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domingo, 23 de dezembro de 2018

Homens da Galáxia Azul - Os Verdadeiros Construtores das Pirâmides?

Numa revista que encontramos em circulação no Distrito Federal do México, achamos o seguinte relato:

“Em 1960, uma revista científica soviética, apoiando-se nos relatos do historiador egípcio Maneton e do grego Heródoto, assim como nas inscrições do enigma da Atlântida e da vinda de seres extraterrestres, a pergunta que se faziam era esta: ‘Foram os atlantes um povo de tez azulada?’ Dizem algumas tradições que os atlantes fundaram a civilização egípcia e que os chefes mais antigos das dinastias eram atlantes de raça pura.

Os artistas egípcios, que reproduziram cuidadosamente os objetos em seus murais e respeitaram as cores, como pintaram os seus deuses? ‘Osíris tinha o rosto verde (por ser o deus da vegetação que renasce); Toth estava pigmentado de verde ou de azul-pálido, e Amon e Shu eram francamente azuis.

Por que essa cor formava parte dos deuses egípcios? Só se pode responder de uma maneira: eram descendentes de um povo de pele azul!’ Deveríamos crer que Osíris e Thoth, que chegaram ao Egito procedentes de um país de altas montanhas, encontraram uma região com clima quente e muito sol, e viram a sua tez modificada pelo sol, que terminou por lhes dar uma pele olivácea (azul mais amarelo igual a verde), como costumam tê-la em nossos dias os habitantes do Mediterrâneo”.

Mestre, o senhor poderia nos explicar algo a respeito?

Resposta de Samael Aun Weor: Dito artigo é um pouco vago e obscuro. Fala sobre a Raça Azul, supõe que esta vem da Atlântida, mas não nega a origem da cultura egípcia. É óbvio que os Homens Azuis são os antigos construtores das pirâmides. Sem embargo, algo falha no artigo. Permita-nos a liberdade de dissentir. Necessitamos enfatizar o fato concreto de que os Homens Azuis jamais vieram do continente atlante.

Alguns supõem que os Homens Azuis vieram de Vênus, e não está demais citar outro aparte do citado artigo: “Recordemos os extraordinários acontecimentos sucedidos em tempos remotos em Vênus, que foram anotados pelos astrônomos da Antiguidade. O próprio Santo Agostinho afirma que Castor, o Ródio, deixou escrito o relato de um prodígio assombroso ocorrido nesse planeta, que de pronto mudou de tamanho, de cor e até de órbita em torno do Sol, ao mesmo tempo que perdia satélites.

Esse fato sem precedentes deve ter acontecido em tempos do rei Ogygés, fundador de Tebas, como asseguram Adrasto, Cyzicênio e Dies, notáveis matemáticos de Nápoles. Que se sucedeu em Vênus para que parte de sua povoação fugisse precipitadamente rumo à Terra? Uma colisão Uma explosão nuclear? Não podemos dizer nada, mas para ser certa qualquer uma dessas hipóteses, teremos de crer que Vênus esteve ligado à história de nosso planeta, e resulta curioso que os sábios soviéticos insistam em relacionar o mistério de Vênus com os da Atlântida e Tiahuanaco”.

Como vocês verão, queridos leitores, o autor do artículo mencionado e cujos apartes foram transcritos com o propósito de refutá-los, tem duas opiniões diferentes e nenhuma delas é verdadeira. Aqui no México conhecemos o caso de Salvador Villanueva Medina, autor de um livro que se intitula Estive no Planeta Vênus.

Conheço pessoalmente esse homem e sei que é sincero, não se trata de nenhum charlatão ou fantasiador; foi rigorosamente examinado pelos psiquiatras e os resultados obviamente foram os de um homem sério e totalmente equilibrado.

Tal cavalheiro escreveu para o bem da humanidade; narrou a seus semelhantes o que lhe aconteceu. Como quer que era um simples condutor, conduzindo um carro até os Estados Unidos, teve de passar por alguma dessas peripécias. O automóvel se danificou e os norte-americanos que viajavam com ele desceram do carro abandonando-o, para se dirigirem a um povoado próximo com o propósito de pedir ajuda.

Esta é a uma das centenas de galáxias azuis descobertas pelo Telescópio Hubble. Seu nome é “little Lion”

Villanueva Medina ficou só, jogou-se debaixo do carro com o propósito de observá-lo e consertá-lo. Sentiu passos na areia, saiu debaixo do carro e se encontrou com um venusiano que falou com ele.

O que ocorreu após foi muito interessante. Convidaram-no e ele aceitou. Foi levado em uma nave até o planeta Vênus, onde conheceu uma civilização extraordinária. Depois de cinco dias foi trazido outra vez à Terra.

A descrição que Villanueva Medina dá sobre os homens de Vênus concorda com a que sobre eles nos dá George Adamski, famoso cientista americano. A estatura dos venusianos era em média 1,10 metro, a pele branca rosada, cabelos prateados, formoso rosto etc. Villanueva Medina não viu, pois, Homens Azuis no planeta Vênus. Assim, então, tal hipótese também fica descartada.

De onde vieram, então, os Homens Azuis? Existiram, é ostensivo. Muitas pessoas assim o afirmam, mas elas desconhecem a sua origem. Nós asseveramos solenemente dizendo: os Homens Azuis vieram da Galáxia Azul! Não há dúvidas de que eles criaram as poderosas civilizações do Egito, da Caldeia, da Assíria, da Babilônia etc.

Pergunta: O senhor poderia nos dizer com que finalidades e para que vieram?
Samael Aun Weor: Com o maior prazer darei resposta ao cavalheiro, pois muito me agrada sua pergunta. Permita-me informar sobre a Fraternidade Cósmica Universal. Assim como existe ajuda mútua entre pessoas boas, assim também há entre planeta e planeta e entre galáxia e galáxia.

Os Mestres da Galáxia Azul, levados pelo Amor Universal, preocuparam-se muitíssimo por nossa humanidade terrícola, ajudando-nos incessantemente desde a noite mais profunda dos séculos. Repito: eles foram realmente os que instruíram os arquitetos das pirâmides, os que ensinaram a Doutrina Secreta aos atlantes e aos egípcios, os que estabeleceram os Mistérios gloriosos das poderosas civilizações de Caldeia e da Assíria.

Seu trabalho foi maravilhoso, formidável. Eles nos amaram de verdade e ainda continuam nos amando, pois, ainda que pareça incrível, vivem neste aflito mundo com o propósito de nos ajudar na hora crítica que precede o Grande Cataclismo.

P: O senhor me surpreende com o seu relato. Poderia dizer-me se vivem neste planeta e em que lugar habitam?
SAW: A pergunta que a dama faz é por certo bastante interessante e bem vale a pena que lhe demos uma resposta concreta. Tenho de informar, para seu conhecimento, que os Homens Azuis vivem numa cidade subterrânea sob o gelo do Polo Sul.

P: Como é possível que possam subsistir a tão baixas temperaturas? Seu organismo é diferente do nosso? Como fazem para viver?
SAW: Vamos responder às perguntas do cavalheiro. Rogo a maior atenção do auditório. Os organismos dos Homens Azuis são similares aos nossos, isso é óbvio. Quero que todos vocês entendam que os homens provenientes da Galáxia Azul não têm casa de gelo como os esquimós, nem nada do estilo, pois seria absurdo pensar que tais criaturas vivessem em iglus de gelo. O melhor é compreender que eles possuem uma cidade subterrânea, feita nas próprias entranhas da Terra. Se há gelos em cima das rochas e da terra em geral, não afetam em nada a cidade submersa. O problema climatológico não existe para os Homens Azuis. É ostensivo que se eles puderam conquistar o espaço infinito possuem adiantamentos técnicos formidáveis. Não é difícil compreender que eles puderam criar seu próprio clima dentro de sua misteriosa cidade.


