sexta-feira, 3 de junho de 2011

Por Que O Dito SEGREDO Não Dá Certo Para Todos?

Muitas vezes usamos uma técnica e ela não funciona e com outras pessoas parece dar certo, isto tem um motivo e causa simples. Cada pessoa é afinada com uma egrégora específica. Egrégora é a energia mente criativa do coletivo, tudo que pensamos, fazemos, agimos cria uma egrégora ela cresce em poder de acordo com a quantidade de pessoas envolvidas. Para se afinizar é uma questão de ressonância, se você estiver no padrão então conseguir´pa usar a energia dela se não estiver ou terá que mudar sua forma de ressoar ou escolher trabalhar noutra egrégora.

Bem, este é o primeiro motivo de o segredo não funcionar com algumas pessoas. O segundo motivo é que sua energia criativa deve estar baixa, você precisará dela se quiser mandar a mensagem do seu desejo ao seu Eu Superior e dele para o Universo. Como a maioria dos habitantes deste planeta isto normalmente é muito difícil, pois a midia, sociedade e politica fazem com que percamos este poder e assim nos tornemos massa de manobra. Sim existem várias pessoas que querem que permaneçamos assim. Por que? Simples porque assim podemos ser controlados por elas. Estas pessoas conhecem a chave do segredo e usam para obter o que querem. Você deve estar se perguntando se o Universo é infinito então não haveria a possibilidade de todos compartilharem da fartura. Bem primeiro o universo não é infinito ele tem fim, apesar disto ainda não ser comprovado pela nossa ciência atual e não o será por um bom tempo. Segundo estas pessoas gostam de serem servidas, se sentirem no poder e controle, se todos tivessem o poder então elas se sentiriam ameaçadas, e tudo que dá medo ao ser humano ele destroi, simples assim.

Por falar em medo ele é o terceiro motivo dos fracassos, quando temos medo de algo acabamos focando nossa energia naquilo que não queremos e acabamos trazendo a nossas vidas por isto devemos focar somente no que queremos.

Em quarto lugar está o fator merecimento, tudo neste universo é conseguido pelo dar para receber. O que você fez em favor do próximo ou do universo? Quando você dá você recebe, alias nós só recebemos aquilo que damos do melhor de nós. Se você ajuda será ajudado, pode acreditar.

Em quinto lugar se o que deseja estiver em desacordo com seu plano de reencarne então muito provavelmente seu Eu Superior e anjo da guarda irão negar o pedido. Uma certa época da minha vida perdi tudo e fiquei muito mal, pedia ajuda a Deus e na fé que eu tinha. Um dia em desdobramento astral um espírito amigo me prometeu ajuda contudo meu Eu Superior assumiu e falou por mim que eu não deveria obter ajuda pois devia aprender uma lição naquilo tudo. Era eu mesmo respondendo ao espirito amigo contudo não era o ego falando e sim a minha parte sublime. Fiquei sem entender mas com o tempo entendi e hoje sou alguém livre sem medos e isto serviu de oportunidade de crescimento, demorei a entender e aceitar.

Em sexto lugar para se criar algo é necessário energia, tudo na criação é movida a energia e se você não a tem então não poderá colocar em movimento seu pedido. Essa energia vem dos seus centros de força ou chakras, você precisará de energia imanente e pura, a exemplo de energia prânica e telúrica.

Por fim em último lugar mas não menos importante é entender e compreender o processo. O processo de materialização do sonho não começa neste plano e sim em planos mais sutis, de lá ele acumula energia e se encaminha ao nosso mundo até se manifestar. Sem conhecer e saber será muito difícil conseguir o que se quer a não ser que já traga este conhecimento inconsciente de outras vidas anteriores, o que para os habitantes dete planeta é muito inviável ainda principalmente por nem aceitarem a reencarnação como um todo. Você sabendo poderá criar ajuda para obter o que precisa e conseguirá, sem saber andará tateando no escuro e se der sorte encontrará o que busca. Mas acredite sorte é você quem faz quando sabe.
O segredo não é tão segredo assim, ele já era conhecido e usado há muitos milênios atrás e dá muito certo pois sou prova disso.

Para aqueles que quiserem encontrar parte das respostas sugiro que assistam outro grande filme chamado Quem Somos Nós, que trata da física quântica e de como nossos pensamentos afetam o mundo a nossa volta.

Paz Profunda



"Minhocas do Inferno" levantam a possibilidade de vida extraterrestre

Cientistas descobriram criaturas multicelulares a mais de um quilómetro de profundidade da superfícíe da Terra. Encontrados numa mina de ouro na África do Sul, levantam novas possibilidades sobre a existência de vida no subsolo em outros planetas e luas.

Minhocas inteiras foram encontradas em duas minas e o ADN de outra foi encontrado numa terceira mina. Estes seres foram encontrados na água que flui dos poços, nas rochas das minas, a uma profundidade de dois terços de um quilómetro. As minhocas que se encontravam mais perto da superfície foram levadas para laboratório para um estudo mais profundo.

Onstott Tullis, da Universidade de Princeton
Os dois investigadores a cargo da expedição, Gaetan Borgonie, da Universidade de Ghent, na Bélgica, e Onstott Tullis, da Universidade de Princeton, afirmam que a descoberta de vida a este nível de profundidade é como procurar "Moby Dick no Lago Ontário".

Borgonie, que trabalha em cooperação com uma equipa da Universidade da África do Sul Free State, em Bloemfontein, desceu às minas profundas cerca de 25 vezes para recolher amostras. Afirma ainda que há boas razões para acreditar que existem nematóides e outros organismos multicelulares, abaixo da superfície de muitas outras partes do mundo e, especialmente debaixo dos leitos dos oceanos.

Chamadas de "minhocas do inferno" ou nematóides, estas criaturas são seres com uma complexidade multicelular bastante surpreendente, uma vez que têm sistema nervoso, digestivo e reprodutor. "Isso está a dizer-nos algo novo", afirma Onstott, pioneiro na compreensão da vida microbiana.

Mephisto Halicephalobus é o nome cientificamente correcto para estes seres subterrâneos que foram encontrados num poço de água a cerca de um quilómetro abaixo da superfície na mina de ouro Beatrix, na África do Sul.

Gaetan Borgonie, da Universidade de Ghent,
na Bélgica
"Para uma criatura relativamente complexa, como um nematóide, penetrar tão profundamente é simplesmente incrível", acrescenta o pesquisador, citado pelo "The Washington Post".

Nas últimas décadas, a investigação sobre a distribuição microbiológica no subsolo do planeta levou os cientistas de todo o mundo a concluir que mais de metade da massa biológica na Terra está abaixo da superfície.

A pesquisa levada a cabo pelos investigadores é susceptível de desencadear alguns desafios para os cientistas em todo o mundo, causando até alguma polémica, pois coloca vida com grande complexidade em ambientes nos quais se tinha pensado que era impossível.

Borgonie afirma que apesar de já serem conhecidos estes seres vivos no fundo do oceano nunca tinham sido encontrados a mais de 10 ou 20 metros abaixo da superfície da Terra.

Apesar disso, o investigador afirma que nunca viu uma razão para que os nematóides não fossem encontrados a grandes profundidades.

Além de descobrirem um novo campo da biologia na Terra, os dois investigadores acreditam que esta pesquisa pode ter implicações bastante importantes para a investigação extraterrestre ou para a astrobiologia.

Os cientistas que procuram vida fora da Terra estão intrigados com a possibilidade de existirem seres semelhantes no subsolo de Marte, em particular, pois apesar de agora ser um planeta frio, seco e bombardeado por radiações nocivas já foi um planeta muito mais húmido, quente e melhor protegido por uma atmosfera.

"O que descobrimos mostra que condições adversas não excluem necessariamente complexidade", disse Borgonie, citado pelo "The Washington Post".

Carl Pilcher, director do Instituto de Astrobiologia da NASA, na Califórnia, considera que a descoberta dos nematóides revela a utilidade da investigação na Terra, permitindo aprender sobre a possibilidade de vida extraterrestre.

"É bastante plausível, na verdade, muito provável, que os ambientes do subsolo como os descritos nestes documentos, existam em outros planetas do sistema solar e em outros sistemas planetários", disse Pilcher, referindo-se às descobertas de Onstott.

"Podemos agora dizer que os mundos com este tipo de ambientes subterrâneos, podem, em teoria, desenvolver vida no subsolo, tanto microbiana como multicelular", disse Pilcher. "Estes conhecimentos podem ajudar-nos a orientar o desenvolvimento de missões e experiências para o estudo de outros mundos", acrescentou.

Fonte: www.jn.pt


OVNIs - Verdade Guardada em Segredo

Único em seu gênero no país, o “Centro Ufológico da Suíça Italiana” 
(CUSI) coleta e analisa os testemunhos de manifestações incomuns.

Um OVNI no cantão de Zurique. Para o CUSI,
a imagem pode ser considerada autêntica.
(CUSI)
Segundo a diretora do centro, Candida Mammoliti, há evidências suficientes para provar que a vida extraterrestre não é apenas coisa de ficção científica.

A notícia saiu em vários jornais da Suíça: durante uma noite do outono de 2008, um objeto voador extremamente luminoso foi visto acima de Claro, perto de Bellinzona, no Ticino (sul).

