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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O Veneno Está na Mesa II - [VÍDEO]


Após impactar o Brasil mostrando as perversas consequências do uso de agrotóxicos em O Veneno está na Mesa, o diretor Sílvio Tendler apresenta no segundo filme uma nova perspectiva. O Veneno Está Na Mesa 2 atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. O filme apresenta experiências agroecológicas empreendidas em todo o Brasil, mostrando a existência de alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores. 

Com este documentário, vem a certeza de que o país precisar tomar um posicionamento diante do dilema que se apresenta: Em qual mundo queremos viver? O mundo envenenado do agronegócio ou da liberdade e da diversidade agroecológica?



Assista também ao primeiro filme:



O Veneno Está na Mesa - [VÍDEO]


O filme vem mostrar como estamos nos alimentando mal por conta de um modelo agrário baseado no agronegócio. O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para toda a população do campo e das cidades, que consomem os produtos agrícolas com agrotóxicos.



Assista também ao segundo filme, de 2014:



quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Indiano ensina COMO PLANTAR UMA FLORESTA no espaço ocupado por 6 carros

Como engenheiro industrial, o indiano Shubhendu Sharma sempre pensou em formas de tornar a produção mais eficiente. Por anos a sua especialidade foi desenvolver carros, até o momento em que conheceu o japonês Akira Mitawaki. A partir daí o seu foco foi plantar florestas e ele encontrou um jeito de otimizar isso e ainda espalhar o método para o mundo.

Em seu discurso no TED ele mostrou o que o motivou a ser um criador de florestas e quais foram os resultados obtidos. Assim que conheceu o senhor Mitawaki, o indiano logo se interessou pela forma como o japonês ensinava as pessoas a plantarem.


Diferente do reflorestamento tradicional, que deixa um grande espaço entre as árvores, a técnica japonesa prevê o plantio de espécies nativas de várias espécies em uma área muito pequena. Após ser apresentado à técnica, Sharma se apaixonou pelo modelo e o replicou.

O primeiro local a receber a mini floresta foi a sua própria casa. O indiano usou um espaço livre em seu quintal, começou a plantar e em pouco tempo os resultados já eram muito visíveis. Ele monitorou o processo e explica que, três anos depois, o desenvolvimento tinha sido muito superior aos índices tradicionais.

As mini florestas apresentaram crescimento dez vezes mais rápido, 30 vezes mais denso, com cem vezes mais biodiversidade e totalmente orgânico. Em consequência disso, Sharmam explica que a absorção do solo melhorou muito, assim como a qualidade do ar, a quantidade de pássaros na região dobrou e ele consegue até colher frutas em seu próprio quintal.

O modelo é tão eficiente que é possível ter uma pequena floresta com 300 árvores no mesmo espaço em que seriam estacionados apenas seis carros. As mudas são dispostas muito próximas umas às outras e a única fonte extra de fertilização é a biomassa, obtida localmente. Os custos desse grande plantio em uma pequena área é inferior ao de um iPhone, ressalta o indiano.

Para possibilitar que a ideia seja replicada em outros locais, ele criou uma empresa de consultoria que ajuda e dá instruções para que qualquer pessoa possa plantar sua própria floresta. Além disso, ele disponibiliza as informações on-line e pretende criar um aplicativo e um GPS que permitam o monitoramento dos projetos e as disponibilização das instruções em tempo real para qualquer pessoa do mundo. Veja abaixo as dicas para seguir o exemplo do indiano.


Como plantar uma floresta?

O primeiro cuidado é com a análise do solo e com a identificação de quais espécies serão usada no plantio, lembrando que é preciso sempre optar por plantas nativas e pela maior diversidade possível.

Para o solo o ideal é usar apenas o adubo orgânico ou a biomassa de algum insumo natural para a fertilização. Com isto feito, você já pode começar a trabalhar com as mudas, que devem ter, no máximo, 80 centímetros de altura. O ideal é ter uma floresta bastante densa, por isso, serão plantadas de três a cinco mudas por metro quadrado.

O ideal é que a área usada para o plantio tenha, ao menos cem metros quadrados. Em oito meses a plantação já estará tão densa que os raios do sol não conseguirão mais alcançar o chão. A partir daí, a pequena mata é autossustentável. As gotas da chuva permanecem por mais tempo no solo e as folhas que caem são usadas como adubo natural. Mesmo assim, ela ainda precisará ser regada pelos dois primeiros anos, até o seu ecossistema estar totalmente estabelecido.

