” (o horror, o horror), virar as costas e entrar no carro. Mesmo assim fui perseguido por eles. Não satisfeito, o rapaz abriu a porta do táxi depois que eu entrei, eu tentei fechar de novo, e ele colocou a perna, uma coisa horrorosa, violenta mesmo. Tive vontade de dizer: cara, cê tá louco, me respeita, eu sou um pai de família! Mas fiquei quieto, tipo assalto, em que reagir é pior.

” O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice ”

O táxi foi embora. No caminho, eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores que faz, por exemplo, com que uma emissora de TV passe o dia INTEIRO mostrando imagens da menina Isabella. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

” Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência ”

Digo isso com a consciência de quem nunca jogou o jogo bobo da celebridade. Não sou celebridade de nada, sou ator. Entendo que apareço na TV das pessoas e gosto quando alguém vem dizer que curte meu trabalho, assim como deve gostar o jornalista, o médico ou o carpinteiro que ouve um elogio. Gosto de ser conhecido pelo que faço, mas não suporto falta de educação. O preço da fama? Não engulo essa. Tive pai e mãe. Tinham pais esses paparazzi que mataram a princesa Diana? É jornalismo isso? Aliás, dá para ter respeito por um sujeito que fica escondido atrás de uma árvore para fotografar uma criança no parquinho? Dois deles perseguiram uma amiga atriz, grávida de oito meses, por dois quarteirões. Ela passou mal, e os caras continuaram fotografando. Perseguir uma grávida? Ah, mas tá reclamando de quê? Não é famoso? Então agüenta! O que que é isso, gente? Du Moscovis e Lázaro (Ramos) também já escreveram sobre o assunto, e eu acho que tem, sim, que haver alguma reação por parte dos que não estão a fim de alimentar essa palhaçada. Existe, sim, gente inteligente que não dá a mínima para as fofocas das revistas e as baixarias dos programas de TV. Existe, sim, gente que tem outros valores, como meus amigos do MHuD (Movimento Humanos Direitos), que estão preocupados é em combater o trabalho escravo, a prostituição infantil, a violência agrária, os grandes latifúndios, o aquecimento global e a corrupção. Fazer algo de útil com essa vida efêmera, sem nunca abrir mão do bom humor. Há, sim, gente que pensa diferente. E exigimos, no mínimo, não sermos melecados.

No dia seguinte, o rapaz do programa mandou um e-mail para o escritório que me agencia se desculpando por, segundo suas palavras, a “cagada” que havia feito. Isso naturalmente não o impediu de colocar a cagada no ar. Afinal de contas, vai dar mais audiência. E contra a audiência não há argumentos. Será?”

Wagner Moura


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Escravidão escancarada no PAC


Operários de Jirau se levantam contra escravidão do PAC

Assembleia dos operários de Jirau rechaça proposta patronal

No dia 8 de março os 1.500 operários da Enesa Engenharia, contratada pelo Consórcio Energia Sustentável do Brasil para montagem dos geradores de Jirau, iniciaram as mobilizações denunciando as péssimas condições de trabalho da obra. No dia12 de março estourou a nova revolta e as obras foram paradas.

Em uma vã tentativa de quebrar a unidade da classe operária e impedir que a revolta se generalizasse, a Camargo Corrêa dispensou milhares de trabalhadores, mas era tarde demais. Os operários dessa empreiteira, bem como todos os demais, aderiram à luta.

Os operários lutam contra as péssimas condições de trabalho, reivindicam 30% de reajuste salarial, o pagamento de 100% de todas as horas extras, entre outras demandas.

Em 15 de março, o desembargador Ilson Alves Pequeno Júnior, relator do Dissídio Coletivo de Greve no Tribunal Regional do Trabalho - TRT da 14ª Região, declarou a greve ilegal, e determinou o retorno dos funcionários ao trabalho, fixando uma multa de R$ 200 mil por dia para o sindicato da categoria caso a determinação não fosse atendida.

PELEGOS SÃO EXPULSOS DE ASSEMBLEIA

Antes mesmo da deflagração da greve, em 8 de março, o vice-presidente Sticcero, Altair Donizete, já havia atacado os operários em mobilização chamando-os de "pequena gama de manifestantes". Altair Donizete ainda afirmou que "se seguirmos esta tendência, não seremos bem recebidos pela justiça e pelos empresários". [fonte: rondonoticias.com.br em 8 de março de 2012]

No dia 16, em uma massiva assembleia, os operários definiram pela continuidade da greve. Há relatos partidos diretamente daquela assembleia de que os operários, revoltados com a postura pró-patronal e antigreve do Sticcero, tomaram o carro de som do sindicato e expulsaram os pelegos. Ainda nessa assembleia, mais de 50 policiais descaradamente disfarçados com os uniformes utilizados pelos operários do consórcio foram identificados em meio à massa de operários e foram postos para correr. Piquetes e mobilizações foram mantidos.