Entre as numerosas testemunhas, um político local, Pierre Rusconi, que diz ter visto "a coisa" se deslocando no céu a uma velocidade três vezes maior que a de um avião. Logo depois, informaram que naquele mesmo dia, a Estação Espacial Internacional (ISS) havia passado sobre a região. Para alguns, o misterioso objeto podia ter sido um meteorito.

Se o aparecimento em questão pode ser explicado de forma racional, existem vários outros casos em que uma pessoa comum se depara com fenômenos claramente anormais, explica à swissinfo.ch Candida Mammoliti, diretora do CUSI. "Se um objeto flutua, muda a forma ou se move em uma velocidade exorbitante, estimada entre 30 a 40 mil quilômetros por hora, podemos supor, com boa razão, que se trata de movimentos inexplicáveis".

"Qualquer piloto militar ou companhia aérea pode dizer que é impossível fazer uma curva de 90 graus. No entanto, nos documentos que foram coletados, vemos que essas coisas acontecem."

Avistamentos em alta

Criado em 1995, o centro privado CUSI registrou até agora 400 casos de OVNIs. "Nós trabalhamos de forma científica: para cada avistamento preenchemos uma ficha e, em seguida, procedemos a uma avaliação", afirma Mammoliti.

Segundo a diretora do observatório de extraterrestres, a maioria dos relatos são facilmente explicados por fenômenos atmosféricos ou astronômicos. Ou porque a pessoa confundiu um avião com algo desconhecido. "Em outros casos, no entanto, estamos claramente diante de um OVNI, um objeto voador não identificado. Nesse caso, apuramos para ver se é uma matriz não-terrestre”.

Para a avaliação técnica de fotografias e imagens de vídeo, o centro é aconselhado por técnicos de informática, pilotos e funcionários do Centro ufologico nazionale da Itália.

A impressão, diz Mammoliti, é que nos últimos anos os avistamentos estão aumentando. "Talvez as pessoas estejam um pouco mais atenciosas ou comunicam mais facilmente suas próprias experiências. Deve ser dito que a testemunha de um avistamento hesita muitas vezes em falar sobre isso, com receio de ser ridicularizada. É uma pena que as reações sempre falam de alucinações e falsas interpretações".

Os círculos nas plantações
de trigo em Silbury Hill,
na Inglaterra. (CUSI)
Anomalias no trigo

Para a grande parte do mundo científico, político e da opinião pública todos os fenômenos até agora classificados como "alienígenas" são perfeitamente explicáveis: das estranhas formas geométricas feitas em plantações às formações luminosas no céu, do incidente de Roswell aos mistérios do Triângulo das Bermudas. Mas será que estamos realmente certos?

Para Candida Mammoliti, trata-se de tentar esconder algo "difícil de explicar, mas que diz respeito a todos”. E não faltam provas para isso. "Há vestígios de aterrisagens e inúmeros testemunhos de pessoas credenciadas: pilotos, astronautas, cientistas, físicos nucleares e políticos, reunidos desde 1947, ano em que o piloto americano Kenneth Arnold relatou pela primeira vez publicamente ter visto um OVNI".

"Tem também o caso do coronel da força aérea americana Philip Corso, que autentificou a autópsia realizada em criaturas recuperadas depois do acidente em Roswell, em 1947." E os famosos círculos em plantações? Os partidários da mensagem extraterrestre ficaram contrariados com as revelações dos dois aposentados ingleses que admitiram ter realizado a farsa. "Na origem de muitos círculos - diz Cândida Mammoliti - há realmente pessoas, é inegável. Fomos, no entanto, até a Inglaterra para examinar de perto estas formações. As descobertas foram extraordinárias”.

"O trigo dobrado apresentava anomalias. Os grãos pareciam atrofiados, deformados em alguns casos. Os caules foram dobrados na mesma altura e tinham os nódulos inchados. Uma pessoa pode fazer um círculo na plantação, mas não pode alterar a estrutura do vegetal." Nenhuma ameaça vinda do espaço.

Para reforçar a crença daqueles que acreditam na existência de seres extraterrestres, o site do FBI publicou, há algumas semanas, os documentos relacionados com o caso e considerados confidenciais. Segundo uma fonte citada em um documento da força aérea americana de 1950, foram encontrados em Roswell (Novo México) três discos voadores ocupados por "três corpos de forma humanóide de pelo menos um metro de altura e vestidos com um tecido metálico”. Candida Mammoliti prefere, no entanto, ser cautelosa. "Não sabemos se são documentos verdadeiramente autênticos”.

Porém, o que é certo, argumenta, é que os governos do mundo estão interessados em fenômenos extraterrestres. Um deles seria o da Suíça. "Luc Bürgin é um ufólogo de Basileia. Em um de seus livros foram publicados documentos da força aérea suíça dos anos 70, que se referem a relatórios detalhados de avistamentos.

Assim, pelo menos no passado, esses fenômenos eram estudados nas instalações militares da Suíça." "Eu acho que a força aérea está ciente desses fenômenos - afirma Mammoliti - mas não se interessa muito pelo assunto. Para as forças armadas, o mais importante é a garantia da segurança nacional e os OVNIs não são, de forma alguma, uma ameaça."

Os OVNIs, ou mais especificamente a vida extraterrestre é sem dúvida uma das questões que durante séculos tem dividido opiniões. Dos Maias até hoje, a questão OVNI foi tema de diversas publicações, imagens e debates.

Luigi Jorio, swissinfo.ch
Adaptação: Fernando Hirschy


quinta-feira, 2 de junho de 2011

A Fraternidade das Religiões

Annie Wood Besant

Theosophical Publishing House
Adyar, Madras, Índia

Primeira Edição em fevereiro de 1913
Reimpresso em outubro de 1919

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Um leitor, refletindo por um momento a respeito do título acima, poderia muito bem declarar: "Bem! O que quer que sejam as religiões, o mais certo é que elas não são fraternais". E é uma infeliz verdade que se analisarmos a história religiosa do passado recente encontraremos mui escassa fraternidade; antes veremos religião combatendo religião, disputando pela supremacia e esmagando suas rivais até a morte; as guerras religiosas tem sido as mais cruéis; as perseguições religiosas tem sido as mais impiedosas; cruzadas, inquisições, horrores de toda sorte, mancham com sangue e lágrimas a história das contendas religiosas; pareceria uma pilhéria, por entre campos de batalha ensangüentados e tenebrosas chamas de incontáveis fogueiras, tagarelar sobre a "Fraternidade das Religiões"!

Não só entre as religiões é que a luta contínua acontece. Mesmo dentro da esfera de uma única religião formam-se seitas, que amiúde empreendem guerras entre si. O Cristianismo se tornou proverbial entre as nações não-Cristãs por causa dos ódios mútuos dos seguidores do "Príncipe da Paz". Católicos Romanos e Anglicanos, Luteranos e Calvinistas, Wesleyanos, Batistas, Congregacionistas, etc, tumultuam a paz das nações por suas furiosas controvérsias. A Grã-Bretanha e a Irlanda pagam hoje a herança de ódio gerada pelos danos cruéis infligidos sobre os Católicos Romanos pelo terrível código penal criado por um Parlamento Protestante; hoje em dia (1907) o Reino Unido se precipitou em uma grande querela constitucional por causa dos ódios entre Anglicanos e Não-Conformistas, que não são capazes de concordar nem mesmo sobre uma base mínima de ensinamento Cristão comum que poderia ser ensinado nas escolas nacionais às crianças de todos os Cristãos. A França está dividida em duas e sob ameaça de guerra civil como resultado da vingança dos Livres-Pensadores sobre a Igreja Católica Romana por causa dos males que esta lhes causou em seus dias de supremacia. Na Bélgica os assuntos políticos são decididos pela maioria ora clerical ora anticlerical. O Islã tem as acirradas lutas entre os Xiitas e os Sunitas, ao passo que ambos se unem para denunciar o infiel Sufi. Mesmo no Hinduísmo há hoje os lados fanatizados dos Vishnuítas e dos Shivaítas, que se denunciam mutuamente com uma bitolação imitada dos exemplos missionários. A controvérsia religiosa se tornou o protótipo do que há de mais amargo e não-fraterno nas lutas do homem contra homem.