Fonte: REMADE

quarta-feira, 12 de março de 2014

CERVEJA: você está bebendo TRANSGÊNICO?

Sem informar consumidores, Ambev, Itaipava, Kaiser e outras marcas trocam cevada pelo milho e podem estar levando à ingestão inconsciente de OGMs


Por Flavio Siqueira Júnior* e Ana Paula Bortoletto*

Vamos falar sobre cerveja. Vamos falar sobre o Brasil, que é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, com 86,7 bilhões de litros vendidos ao ano e que transformou um simples ato de consumo num ritual presente nos corações e mentes de quem quer deixar os problemas de lado ou, simplesmente, socializar.

Não se sabe muito bem onde a cerveja surgiu, mas sua cultura remete a povos antigos. Até mesmo Platão já criou uma máxima, enquanto degustava uma cerveja nos arredores do Partenon quando disse: “era um homem sábio aquele que inventou a cerveja”.

E o que mudou de lá pra cá? Jesus Cristo, grandes navegações, revolução industrial, segunda guerra mundial, expansão do capitalismo… Muita coisa aconteceu e as mudanças foram vistas em todo lugar, inclusive dentro do copo. Hoje a cerveja é muito diferente daquela imaginada pelo duque Guilherme VI, que em 1516, antecipando uma calamidade pública, decretou na Bavieira que cerveja era somente, e tão somente, água, malte e lúpulo.

Acontece que em 2012, pesquisadores brasileiros ganharam o mundo com a publicação de um artigo científico no Journal of Food Composition and Analysis, indicando que as cervejas mais vendidas por aqui, ao invés de malte de cevada, são feitas de milho.

Antarctica, Bohemia, Brahma, Itaipava, Kaiser, Skol e todas aquelas em que consta como ingrediente “cereais não maltados”, não são tão puras como as da Baviera, mas estão de acordo com a legislação brasileira, que permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata.

Agora pense na quantidade de cerveja que você já tomou e na quantidade de milho que ela continha, principalmente a partir de 16 de maio de 2007.

Foi nessa data que a CNTBio inaugurou a liberação da comercialização do milho transgênico no Brasil. Hoje já temos 18 espécies desses milhos mutantes produzidos por Monsanto, Syngenta, Basf, Bayer, Dow Agrosciences e Dupont, cujo faturamento somado é maior que o PIB de países como Chile, Portugal e Irlanda.

Tudo bem, mas e daí?

E daí que ainda não há estudos que assegurem que esse milho criado em laboratório seja saudável para o consumo humano e para o equilíbrio do meio ambiente. Aliás, no ano passado um grupo de cientistas independentes liderados pelo professor de biologia molecular da Universidade de Caen, Gilles-Éric Séralini, balançou os lobistas dessas multinacionais com o teste do milho transgênico NK603 em ratos: se fossem alimentados com esse milho em um período maior que três meses, tumores cancerígenos horrendos surgiam rapidamente nas pobres cobaias. O pior é que o poder dessas multinacionais é tão grande, que o estudo foi desclassificado pela editora da revista por pressões de um novo diretor editorial, que tinha a Monsanto como seu empregador anterior.

Além disso, há um movimento mundial contra os transgênicos e o Brasil é um de seus maiores alvos. Não é para menos, nós somos o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, mais da metade do território brasileiro destinado à agricultura é ocupada por essa controversa tecnologia. Na safra de 2013 do total de milho produzido no país, 89,9% era transgênico. (Todos esses dados são divulgados pelas próprias empresas para mostrar como o seu negócio está crescendo)

Enquanto isso as cervejarias vão “adequando seu produto ao paladar do brasileiro” pedindo para bebermos a cerveja somente quando um desenho impresso na latinha estiver colorido, disfarçando a baixa qualidade que, segundo elas, nós exigimos. O que seria isso se não adaptar o nosso paladar à presença crescente do milho?

Da próxima vez que você tomar uma cervejinha e passar o dia seguinte reinando no banheiro, já tem mais uma justificativa: “foi o milho”.