P: Por que, havendo outros lugares dentro de nosso planeta, com melhor clima e vegetação, escolheram um lugar tão inacessível?
SAW: Dou resposta ao cavalheiro. As terras dos polos Norte e Sul, hoje cobertas de gelo depois da passada Glaciação, noutro tempo tiveram poderosas civilizações, magníficos climas equatoriais e esplêndidas cidades. Não estranhe o cavalheiro o que afirmo. Essa cidade subterrânea onde agora vivem os Homens Azuis é antiquíssima, foi feita antes da passada glaciação. Isso significa que tal cidade tem muitos milhões de anos de existência, que advém das épocas arcaicas da Terra, que sempre foi a morada secreta dos Homens Azuis. Como quer que seja, eles têm naves cósmicas com as quais podem viajar a través do espaço infinito, é algo palmário e manifesto que eles não sofrem de problemas de abastecimento.

P: Esses homens azuis, Mestre, chegaram alguma vez a sair de sua cidade para conviver com os terrícolas?
SAW: Vamos responder à distinta dama. Permita-me dizer-lhe, senhorita, que nas épocas do Egito, da Assíria e da Babilônia tais homens foram recebidos como verdadeiros Deuses. Desgraçadamente, estamos na Idade de Ferro, na época de degeneração mundial, e por esse motivo, eles rara vez se mesclam com as multidões. Sem embargo, não está demais afirmar que de vez em quando algum desses homens extraordinários convive com as pessoas. Certa dama me contou o fato concreto de que ela havia visto um homem de tez azul em Buenos Aires, na Argentina.

P: Mestre, esses Homens Azuis têm alguma missão a cumprir nesta época ou no futuro?
SAW:Vejo que quem fez a pergunta é um missionário gnóstico internacional e é claro que com o maior prazer darei resposta. Os Homens Azuis estão auxiliando a humanidade com procedimentos telepáticos favoráveis para alguns, e é evidente que dentro de alguns anos esses homens extraordinários terão de se lançar às ruas, publicamente, para admoestar as pessoas, para chamá-las ao arrependimento, para fazê-las ver o cataclismo espantoso que se avizinha.

P: Mestre, o senhor poderia nos dizer que quantidade aproximada de habitantes existem nessa Cidade Azul?
SAW: Bem, distinto cavalheiro, darei resposta à sua pergunta. Permita-me dizer que eu não os contei, mas posso assegurar-lhe de que é uma cidade bastante grande, muito semelhante em tamanho à Cidade do México, com vários milhões de pessoas e muitas casas, ruas e avenidas e amplo campo para guardar suas naves. Mas, exatamente, não sei que quantidade de pessoas vive lá, pelo menos não o perguntei ao rei da cidade.

P: Assombra muito que tenham um governo monárquico, mas o senhor poderia dizer, dado que eles são seres iluminados, se o rei que os governa é divino?
SAW: Distinta senhorita, sua pergunta é inquietante. Alegra-me responder-lhe. Sua Majestade o conheço, e solenemente lhes digo que ele pertence às Dinastias Solares. Trata-se de um autêntico e iluminado Mestre de Perfeição, que não necessita de gendarmes ou soldados armados para se fazer obedecer por seu povo. Todo mundo o respeita, pois é terrivelmente divino.

P: Mestre, poderia dizer-nos como o senhor fez para se pôr em contato com dito monarca? Acaso, o senhor tem alguma nave cósmica? Ou que meio utilizou para poder chegar à Cidade Azul onde habitam esses seres?
SAW: Amável cavalheiro, vou responder com claridade a seu anelo de inquirir e investigar. Existem procedimentos telepáticos, ninguém ignora que mediante a Telepatia se pode pôr em contato com pessoas que vivem em distintos lugares do mundo, ainda que a remotas distâncias. Sem embargo, nós vamos mais longe ainda nessa questão. Temos procedimentos secretos por meio dos quais podemos nos transportar espiritualmente a qualquer lugar secreto, incluindo, como é lógico, à cidade subterrânea dos Homens Azuis. Eu visitei tal cidade, não o nego, e você e vocês todos também podem fazê-lo se conhecerem nossos procedimentos.

O interessante é que ingressem a nossos estudos gnósticos, que estudem nossos livros etc. É claro que ao visitar espiritualmente aquela misteriosa cidade, tive de pedir primeiro permissão à Sua Majestade o rei. Sem a permissão daquele monarca que governa a cidade eu não teria podido passear tranquilamente pelas ruas maravilhosas da misteriosa urbe.

P: Poderia explicar-nos algo sobre ela? Como é e que tipo de construção têm?
SAW: É claro, estimado senhor, que aquela cidade esplêndida, construída entre as próprias entranhas da terra, é muito diferente de todas que conhecemos atualmente neste aflito mundo onde vivemos. Um caminho serpenteado conduz até às portas da cidade. As ruas e avenidas estão iluminadas, como é natural, por lâmpadas maravilhosas que fazem daquela gigantesca caverna algo luminoso e radiante, pois aparece como um dia esplêndido. Poderia dizer que eles manejam a luz e as trevas de forma perfeita. Têm 70 esplêndidas salas distribuídas nos distintos lugares da cidade, e em tais recintos celebram suas assembleias ou realizam seus estudos.

P: Que classe de estudos esses seres fazem?
SAW:É natural, distinta senhorita, que seus estudos são de tipo avançado. Trata-se de ciências cósmicas, elevados assuntos espirituais, natureza etc. Não está demais dizer-lhe que dentro dessa grande urbe mística e inefável resplandece a Esfinge, símbolo vivente da sabedoria Iniciática.

P: Poderia dizer como se vestem e qual é o seu meio de transporte dentro da cidade?
SAW: Quero informar a você, bom amigo, que os membros daquela Raça Azul se vestem certamente com elegância e distinção. Usam formosas túnicas de estilo antigo, belos mantos, sandálias de estilo muito clássico etc., vão e vêm pelas ruas da cidade ao longo das calçadas. Eles são de mediana estatura e formosa compleição. Transportam-se a pé ou em carros distintos aos que nós conhecemos, propulsionados por energia elétrica.

P: Poderia explicar, Mestre, que tipo de alimentação têm e onde a conseguem?
SAW: Sua pergunta é certamente muito interessante. É óbvio que têm de comer para viver, o seu alimento básico são algas marinhas, que as recolhem do fundo dos oceanos de todo o planeta Terra. Suas naves lhes permitem transportar-se para onde queiram no tempo e no espaço, mas, é claro que de sua galáxia trazem muitos outros alimentos com os quais se nutrem. Tenha-se em conta que eles não estão presos dentro da cidade, que possuem liberdade para viajar em suas naves para onde quiserem, e isso é tudo.

P: Poderia nos dizer que classe de moeda usam ou se não a possuem?
SAW:Senhorita, os homens autênticos, os homens cósmicos, não necessitam de dinheiro para poder viver. Eles têm sistemas, métodos econômicos imensamente superiores aos nossos, pobres animais intelectuais da Terra.

P: Qual é a mensagem que eles têm para a humanidade terrícola, na época atual?
SAW: Bondoso cavalheiro, sua pergunta é formidável, e é claro que passo a responder-lhe. Uma dama azul que permanece sempre junto ao rei me disse o seguinte: “O planeta Terra vai ser destruído, as pessoas que habitam a superfície da Terra creem que todas essas cidades e coisas materiais que possuem lhes vão durar toda a vida, apegam-se às coisas e isso é um absurdo, porque tudo o que têm vai ser destruído”.