Mas não foi sempre assim. O antagonismo entre as religiões é uma planta que cresceu só há pouco, a partir da semente de uma reivindicação essencialmente moderna - a de que apenas uma única religião é a especial e que somente ela é inspirada. No mundo antigo havia muitas religiões, e em sua maior parte a religião era coisa nacional, de modo que o homem de uma nação não tinha o desejo de converter o homem de outra nação. Cada nação tinha sua própria religião, assim como tinha suas próprias leis e seus próprios costumes, e os homens nasciam e permaneciam no credo de sua terra natal. Daí que, se olhamos para a história do mundo antigo, ficamos surpresos com a raridade das guerras religiosas. Mesmo quando os Hebreus invadiram a Palestina e mataram os habitantes idólatras da região, isso foi antes uma guerra de conquista, causada pela cobiça comum, e uma guerra entre Javé, seu Deus particular, e os Deuses do povo invadido; de fato, a antiga tendência geral de assimilar na sua própria religião os Deuses das tribos conquistadas se apresentou muitas vezes na sua história; esta tendência foi acidamente denunciada pelos profetas, não como uma heresia, mas como uma apostasia nacional de sua própria Deidade particular, que os havia libertado da tirania do Egito e conquistado a Palestina para eles. Além disso, observaremos que, dentro de uma única religião, havia muitas escolas de pensamento que coexistiam sem ódio. O Hinduísmo tem seus seis darshanas - seis "pontos de vista" - e mesmo que os filósofos disputem e debatam, e que cada escola defenda sua própria posição, não há falta de sentimento fraterno, e todos os filósofos ainda são ensinados dentro da uma mesma tol ou pâthashâlâ - escola religiosa. Até em um mesmo sistema filosófico, o Vedânta, há três subdivisões reconhecidas - Advaíta, Vishishtâdvaíta, e Dvaíta - diferindo no mais fundamental dos ensinamentos: a relação entre Deus e o espírito individual - mas todas convivem lado a lado, e os colegas da mesma escola aprendem uma, duas ou as três sem atacar a ortodoxia alheia. Uma pessoa pode pertencer a qualquer uma das três, ou a nenhuma delas, e ainda continuar sendo um bom Hinduísta, embora, como disse antes, nos tempos modernos o sectarismo religioso tenha se tornado mais acirrado.

No poderoso Império da Roma Antiga todos os credos eram bem-vindos, todas as religiões eram respeitadas, e mesmo honradas. No Panteão - o templo de todos os Deuses - de Roma eram encontradas as imagens que simbolizavam os Deuses de todas as nações súditas, e os cidadãos romanos demonstravam reverência a todos. E se uma nova nação entrava na órbita do Império, e se esta nação adorava uma forma de Deus diversa daquelas já cultuadas, as imagens ou símbolos dos Deuses da nova nação-filha eram trazidos para o Panteão da Pátria-Mãe com toda a honra, onde eram entronizados com reverência. Assim, todo o mundo antigo era todo permeado pela idéia liberal de que a religião era um assunto de caráter privado ou étnico, onde ninguém tinha o direito de interferir. Deus estava em toda parte, em todas as coisas; que importava a forma sob a qual era adorado? Ele era um só Ser invisível e eterno, com muitos nomes; que importava o título pelo qual era invocado? A palavra de ordem da liberdade religiosa do mundo antigo ressoa na esplêndida declaração de Shri Krishna: "Por quaisquer caminhos que os homens tomem para se aproximar de Mim, ali mesmo Lhes dou as boas-vindas, pois de todos os lados todos os caminhos são Meus".

A primeira vez em que a perseguição religiosa manchou os anais da Roma Imperial foi quando o jovem Cristianismo entrou em conflito com o Estado, e derramou-se o sangue de Cristãos, não como sectários religiosos, mas como traidores políticos, e como perturbadores da paz pública. Eles reivindicaram supremacia sobre as antigas religiões, e assim provocaram ódios e tumultos; eles atacaram as religiões que até então haviam vivido em paz lado a lado, declarando que só eles estavam certos, e os outros todos, errados; eles suscitaram o ressentimento por causa de sua atitude agressiva e intolerante, causando distúrbios aonde quer que fossem. E pior ainda, deram origem a suspeitas mais sérias a respeito de sua lealdade ao Estado, ao se recusarem a tomar parte na cerimônia usual de espargir incenso no fogo que ardia diante da estátua do Imperador reinante, e denunciaram a prática como idólatra; Roma viu sua soberania ameaçada pela nova religião, e o mesmo tempo que era largamente tolerante para com todas as religiões, era duramente intolerante contra qualquer insubordinação política. Foi como rebeldes, e não como heréticos, que ela lançou Cristãos aos leões, e os expulsou de suas cidades para que vivessem em cavernas e nos desertos.

Foi essa reivindicação do Cristianismo, a de ser a única religião verdadeira, que deu origem às perseguições religiosas, primeiro do Cristianismo, e depois por ele. Pois enquanto a sua religião é sua e a minha é minha, e ninguém pretende impor a sua religião sobre o outro, não pode surgir nenhum motivo de perseguição. Mas seu eu digo: "Sua concepção de Deus está errada e a minha está certa, só eu tenho a verdade, e só eu posso apontar o caminho da salvação; se você não aceitar minha idéia encontrará a danação"; então, logicamente, se eu pertenço à maioria, devo virar um perseguidor, pois é mais interessante assar heréticos aqui do que permitir que espalhem suas heresias, danando a si mesmo e a outros para sempre. Se, porém, sou da minoria, provavelmente serei perseguido por homens que não tolerarão tão prontamente a arrogância de irmãos que não lhes permitem olhar para os céus senão através de seu próprio telescópio especial.

De perseguido o Cristianismo passou a dominante, e arrebatou o poder do Estado. A aliança entre Estado e Igreja tornou meio políticas as perseguições religiosas. A heresia na religião se tornou deslealdade; a recusa em crer da mesma forma que o Chefe de Estado se tornou traição contra aquele Chefe; e assim foi escrita a triste história da Cristandade, uma história que todos os que amam a Religião - sejam Cristãos ou não - devem ler com vergonha, com tristeza, e quase com desespero. E como a "Divindade que modela nossos fins" determinou a ruína nacional como o mau fruto da falta de fraternidade em religião! A Espanha empreendeu uma feroz perseguição contra os Mouros e os Judeus; ela os queimou aos milhares, os torturou e mutilou; quando cansou de assassínios ela os exilou, e suas estradas ficaram coalhadas de cadáveres ao longo daquele grande êxodo, cadáveres de velhos, de mulheres, de mães com bebês, de crianças pequenas; as lágrimas, os gritos dos fracos que ela esmagou tão impiedosa, se tornaram os Vingadores que a levaram à ruína, e ela caiu de sua posição de Senhora da Europa para o Poder negligenciável que é hoje.

O Islã contraiu do Cristianismo a doença mortal da perseguição, e esqueceu os sábios ensinamentos de Alá para seguir o mau caminho do assassínio do infiel. O nome de Maomé, o Misericordioso, foi usado para afiar as espadas de seus seguidores, e na Índia a queda do Império Mogul nasceu dos gritos dos agonizantes, mortos por sua fé em Aurangzeb. Na Índia, assim como na Espanha, a perseguição religiosa resultou em desastre político. Por isso a necessidade de fraternidade é encarecida pela destruição que resulta da falta de fraternidade. Uma lei da natureza é provada tanto pela destruição de tudo o que se lhe opõe como pela permanência de tudo o que se harmoniza com ela.

A multiplicidade de credos religiosos seria uma vantagem, e não um prejuízo, para Religião, se as religiões fossem uma fraternidade em vez de um campo de batalhas. Pois cada religião tem uma peculiaridade própria, algo de especial que as outras não têm para dar ao mundo. Cada religião pronuncia uma letra do grande Nome de Deus, o Um sem outro, e este Nome só será pronunciado quando todas as religiões emitirem a letra que lhes foi dada para emitir, em melodiosa harmonia junto com o resto. Deus é tão grande, tão ilimitável, que nenhum cérebro humano, por maior que seja, nenhuma religião, por mais perfeita que seja, é capaz de expressar Sua perfeição infinita. É preciso um universo em sua totalidade para espelhá-Lo, ou melhor, universos incontáveis não bastam para esgotá-Lo. Uma estrela pode falar de Sua Radiância, Ele que é o Sol de tudo; um planeta, girando em ritmo constante, pode falar de Sua Ordem. Uma floresta pode sussurrar Sua Beleza; uma montanha, Sua Força; um rio, Sua Vida fertilizadora; um oceano, Sua Mutabilidade imutável; mas nenhum objeto, nenhuma beleza de forma, nenhum esplendor de cor, nem mesmo o coração do homem onde Ele habita, pode expressar as múltiplas perfeições deste Ser de riqueza infinita. Em cada objeto, em cada tipo de vida, se vê apenas um fragmento de Sua Glória, e somente a totalidade das coisas, passadas, presentes e futuras, pode representar, com sua infinitude, a Sua Infinitude.

Da mesma forma uma religião só pode expressar alguns aspectos desta Existência multifacetada. O que o Hinduísmo diz ao mundo? Ele diz DHARMA - lei, ordem, crescimento harmônico e regrado, o lugar certo para cada um, o dever correto, a obediência correta. O que diz o Zoroastrianismo? Diz PUREZA - pensamento, palavra e ato imaculados. O que diz o Budismo? Diz SABEDORIA - o Conhecimento todo-abrangente, esposado ao perfeito Amor, amor ao homem, serviço à humanidade, Compaixão perfeita, a condução do mais baixo e do mais fraco para dentro dos ternos braços do próprio Senhor do Amor. O que diz o Cristianismo? Ele diz AUTO-SACRIFÍCIO, e tem na Cruz seu mais caro símbolo, a lembrar que onde quer que um Espírito humano crucifique a natureza inferior e se erga ao Supremo, ali refulge a Cruz. E o que diz o Islã, a mais jovem das grandes Fés mundiais? Ele diz SUBMISSÃO - auto-entrega à Vontade única que rege os mundos; e vê aquela Vontade em toda a parte, de modo que não pode entender as pequenas vontades humanas que vivem senão quando elas se fundem n'Ela.