GERENCIAMENTO ROUSSEFF ORDENA REPRESSÃO

Numa matéria publicada no Valor Econômico em 23 de março, foi noticiado que o gerenciamento Rousseff tem acompanhado diariamente as negociações em Jirau e que o Ministério da Justiça colocou à disposição o contingente da Força Nacional de Segurança que está "de prontidão".

A Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania de Rondônia - Sesdec declarou que já havia efetivos da Força Nacional atuando em Rondônia antes da deflagração da greve, porém "em outras frentes" [fonte:rondoniagora.com em 17 de março de 2012].

AS RAZÕES DA REVOLTA OPERÁRIA

No dia 18 de março, uma equipe de representantes dos Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho, estiveram em Jirau e ouviram os trabalhadores. Operários denunciaram ter sofrido "violência física" por parte de representantes da Camargo Corrêa e afirmaram que são obrigados a comprar produtos a preços exorbitantes nos armazéns do canteiro. Os trabalhadores também relataram o não cumprimento por parte da empreiteira do programa de Participação nos Lucros e Resultados, bem como das folgas que deveriam ser concedidas a cada quatro meses de trabalho. Em nota, o Ministério Público Federal reconheceu que "a insatisfação contribuiu para a crise que se instaurou na usina" [fonte: folha.uol.com.br em 18 de março de 2012].

No dia 16 de março, trabalhadores da empresa WPG Construções, terceirizada da usina de Jirau e responsável pelo desmatamento da área que será alagada pela construção da usina, protestaram em frente ao Tribunal Regional do Trabalho (14ª região) em Porto Velho. Os operários denunciaram que não recebem salários desde setembro do ano passado e não tiveram baixa em suas carteiras de trabalho. Eles estão instalados provisoriamente em um hotel de Porto Velho, recebendo apenas alimentação durante todo esse tempo. Apesar do não pagamento de salários e direitos trabalhistas aos operários e do desfalque de mais de R$ 5 milhões denunciado por comerciantes de Porto Velho, o dono da WPG, Júlio César Schmitt teria montado uma nova empresa em nome do seu cunhado e estaria executando os mesmos serviços na usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará,

A GREVE CONTINUA

No dia 27 de março ocorreu mais uma assembleia no canteiro de obras de Jirau. Milhares de operários rechaçaram a miserável proposta patronal de 5% de reajuste. Os pelegos Sticcero e Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira – Conticom/CUT manobraram de todas as formas para acabar com a greve. Incapazes de deter o ímpeto de luta e a revolta dos trabalhadores, patrões e oportunistas tramaram novo golpe e propuseram "voto secreto" para deliberar sobre a greve em uma próxima assembleia.

A greve em Jirau continua justamente porque a terrível situação dos operários, a péssima condição de trabalho, o arrocho e a falta de direitos não mudaram nada desde a primeira revolta no ano passado. 


"Compromisso" para inglês ver

Em 1º de março, em mais um convescote pelego-governista, foi firmado o denominado "compromisso nacional para aperfeiçoar as condições de trabalho na indústria da construção". O nome pomposo não diz muito, uma vez que além de não traz novidade alguma e tampouco se pode esperar, uma vez que seus progenitores são justamente aqueles que mais descumprem compromissos com os trabalhadores. 

Participam da chamada "mesa permanente" do tal compromisso: as centrais sindicais CUT; Força Sindical; CGTB; CTB; UGT; NCST; s confederações CNTI; CNTIC; CONTICOM; CONTRICOM; FENATRACOP; e as entidades patronais Sinicon; além da Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC.  Como se pode ver, uma salada de patrões e pelegos, somados à Secretaria-Geral do gerenciamento Rousseff e os seguintes ministérios: Trabalho e Emprego; Planejamento, Orçamento e Gestão; Previdência Social; Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Casa Civil; Educação; Cidades; Minas e Energia; Esporte; Integração Nacional; Transportes; e a Secretaria de Direitos Humanos.

Tal "compromisso" versa sobre um conjunto de regras e padrões mínimos para estabelecer as condições de trabalho, salário, saúde e segurança nas obras, e prevê a negociação coletiva para definição do piso salarial, benefícios, jornada, transporte, alojamento e alimentação, ou seja, todos os direitos solapados das classes trabalhadoras. E a adesão das empreiteiras a ele é facultativa, vejam só!

Diante dos acontecimentos recentes em Jirau e outros canteiros de obras, ficou comprovado que tal "compromisso" não passa de letra morta, uma vez que, deflagrada uma greve notadamente devido às péssimas condições de trabalho e desrespeito aos direitos trabalhistas, a primeira medida tomada pelo gerenciamento de turno do velho Estado e empreiteiras foi enviar a Força Nacional para, mais uma vez, reprimir os operários em luta.