P: De acordo com o que nos acaba de comunicar, seria preferível já não nos dedicarmos a conseguir nenhum objeto material?
SAW: Sua pergunta é inquietante. Permita-me, bom amigo, dizer-lhe que devemos viver de acordo com a Lei da Balança, não nos revolvermos no lodo da riqueza, tampouco no lodo da miséria. Devemos ter as coisas necessárias para a vida, mas não nos apegarmos jamais a elas. Lembre-se dos últimos dias de Pompeia; as pessoas então tratavam de fugir com seus tesouros, apegadas a todas as suas propriedades, e pereceram. As escavações demonstram que os habitantes de Pompeia, em sua maioria, foram esmagados pelas ruínas da cidade ou pelas pedras do Vesúvio.

Os Homens Azuis cumprirão uma gigantesca missão mundial nos momentos mais espantosos que se avizinham, eles lutarão por nos fazer voltar à Divindade, eles se preocuparão por nos mostrar o caminho da Salvação.

(Samael Aun Weor, Desfazendo Mistérios)


segunda-feira, 28 de maio de 2018

A Mídia Dilui Significado da Descoberta de Papiro com "ENSINAMENTOS SECRETOS" de Jesus


por Wilson Ferreira

As notícias foram dadas como alguma coisa entre Indiana Jones, conspirações do “Código da Vinci” de Dan Brown ou sobre Jesus convenientemente próximo do Natal. As notícias sobre a descoberta do manuscrito em grego do “Primeiro Apocalipse de Tiago” (manuscrito apócrifo gnóstico até então conhecido em linguagem copta da chamada “Biblioteca de Nag Hammadi”), perdido no acervo da Universidade de Oxford, foram cercadas por uma mitologia midiática que sempre é acionada para diluir aquilo que é de mais virulento e revolucionário no Gnosticismo (razão pela qual foi tão perseguido por toda a História): os conflitos políticos e econômicos como parte do drama de uma luta cósmica entre o Bem e o Mal, sem superação dialética ou solução evolutiva. A grande mídia cobriu a descoberta como “religiosa”, diluindo a potencial ameaça às instituições desse mundo: de que Jesus não veio para nos “salvar”, mas para nos revelar algo que já existe dentro de nós – apenas nos fazem esquecer através de ilusões. E a mídia que “noticia” a descoberta do manuscrito é uma delas.

Nem tão perto do Natal para ninguém perceber a notícias, ocupados que todos estão com seus afazeres natalinos; nem tão longe do Natal o suficiente para que ninguém associe o simbolismo da descoberta com a data do nascimento de Jesus.

Por isso o timing da notícia (primeira semana de dezembro) foi perfeito e, portanto, suspeito pelos seus propósitos.

Vamos em primeiro lugar à notícia:  estudiosos encontraram a mais antiga cópia de um texto cristão apócrifo em meio ao acervo da Universidade de Oxford, uma das mais antigas do mundo.

O manuscrito é uma edição em grego do “Primeiro Apocalipse de Tiago” que reúne os chamados “ensinamentos secretos de Jesus” para o seu “irmão” Tiago – para muitos historiadores, um “irmão espiritual”. 

Esse texto já era conhecido em copta (linguagem egípcia que evoluiu dos hieróglifos) dentro da coleção de 52 manuscritos gnósticos organizados em 13 códices de papel velino encadernados em couro, descobertos em 1945 no Alto Egito, e que acabaram conhecidos como “Biblioteca de Nag Hammadi” – aqui no Brasil reunidos em uma edição em português da editora Madras: James M. Robinson, A Biblioteca de Nag Hammadi. A biblioteca foi encontrada em um enorme jarro no que é hoje a cidade de Nag Hammadi.

Manuscritos de Nag Hammadi

O documento de 1.600 anos atrás, descreve como Jesus passa o conhecimento da “prisão terrena” para Tiago, além de revelar que o mundo é protegido por figuras demoníacas (os “Arcontes”) que bloqueiam o caminho da elevação espiritual após a morte através dos diversos céus, mantendo-nos prisioneiros do mundo material.


Narrativa herética

Essa narrativa foi considerada herética por apresentar uma versão de Jesus bem diferente: muito mais revelador de uma sabedoria já pré-existente no homem (porém, esquecida) do que um messias que teria vindo para redimir a humanidade do pecado – na verdade todo o pecado e o Mal já estariam presentes na própria Criação que aprisiona a humanidade.

Em outras palavras, o “Primeiro Apocalipse de Tiago” mostra Jesus como um enviado (um “aeon”) que não tinha o propósito de nos “salvar”, mas tentar despertar-nos do sono do esquecimento através dos “ensinamentos secretos” – a gnose.

O texto, assim como todo o restante da coleção gnóstica de Nag Hammadi, foi proibido desde que Athanasius, bispo de Alexandria, definiu o cânone dos 27 livros que formariam o Novo Testamento bíblico. Banindo todas as seitas sincréticas conhecidas como “gnósticas”, condenando-as à perseguição e o genocídio, como o episódio do massacre dos gnósticos Cátaros em Laguedoc, Sul da França, no século XII.

Geoffrey Smith e Brent Landau: professores da Universidade do Texas que descobriram o manuscrito.

Desde o triunfo do cristianismo ortodoxo, o Gnosticismo (assim como os seus derivados esotéricos como a Alquimia) acabou habitando os subterrâneos dos movimentos sociais. E acabou transcendendo o campo religioso para sua cosmogonia e ontologia inspirarem pensadores revolucionários e movimentos culturais e artísticos críticos: o Iluminismo, o Romantismo dos séculos XVIII-XIX, o revival espiritualista e esotérico do Espiritismo e Teosofia do século XIX, até chegar no século XX no campo científico e cultura de massas – dos paradoxos  da Física Quântica até alcançar Hollywood é a suas melhores traduções fílmicas (porque didáticos) do drama cósmico descrito pelos evangelhos apócrifos gnósticos: Matrix e Show de Truman.  


Mitologias midiáticas contra o Gnosticismo

Por isso, desde a descoberta da coleção de Nag Hammadi, o mundo tem uma bomba nas mãos – sincronicamente, coincidiu com as explosões das bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki. Evangelhos diametralmente opostos aos bíblicos canônicos, que potencialmente são capazes de colocar os conflitos econômicos e políticos desse mundo em um novo patamar – como partes de um drama cósmico de uma luta universal entre o Bem e o Mal, sem superação dialética ou solução evolutiva. 

Seria muita ingenuidade da nossa parte acreditarmos que a perseguição ao Gnosticismo tenha acabado e ficado lá atrás na Inquisição católica. Apenas as estratégias de repressão a uma histórica heresia mudaram: de banimentos, assassinatos e genocídios à diluição através da grande mídia e indústria do entretenimento.

"Primeiro Apocalipse de Tiago": o conflito cósmico entre o Bem e o Mal.

Um olhar mais detido na cobertura feita pela mídia corporativa à notícia da descoberta da edição em grego do Apocalipse de Tiago transita por diversos mitos que compõe uma mitologia midiática maior: 

(a) a compartimentalização da notícia aos chamados “fatos diversos” – curiosidades históricas, científicas etc.; 

(b) o mito do “antigo”, do “perdido” ou do “raro” – um manuscrito em língua morta no qual o fetichismo da forma (o “papiro”, o “antigo”) desvia a atenção da mensagem do conteúdo; 

(c) o mito do objeto “religioso”, principalmente pela proximidade da suposta data do nascimento de Jesus;

(d) o mito do “herege”, do “secreto”, um fetiche que se aproxima de um imaginário conspiratório ao estilo do canal History Channel ou alguma coisa parecida com “Código da Vinci” de Dan Brown.

A cobertura foi anódina, na qual se evita o termo “Gnosticismo” para substituir por “cristianismo primitivo”, “manuscrito sobre Jesus”, “texto herege” ou “texto proibido” – menos pela sua mensagem, mas muito mais por supostos detalhes pessoais de Jesus: ele supostamente teve um “irmão”...