Não podemos permitir que se perca uma só destas palavras que resumem as características de cada grande Fé; assim, mesmo reconhecendo as diferenças entre as religiões, as reconheçamos também para podermos aprender, antes de criticá-las. Que o Cristão nos ensine o que tem a ensinar, mas que não se recuse a aprender de seu irmão Islamita, ou de seu irmão de qualquer outro credo, pois cada um tem algo a aprender, e também algo a ensinar. E, em verdade, melhor prega sua religião aquele que a torna seu poder motivador, em amor a Deus e serviço ao homem.

Analisemos em detalhe o porquê de não devermos disputar, à parte destes princípios gerais. Isso pode ser resumido em uma única frase: Porque todas as grandes verdades das religiões são uma propriedade coletiva, e não pertencem com exclusividade a nenhuma Fé. Por isso não se ganha nada de vital ao trocarmos de religião. Não precisamos percorrer todo o campo das religiões do mundo a fim de encontrarmos as águas da verdade. Cavemos no campo de nossa própria religião, mais e mais fundo, até encontrarmos jorrando, pura e copiosa, a fonte da água da vida.

Será mesmo verdadeira a frase acima, sobre a universalidade das verdades religiosas, ou se trata apenas de palavreado? Podemos seguir quatro linhas de estudo a fim de provarmos que é um fato: os Símbolos comuns a todas; as Doutrinas comuns; as Lendas comuns, e a Moralidade comum a todas. Cada uma destas linhas poderia ser uma seção de todo um livro intitulado A Fraternidade das Religiões, mas em uma palestra, ou num artigo, elas só podem ser abordadas superficialmente, com a esperança de que o ouvinte ou o leitor consulte uma biblioteca depois de o esboço ter-lhe sido apresentado, e faça ele mesmo o estudo que só foi delineado esquematicamente.


Símbolos

Em toda a parte, nos templos, tumbas e outros edifícios das religiões vivas e mortas, encontram-se os mesmos símbolos.

Tomemos a Cruz. Que a Cruz foi usada em todo o mundo como símbolo religioso muito antes do tempo de Jesus, chamado de o Cristo, já não é matéria de debate, mas de constatação comum. A pesquisa arqueológica já estabeleceu isso quanto ao passado, e a observação durante viagens o estabelece quanto ao presente. O povo etrusco já era antigo antes da Roma infante nascer. As tumbas etruscas pertencem a um tempo tão remoto que, quando algumas delas foram abertas em nossos dias, somente a primeira pessoa que as penetrou pôde vislumbrar o perfil de um corpo, antes que este se desintegrasse em pó impalpável por causa do afluxo de ar. Mas embora o corpo da pessoa virasse pó, seus artefatos sobreviveram, e vasos junto aos pés, jarros e salvas e outros objetos falam de sua Fé: nestes antigos exemplares de cerâmica foi traçada a cruz, dizendo que aquele homem, cujo corpo se desvaneceu em poeira invisível, havia morrido na certeza da vida imortal, triunfante sobre a morte. Do Egito - onde ela está gravada em obeliscos, pintada em câmaras mortuárias onde múmias jazem em seus sarcófagos, afrescada em paredes de templos - ela viajou para leste através da Assíria, Caldéia e Índia, até a China. Tabuletas assírias, cerâmica caldéia, templos indianos e chineses, empregam a cruz como um precioso símbolo da vida. Viajou também através do Pacífico até a América; existe no México, onde os antigos templos maias e quíchuas estão sendo desenterrados por exploradores incansáveis, e ali se vê mais uma vez reproduzida a cruz em sua forma egípcia. Atravessando novamente o Atlântico, chegou à Escandinávia, e nas antigas sagas se ouve falar do Martelo de Thor, mais uma vez a cruz. Deixemos os edifícios puramente religiosos e passemos ao Templo Maçônico, o tesouro do simbolismo antigo, e ali, trazida do antigo Egito, está a Cruz sobre a Rosa - a Cruz, símbolo da vida; a Rosa, símbolo da matéria e igualmente símbolo do mistério. E mais, o próprio símbolo do R.W.M., gravado ou usado como jóia, não passa da Cruz Svástika dobrada sobre si mesma até adquirir aquela forma.

Por que a Cruz é assim tão universal? Porque é o sinal do Espírito triunfando sobre a matéria, modelando-a, conformando-a, forçando-a a receber sua marca. É o símbolo do poder criativo, do Deus Supremo sacrificando a Si mesmo dentro das limitações da matéria, assim como em dias mais recentes e desespiritualizados se tornou o símbolo do poder criativo no pólo inferior do ser, em vez de no pólo superior. Pois a cruz como símbolo fálico, como tanto se tornou nestes últimos tempos, é apenas a cruz arrastada do céu para a terra; assim como, em verdade, o poder criativo nos homens, animais e plantas, é o reflexo, na matéria densa, da Vida Universal de onde todos nós nascemos. O mais santo dos poderes, em verdade, embora degradado aos seus usos mais vis. E a cruz significou também, através de uma fácil transição, o seguro renascimento da vida além da tumba ou da pira, a certeza da imortalidade. Quem, então, pode dizer, em qualquer sentido exclusivo, "a Cruz é minha"? Minha sim, quando incluir a tudo. Minha, quando não excluir nada.

E o duplo Triângulo, um voltado para cima e outro para baixo? Ele é tão universal quanto a Cruz, simbolizando o entrelaçamento do Espírito e da Matéria, do fogo e da água do mundo antigo. E a Estrela de cinco pontas, que é a Jóia no Lótus, o Eu no homem? E a Estrela de sete pontas, e a de nove? E o Círculo com um ponto no centro, ou com uma Cruz inscrita, ou com uma Cruz acima ou abaixo dele? E o Olho, sozinho ou dentro de um Triângulo? E o Lótus, ou o Lírio, de Vishnu e da Virgem Maria? E o Disco giratório, ou relâmpago, da China, Japão, Índia, Tibete, Grécia, Roma e Escandinávia? E a Serpente - do Bem e do Mal - e o Dragão, e a Fruta, e a Árvore? Mas o tempo é escasso para mencionar sequer um décimo de todos os símbolos gerais, comuns à mais remota antigüidade da qual permanecem traços e à mais recente igreja construída pelo mais moderno arquiteto. E isso que não falei nada do simbolismo dos ritos e cerimônias, da tonsura, da sobrepeliz, da estola e da capa; da mão erguida com dois dedos e o polegar se tocando, gesto usado pelo Papa e pelo sacerdote pagão; do cerimonial dos gestos, das aspersões simbólicas - e de uma hoste infindável de detalhes.

Não existe senão Um Deus, uma só Natureza, e uma só Religião. E o simbolismo é a linguagem geral com que todas as religiões falam de sua origem a partir da religião única, a RELIGIÃO-SABEDORIA, a RELIGIÃO-MUNDIAL, antiga mas sempre nova, e com que também contam as verdades perenes sobre Deus e a Natureza, motivo pelo qual foram instituídas pelos Irmãos Mais Velhos da Humanidade. O simbolismo é a linguagem comum, e nenhuma religião que o emprega - e todas o empregam - pode reivindicar ser especial.


Doutrinas Comuns a Todas

Passemos à análise das doutrinas que são comuns a todas as grandes religiões, e descobriremos que as verdades fundamentais sobre onde cada religião é erguida formam uma mesma estrutura básica.

Quais são estas doutrinas principais? A Unidade de Deus; a Trindade da manifestação divina; as Hierarquias suprafísicas e seus mundos; a Natureza do Homem; sua Evolução; as grandes Leis. Há outras, mas neste breve sumário devo me limitar às mais importantes.

1 - A Unidade de Deus. Qual religião pode reivindicar um monopólio desta doutrina? Pergunte ao Hinduísta e ele responderá: "Só existe Um, não há outro". Pergunte a um Parsi, e ele falará de Zarvan Akarana, o Ilimitado. Pergunte ao Judeu, e ele dirá: "Ouve, oh Israel! O Senhor nosso Deus é Um". Pergunte ao Budista, e ele falará do Um, incriado, universal, de onde vêm a criação e os particulares. Pergunte ao Cristão e ele responderá "Só há um Deus". Pergunte a um filho do Islã, e ele bradará "Só Deus é Deus, e não há nenhum outro". Os grandes doutores do Islã e os grandes pândits Vedânta do Hinduísmo discorrem exatamente nas mesmas linhas sobre a Existência universal única, e estes arrazoados formam uma das pontes entre o Hinduísmo e o Islamismo por onde, esperamos, muitos pés poderão passar em dias vindouros. As religiões, em face destas declarações categóricas de cada uma, não podem disputar sobre a questão da unidade. Tudo o que podem fazer é vestir a grande verdade única em roupagens diferentes, e rotulá-la como nomes diferentes. Mas um homem permanece o mesmo homem quando muda seu casaco, e uma verdade permanece a mesma verdade, embora expressa em línguas diversas. Cada religião tem sua própria língua, e as variedades de língua mascaram a identidade de crença.