Dá um frio na barriga, não? Pois então tente questionar a Ambev, quem sabe eles não estão usando os 10,1% de milho não transgênico? O atendimento do SAC pode ser mais atencioso do que a informação do rótulo, que se resume a dizer: “ingredientes: água, cereais não maltados, lúpulo e antioxidante INS 316.”

Vai uma, bem gelada?


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A Importância das GRANDES ÁRVORES


Um artigo publicado na revista Nature (leia aqui, em inglês), uma das mais prestigiadas publicações do meio acadêmico, demonstrou que árvores grandes e maduras têm um importante papel para ajudar a regular a quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera.

Até agora pensava-se que só as jovens florestas capturavam carbono da atmosfera, durante seu crescimento, enquanto as mais antigas, chamadas de florestas primárias, apenas armazenavam esse carbono. No entanto, vários estudos recentes têm demonstrado que as florestas primárias intactas também captam o carbono da atmosfera.

Os pesquisadores descobriram que a absorção de carbono das árvores aumenta continuamente com o seu tamanho, porque a área total da folha aumenta à medida que ela cresce. Isso permite que as árvores mais antigas e de maiores dimensões absorvam mais carbono da atmosfera.

Os autores do estudo advertem, no entanto, que as florestas têm dinâmicas complexas: árvores de grande porte estão sujeitas a taxas de mortalidade mais elevadas do que as árvores mais novas; e o número de árvores em uma determinada área pode ser maior em uma floresta jovem. Ainda assim, fica evidente que as grandes árvores antigas são muito importantes, não só para a biodiversidade, mas também para a absorção e o armazenamento de carbono.


O duplo golpe do desmatamento

As florestas, além de serem ricas em biodiversidade e fornecerem serviços essenciais para o ecossistema, armazenam aproximadamente 300 bilhões de toneladas de carbono – cerca de 30 vezes o montante anual de emissões causadas pela queima de combustíveis fosseis. O problema é que, quando elas são degradadas ou destruídas, esse carbono é liberado na atmosfera. Para piorar, grande parte do desmatamento ocorre em florestas primárias, que contém essas árvores mais antigas. 

Portanto, esse novo estudo evidencia o duplo golpe que o desmatamento causa para as florestas: ele não só libera carbono na atmosfera, contribuindo para os efeitos de mudança climática, como também remove uma superfície capaz de absorver as emissões de carbono da humanidade. Daí a importância de lutar para acabar com a destruição de nossas florestas.

O Greenpeace já está em campanha pelo desmatamento zero. Você também pode nos ajudar: assine a petição pela lei do Desmatamento Zero.


Fonte: GREENPEACE


domingo, 5 de janeiro de 2014

Vinicultor francês é processado por NÃO usar agrotóxicos!

Um vinicultor da região de Côte-d'Or, na Borgonha francesa, está sendo processado pela prefeitura local por se recusar a usar agrotóxicos em sua produção.


A família de Emmanuel Giboulot, em sua propriedade de dez hectares, se dedica à produção biodinâmica –na qual, além de refutar o uso de elementos químicos, leva-se em conta fatores como a influência do sol e da lua sobre as plantas e a preservação da biodiversidade local.

Por causa dessa tradição, o produtor se recusou a seguir um decreto, emitido em junho pela prefeitura, que obriga todos os vinicultores a fazer ao menos uma aplicação de inseticida em suas vinícolas.

A medida foi tomada como forma de combate à cicadela, praga que causa a flavescência dourada, doença que prejudica as videiras; não foram identificados focos da praga nas propriedades próximas à de Giboulot, mas, em 2011, a cicadela devastou a região de Saône-et-Loire, ao sul de Côte-d'Or.

Depois de uma inspeção feita em julho pelo Serviço Regional de Alimentação, Giboulot foi convocado a comparecer ao tribunal em 12 de novembro para se explicar, mas a audiência foi postergada e ainda não tem data para ocorrer.

Por desobedecer o decreto, o produtor corre o risco de ser penalizado em 30 mil euros (R$ 97 mil) e até seis meses de prisão. Uma página no Facebook foi criada em apoio a ele.

"Eu estou muito ciente do perigo que essa doença pode representar, mas me parece completamente desmesurado fazer um tratamento sistemático se não foi verificado nenhum foco [da praga em Côte-d'Or]", disse Giboulot ao site francês Basta!.

