quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Boeing levará turistas ao espaço a partir de 2015

Boeing levará turistas ao espaço a partir de 2015
Como os voos de órbita baixa exigem menos equipamentos e um menor suporte de vida, a nave é bem mais leve, podendo acomodar um número maior de astronautas, sete no total. [Imagem: Boeing]
Turismo espacial
A empresa Boeing anunciou o fechamento de um acordo com a Space Adventures para começar a vender passagens para voos turísticos espaciais.
A Space Adventures será uma espécie de operadora das viagens, que deverão começar em 2015, mas cujos preços ainda não estão definidos.
Os voos serão feitos a bordo da nave CST-100 (Crew Space Transportation: transporte de tripulantes ao espaço, em tradução livre), fabricada pela Boeing. O número 100 refere-se à altitude atingida pela nave (ao redor de 100 km), considerado um voo de órbita baixa.
Como os voos de órbita baixa exigem menos equipamentos e um menor suporte de vida, a nave é bem mais leve, podendo acomodar um número maior de astronautas, sete no total. A nave é projetada para ser reutilizada até 10 vezes.
Além dos voos panorâmicos, a Boeing planeja usar a CST-100 para levar tripulantes à Estação Espacial Internacional e para outras missões comerciais.
Boeing levará turistas ao espaço a partir de 2015
Planos futuros incluem o uso da nave para levar astronautas e turistas à Estação Espacial Internacional e a hotéis espaciais. [Imagem: Boeing]
Privatização espacial
A nave é um pouco menor do que a cápsula Órion, da NASA, cujo futuro ainda é incerto. Mas especialistas indicam que a CST, provavelmente em uma versão "200" ou algo parecido, deverá substituir a Órion.Segundo a empresa, os sete lugares da nave serão vendidos a indivíduos, empresas, organizações não-governamentais e também a outras agências governamentais que não a NASA.
Em Fevereiro de 2010 a NASA anunciou o investimento em vários projetos privados, entre os quais a cápsula da Boeing.

Arquiteto cria casa em forma de ovo para economizar no aluguel na China

Residência de Dai Haifei custa pouco mais de R$ 1.700.

Feita à base de bambu, ela é à prova de calor e água.

Do G1, com AFP

O arquiteto chinês Dai Haifei, de 24 anos, dentro de sua casa-móvel em forma de ovo, em que ele vive a cerca de dois meses em Pequim, com o objetivo de economizar aluguel.O arquiteto chinês Dai Haifei, de 24 anos, dentro de sua casa-móvel em forma de ovo, em que ele vive a cerca de dois meses em Pequim, com o objetivo de economizar aluguel. (Foto: AFP)
A casa custou cerca de US$ 1.000 e é feita de bambu e colchões,cobertos de material à prova de calor e água. Ela também tem partes com cascas de árvore e sementes de grama, que podem crescer durante a primavera, cobrindo a construção.A casa custou cerca de US$ 1.000 e é feita de bambu e colchões,cobertos de material à prova de calor e água. Ela também tem partes com cascas de árvore e sementes de grama, que podem crescer durante a primavera, cobrindo a construção. (Foto: AFP)

Atmosfera de uma super-Terra é analisada pela primeira vez

Exoplaneta água

A atmosfera de um exoplaneta do tipo super-Terra foi analisada pela primeira vez por uma equipe internacional de astrônomos utilizando o Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul (ESO).

O planeta, conhecido como GJ 1214b, foi estudado conforme ele transitava à frente da sua estrela hospedeira - em relação à Terra - e uma parte da radiação estelar atravessava a atmosfera do planeta.

A atmosfera do exoplaneta é composta essencialmente por água, ou sob a forma de vapor ou na forma de nuvens espessas ou névoas.

O planeta GJ 1214b foi descoberto em 2009 com o instrumento HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, e quem tem estado envolvido em várias descobertas recentes da astronomia.

Novos mundos

Os resultados iniciais sugeriam que este planeta possuísse uma atmosfera, o que agora foi confirmado e estudado em detalhe por uma equipe internacional de astrônomos, liderada por Jacob Bean, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

"Esta é a primeira super-Terra que teve sua atmosfera analisada, um marco verdadeiramente notável na caracterização destes mundos," diz Bean.

O GJ 1214b tem um raio cerca de 2,6 vezes maior do que o da Terra e possui cerca de 6,5 vezes mais massa, o que o coloca claramente na classe dos exoplanetas conhecidos como super-Terras.

A sua estrela hospedeira encontra-se a cerca de 40 anos-luz de distância da Terra na constelação de Ofiúco (ou Serpentário). É uma estrela de baixa luminosidade - se a GJ 1214, a estrela, fosse observada à mesma distância de nós que o nosso Sol, ela seria 300 vezes menos brilhante.

A estrela é também pequena, o que quer dizer que o tamanho do planeta é grande quando comparado com o disco estelar, tornando-o relativamente fácil de estudar.

O planeta passa em frente do disco da estrela a cada 38 horas, à medida que a orbita a uma distância de apenas dois milhões de quilômetros: cerca de setenta vezes mais perto do que a órbita da Terra em torno do Sol.

Possibilidades

Para estudar a atmosfera, a equipe observou a radiação vinda da estrela à medida que o planeta passava à sua frente. Durante esses trânsitos, uma parte da radiação estelar atravessa a atmosfera do planeta e, dependendo da composição química e do tempo atmosférico no planeta, comprimentos de onda específicos são absorvidos.

A equipe comparou estas medições muito precisas com o que se esperaria observar para várias composições atmosféricas específicas.

Anteriormente a estas novas observações, três atmosferas possíveis para GJ 1214b tinham sido propostas.

A primeira consistia na possibilidade intrigante do planeta estar rodeado por água, a qual, devido à proximidade à estrela, estaria sob a forma de vapor.

A segunda possibilidade era a de um planeta rochoso cuja atmosfera seria essencialmente constituída por hidrogênio, mas com nuvens altas ou nevoeiros que obscureceriam a visão.

A terceira opção era a de que este exoplaneta seria uma espécie de mini-Netuno, com um núcleo rochoso pequeno e uma atmosfera espessa, rica em hidrogênio.

Por exclusão

As novas medições não mostram sinais de hidrogênio e por isso excluem a terceira hipótese.

Portanto, a atmosfera ou é rica em vapor ou encontra-se coberta por nuvens ou nevoeiros, semelhantes aos observados nas atmosferas de Vênus e Titã no nosso Sistema Solar, as quais escondem a assinatura do hidrogênio.

"Embora não possamos ainda dizer exatamente de que é feita a atmosfera, este é um grande passo rumo à caracterização da atmosfera de um mundo tão distante, diminuindo as opções para uma atmosfera constituída ou por vapor ou por nevoeiro," diz Bean. "São agora necessárias observações na radiação infravermelha de maior comprimento de onda para determinar qual destas atmosferas existe realmente em GJ 1214b."

Bibliografia:

A ground-based transmission spectrum of the super-Earth exoplanet GJ 1214b
Jacob L. Bean, Eliza Miller-Ricci Kempton, Derek Homeier
Nature
1 December 2010
Vol.: 468, 669-672
DOI: 10.1038/nature09596