Lutas se alastram como rastilho de pólvora

Hidrelétrica Garibaldi - SC

Com informações do Movimento dos Atingidos por Barragens

Operários da Usina Santo Antônio se unem aos trabalhadores de Jirau
Na madrugada de 8 de março, centenas de trabalhadores da usina hidrelétrica de Garibaldi atearam fogo nos alojamentos do canteiro de obras em protesto contra as péssimas condições de trabalho e baixos salários. Na tarde de 12 de março, mais de 400 trabalhadores ocuparam o canteiro e mantiveram-se lá por dois dias.

A barragem é de propriedade da empresa Triunfo, sua construção deverá custar cerca de R$ 780 milhões e atinge os municípios de Abdon Batista (onde fica o canteiro de obras), Cerro Negro, Vargem, Campo Belo do Sul e São José do Cerrito, alagando 1.864 hectares de terra fértil e expulsando aproximadamente mil famílias. As empresas donas da barragem terão o direito de explorar a produção de energia pelo prazo de 30 anos.

Em junho de 2011 os atingidos pela barragem ocuparam a obra para serem reassentados, direito que a empresa ainda continua negando. Naquela época os trabalhadores da usina apoiaram a mobilização. Eles diziam que as condições de trabalho eram precárias e que a empresa tem tradição em quebra de contrato e desrespeito às leis trabalhistas.

Comperj - RJ

Os operários do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – Comperj, em Itaboraí - RJ, considerado o maior projeto da história da Petrobras, sustentaram uma greve por quase um mês. Desde o dia 10 de fevereiro estourou nova onda de protestos nesse canteiro de obras que concentra mais de 13 mil operários.

Eles lutam por aumento salarial de 18%, vale alimentação de R$ 390, pagamento da hora thinner (tempo que o funcionário passa no ônibus da empresa para chegar ao local de serviço) nos turnos da manhã e da tarde remunerada em 75%, entre outras demandas.

Estima-se que cerca de 60% dos operários do Comperj não são oriundos de Itaboraí e muitos deles estiveram presentes na rebelião de 2011 em Jirau.

A greve deflagrada pelos trabalhadores de bas, que atropelaram por diversas vezes a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Montagem, Manutenção e Mobiliário de São Gonçalo, Itaboraí e Região – Sindicom. Na edição 87 de AND relatamos divergências entre os próprios trabalhadores, que com o desenrolar das mobilizações revelaram ser a resistência dos operários revoltados contra o peleguismo da direção do sindicato que tentava frear os protestos.

Mais uma vez a greve foi traída pela direção do sindicato. Mais uma vez não houve avanços para os trabalhadores e há grande insatisfação entre a massa de operários.

Usina Santo Antônio - RO

Após a deflagração da nova revolta em Jirau, em 16 de março, foi noticiado que a empreiteira Odebrecht decidiu paralisar as obras na usina Santo Antônio, que assim como Jirau, fica situada à margem do Rio Madeira, em Rondônia, a cerca de 8 km da capital Porto Velho. No entanto, informações partidas dos canteiros de obras de Santo Antônio afirmam que as obras estão de fato paralisadas, mas por iniciativa dos trabalhadores, que deflagraram greve somando-se à luta dos operários de Jirau.

A Secretaria de Segurança de Rondônia anunciou que as obras da usina de Santo Antônio deveriam ficar paradas até o dia 21 de março e reforço policial foi enviado para suas imediações. Milhares de operários trabalham no local e são submetidos às mesmas precárias condições de trabalho e ao mesmo arrocho que os trabalhadores de Jirau.

Em 21 de março a Justiça do Trabalho de Rondônia declarou a greve na usina Santo Antônio ilegal. O decreto da juíza Vânia Maria da Rocha Abensur, presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, impõe a mesma multa arbitrada para Jirau ao Sticcero caso os trabalhadores não retornassem ao trabalho. A greve continuava até o fechamento dessa edição de AND.

Revolta em Belo Monte após morte de operário 
Com informações de Reporter Brasil

Operários que trabalham na construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, declararam greve geral na manhã de 29 de março contra as péssimas condições de trabalho e por melhores salários. O clima de insatisfação já era generalizado no canteiro de obras da empreiteira Andrade Gutierrez e se agravou com a morte do operador de motosserra Francisco Orlando Rodrigo Lopes, atropelado por uma retroescavadeira na tarde do dia 28.

Cerca de cinco mil operários de Belo Monte aderiram à paralisação, somando-se aos cerca de 43 mil em greve em Jirau e Santo Antônio.

Esses fatos ocorreram menos de um mês após a assinatura do chamado "compromisso nacional para aperfeiçoar as condições de trabalho na indústria da construção" firmado entre patrões, o gerenciamento oportunista e as centrais governistas. Tal "compromisso" versa sobre um conjunto de regras e padrões mínimos para estabelecer as condições de trabalho, salário, saúde e segurança nas obras, e prevê a negociação coletiva para definição do piso salarial, benefícios, jornada, transporte, alojamento e alimentação, ou seja, todos os direitos solapados das classes trabalhadoras. E a adesão das empreiteiras a ele é facultativa, vejam só!