"[Um tratamento com agrotóxicos] significa destruir uma parte da fauna auxiliar, que gera o equilíbrio de nosso vinhedo –cultivamos uvas de forma biodinâmica há 43 anos", completou.

Giboulot se opõe até ao único pesticida aceito por produtores orgânicos, feito a partir de plantas secas –ele não seria "seletivo" e, portanto, destruiria a fauna e flora auxiliares da mesma maneira.

Fonte: Folha


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Permacultura – Sustentabilidade Ecológica


A permacultura é um método holístico para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.


A permacultura  é um sistema de desenho fundado em éticas e princípios que podem ser usados para estabelecer, desenhar, coordenar e melhorar todos os esforços feitos por indivíduos, lugares e comunidades que trabalham para um futuro sustentável.

O termo provém do inglês permaculture e foi cunhado por Bill Mollison. Trata-se de uma contração das palavras permanent agriculture (agricultura permanente) ou permanent culture (cultura permanente). A sustentabilidade ecológica, ideia inicial, estendeu-se à sustentabilidade dos assentamentos humanos locais.

Espital Permacultura

A permacultura foi criada pelos ecologistas australianos Bill Mollison e David Holmgren na década de 70, baseando-se no modo de vida integrado à natureza das comunidades aborígenes tradicionais da Austrália.

A permacultura é uma filosofia  de trabalhar com, e não contra a natureza; de observação prolongada e pensativa em vez de trabalho prolongado e impensado, e de olhar para plantas e animais em todas as suas funções, em vez de tratar qualquer área como um sistema único produto.
— Bill Mollison

Os princípios da Permacultura vem da posição de Mollison de que (…)a única decisão verdadeiramente ética é cada um tomar para si a responsabilidade de sua própria existência e da de seus filhos.
— Bill Mollison

A ênfase está na aplicação criativa dos princípios básicos da natureza, integrando plantas, animais, construções e pessoas em um ambiente produtivo e com estética e harmonia.


A permacultura, além de ser um método para planear sistemas de escala humana, proporciona uma forma sistêmica de se visualizar o mundo e as correlações entre todos os seus componentes. Serve, portanto, como meta-modelo para a prática da visão sistêmica, podendo ser aplicada em todas as situações necessárias, desde como estruturar o habitat humano até como resolver questões complexas do mundo empresarial.

Permacultura é a utilização de uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentável.

A Permacultura origina-se de uma cultura permanente do ambiente. Estabelecer em nossa rotina diária, hábitos e costumes de vida simples e ecológicos – um estilo de cultura e de vida em integração direta e equilibrada com o meio ambiente, envolvendo-se cotidianamente em atividades de auto-produção dos aspectos básicos de nossas vidas referentes a abrigo, alimento, transporte, saúde, bem-estar, educação e energia renovável.

Permacultura tem na sua relação com a atividade agrícola uma síntese das práticas tradicionais com ideias inovadoras, unindo o conhecimento secular às descobertas da ciência moderna, proporcionando o desenvolvimento integrado da propriedade rural de forma viável e segura para o agricultor familiar. E, neste ponto, encontra paralelos com a Agricultura Natural que, sendo difundida intencionalmente pelas pesquisas do japonês Masanobu Fukuoka por todo o mundo, chegaram as mãos dos fundadores da permacultura e foram por eles desenvolvidas.

Os três pilares da Permacultura

Pode-se dizer que os três pilares da Permacultura na sua versão contemporânea são:

Cuidado com a Terra: Provisão para que todos os sistemas de vida continuem e se multipliquem. Este é o primeiro princípio, porque sem uma terra saudável, os seres humanos não podem exercer suas qualidades.
Cuidado com as Pessoas: Provisão para que as pessoas acessem os recursos necessários para sua existência.
Repartir os excedentes: Ecossistemas saudáveis utilizam a saída de cada elemento para nutrir os outros. Nós, os seres humanos podemos fazer o mesmo.

Os princípios da Permacultura

Os princípios da permacultura são:

Observe e interaja.
Capte e armazene energia.
Obtenha rendimento
Pratique auto-regulação e aceite retorno.
Use e valorize os serviços e recursos renováveis.
Não produza desperdícios.
Design partindo de padrões para chegar a detalhes.
Integrar em vez de segregar.
Use soluções pequenas e lentas.
Use e valorize a diversidade.
Use as bordas e valorize os elementos marginais.
Use criativamente e responda às mudanças.