2 - A Trindade da Manifestação Divina. A que religião pertence com exclusividade o ensinamento sobre a Trindade? Neste ponto as religiões mortas do passado reforçam as religiões vivas do presente - como de fato o fazem todas as verdades básicas. O filósofo Hindu diz: Sat, Chit, Ânanda; a voz popular proclama: Brahmâ, Vishnu, Mahâdeva. O Budista fala de Amitâbha, a Luz Ilimitada, Avalokiteshvara e Manjusri; O Parsi, de Ahura-Mazda, Spento e Angro-Mainyush, e Armaiti; o Hebreu, de Kether, Binah e Chockmah; O Cristão, do Pai, Filho e Espírito Santo. O Muçulmano, por razões históricas óbvias, não se junta ao coro; ele diz "Ele não engendra, nem é engendrado", aludindo ao ensinamento Cristão; mesmo assim no Corão rebrilham os atributos de o Poderoso, o Misericordioso, o Sábio, tão característicos da triplicidade do Ser. Esta triplicidade é melhor acompanhada mantendo-se claras na mente as marcas características de cada aspecto - do primeiro, a Fonte da Eterna Beatitude, a Auto-existência, o Poder; do segundo, a Fonte da Consciência, de onde procedem as encarnações; do terceiro, a Mente Criativa ativa que dá existência ao universo.

3 - As Hierarquias Suprafísicas e seus Mundos. Aqui a diferença de língua, de expressão, mencionada antes, tem dado origem a muitas concepções equívocas. No Ocidente, Deus e seus equivalentes sempre significam o Um, sendo, além disso, declarado pelo Cristianismo que cada uma das Três Pessoas da trindade é Deus, formando em sua totalidade um só Deus, e não três; há uma unidade de natureza com uma diversidade de características. Mas esta palavra Deus jamais é aplicada no Ocidente às vastas Hierarquias suprafísicas que povoam os degraus superiores da escada do Ser. Eles são os Arcanjos, Anjos, Querubins, Serafins, Potestades, venerados, invocados, muitas vezes cultuados, mas sempre reconhecidos como ministros, como agentes do Supremo. Estes seres são conhecidos pelo Parsi como os Ameshaspentas e suas hostes; pelos Hebreus e Maometanos como Anjos; pelos Hindus e Budistas como Devas - literalmente Seres Brilhantes, um epíteto descritivo de fato adequadíssimo. Infelizmente os Ocidentais têm traduzido a palavra Deva como Deus, e por isso temos os trinta e três milhões de Deuses, sobre os quais os ignorantes fazem troça. A palavra Brahman é o verdadeiro sinônimo da palavra Deus, e Deva o é de Anjo. Todo leitor de literatura inglesa sabe que John Bunyan, em seu Pilgrim's Progress, usa este mesmo termo, os Seres Brilhantes, para designar os Anjos; e esta é a palavra natural para qualquer vidente usar, tendo-os visto fulgurar através do empíreo em suas missões de administração, de socorro e de libertação. O Deva, para o Hinduísta e o Budista, é exatamente o mesmo que o Arcanjo e o Anjo do Cristão e do Muçulmano, e sua existência não tira nada da unidade de Deus em um caso mais do que no outro. Se fôssemos seguir esta linha de argumento poderíamos da mesma forma supor que os Vice-reis, os Juízes, os Magistrados, os Comissários, os Generais e os Almirantes do Império diminuem a autoridade suprema do Rei-Imperador, como os Devas diminuiriam a supremacia de Deus. Eles apenas administram as leis da natureza, auxiliam os homens, mulheres e crianças, salvam-nos de muitos perigos e os encorajam em muitas aflições; não é que eles sejam Deus - a não ser que neste sentido também sejamos Deus - mas que Deus está neles assim como em nós, e só podem entender o politeísmo dos Hinduístas e Budistas aqueles que percebem que "é por causa do Eu que o Deva é amado". Quão miserável, quão solitário seria o mundo se só houvesse as inteligências do homem e de Deus! Quão vazio seria, não fosse por estes Seres Brilhantes que ocupam cada degrau da escada acima de nós! Há uma vasta escada de consciência desde o mineral até o Senhor do Universo, e estamos em determinado nível nesta escada, não diferindo em essência daqueles acima ou abaixo de nós. Os Devas não perturbam, mais que os homens, a unidade de Deus.

É fato que os Hinduístas e os Budistas, assim como os Católicos Gregos e Romanos, tiram partido do ministério dos Anjos, e invocam estes Ministros divinos. Por que não? O Anjo, o Deva, encarna um fragmento do Eu Universal, e a luz de Brahman brilha através dele. Será errado que os frágeis rebentos de piedade, amor e culto no mais ignorante, mais tolo e mais subdesenvolvido dos filhos do Pai Universal, cresçam debaixo da forma radiosa de alguma Inteligência benévola, mais prontamente compreensível, mais facilmente adorável do que o Eu Onipresente? Idolatria? Ah, não! Não no mau sentido; a idolatria errada é adorar o eu separado; a idolatria certa é adorar o Eu Universal sob qualquer forma que estimule a inteligência, que avive o coração.

Os mundos das Hierarquias são os mundos mais sutis que o físico, imperceptíveis pelos sentidos físicos. Os livros Hindus e Zoroastrianos falam extensamente destes mundos e deles dão muitas descrições. O Buda nos fala que viu estes mundos, "o mundo abaixo, com todos os seus espíritos, e os mundos acima". Os Cristãos e Muçulmanos acreditam em um céu e um inferno, e suas escrituras falam disso. Não vale a pena nos estendermos em fatos tão bem conhecidos.

4 - A Natureza do Homem. O homem é divino, em sua essência mais íntima é um Espírito, usando vestes de matéria. O Hindu proclama "Eu sou Ele". O Budista Chinês fala do "homem verdadeiro sem posição", o Espírito-jóia no lótus do corpo. O Fravarshi do Zoroastriano é o Âtmâ do Hindu. O Hebreu declara "Vós sois Deuses", e o Cristão proclama exultando que o corpo é o templo de Deus. O Muçulmano não fala tão claramente, mesmo assim temos a imortalidade claramente atribuída ao homem, e então quando lemos que "tudo perecerá salvo a Face de Deus" (Al-Corão, XXVIII) somos forçados a concluir que eles também reconhecem a identidade na natureza de Deus e do Homem.

E esta unidade transparece claramente no ensinamento Sufi: Jãmi declara:

Tu és o Ser absoluto; tudo o mais não passa de um fantasma,
pois em Teu universo todos os Seres são um.
Tua Beleza, que cativa o mundo, a fim de expressar suas perfeições
aparece em milhares de espelhos, mas é uma só.

No Gulshan-i-Raz lemos:

Tu és o olho da reflexão
enquanto Ele é a luz do olho...
quando olhas bem dentro da raiz da matéria,
Ele é o Vidente, e o Olho, e a Visão.

Às vezes se pergunta: "O homem tem um Espírito?" Não, não tem. Ele é um Espírito e possui um corpo. O corpo não possui o Espírito, mas o Espírito possui o corpo. Ele não é dono do Espírito, mas o Espírito é o senhor do corpo. O corpo é transitório, o Espírito é eterno; o corpo nasce e morre no mundo; o Espírito é não-nascido, é imortal. Se alguma vez observamos um moribundo, que conheceu sua própria natureza, e viu como o Espírito se rejubila na vida mais vasta e potente que se abre diante de si quando é descartado o peso da carne, devemos ter compreendido a verdade da frase que diz que não existe tal coisa chamada morte, em qualquer sentido real do termo. A morte é a passagem de uma sala para outra dentro da mansão do universo; a morte é a retirada de um pesado capote e a passagem para uma vida em traje mais ligeiro. Na morte o homem não perde nada de seus poderes espirituais, intelectuais e emocionais; ele não perde nada senão a carne. Nós somos Espíritos, Centelhas do Fogo Único, Raios de um Único Sol; estamos na imagem da eternidade de Deus; somos tão eternos quanto Ele.

5 - Sua Evolução. Aqui pode brotar uma pergunta dos lábios de alguém: "Não se pode dizer que as religiões ensinem o mesmo a este respeito. Como se pode reconciliar a reencarnação do Hinduísta com a criação especial de cada Espírito do Cristão?" Obviamente não se pode; a doutrina de uma criação especial para cada Espírito é moderna, antifilosófica e blasfema, e completamente indefensável. Mas posso alegar que até 533 dC o Cristianismo não negava a pré-existência do Espírito, e cabe aos Cristãos explicar por que negaram a antiga doutrina e impuseram uma heresia ao mundo Cristão. A doutrina da reencarnação - o desdobramento dos divinos poderes do Espírito através de uma série de veículos cada vez mais evoluídos e melhores - é uma doutrina comum a todas as antigas Fés. O Hinduísmo e o Budismo a ensinam, ou mais precisamente, fundamentam seus ensinamentos neste fato natural bem estabelecido. Os Egípcios baseavam nela suas concepções da vida pós-morte; Platão, Pitágoras e os mundos grego e romano a reiteravam. Os Judeus a ensinavam, como pode ser lido em Josephus, na Kabbala, e em outros lugares. Era a doutrina corrente no tempo de Jesus, e foi aludida por Ele em mais de uma ocasião; diversos Padres da Igreja a ensinaram; a doutrina permaneceu na Igreja Cristã entre algumas seitas como os Albigenses; reapareceu com força na Igreja da Inglaterra, nos séculos XVII e XVIII, e foi ensinada por clérigos desta Igreja assim como por leigos eruditos. Um pouco mais tarde Wordsworth cantou:

Nosso nascer é apenas dormir, é tão-somente olvidar..
E esta alma que vive em nós, de nossa vida a estrela,
já habitou noutro lugar
e bem de longe procede ela.