Os pesquisadores bíblicos da Universidade do Texas em Austin já haviam descoberto o documento no início do ano nos arquivos de Oxford e anunciada a descoberta no encontro anual da Society of Biblical Literature de Boston em 18 de novembro para só agora ser divulgado pela grande mídia, revelando o timing preciso, equidistante às comemorações natalinas. O que produz um efeito ideológico: a notícia como uma descoberta religiosa... coisas de religião...

"Primeiro Apocalipse de Tiago": o conflito cósmico entre o Bem e o Mal.

Manuscrito explosivo

E porque o “Apocalipse de Tiago” é um componente explosivo no interior da bomba armada pela Biblioteca de Nag Hammadi?

O texto não é um apocalipse propriamente dito, mas com características apocalípticas ao descrever a geografia celeste com seus 72 céus e as “senhas secretas” dadas a Tiago por Jesus para que consiga escapar dos poderes malignos dos Arcontes (regentes de cada céu sob o poder do Demiurgo – Yaodabaoth) após os martírios e a morte no plano material – para ler uma tradução do texto clique aqui.

Jesus adverte a Tiago que ele também passará por algo semelhante aos martírios da Paixão: “Não temas Tiago! Apanhar-te-ão a ti também. Mas separa-te de Jerusalém! Pois ela é a taça da amargura durante os tempos aos filhos da luz. É um lugar de estadia de um grande número de arcontes, mas tua redenção estará a salvo deles”.

A ascensão de Tiago e dos gnósticos é na direção da Plenitude (o Pleroma), a moradia do verdadeiro Pai fora da Criação.  

O Tiago em questão não é um dos apóstolos, mas aquele que na tradição do cristianismo ficou conhecido como “Tiago, o irmão do Senhor” e “Tiago, o justo”.

O cenário da narrativa é de iniquidade e perseguições ao povo e como a dedicação de Tiago  ao Deus Supremo (“Aquele-que-é”) despertou a fúria do deus dos judeus (o criador do mundo material e comandantes dos Arcontes), destruindo o Templo e Jerusalém.

O “Apocalipse de Tiago” explicita esse conflito cósmico que envolve tanto o mundo material (político) como o espiritual (pós-morte). Por isso, a contundência desse manuscrito, mensagem que passou bem distante da cobertura dada pela grande mídia.

No cinema, os clássicos Matrix e Show de Truman figuram esse conflito no mundo material – protagonistas prisioneiros em ilusões tecnologicamente criadas por arcontes desse mundo.

Por sua vez, filmes como Enter The Void, The Discovery, O Terceiro Olho, I Am a Ghost etc. são exemplos de narrativas que especulam sobre essas “senhas” (a gnose) para a alma escapar das armadilhas pós-morte que nos prendem nesse mundo físico e que fazem girar a “roda de Samsara” do ciclo interminável de reencarnações e sofrimento.

Sintetizando: a notícia da edição em grego do manuscrito seria a oportunidade da discussão do seu conteúdo – como sempre, trancado a sete chaves através da mitologia do “secreto”, do “religioso”, do “perdido”. Como o conteúdo seria “incompreensível” a opinião pública fica perdida no fetiche da “antiguidade” como um documento cuja importância está perdida em si mesmo. 

A perseguição ao Gnosticismo permanece, dessa vez sob as camadas pesadas da notícia e do entretenimento.

Com informações do Daily Mail, Society of Biblical Literature, Independent, O Globo.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

SANTA SARA: A Filha de JESUS CRISTO e MARIA MADALENA



Contam as antigas lendas francesas relacionadas à descendência de Jesus Cristo e Maria Madalena que durante a perseguição aos cristãos primitivos ocorrida nos anos seguintes à crucificação, alguns dos discípulos do Grande Kabir e pessoas próximas ao Divino Casal fugiram da Judeia em um barco e chegaram à costa sul da Gália, atual França.

Na embarcação usada para a fuga pelo mar Mediterrâneo estavam os irmãos Lázaro, Maria Madalena e Marta, juntamente com a mãe dos apóstolos João e Tiago, chamada Maria Salomé, acompanhados ainda por Maria de Cleofas, a tia de Jesus, e Maximin d’Aix, um dos setenta e dois discípulos de Jesus Cristo e famoso evangelizador da região de Aix-en-Provence.

Além de todos eles, participava desta jornada uma jovem de pele morena, supostamente vinda do Alto Egito para servir à tia de Jesus como aia. Seu nome era Sara, quem atualmente vem sendo identificada na literatura sobre a descendência familiar de Jesus Cristo como sendo sua filha com Maria Madalena.

Esta tradição ressurgiu com força na década de 1980, graças à obra O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, dos escritores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln. Nos últimos anos, as teorias sobre os frutos da união matrimonial celebrada entre Jesus e sua principal discípula vêm ganhando cada vez mais força no imaginário popular graças à publicação de novos romances históricos baseados nas ideias que acabaram sendo popularizadas pelo escritor Dan Brown.

Alguns autores mais recentes que aproveitam o sucesso do bestseller O Código Da Vinci e a ideia que identifica o Santo Graal com o Sangue Real dos herdeiros do Salvador e sua esposa redimida sugerem que Santa Sara, a menina egípcia que acompanhou os familiares e discípulos de Jesus Cristo na embarcação rumo às terras francesas, era na verdade a filha do divino casal da Galileia.

Este é o caso do livro The Woman with the Alabaster Jar: Mary Magdalen and the Holy Grail (A Mulher com o Vaso de Alabastro: Maria Madalena e o Santo Graal), escrito por Margaret Starbird e publicado em 1993, contendo a ideia de que Santa Sara é a filha de Jesus e Madalena, e que este fato seria a autêntica fonte da lenda associada com a mística de Saintes-Maries-de-la-Mer.

Como já mencionamos acima, a tradição local afirma que a cidade de Saintes-Maries-de-la-Mer foi o porto onde os familiares e discípulos de Jesus desembarcaram de sua fuga pelo Mediterrâneo. No barco estavam as chamadas Três Marias, Maria Madalena, Maria Salomé e Maria de Cleofas, as três mulheres que primeiro testemunharam a tumba vazia de Jesus, e cujas relíquias são o foco de devoção de peregrinos.

Assim que Jesus foi crucificado, as Três Marias e sua comitiva teriam partido da cidade egípcia de Alexandria acompanhadas de seu tio, José de Arimateia. As lendas francesas sustentam que a embarcação chegou ao território que hoje corresponde ao sul da França, onde havia uma fortaleza chamada Oppidum-Ra. O local passou logo a ser conhecido como Notre-Dame-de-Ratis, pois Ra se tornou Ratis (que em latim significa algo como “navegar”), para mais tarde tornar-se Notre-Dame-de-la-Mer, e no século XIX, Saintes-Maries-de-la-Mer.

Margaret Starbird afirma que o nome Sara significa “princesa” em hebraico, um forte indicativo de que ela seria a descendente esquecida do “sang réal”, o sangue real do Rei dos Judeus. O esquecimento de Sara teria sido consequência da supressão que o Catolicismo Romano realizou sobre a veneração e a devoção ao Sagrado Feminino, resultando num desequilíbrio espiritual da doutrina cristã.

Para a autora, o Cristianismo Primitivo incluía a celebração do chamado Hierosgamos, que significa “casamento sagrado”, a união sexual divina e divinizante, o mesmo Sacramento da Câmara Nupcial dos antigos gnósticos, e o Grande Arcano dos gnósticos contemporâneos, tal como foi ensinado por Samael Aun Weor em sua extensa obra.

Esta celebração oferecia um modelo arquetípico do noivo (Jesus Cristo) e da noiva (Maria Madalena), ensinando a metafísica da união do Espírito Puro (Real Ser Interior) com a Alma Arrependida (que vai sendo liberta dos Eus Psicológicos), e a ciência da união sexual entre homem e mulher. Este último corresponde à mescla inteligente do erótico com o sagrado, um ato religioso capaz de converter seus adeptos em deuses, ou seja, de levá-los à união com a Divindade para conhecer seus Mistérios.