Permacultura é algo fácil de identificar com um monte de desejos pessoais profundos entre aquelas pessoas que sonham com paz, harmonia e abundância. Mas leva-se muito tempo para entender. Não se sinta desencorajado o leitor que está ansioso por conhecer a Permacultura ou aquele que julgava tê-la compreendido: os conceitos estão dados e são até bastante claros. A verdade é que as coisas mais importantes da vida exigem tempo e dedicação, tanto mais quando representam quebras de paradigmas.

Assumir para nossas vidas aquilo que é radicalmente novo não é tarefa fácil – no mais das vezes enfrentamos nossos próprios limites de compreensão e aceitação. Por isso, é preciso coragem, fé e determinação para tornar-se um permacultor. E tomar o tempo como aliado.

Nas palavras de Bill Mollison de que mais gosto, a Permacultura é “uma tentativa de se criar um Jardim do Éden”, bolando e organizando a vida de forma a que ela seja abundante para todos, sem prejuízo para o meio ambiente. Parece utópico, mas nós praticantes sabemos que é algo possível e para o qual existem princípios, métodos e estratégias bastante factíveis. Os exemplos estão aí, para quem quiser ver, nos cinco continentes e em mais de uma centena de países.

Conceitos

Os australianos Bill Mollison e David Holmgren, criadores da Permacultura, cunharam esta palavra nos anos 70 para referenciar “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”. Estavam buscando os princípios de uma Agricultura Permanente. Logo depois, o conceito evoluiu para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis” , como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos éticos, socioeconômicos e ambientais.

Para tornar o conceito mais claro, pode-se acrescentar que a Permacultura oferece as ferramentas para o planejamento, a implantação e a manutenção de ecossistemas cultivados no campo e nas cidades, de modo a que eles tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais. Alimento saudável, habitação e energia devem ser providos de forma sustentável para criar culturas permanentes.

No centro da atividade do permacultor está o design, tomado como planejamento consciente para tornar possível, entre outras coisas, a utilização da terra sem desperdício ou poluição, a restauração de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia. Este processo, segundo André Soares, permacultor do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado – IPEC, deve ser dinâmico, contínuo e orientado para a aplicação de padrões naturais, contendo sub-processos de organização de elementos dentro de determinados contextos.

No primeiro nível, a ação do permacultor volta-se principalmente para áreas agrícolas com o propósito de reverter situações dramáticas de degradação sócio-ambiental. “Culturas não sobrevivem muito tempo sem uma agricultura sustentável”, assegura Bill Mollison. No entanto, os sistemas permaculturais devem evoluir, com designs arrojados, para a construção de sociedades economicamente viáveis, socialmente justas, culturalmente sensíveis, dotadas de agroecossistemas que sejam produtivos e conservadores de recursos naturais.

Cooperação e solidariedade

A Permacultura exige uma mudança de atitude que consiste basicamente em fazer os seres humanos viver de forma integrada ao meio ambiente, alimentando os ciclos vitais da natureza. Como ciência ambiental, reconhece os próprios limites e por isso nasceu amparada por uma ética fundadora de ações comuns para o bem do sistema Terra.

Mollison e Holmgren buscaram princípios éticos universais surgidos no seio de sociedades indígenas e de tradições espirituais, que estão orientados na lógica básica do universo de cooperação e solidariedade. Não é possível praticar a Permacultura sem observá-los.

Primeiro, será preciso assumir a ética do cuidado com a Mãe-Terra para garantir a manutenção e a multiplicação dos sistemas vivos. Depois, o cuidado com as pessoas para a promoção da autoconfiança e da responsabilidade comunitária. E por fim, aprender a governar nossas próprias necessidades, impor limites ao consumo e repartir o excedente para facilitar o acesso de todos aos recursos necessários à sobrevivência, preservando-os para as gerações futuras.

Como parte dos sistemas vivos da Terra e tendo desenvolvido o potencial para desfazer a sustentabilidade do planeta, nós temos como missão criar agora uma sociedade de justiça, igualdade e fraternidade, a começar pelos marginalizados e excluídos, com relações mais benevolentes e sinergéticas com a natureza e de maior colaboração entre os vários povos, culturas e religiões.