Mais uma vez, em nossos dias, esta doutrina está sendo pregada na Cristandade por clérigos da Igreja Fundamentalista. Há uma frase, acreditada pelos Cristãos ter sido dita por seu Mestre, que é de longe um argumento mais persuasivo do que o que emerge do significado de textos disputados: "Sêde, pois, perfeitos", ordenou Ele aos Seus discípulos, "assim como vosso Pai que está no céu é perfeito". Perfeitos assim como Deus é perfeito. Pretende-se que qualquer um de nós, frívolos, tolos, limitados, podemos - antes que o túmulo nos receba ou o fogo nos consuma - nos tornar tão perfeitos como Deus é perfeito, onisciente, todo-poderoso, todo-santo? Que palavras humanas podem abranger a descrição das perfeições do Supremo? Mesmo assim Jesus não hesitou em dizer "Sêde perfeitos assim como vosso Pai no céu é perfeito". Como este mandamento pode ser obedecido senão através de muitas, muitas vidas, ao longo das quais subimos lentamente na longa escada da perfeição?

Que nenhum Cristão, pois, deixe de reivindicar sua esplêndida herança como filho de Deus: que ele reclame seu direito de nascença de reproduzir a semelhança divina em si mesmo.

A posição do Muçulmano quanto à reencarnação é duvidosa: alguns sustentam que ela pode ser inferida do Corão, mas certamente ela não faz parte da educação religiosa Muçulmana comum. Mas no século XIII dC temos o dervixe Jelâl, cujos ensinamentos são preservados no Mesnavi, e ele diz:

Eu morri como mineral, e me tornei uma planta.
Eu morri como planta, e reapareci em um animal.
Eu morri como animal, e me tornei um homem.
Por que então devo temer? Quando é que me tornei menor ao morrer?
Da próxima vez eu morrerei como homem,
para que possa ganhar asas de anjo.
E mesmo do anjo devo esperar avanço; todas as coisas perecerão, salvo Sua Face.
Mais uma vez devo alçar meu caminho acima dos anjos;
E me tornar o que não cabe na imaginação,
e por fim me tornarei nada, nada; pois as cordas da harpa cantaram para mim:
"Em verdade havemos de voltar para Ele".

A posição do Zoroastriano também é dúbia neste ponto - alguns Parsis a afirmam, outros a negam; e somente podemos apontar para o fato de que o Zoroastrianismo é "uma religião em fragmentos", e dizer que esta doutrina é ensinada nos escritos gregos e neoplatônicos, que parecem reproduzir os ensinamentos Persas, depois da destruição da biblioteca de Persépolis por Alexandre.

6 - As Grandes Leis. Por "Grandes Leis" quero significar a Lei do Karma, ou de causa e efeito; e a Lei do sacrifício, ou de propagação e manutenção da vida.

A Lei do Karma é apresentada pela ciência nas seqüências invariáveis que ela chama de leis da natureza; o teólogo a chama de justiça divina. É a rocha sobre onde tudo é construído, o verdadeiro sustentáculo de todo o pensamento e de toda atividade. Ela prevalece em todos os mundos, densos e sutis; é uma lei universal. É bem clara no versículo Cristão: "Não vos enganeis, de Deus não se zomba; o que quer que um homem plante, aquilo é o que colherá" (Gálatas, VI, 7). Diz Buda: "Se um homem fala ou age com pensamento maligno, a dor o segue, assim como a roda segue as pegadas do boi que puxa o carro... Se um homem fala ou age com um pensamento puro, a felicidade o segue como a sombra que jamais o abandona". O Hinduísmo abunda em tais passagens, e elas podem ser colhidas em todas as escrituras.

A Lei do Sacrifício é a declaração do fato de que tudo o que vive, vive pelo sacrifício, forçoso ou voluntário, de outras vidas; que a Vida emanada do Supremo é o esteio do mundo. Nos reinos inferiores o sacrifício é compulsório - os minerais se desintegram para que a planta possa viver; as plantas, para que animais e homens vivam. No reino humano, com o grande crescimento da inteligência, se torna possível a associação voluntária da vontade individual com a Vontade universal. À medida que isso se torna mais completo se desdobra a vida espiritual, e por fim se realiza plenamente. O símbolo da Cruz encarna, para o Cristão, a vida ideal de sacrifício; e todo aspirante a Brahman, a Buda, ou a Cristo, trilha o Caminho da Cruz.

O estudante pode expandir este breve resumo em um livro, e quanto mais ele estudar, mais claramente transparecerá a Fraternidade de todas as Religiões, expressa através de suas Doutrinas Comuns.

Temos ainda de considerar as Lendas Comuns e a Ética Comum a todas elas.


As Lendas Comuns

Há certas histórias, que se contam sobre os Fundadores das Religiões, cujo perfil é semelhante em todas elas; esta identidade de linhas gerais se deve ao fato de que cada Fundador é visto como uma encarnação do Logos, e que o símbolo do Logos, em todos os credos, é o Sol.

De fato o Sol - a fonte da vida e da luz para os mundos deste sistema - é considerado nas antigas religiões como sendo o corpo do Logos, Sua forma manifesta no plano da matéria física, ao passo que nas religiões modernas o Sol é usado como símbolo do Senhor onipresente, imagem perfeita para Aquele que sustenta todos os mundos. A sempre repetida lenda do Sol, a história anual de nossa Terra, é a verdade fundamental, é o mito estruturador da manifestação física de todo Fundador de uma grande religião, e Suas vidas humanas sempre repetem o drama do Sol sobre o palco do mundo.

Esta declaração não vale quanto à religião do Islã, e a razão é evidente. O grande Profeta da Arábia é considerado pelos seus seguidores como sendo puramente humano, e não como uma encarnação do Logos, e eles pensam corretamente; mas em todas as religiões onde o Fundador é visto como uma encarnação divina reaparece o perfil do grande mito. Este fato tem sido usado como argumento para provar que os Fundadores não possuem existência histórica, mas isso é um equívoco. A vida histórica contém os elementos que reencarnam o mito, e da figura histórica fulgem os raios do Sol divino; não é que seja o Sol o Fundador, mas que ambos, Sol e Ele, são representantes físicos da vida central de um sistema mundial, e aquilo que o Sol é para seu sistema o Fundador é para Sua religião.

O Mitra da Pérsia tinha como ícone o Touro, assim como Osíris no Egito, porque o Touro era o signo zodiacal do equinócio vernal - a Ressurreição - quando a religião se estabeleceu; Oannes na Caldéia tinha o Peixe como símbolo, pela mesma razão; Júpiter era Júpiter Ammon; e Jesus era o Cordeiro, pela mesma razão.

O Fundador Divino nasce em um lugar secreto, assim como o fez Shri Krishna em uma prisão, e o Senhor Mitra em uma caverna, e o Senhor Jesus em uma gruta - mudada para estábulo nos relatos canônicos. Os mistérios de Adônis antes eram celebrados, diz-se, também numa gruta. O nascimento é no solstício de inverno, e é sempre acompanhado por eventos maravilhosos, que variam conforme a nação. Os Devas fazem chover flores sobre Devâki, a mãe, e sobre seu Filho Divino; os Anjos enchem o ar com suas canções quando Maria, a Mãe Virgem, dá à luz o Divino Infante; vozes divinas cantam que o Senhor nasceu quando Neith, a Virgem Imaculada, dá nascimento a Osíris, o Salvador; quando nasce Zoroastro, a luz de seu corpo enche o aposento com sua radiância; os Devas cantam jubilosos quando Buda nasce, e nos escritos chineses, embora não nos indianos, diz-se que ele nasce de uma Mãe Virgem, Mâyâ, encoberta por Shing-Shin, o Espírito. O nascimento de diversos destes Seres foi anunciado pelo aparecimento de uma estrela. Krishna e Jesus foram ambos ameaçados de morte na infância, um por Kamsa, o outro por Herodes. Nârada proclama a natureza de Krishna infante, Asita fala das futuras glórias do pequeno Buda, Simeão saúda o Jesus bebê como a salvação do mundo. Buda é tentado por Mâra, e Jesus por Satã. Todos estes Grandes Seres curaram doentes, endireitaram deformados, ressuscitaram mortos.