Este modelo de unidade conciliadora da dualidade acabou sendo perdido logo nos primeiros séculos do Cristianismo, uma verdadeira tragédia espiritual que acabou excluindo as lideranças femininas, o que era muito comum no tempo dos primeiros discípulos de Jesus. A autora insiste que tal parceria sagrada é universal e apenas reflete aquela existente em outras regiões do planeta, em contextos religiosos muito anteriores ao daquele em que se formou a religião do Cristo.

Nos dias atuais, para o bem da retomada do equilíbrio de gêneros na religiosidade cristã e a revisão da importância da sexualidade para uma espiritualidade conciliadora do humano com o divino, Santa Sara converteu-se em um instrumento de oposição aos velhos padrões autoritários e de rigidez hierárquica, onde o masculino impera à força e às cegas sobre o feminino por puro medo de perder seu poder e de ser tragado pela sensualidade que secretamente deseja.

E para o esoterismo gnóstico, Santa Sara representa o fruto maravilhoso deste casamento divino que acontece no interior de cada discípulo que celebra o Hierosgamos, que recebe o Sacramento da Câmara Nupcial, e que opera com o Grande Arcano ensinado pelo Gnosticismo nos dias atuais. Este fruto é a alma cristificada, livre de toda amarra psicológica, das ilusões e dos apegos, pronta para experimentar a GNOSIS e com ela a VERDADE.

Fonte: SGI

terça-feira, 18 de março de 2014

CIDADES INTRATERRENAS


Segundo o conhecimento oculto, existem no seio da Terra 3 reinos internos denominados de Agharta, Badagas e Duat. Várias cidades se interligam entre si nesses reinos subterrâneos referidos  por vários autores como Francis Bacon, Thomas Moore, Tomaso Campanella, Bulwer Lytton, James Hilton, Alice Baley, René Guénon e outros.  O livro "São Thomé das Letras" de Oriental Luiz Noronha fala desse Mundo Subterrâneo e do contacto com alguns de seus habitantes que andam entre nós. 

Helena Petrova Blavastky, a grande teosofista russa, refere-se a Shamballa como a Capital ou o Centro do Mundo e o explorador polonês Ferdinand Ossendovski refere-se ao reino de Agartha habitado por milhões de indivíduos governados por um soberano, Rigden Jyepo. 

Ossendovski, faz referências a Agartha no seu livro Bestas, Homens e Deuses, mostrando que o povo oriental crê em tal facto, especialmente os hindus, tibetanos, mongóis e chineses. Diz-se mesmo que em determinados momentos toda a natureza se cala na superfície  para louvar o Rei do Mundo em suas manifestações no plano físico. No final do século XIX, o marquês Saint-Yves D'Alveydre viajou pela Índia e arredores e ouviu relatos semelhantes, que registrou na sua obra Missão da Índia.


Das várias cidades internas, Telos será uma das mais importantes com 1.500.000 habitantes remanescentes da Lemúria (antigo continente desaparecido), situada sob os montes Shasta, na Califórnia. Depois existe  Posid, com 1.300.000 habitantes remanescentes de Atlântida, localizada abaixo das planícies de Mato Grosso no Brasil. Na serra do Roncador situa-se Létha e outras mais sob o grande Continente sul americano. Uma outra será Shonshe, refúgio da cultura Uighur que fica nos Himalaias e sua entrada é protegida por um Monastério, e Shingwa fica localizada na fronteira da Mongólia com a China e uma pequena cidade secundária no Monte Lassen.


Telos significa “Comunicação com o Espírito”, tem forma de domo e é formada por cinco níveis. O primeiro nível concentra o comércio, educação e administração, além de um Templo em forma de pirâmide com capacidade para 50.000 indivíduos. A Ascensão é o objectivo principal da Comunidade onde não há dissenções religiosas de nenhuma espécie e sim compreensão da Unidade para os vários Planos da Eternidade.

Toda a população em Telos é vegetariana desde há 12.000 anos e ali não existem doenças ou violência devido a isso, contrariamente à população da superfície. A longevidade é uma característica dessa civilização avançada onde o envelhecimento dos corpos físicos é retardado podendo viver vários séculos pela sua condição genética, apesar de não serem imortais, pois isso só é possivel no plano do espírito e não da matéria perecível que é sempre passível de transformação em qualquer dimensão. 

Em Telos não existe dinheiro e todas as necessidades básicas de seus habitantes são supridas, não havendo a chamada luta de classes ou pela sobrevivência nem tão pouco as desigualdades sociais tão comuns na Sociedade humana.  


As ligações entre as várias cidades intraterrenas são feitas por imensos túneis por onde circulam veículos velozes, tipo Metro, que atravessam todo o globo interno, havendo outros veículos (os chamados Ovnis) que saiem para a superfície por aberturas nas montanhas e calotas polares por onde adentrou Richard Byrd nas suas viagens ao Polo Norte e Polo Sul, tendo contactado uma civilização mais avançada no interior da Terra onde esteve durante 20 dias, como descreve no seu Diário que conservou secreto até à sua morte em 1957, pois esteve impedido pelo governo de seu país de dizer ao mundo tudo o que vira e sabia.

Acredita-se por fim que muitos desses intraterrenos  se encontram atualmente na superfície do Planeta no sentido de ajudar a humanidade e desenvolver-se a vários níveis e fundir os dois mundos (interno e externo) para uma Sociedade mais perfeita, evoluída e avançada, sem guerras,  sem violência, sem injustiças e  desigualdades sociais, de mais respeito pela Vida, pela Natureza e amor pelos animais. 



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quinta-feira, 6 de março de 2014

Magia do Gato


Vamos agora conversar um pouco sobre os “naguais”, assunto que pertence às velhas tradições do povo mexicano.

Chegam-me à memória múltiplos e extraordinários casos que merecem ser estudados. Oaxaca sempre foi um povo de místicas lendas, as quais os esoteristas deveriam conhecer.

Uma criança, quando nasce, naquela região, é devidamente relacionada com os famosos naguais. Seja de noite ou de dia, os familiares farão um círculo com cinzas ao redor da casa.

Disseram-nos que de manhã eles observam as pegadas que os animais do lugar deixaram nas cinzas. Se os rastros correspondem, por exemplo, a uma raposa montanhesa, ela será o nagual da criança. Se forem de qualquer outro animal da redondeza, será este o nagual, o Elemental, do recém-nascido.

Passemos agora para os naguais vegetais. Desde os antigos tempos enterra-se o umbigo do recém-nascido junto com o rebento de uma árvore qualquer.

Obviamente, a árvore fica relacionada com a criança, crescendo ambas simultaneamente através do tempo. Saibam todos que o elemental da árvore pode ajudar à criatura com ele relacionada, em inúmeros aspectos da vida…

Vejam vocês que em Oaxaca essas tradições milenares não se perderam. Muitos nativos estão devidamente protegidos pelos elementais, aos quais foram vinculados no nascimento.

Os Naguais são elementais ideais quando os amamos realmente. Um nagual extraordinário, sem sombra de dúvida, é o gato preto. Descreverei em seguida um experimento que fiz com esse animal:

Tínhamos em casa um pequeno gato preto. Propus-me a ganhar seu carinho e o consegui. Certa noite, resolvi fazer uma experiência metafísica transcendental. Deitado na cama, coloquei o inocente animal ao meu lado.

Relaxei o corpo de maneira certa e concentrei-me profundamente no felino, rogando-lhe para que me tirasse do corpo físico. A concentração foi longa e profunda e durou, possivelmente, uma hora, quando adormeci por algum tempo.

Se repente, uma extraordinária surpresa! Aquela criatura aumentou de tamanho e transformou-se num gigante de enormes proporções, deitado à margem da cama. Toquei-o com a mão direita e pareceu-me de aço.