Toda ética tem a ver com práticas que querem ser eficazes. “A ética da Permacultura serve bem para iluminar nossos esforços diários de trabalho com a natureza a partir de observações prolongadas e cuidadosas, com base nos saberes tradicionais e na ciência moderna, substituindo ações impensadas e imaturas por planejamento consciente”, assevera Bill Mollison. A chave é estabelecer relações harmoniosas entre as pessoas e os elementos da paisagem.

Design para a sustentabilidade

O trabalho do permacultor está baseado em princípios e métodos de design para orientar padrões naturais de crescimento e regeneração, em sistemas perenes, abundantes e auto-reguladores.

Earle Barnhart, permacultor de Massachussets (USA), escreveu que a regra cardinal do projeto da permacultura é maximizar as conexões funcionais. Isso quer dizer, combinar as qualidades de elementos da natureza e de elementos da criação humana para construir sistemas de armazenamento de energia. Não haveria nada de revolucionário nisso se as sociedades modernas agissem com base no bom senso.

Mas a história é bem outra e, por isso, a Permacultura, embora seja a “ciência do óbvio”, como gostam de dizer alguns de nós, está fazendo revoluções nas cabeças de jovens, adultos e idosos, oferecendo-lhes, em vez de sistemas fechados e fragmentários, o paradigma holístico contemporâneo, que tudo articula e re-laciona, para a construção de projetos abertos ao infinito.

As estratégias de design da Permacultura não existem apenas para o planejamento de propriedades abundantes em energia – este é apenas o primeiro nível de ação do permacultor. É possível desenhar também sistemas de transporte, educação, saúde, industrialização, comércio e finanças, distribuição de terras, comunicação e governança, entre outros, para criar sociedades prósperas, cooperativas, justas e responsáveis. O sonho é possível: a ética cria possibilidades de consensos, coordena ações, coíbe práticas nefastas, oferece os valores imprescindíveis para podermos viver bem.

A história da Permacultura no Brasil

Não faz muito tempo, em 1992, Bill Mollison ministrou um curso de Permacultura no Rio Grande do Sul e estabeleceu um marco inaugural: de lá para cá, a Permacultura desenvolveu-se no Brasil, conquistando dia após dia um número crescente de praticantes.

Hoje, a Permacultura encontra-se nas esferas governamentais e surge como projeto alternativo de criação do primeiro emprego para jovens entre 16 e 24 anos. Este ano, cerca de 1.300 jovens do Distrito Federal e municípios do entorno serão capacitados para trabalhar com os princípios da Permacultura e criar redes de empreendimentos agroindustriais. O projeto é da Agência Mandalla DHSA e tem financiamento do Ministério do Trabalho e Emprego.

A Agência Mandalla DHSA, com sede na Paraíba, é uma OSCIP que está desenvolvendo tecnologias Sociais com base na ética e nos princípios e métodos de design permacultural, alcançando para a Permacultura a maior repercussão já vista no país (leia seção da página 4). Em menos de três anos, chegou a mais de 80 municípios de nove estados brasileiros, beneficiando diretamente duas mil pessoas com a garantia da segurança alimentar e a geração de excedentes para a comercialização. Entre as famílias beneficiadas, a renda média é de R$400,00 ao mês, sendo que há exemplos de agricultores auferindo renda mensal de R$1.700,00.

Os Institutos de Permacultura

São oito no total, atuando de forma diversa. Aqueles que fundaram a RBP, Rede Brasileira de Permacultura (IPAB, em Santa Catarina, IPA, no Amazonas, IPEC, em Goiás e IPEP, no Rio Grande do Sul), funcionam como centros de pesquisa, formação e demonstração de tecnologias apropriadas, com apoio financeiro da PAL – Permacultura América Latina, instituição comandada pelo iraniano Ali Sharif, com sede em Santa Fé, Estados Unidos. A única exceção é o IPAB, que não possui centro demonstrativo e, por isso, atua de forma independente, dispensando financiamentos vindos do estrangeiro através da PAL.

A ação institucional do IPAB está voltada para pequenos agricultores e tem a parceria de sindicatos, prefeituras, ONGs e movimentos sociais. Os sistemas permaculturais fomentados pelo IPAB estão nas Unidades de Produção Familiar. O instituto atua também na multiplicação de conhecimentos em Permacultura através do Projeto de Formação de Professores.