Assim se assemelhando em suas vidas, os Fundadores das Fés mundiais se assemelharam também em suas mortes. Sua morte é violenta, de qualquer forma que ocorreu; e sempre emergiu da idéia de sacrifício, o sacrifício do Logos por quem os mundos foram criados, como consta no Purusha Sukta do Rig-Veda. Desta morte Eles se erguem triunfantes, ascendendo ao céu. Osíris é assassinado, Seu corpo é desmembrado, como o do Purusha do Veda; mas Ele se ergue e reina. Thammuz é lamentado morto, e festejado ressurrecto. A história de Adônis é uma réplica do Thammuz sírio. Krishna é alvejado por uma flecha de um caçador, e sobe para Seu próprio mundo. Mitra é morto, e ascende da morte, para a salvação de Seu povo. Jesus é morto, mas se ergue e ascende aos céus. E todas as mortes e ressurreições recaem no equinócio vernal.

Estas inumeráveis semelhanças não podem surgir do acaso, são sinais de uma trajetória comum, reaparecendo continuamente. As semelhanças superficiais saltam aos olhos à medida que folheamos as páginas das escrituras mundiais, e quanto mais estudamos, mais as lendas comuns se revelam os sempre repetidos contos de fadas da Lenda Mundial.


Ética Comum

Que uma moralidade sublime seja uma posse comum a todas as Religiões Mundiais é um fato estabelecido bem demais para necessitar discussão. Tudo o que é preciso aqui é fazer algumas poucas citações, o bastante para indicar os ricos veios de metal de onde estas inestimáveis pepitas são retiradas.

Devolver Bem pelo Mal. O Manu diz: "Com o perdão do mal o sábio é purificado"; "Não vos enfureçais com o homem furioso; se vos falam asperamente, respondei com suavidade". No Sâma-Veda: "Faz a trocas difíceis de fazer: paz pela ira; verdade pela falsidade". O Buda ensina: "A um homem que tolamente me prejudica, lhe devolvo a doçura de meu amor incondicional; quanto mais ele me der mal, mais bem lhe devolverei"; "Que um homem vença a raiva com o amor; que vença o mal com o bem; que vença a cobiça com a liberalidade, a mentira com a verdade"; "O ódio não cessa jamais com ódio; o ódio cessa com o amor". Lao-Tsé diz: "Ao bom dou bondade; ao não-bom também dou bondade. Ao fiel dou fidelidade; ao não-fiel também dou fidelidade; a Virtude é fiel. Recompensa o mal com gentileza". Confúcio respondeu a um questionador: "O que não queres para ti não o faças a outrem; quando estiveres trabalhando para outros, que seja com o mesmo zelo como se fora para ti mesmo". Jesus disse: "Amai vossos inimigos, abençoai os que vos amaldiçoam, fazei o bem aos que vos odeiam, e rogai por aqueles que vos desprezando abusam de vós e vos perseguem".

Humildade e Ternura. Lao-Tsé diz: "Com vigilância constante sobre a natureza passional, e com ternura, é possível se tornar uma criancinha. Afastando a impureza do olho oculto do coração é possível se tornar imaculado. Há uma pureza e quietude com as quais podemos reger todo o mundo. Por preservar a ternura eu me torno forte". "O sábio... coloca a si mesmo por último, mesmo assim ele é o primeiro; ele abandona a si mesmo, mas mesmo assim é preservado. Não vem isso de ser altruísta? Por isso ele preserva intacto o auto-interesse. Ele não se exibe, e portanto brilha. Ele não se autopromove, e por isso é distinguido. Ele não louva a si mesmo, e por isso tem mérito. Ele não louva a si mesmo, e assim permanece no alto". Jesus ensina: "A não ser que vos torneis como crianças pequenas não podereis entrar no reino dos céus"; "Aquele que exaltar a si mesmo será rebaixado, e aquele que se humilhar será exaltado".

A Retidão é mais Importante que as Formalidades. O Manu declara a lei da ação "mental, verbal e corpórea": "desta ação tríplice, saiba o mundo que é o coração o seu instigador"; "A um homem contaminado pela sensualidade, nem os Vedas, nem a liberalidade, nem os sacrifícios, nem as observâncias, nem as austeridades, lhe trarão felicidade". O Buda diz: "É o coração da fé acompanhando as boas ações o que como que espalha uma sombra benéfica do mundo dos homens ao mundo dos anjos". Jesus lamentou: "Vós pagais dízimo da hortelã, do endro, do anis e do cominho, e omitistes os preceitos mais importantes da lei - justiça, misericórdia e verdade".

Eu poderia prosseguir assim citando texto após texto sobre cada virtude, e da árvore de cada religião se poderia retirar folhas semelhantes. Pois todas ensinam as mesmas verdades; todas são canais da vida única; todas as escrituras repetem a mensagem única, porque só existe uma única grande Fraternidade de Mestres, e cada um que dela procede fala a mesma língua.

Daí que as religiões não são rivais, e não devem odiar-se mutuamente. Elas são filhas de um mesmo pai, proclamando para o benefício da humanidade as verdades que aprenderam na casa ancestral. Existe uma Fraternidade de Religiões real, e todos os que estudam as religiões do mundo devem reconhecer a identidade de seus ensinamentos. Para quem estuda Mitologia Comparada, todas as religiões são igualmente falsas, e são frutos da ignorância. Para um Teosofista todas as religiões são verdadeiras, e são o fruto da SABEDORIA. Toda religião tem o mesmo direito a todas as verdades, e nenhuma pode reivindicar nada como seu exclusivamente, "meu, não teu nem dele". Antes a frase verdadeira é "meu, porque é teu e é também dele".



Há uma só Religião - o conhecimento de Deus, e todas as religiões são ramos desta mesma árvore, a Árvore da Vida, cujas raízes estão no céu enquanto seus ramos se esparramam no mundo dos homens. A raiz celeste é a SABEDORIA - não a fé, não a crença, não a esperança, mas o conhecimento do Deus que é a Vida Eterna. De qualquer um de seus ramos uma pessoa pode colher uma folha para a cura das nações. Que ninguém negue o que para outra pessoa é verdade, pois ela pode ver uma verdade que outros não conseguem ver; mas que ninguém tente impor sua própria visão sobre outros, pois pode cegá-los ao forçá-los a ver o que não está dentro de seu campo de visão. Só existe um Sol, e cada energia em nossa Terra não passa de alguma forma de força solar; e assim como um só Sol alimenta toda a Terra, um só Eu brilha em todos os corações. Só existe uma blasfêmia - a negação de Deus no homem. Só existe uma heresia - a heresia da separatividade, que diz: "Sou outro além de ti, nós não somos um só". Para a redenção do mundo nós precisamos mais do que altruísmo, por mais nobre que ele seja. Precisamos aprender a anulação do eu individual, o sacrifício, a auto-entrega, mas não estaremos firmes no Um antes de podermos dizer "Não há outros; é o Eu em tudo". Quando todos os homens disserem isso o mundo conhecerá sua Era Dourada: quando um homem diz isso através de sua vida, sua presença é uma bênção onde quer que ele vá. Somos irmãos, mas mais que irmãos. Os irmãos têm apenas um mesmo pai; nós temos um Eu comum. Em tudo à nossa volta vejamos a Glória do Eu, e lembremos que negar o Eu no mais baixo é negá-lo em nós mesmos e em Deus.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ibama autoriza usina de Belo Monte

Liberação da obra foi envolvida por polêmicas, como queda de presidentes 
do instituto e manifestações agressivas, e muito atraso.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acaba de autorizar a instalação da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

A liberação da obra foi envolvida por polêmicas, que passaram por queda de presidentes do Ibama, manifestações agressivas de índios e de organizações não-governamentais e muito atraso.

O projeto inicial de Belo Monte vem de décadas atrás e, desde o período da ditadura militar, o governo teve de reduzir algumas vezes o tamanho da represa, para acatar demandas da sociedade. Com isso, a usina poderá gerar até 11.233 Megawatts de energia.

Segundo o Ibama, o licenciamento "foi marcado por robusta análise técnica e resultou na incorporação de ganhos socioambientais". Entre eles, destaca o instituto, a garantia de vazões na Volta Grande do Xingu suficientes para a manutenção dos ecossistemas e dos modos de vida das populações ribeirinhas.

O consórcio Norte Energia (Nesa) terá de implementar ações em saúde, educação, saneamento e segurança pública em Altamira e Vitória do Xingu, que são os municípios mais afetados pela construção, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Nas negociações para liberação da licença, o Ibama e a empresa Norte Energia (Nesa) firmaram um Acordo de Cooperação prevendo apoio logístico às ações de fiscalização na região para controlar os crimes ambientais, como o tráfico de animais silvestres e a exploração ilegal de madeira na região.

Segundo o Ibama, a Nesa terá de investir cerca de R$ 100 milhões em unidades de conservação na bacia do rio Xingu a título de compensação ambiental, conforme determina a legislação vigente.

Ainda nesta manhã, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciam o plano para o desenvolvimento sustentável do Xingu, região onde está Belo Monte. O objetivo do plano é promover o desenvolvimento sustentável da região com a participação da população na gestão das atividades.