Seu rosto era negro como a noite e seu corpo irradiava eletricidade. O corpo tinha a mesma cor negra, mas abandonara a forma animalesca, assumindo compleição humana, com excessão do rosto que, ainda gigantesco, continuava sendo de gato. Foi uma coisa incrível, pela qual eu não esperava.

Fiquei muito espantado a ponto de o afugentar com a Conjuração dos Sete do sábio rei Salomão. Voltando ao meu estado normal notei, com surpresa, que aquela inocente criatura estava junto a mim outra vez em forma de gatinho.

No outro dia, andei muito preocupado pelas ruas da cidade. Achava que já tinha eliminado o medo de minha natureza e eis que o nagual me pregara um tremendo susto. Entretanto, eu não queria perder aquela batalha.

Aguardei a noite seguinte para repetir o experimento. Coloquei novamente em minha cama o gatinho , à direita, como o fizera na noite anterior. Relaxei o corpo físico, não deixando nenhum músculo sob tensão. Depois, concentrei-me profundamente no felino, guardando no fundo do coração a intenção de não me assustar outra vez.

Soldado em estado de alerta não morre em tempo de guerra e eu já estava obviamente informado sobre o que previamente aconteceria. Portanto, o temor tinha sido eliminado de meu Interior.

Transcorrido aproximadamente uma hora, em profunda concentração, repetiu-se exatamente o mesmo fenômeno da noite anterior. O elemental do gatinho saiu do corpo para adquirir a gigantesca e terrível figura humana.

Deitado em meu leito, olhei-o. Era verdadeiramente espantoso. Seu enorme corpo não cabia na cama. Suas pernas e pés sobravam em meu humilde leito. O que mais me assombrou foi que o elemental, ao abandonar seu corpo denso, pudesse materializar-se fisicamente, fazer-se visível e tangível aos meus sentidos, pois podia tocá-lo com minhas mãos físicas e seu corpo parecia de ferro.

Podia vê-lo com meus olhos físicos. Sua face era espantosa. Dessa vez não tive medo. Propus-me a exercer completo controle sobre mim mesmo e o consegui. Falando com voz pausada e firme, exigi que o elemental me tirasse do corpo físico, dizendo: Gatinho, levanta-te desta cama. Imediatamente aquele gigante pôs-se de pé.

Continuei, então, ordenando: Tira-me do corpo físico e passa-me para o astral. Aquele extraordinário gigante respondeu-me com as seguintes palavras: Dá-me tuas mãos. Claro que levantei minhas mãos e o elemental aproveitou para pegá-las e me tirar do corpo físico.

Aquele estranho ser era dotado de uma força incrível, mas irradiava amor e queria servir-me. Assim são os elementais… De pé, no astral, tendo junto ao leito o misterioso ser por companheiro, tomei novamente a palavra para ordenar-lhe: Leva-me agora ao centro da Cidade do México.

Siga-me, foi a resposta daquele colosso, que saiu de casa caminhando lentamente. Eu o acompanhei passo a passo. Andamos por diversos lugares da cidade, antes de chegarmos a San Juan de Letrán, quando por ali nos detivemos por um momento. Era meia noite e eu ansiava dar um final feliz àquela experiência. Vi um grupo de cavalheiros conversando numa esquina. Eles estavam no plano físico, portanto não me percebiam.

Então, pensei em tornar-me visível diante deles. Dirigi-me ao gigante nagual e com voz suave, porém imperativa, dei-lhe nova ordem: passa-me agora ao mundo de três dimensões, o mundo físico.

O nagual pôs suas mãos sobre meus ombros, exercendo sobre eles certa pressão. Senti que abandonava o astral e penetrava no físico. Fiquei visível diante daquele grupo de cavalheiros, no lugar em que se encontravam. Aproximando-me deles, perguntei: Senhores, que horas são? Passam trinta minutos da meia noite, respondeu um deles. Muito obrigado! Quero dizer-lhes que vim agora das regiões invisíveis e que resolvi me tornar visível diante de vocês. Palavras estranhas, não é verdade?

Aqueles homens olharam-me surpresos. Em seguida, disse-lhes: Até logo, senhores; retorno de novo ao mundo invisível. Roguei ao elemental que me colocasse outra vez nas regiões suprassensíveis e imediatamente o elemental obedeceu.

Ainda pude ver o assombro daquelas pessoas que tomadas de pavor afastaram-se apressadamente do local onde se encontravam. Novas ordens dadas ao elemetnal foram suficientes para que ele me trouxesse de regresso à minha casa. Ao penetrarmos no quarto, vi o misterioso ser perder seu descomunal tamanho e ingressar no pequeno corpo do felino que jazia no leito, precisamente pela glândula pineal, a qual situa-se na parte superior do cérebro. Fiz o mesmo. Pus meus pés astrais sobre a glândula citada e imediatamente senti-me no interior do corpo físico, que já despertava na cama.

Olhei o gatinho, fiz-lhe algumas carícias e agradeci, dizendo-lhe: Obrigado pelo serviço prestado. Tu e eu somos amigos.

A partir daquele momento, constatei como esses felinos podem tornar-se veículos ideais para todos os aspirantes à vida superior. Com esse tipo de nagual, qualquer ocultista pode aprender a sair em astral, consciente e positivamente. Importa não ter medo, ser valoroso. Salientamos que para experimentos dessa natureza são requeridos gatos pretos. Muitos ignorantes ilustrados podem achar graça dessas declarações esotéricas, porém isso pouco importa. Estamos falando para pessoas espiritualmente inquietas, que anseiam o despertar da Consciência.

Fonte:
Samael Aun Weor, Desfazendo Mistérios


terça-feira, 22 de novembro de 2011

O falso sentimento do Ego

Vamos hoje falar um pouco sobre o “sentimento de si mesmo”. Vale a pena refletirmos sobre esta questão do sentimento de si mesmo. Convém entendermos a fundo a questão do “falso sentimento do Eu”. Todos temos sempre, no fundo de nosso coração, o sentimento de nós mesmos. Mas convém saber se esse sentimento é correto ou equivocado. É necessário, portanto, entender o que é este “sentimento do Eu”.

Antes de qualquer coisa, urge entender que as pessoas estariam dispostas a abandonar tudo, o álcool, o cinema, o fumo, as farras etc., menos seus próprios sofrimentos. As pessoas adoram suas próprias dores, seus sofrimentos. Desapegar-se-iam mais facilmente de alguma alegria que de seus próprios sofrimentos. Entretanto, o que parece paradoxal é que todos se pronunciam contra esses mesmíssimos sofrimentos e se queixam de suas dores, mas quando se trata de abandoná-los, de modo algum estão dispostos a tal renúncia.

Certamente, temos uma série de “fotografias vivas” de nós mesmos, fotografias de quando tínhamos 18 anos, de quando éramos meninos, de quando éramos homens de 21 anos, 28 ou 30 etc. A cada uma dessas fotografias psicológicas corresponde uma série de sofrimentos, isto é evidente, e mos deleitamos ao examinar tais fotografias, nos deleitamos ao narrar aos outros os sofrimentos de cada idade, as fases dolorosas pelas quais passamos etc. Tem um sabor bastante exótico, ou boêmio poderíamos dizer, contar aos outros nossas dores: quando lhes dizemos que somos pessoas experientes, ao lhes contarmos nossas aventuras de criança, a forma como tivemos de trabalhar para ganhar o pão de cada dia, a época mais dolorosa da existência quando andávamos por aí buscando os centavos para sobreviver – quantas dores, quantos sofrimentos! – com tudo isso gozamos e nos deleitamos.

Ao fazermos esse tipo de narrativa, parecemos realmente boêmios entusiasmados. Num caso como esse, em vez de nos deleitarmos com a bebida ou o cigarro, deleitamo-nos com a história, com a “novela”, com o que nos aconteceu, o que dissemos, o que nos disseram, com a forma como o vivemos etc. É um tipo de boemia bastante exótico, que nos agrada. De modo algum parecemos dispostos a abandonar nossos próprios sofrimentos – eles são o narcótico de que todos gostam, o deleite que agrada a todos. Quanto mais acidentada uma vida, mais exóticos nos sentimos, mais boêmios com nossas dores; e isso é sem dúvida um absurdo.