A exemplo do IPAB, o Instituto de Permacultura da Bahia (IPB), o Instituto de Permacultura. Cerrado Pantanal e o IPEMA (Instituto de Permacultura da Mata Atlântica), possuem projetos sociais e muitos parceiros, mas não fazem parte da RBP. A título de ilustração, cito o Projeto Policultura no Semi-Árido, implantado no sertão da Bahia, atendendo hoje 700 famílias de pequenos agricultores. Com o apoio do IPB, as famílias estão desenvolvendo sistemas agroflorestais e garantindo para si segurança alimentar, trabalho e renda. O projeto ajuda os sertanejos a combater a desertificação e conviver harmoniosamente com a caatinga.

O IPOEMA (Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente), no Distrito Federal, que é o mais novo entre os institutos brasileiros, vai atuar fortemente no atendimento a comunidades locais e tradicionais, além de trabalhar com pesquisa e formação de novos permacultores.

Por enquanto, há pouca ou nenhuma interação entre os institutos de Permacultura do Brasil.

Rede Permear de Permacultores

Criada no ano passado, inaugurou um novo caminho para a Permacultura em nosso país. Em concordância com as palavras de David Holmgren, que citarei em seguida, ouso dizer que a Rede Permear é a prova de maturidade do processo de desenvolvimento da Permacultura no Brasil: “Quando o campo de trabalho é novo, as relações de competição prevalecem, exatamente como nos sistemas naturais imaturos e de rápido crescimento. Mesmo na Permacultura, que está fortemente enraizada na cooperação, a competição tem acontecido, causando estranheza, mas, sobretudo, mostrando quando o processo ainda não amadureceu. Em ecossistemas maduros, assim como em sociedades tradicionais estáveis, as relações tendem a se tornar mais mutualísticas e simbióticas”.

A Rede Permear chegou lá: integra hoje catorze projetos autônomos em quatro estados brasileiros (Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e mais o Distrito Federal. Os projetos são chamados de autônomos porque são iniciativas de pessoas, famílias e comunidades que trabalham em cooperação e com recursos próprios para multiplicar os conhecimentos em Permacultura (todos recebem formação como professores do IPAB) e para oferecer exemplos de sistemas produtivos de apoio à vida no lugar onde moram.

Nós da Rede Permear costumamos dizer que a nossa teia deve alcançar todo permacultor ou grupo de permacultores cujo trabalho tem como princípio de ação a ética da Permacultura. E queremos para esta rede tudo aquilo que um sistema permacultural deve conter: diversidade e abundância de idéias e projetos, cooperação, solidariedade, sinergia, diálogo e amor, muito amor. Por fim, que seja para todos um caminho de transformação.



sábado, 17 de agosto de 2013

Estudo diz: Maioria dos Biocombustíveis são MAIS PREJUDICIAIS ao Meio Ambiente que o Petróleo


O controverso debate sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis chegou nos dias atuais a um novo nível, com a publicação de um estudo que afirma que a maioria destes combustíveis verdes são mais prejudiciais ao meio ambiente que o próprio petróleo.

Segundo o estudo da empresa suíça Empa – que realça, ainda assim, que os biocombustíveis podem ser sustentáveis, caso tenham certas condições e tecnologias – a grande maioria dos biocombustíveis fazem pior ao meio ambiente que os combustíveis fósseis.

Os biocombustíveis produzidos a partir de culturas em terras desflorestadas, por exemplo, produzem mais gases com efeito estufa que o petróleo.

Este foi o ponto mais alarmante do estudo e concluiu que se um terreno for utilizado pela primeira vez para cultura de biocombustíveis, as culturas alimentares e área de animais terão de ser recolocados em um outro noutro terreno, o que origina uma desflorestação.

Ainda que os biocombustíveis tenham teor  carbônicos menores que os combustíveis fósseis, afirma o estudo, eles produzem outros tipos de poluição ambiental, incluindo a acidez do solo e um nível muito elevado de fertilizantes encontrado nos lagos e rios.

Por outro lado, o biogás produzido a partir de resíduos e restos de materiais são sólidos na redução das emissões, tendo metade do impacto ambiental da gasolina, assim como os biocombustíveis de etanol. Ou seja, os biocombustíveis têm tudo para ser bem sucedidos, mas precisam de novas tecnologias.