Brasileiros modelam ordem que impera no caos

Sincronização do caos
Na natureza, enxames de vagalumes enviam sinais luminosos uns para os outros.
Isso é feito inicialmente de forma autônoma, individual e independente.
Mas, sob determinadas circunstâncias, pode dar origem a um fenômeno robusto de natureza coletiva chamado sincronização.
Como resultado, milhares de vagalumes piscam em uníssono, de forma ritmada, emitindo sinais luminosos em sincronia com os demais.
Sistemas caóticos
Há pouco mais de 20 anos descobriu-se que a sincronização também ocorre em sistemas caóticos - sistemas complexos de comportamento imprevisível nas mais variadas áreas, como economia, clima ou agricultura.
Outra descoberta mais recente foi que a sincronização resiste a atrasos na propagação de sinais emitidos.
Nessas situações, sob determinadas circunstâncias, a sincronização pode emergir em sua forma isócrona, isto é, com atraso zero.
Isso significa que equipamentos como osciladores estão perfeitamente sincronizados no tempo, mesmo recebendo sinais atrasados dos demais.
Entretanto, os modelos teóricos desenvolvidos para explicar o fenômeno não levaram esse fato em consideração até o momento.
Estabilidade da sincronização
Agora, uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) resultou em um modelo teórico para demonstrar como a sincronização ocorre quando há atraso na emissão e no recebimento de informação entre osciladores caóticos.
Durante o estudo, os pesquisadores buscaram explicar a sincronização quando há atraso no recebimento da informação entre os osciladores caóticos. O objetivo é determinar as condições sob as quais o fenômeno ocorre em sistemas reais.
"Utilizando a teoria da estabilidade de Lyapunov-Krasovskii, que trata do problema da estabilidade em sistemas dinâmicos, estabelecemos critérios de estabilidade que, a partir de parâmetros como o tempo de atraso no recebimento das informações entre os osciladores, permitem determinar se os osciladores entrarão em estado de sincronização isócrona", disse um dos autores do artigo, José Mario Vicensi Grzybowski.
"Foi a primeira demonstração de forma totalmente analítica da estabilidade da sincronização isócrona. Não há similares na literatura", afirmou o cientista.
Vôo em formação no espaço
As descobertas do estudo poderão possibilitar o aprimoramento de sistemas tecnológicos baseados em sincronização, especialmente em sistemas de telecomunicação baseados em caos ou na chamada criptografia caótica.
Além disso, entre as possíveis aplicações estão os satélites em formação de voo, em que um precisa manter uma distância relativa adequada em relação aos outros e, ao mesmo tempo, estabelecer um referencial (sincronização) que permita o intercâmbio de informações, coleta e combinação eletrônica de imagens oriundas dos diversos satélites da formação.
"Nesse caso, o referencial pode ser estabelecido por meio de um fenômeno que emerge naturalmente desde que as condições apropriadas sejam proporcionadas, diminuindo ou até dispensando o uso de algoritmos", disse.
Veículos aéreos não tripulados, que podem explorar uma determinada região em conjunto, além de robôs e sistemas de controle distribuídos, que também precisam trabalhar de forma coordenada em uma rede, podem utilizar os resultados da pesquisa.
Cooperação sem líder
Os autores do estudo também pretendem fazer com que o fenômeno da sincronização ocorra em sistemas tecnológicos sem a necessidade de existir um líder que oriente a forma como os outros agentes osciladores devem se comportar.
"Pretendemos eliminar a figura do líder e fazer com que a sincronização ocorra em função da interação entre os agentes, como ocorre com uma espécie de vagalumes na Ásia, que entra em sincronização sem que um deles lidere", disse Elbert Einstein Macau, pesquisador do Inpe e outro autor do estudo, do qual participou também Takashi Yoneyama, do ITA.
Segundo eles, nessa pesquisa foi analisada a sincronização com um atraso de tempo na transmissão da informação entre dois osciladores. Mas no trabalho que desenvolvem atualmente os resultados serão expandidos para uma rede de osciladores de modo a ampliar a escala do problema, e de sua solução.
Dessa forma, segundo eles, será possível modelar fenômenos baseados na sincronização isócrona em escala de rede e contemplar fenômenos naturais que apresentam nível de complexidade muitas vezes superior.
"Em princípio, qualquer fenômeno real que se baseia na sincronização isócrona poderá ser tratado a partir desses elementos teóricos, que podem servir para projetos de redes tecnológicas, ou para analisar e compreender comportamentos emergentes em redes naturais, mesmo naquelas em que não temos formas de influir diretamente", disse Grzybowski.
Veja outras pesquisas sobre sistemas caóticos:
Bibliografia:

Isochronal synchronization of time delay and delay-coupled chaotic systems
J M V Grzybowski, E E N Macau, T Yoneyama
Journal of Physics A: Mathematical and Theoretical
Vol.: 44 175103
DOI: 10.1088/1751-8113/44/17/175103



Fonte: www.inovacaotecnologica.com.br

ÁREA 51 - O Mistério Permanece

Entre aqueles que acreditam que a vida extraterrestre está mais próxima do que imaginamos, a Área 51 é um local que desperta muita curiosidade. Existem lendas de que no local existem extraterrestres e suas naves, alguns acreditam que os Estados Unidos os capturaram e outros ainda creem que o governo permite que discos voadores sobrevoem o local, o que explicaria os casos relatados de óvnis na região. A Área 51 é conhecida como o local mais secreto do mundo. O nome foi dado à base militar secreta de Groom Lake, no deserto do Estado de Nevada, mas oficialmente ela não existe.

A Área 51 é um local de operações secretas da Guerra Fria. Embora não se confirmem os rumores de que a Área 51 abrigue óvnis e extraterrestres, é notório que o governo dos Estados Unidos tem realizado algo no local há décadas. Após manterem segredos por uma vida inteira sobre seu local de trabalho, ex-funcionários da Área 51 começam a revelar informações sobre as instalações e os projetos nos quais trabalharam na base. E parece existir um fundo de verdade até para algumas das especulações mais fantásticas como túneis subterrâneos e aeronaves inimigas escondidas. Agora, depois de anos de silêncio e pela primeira vez, pessoas com acesso à Área 51 contam seus segredos e revelam o que realmente acontece no lugar mais secreto da Terra.

Após a abertura de alguns projetos realizados na Área 51, os veteranos puderam começar a falar sobre o seu trabalho em entrevistas e palestras, até mesmo suas famílias cultivam uma grande curiosidade sobre o que acontecia dentro da base, conta TD Barnes, um dos veteranos da Roadrunners Internationale, associação dos ex-agentes da CIA que trabalharam na fabricação e testes de armas e aeronaves na guerra fria. As aeronaves produzidas por esses oficiais durante a guerra fria até hoje são utilizadas em combate pelos Estados Unidos, além disso, mesmo hoje, alguns projetos nos quais esses veteranos trabalharam ainda não podem ser revelados, pois continuam classificados como secretos pela CIA.

Segundo os veteranos que trabalhavam na base, as aeronaves testadas no local eram muito rápidas e diferentes do que a população e os pilotos de aviação civil estavam acostumados a ver, isso gerou uma série de relatos de Óvnis vistos na região de Groom Lake. Muitos pilotos, ao relatarem terem vistos aeronaves estranhas na área, eram solicitados a assinar documentos prometendo manter o sigilo do que viram, o que ajudou a criar os mitos sobre o que o governo escondia no local. O projeto Oxcart (do avião A-12) realizou quase três mil voos teste e tinha uma fuselagem em formato parecido com um disco, voando em velocidades muito altas, acima de duas vezes e meia a velocidade do som. Além disso, o corpo de titânio do avião refletia muito a luz, chamando a atenção de quem o visse passando.

Área 51 - O que realmente está guardado nos hangares
 secretos de Groom Lake?
Um dos projetos sobre os quais hoje é possível falar é o de engenharia reversa (desmontagem para analisar o funcionamento) de um avião MIG soviético para tentar reverter a média de nove pilotos americanos mortos a cada um soviético. Com as informações obtidas neste trabalho foram criados os exercícios de pilotos chamados Top Gun da Marinha e Red Flag da Aeronáutica americana. Este projeto pode ser uma explicação para o mito de que havia aeronaves extraterrestres na base da Área 51, realmente uma aeronave inimiga foi examinada na base.

As aeronaves produzidas na base de Groom Lake tinham como objetivo serem mais rápida e voarem mais alto do que os radares soviéticos conseguiam detectar, podendo voar despercebidas para pegar o inimigo de surpresa com menor risco de serem abatidas. Por isso, os radares da região dos testes muitas vezes captavam um movimento muito rápido e estranho, sem conseguir visualizar exatamente do que se tratava. Algumas aeronaves produzidas na Área 51 são o U-2, o A12 Oxcart (precursor do YF-12 e do SR-71 Blackbird) e o F-117 (nighthawk, primeiro avião dotado de tecnologia de camuflagem a baixa altitude, a força aérea negou sua existência até 1988), além de muitas outras que deram origem a aeronaves em uso até hoje.

Segundo Barnes, a Área 51 possui sim túneis subterrâneos, ele conta que trabalhou em muitos projetos em câmaras subterrâneas e que três células de teste eram conectadas por trilhos de trem, mas todo o resto era embaixo da terra.

Thornton "TD" Barnes foi um dos entrevistados do documentário do canal NatGeo sobre a Área 51, esse será o primeiro de quatro programas sobre extraterrestres intitulado "Invasão extraterrestre" que vai ao ar de 6 a 10 de junho as 22h.

Fonte:
Ceres Prado
Do UOL Ciência e Saúde
Em São Paulo