Mas observem que a cada situação corresponde um sentimento: um sentimento do Eu, do Mim Mesmo. Sentimos que somos, sentimo-nos existir. Neste momento vocês estão reunidos aqui para me escutar, e eu estou lhes falando; vocês sentem que estão sentindo, têm aqui no coração o sentimento de si mesmos. E estão certos de que esse sentimento é correto? É possivel que tenham certeza disso. Será esse sentimento que têm neste momento o sentimento de existir, o sentimento de ser e de estar vivo, será um verdadeiro ou um falso sentimento?

Convém refletirmos um pouco sobre essas questões. Quando andávamos por aí, talvez pelos bares, ou pelos “cabarés”, tínhamos Sentimentos? Sim, é óbvio que os tínhamos. E esses sentimentos seriam os corretos? A cada idade corresponde um Sentimento, pois um é o sentimento de quando se tem 18 anos, outro o que se tem aos 25, outro é o sentimento dos 30 e outro o dos 35. Um ancião de 80 anos terá também indubitavelmente seu próprio sentimento. Qual deles será o verdadeiro? É uma tremenda questão essa do sentimento de nós mesmos. O fato é que a pessoa sente que está sentindo, sente que existe, sente que vive, sente que é, sente que sente, tem coração e sente, e diz: “Eu”, “Eu” e “Eu”. Mas os “Eus” são muitos e, então, qual dos “sentimentos” será o exato? Reflitam um pouco sobre essa questão. Pensem! Vale a pena tratar de compreender esta questão.

Se alguém desintegra um Eu qualquer, por exemplo, o ressentimento contra alguém, está convicto de havê-lo desintegrado. Porém, se o mesmíssimo Sentimento continua a existir, há uma falha no trabalho – isso simplesmente nos indica que o tal Eu que acreditávamos ter sido desintegrado não o foi, visto que o Sentimento que lhe corresponde persiste.

Se perdoamos a alguém, e mais ainda, se cancelamos a dor que essa pessoa nos causou, mas continuamos a ter igual sentimento, isso nos indica que não cancelamos, portanto, a ofensa, ou a má lembrança ou má ação que esse alguém nos causou. O Eu do ressentimento continua vivo.

Estamos tocando num ponto muito delicado, já que participamos todos do Trabalho de Si Mesmo e Sobre Si Mesmo. Quantas vezes acreditamos, por exemplo, ter desintegrado um “Eu da Vingança”? Mas aquele Eu que tínhamos continua sob a forma de sentimento. Isso nos mostra que, portanto, não conseguimos desintegrar tal Eu, e isto é evidente. De modo que, portanto, existem em nós tantos sentimentos quantos são os agregados psíquicos ou Eus que temos em nosso interior. Se temos 10 mil agregados psíquicos, indubitavelmente teremos 10 mil sentimentos de nós mesmos. Cada Eu tem seu próprio sentimento.

Assim, pois, há uma pauta a seguir em nosso Trabalho sobre nós mesmos e esta é a questão do sentimento. Intelectualmente podemos ter aniquilado o Eu do Egoísmo, mas continuará existindo em nós o sentimento do Egoísmo, esse sentimento do primeiro Eu, do segundo e do terceiro Eu? Sejamos sinceros com nós mesmos: se tal sentimento continua existindo, é porque o Eu do Egoísmo ainda existe.

Assim, hoje os convidei a compreender esta questão do Sentimento. Dá muito trabalho fazer com que as pessoas se decidam a compreender a necessidade de desintegrar o Ego, mas ainda mais trabalhoso é compreenderem o que é o Sentimento. É algo tão fino, tão sutil… De qualquer modo, neste Trabalho sobre nós mesmos, meus queridos irmãos, há três linhas que precisamos entender:

Primeiro: O Trabalho sobre Nós Mesmos, com o propósito de desintegrar os agregados psíquicos que levamos em nosso interior, viva personificação de nossos erros.

Segundo: O Trabalho com as outras pessoas – precisamos aprender a nos relacionarmos com os outros, e

Terceiro: O Amor ao Trabalho, o Trabalho pelo próprio Trabalho.

São as três linhas a seguir. Se, por exemplo, alguém diz e acredita que está trabalhando sobre Si Mesmo, mas não se verifica nenhuma mudança na pessoa, se o Sentimento Equivocado do Eu continua, se sua relação com os outros ainda é a mesma, está demonstrado que esta pessoa não mudou, e, se não mudou, não está trabalhando sobre si mesma corretamente, e isso é óbvio.

Precisamos mudar, mas se após certo tempo de trabalho o Sentimento do Eu continua o mesmo, se o modo de proceder com as pessoas é o mesmo, poderíamos acaso afirmar que mudamos? Na verdade não! E a finalidade destes estudos consiste em mudar. A mudança deve ser radical, porque até mesmo a própria identidade tem de se perder para nós mesmos. Um dia, por exemplo, Arce irá procurar Arce, mas Arce já não existe, ter-se-á perdido para si mesmo, e isso é claro. Um dia Uzcátegui dirá: “Que foi feito de Uzcátegui?” Já não existe, terá desaparecido para Uzcátegui. Assim, na realidade, até a mesmíssima identidade tem de se perder para nós mesmos. Temos de nos tornar absolutamente diferentes.

Conheço aqui mesmo, entre os irmãos – sei de alguns, cujo nome não menciono – alguns que estudam comigo há anos e anos, vejo-os sempre na mesma, não mudaram, têm o mesmo comportamento, cometem os mesmos erros – exatamente os mesmos erros cometidos há 20 anos. Nada indica ou acusa qualquer mudança, não há nada novo neles. Como são hoje? Como eram há 20 anos, ou há 10 ou 50 anos. Mudança, nenhuma!!!

Então, o que essas pessoas estão fazendo? O que fazem aqui? Estão perdendo o tempo miseravelmente, não é verdade? Porque o objetivo de nossos estudos é mudar psicologicamente, converter-nos em seres diferentes; mas se continuamos os mesmos, se Fulano de Tal é o mesmo que era há 10 anos, então não mudou nem está fazendo nada, está perdendo seu tempo, isso é óbvio. Convido todos vocês a essa reflexão. Querem ou não querem mudar? Se continuam sendo sempre os mesmos, então, o que estão fazendo? Com que objetivo estão aqui reunidos na Terceira Câmara? Para quê? Precisamos refletir melhor. Uma orientação a seguir é esta questão do sentimento do Eu. O sentimento do Eu é sempre equivocado, nunca é correto. Devemos distinguir entre o Sentimento do Eu e o Sentimento do Ser.

“O Ser é o Ser, e a razão se ser do Ser é o próprio Ser .” O Sentimento do Ser é sempre correto, mas o sentimento do Eu é um sentimento equivocado, é um sentimento falso! Por que os irmãos se deleitam com suas fotografias psicológicas de 20, 30 ou 50 anos atrás? Que se passa com vocês?

Cada fotografia psicológica é acompanhada de um sentimento diferente. O sentimento do jovem de 18 anos que se embebeda, o do rapaz de 20 anos que anda com a noiva ou pelo caminho pervertido etc., qual desses será o correto? O que tínhamos como rapazes de 18 anos ou o que temos hoje, na idade de 50 ou 60 anos? Qual será o verdadeiro?

Nenhum desses sentimentos é verdadeiro, nenhum deles é correto. Todos são falsos. É falso quando alguém se sente um homem de 18 anos com o mundo diante de si e a quem as namoradinhas sorriem. É falso aquele rapazinho de 20 anos que acredita que vai dominar o mundo com o seu rosto bonito. É falso aquele jovem de 25 anos que “anda de janela em janela”. Tudo isso é falso! Qual desses sentimentos será o real? Só a Consciência pode lhes dar um Sentimento Real!