O estudo foi conduzido em parceria com o Institute Agroscope Reckenholz-Tanikon (ART) e o Paul Scherrer Institute (PSI) e é uma atualização de um relatório iniciado em 2007.



terça-feira, 30 de julho de 2013

PERMACULTURA - Você sabe o que é?


O termo permacultura surgiu da fusão das palavras “agricultura” e “permanência”. Em 1970 os pesquisadores australianos Bill Mollison e David Holmgrem inventaram a permacultura, resgatando os saberes ancestrais tradicionais de vida e relacionamento com a terra.

Hoje o movimento possui milhares de adeptos, muitos vivendo em ecovilas ou sítios, empenhados em criar sistemas de produção integrados em todas as fases.'


No Brasil existem mais de 100 ecovilas em operação.

História

1972 – Bill Mollison revoltado se demiti e retira-se para o mato, constrói um celeiro e uma casa e começa a plantar.
1972 – criam juntos o primeiro manifesto de Permacultura – o livro Permacultura Um – agricultura perene para assentamentos humanos.
1979 – Bill Mollison criou o Permacultura Dois
1988 – Bill Mollison criou o Mnual de Design
1992 – Bill Mollison visita o Brasil e ministra o curso 1º Curso de Design em Permacultura – PDC
- Neste curso formam-se os primeiros permacultores brasileiros, com a missao de divulgá-la e criar os Institutos de Permacultura no Brasil: IPEC, IPA, IPAB, IPRS, IPEP, IPEMA, IPCP, IPOEMA, OPA.
2000 – Mollison ganhou o prêmio “Nobel Alternativo” a medalha VAVILOV da academia Soviética de Ciências e recentemente foi declarado o Ecologista do Século na Austrália
2002 – David lançou o livro: Princípios e Caminhos Além da Sustentabilidade
2007 – Ocorre em São Paulo à primeira Conferência Internacional de Permacultura – IPC8 do Brasil.
2007 – Vendo a falta de união dos permacultores em atividade práticas no Brasil, amigos se reúnem e formam o Coletivo Permacultores com finalidade de conectar pessoas para práticas permaculturais.
2007 – David visita o Brasil e dá diversos cursos em Princípios Avançados de Permacultura. (Brasília, Florianópolis, São Paulo e Bahia)
2008 – A permacultura está espalhada por mais de 140 países.


O que é permacultura?

Permacultura é um conceito prático que pode ser aplicado tanto na cidade como no campo e em áreas de vida silvestre.
Inicialmente a permacultura dedicou esforços no planejamento de ecosistemas agrícolas produtivos no sentido de permitir estabilidade diversidade à semelhança dos ecossistemas naturais. O conceito foi sendo ampliado e aplicado a todos os ramos da atividade humana.

O planejamento de desenvolvido através da cuidadosa observação dos padrões naturais e características de cada lugar em particular implementando gradualmente a integração humana com os sistemas naturais de produção de energias como florestas, plantas e animais.

A permacultura promove o aproveitamento de todos os recursos. O excesso e descarte produzidos são analisados e reutilizados.
Os fundamentos éticos da permacultura repousam sobre cuidar do Planeta Terra, isso inclui a possibilidade humana de acesso a recursos e provisões sem desperdício ou acúmulos além do necessário.

A concepção política da permacultura é crescente desde o surgimento da crise ecológica em 1970. Os ativistas permacultores geram espaços de máxima produtividade e de mínimo desperdício. Trabalham para o surgimento gradual de cooperativos, comunidades ou vilas auto-suficientes. Quanto mais produtiva as áreas dos assentamentos, melhor será a proteção das florestas e outras áreas silvestres.


Permacultura e meio ambiente

Os adeptos da permacultura acreditam que o modo de vida baseado no consumo de recursos não renováveis e no descarte do lixo em quantidades crescentes, leve a humanidade à extinção. Dessa forma propõem mudar o sistema de vida humano onde nada é desperdiçado, semelhante a natureza.

Tudo é reaproveitado, o lixo orgânico é transformado em adubo, o lixo seco é reutilizado e muitas vezes usado nas bioconstruções não poluindo e nem degradando a natureza.

Fonte: Revista Planeta,  Permacoletivo