Não se esqueçam de que não há muita distância entre o Ser e a Consciência. A vida tem três aspectos: o Ser (Sat, em sânscrito), a Consciência (Chit) e a Felicidade (Ananda). Mas a Consciência Real do Ser, que não está muito distante do Ser em Si Mesmo, está engarrafada entre esta multiplicidade de agregados psíquicos que personificam nossos erros e que levamos em nosso interior. Só a Consciência pode nos dar um Sentimento Correto, mas esse sentimento pareceria aos outros cruel, porque estes estão engarrafados em falsos sentimentalismos que não têm nada a ver com o Verdadeiro Sentimento do Ser.

O Sentimento da Consciência Objetiva, Real, é o que importa; mas para podermos ter esse Sentimento Verdadeiro da Consciência Real e Objetiva, precisamos, antes de tudo, desintegrar os agregados psíquicos. À medida que vamos desintegrando os diversos agregados, viva personificação de nossos defeitos, a Voz da Consciência irá se tornando cada vez mais forte, o Sentimento do Ser, isto é, da Consciência, irá se fazendo sentir de forma cada vez mais intensa, e, à medida que vamos passando a sentir com a Consciência, nos daremos conta de que o Falso Sentimento do Eu nos conduz ao erro.

Mas isso é muito sutil, sumamente delicado, pois todos nós sofremos muito na vida, isso é óbvio. Temos marchado também pelo caminho do erro, o que é patético; e, em todos os aspectos de nossa vida, em cada processo, em cada instante, temos sentido aqui no coração algo, algo, algo, algo que se chama sentimento. Temos sempre considerado esse “algo” como a Voz de nossa Consciência; temo-lo considerado como o sentimento de Si, como o Sentimento Real ao qual temos obedecido, como o único que pode conduzir-nos pelo caminho certo (“reto”), etc. Mas, infelizmente, temos estado equivocados, meus queridos irmãos!

A prova de nosso equívoco é que mais tarde tivemos outro Sentimento completamente diferente, totalmente distinto, e bem depois ainda outro Sentimento também diferente; qual dos três era então o verdadeiro? Assim, temos todos sido vítimas de um auto-engano. O Sentimento do Eu sempre nos guiou, temos sempre confundido o Sentimento do Eu com o Sentimento do Ser. Temos sido vítimas de um auto-engano, e nisto não pode haver exceções, até mesmo eu marchei pelo caminho do erro quando tomei o Sentimento do Eu pelo Sentimento do Ser. Não há exceções, todos temos sido vítimas do auto-engano.

Chegar a sentir verdadeiramente, chegar a ter o Sentimento Preciso, é algo tremendo. Esse Sentimento Preciso é o da Consciência Superlativa do Ser. De qualquer modo, devemos seguir pelo caminho da Aristocracia da Inteligência e da Nobreza do Espírito. À medida que avancemos por essa senda tão difícil do Auto-Conhecimento e da Auto-Observação de Si Mesmos, de momento em momento, iremos também aprendendo a sentir corretamente. Iremos aprendendo a conhecer o Sentimento Autêntico da Consciência Superlativa do Ser.

O Ser é para nós o que conta, é o importante, e o Sentimento tem um grande papel nessa questão do Ser, um tremendo papel. Quantas vezes acreditávamos estar indo bem pelo caminho da vida, guiados pelo Sentimento vivo de uma autêntica Realidade; aconteceu que andávamos então pior do que antes porque guiados por um falso sentimento, o do Eu.

Há pessoas incapazes de desapegar-se do Falso Sentimento do Eu. Jamais! Têm uma série de “fotografias” ou imagens de Si Mesmas que não abandonariam por nada na vida, nem por todos os tesouros do mundo. Gozam com suas dores e renunciar a elas seria pior que a própria morte. As pessoas vivem se queixando e gozam com seus lamentos, jamais abandonariam suas dores. É terrível isto que estou lhes dizendo, doloroso mas verdadeiro.

Devido a um Falso Sentimento do Eu podemos perder toda uma existência íntegra. Passam-se os 20 anos, e os 30, 40, 50, os 60 e chegamos aos 80 (se por acaso chegamos, pois muitos morrem antes dos 80) com o mesmo conceito falso, o mesmo Falso Sentimento do Eu para ser mais claro, e esse Falso Sentimento que temos do Eu nos “engarrafa” completamente no Ego, e por fim morremos sem haver dado um só passo adiante.

Comumente as pessoas, ao enfrentarem a vida, não recebem as experiências diretamente na Consciência; têm muitos e terríveis preconceitos e prejuízos em sua mente. Qualquer desafio é, portanto, imediatamente escudado, recebido com algum prejuízo ou preconceito. Tudo o que ocorre na vida chega, não à Consciência, mas a toda essa multiplicidade de preconceitos que levamos dentro, a toda essa diversidade de sentimentos equivocados e contraditórios – nunca à Consciência, e, como resultado, permanecemos adormecidos por toda a vida.

Olhemos por exemplo um velho neurastênico, de 80 anos, torpe e rançoso no pensar, “engarrafado” em algum dogma. Tem um Sentimento de Si Mesmo totalmente equivocado. Quando alguma impressão (“algo”) o atinge, não toca sua Consciência; tudo o que lhe chega chega apenas à sua mente, e esta, como está cheia de preconceitos, costumes, hábitos mecânicos etc., reage então de acordo com seu próprio condicionamento – violentamente, covardemente etc.

Já viram algum ancião de 80 anos reagindo? Vocês já sabem como é, sempre as mesmas reações. Por quê? Porque tudo lhe chega à mente, não toca nunca sua Consciência, chega à sua mente e esta logo o interpreta a seu modo. A mente julga tudo segundo lhe parece, como está habituada a julgar, como crê ser verdadeiro, e o Falso Sentimento do Eu respalda essa forma equivocada de pensar. Conclusão: quem tem um Falso Sentimento perde sua vida miseravelmente.

O fato é que é preciso chegar ao Sentimento Correto, mas este é o da Consciência. Ninguém poderia chegar a ter este Sentimento Correto se não desintegrasse os agregados psíquicos. À medida que alguém desintegra seus agregados psíquicos o Sentimento Correto se manifesta. Quando a desintegração é total, também o Sentimento Correto é total.

Comumente, entretanto, o Sentimento Correto de Si Mesmo está em luta com o Sentimento Falso do Eu. É que o Sentimento Correto da Consciência está muito além de qualquer código de ética, além de qualquer código moral estabelecido por alguma religião, etc. No fundo, os conceitos morais estabelecidos pelas várias religiões resultam comumente falsos.

Como a Consciência humana está atualmente tão adormecida, foram inventados diversos sistemas pedagógicos, sociais, éticos, educativos e morais para que possamos andar pelo caminho reto, mas nada disso serve para nada. Há uma ética própria da Consciência, mas esta pareceria imoral aos santurrões das diversas correntes religiosas.

Os livros dos Paramitas do Tibet Oriental expõem uma ética que jamais se encaixaria em qualquer culto, pois é a ética da Consciência; e não estou, com isso, me pronunciando contra nenhuma forma de religião, mas unicamente contra certas formas ou armaduras enferrujadas dentro dos quais estão hoje em dia “engarrafados” a Mente e o Coração, certas estruturas caducas e degeneradas de falsa moral convencional – contra isso é que estou me pronunciando.

Nesses estudos [Gnósticos] não se trata de seguir ou de viver de acordo com certas formas petrificadas de moral; aqui o que se deve desenvolver é a capacidade de compreensão. Necessitamos constantemente avaliar a nós mesmos para descobrir o que temos e o que nos falta. Há muita coisa que devemos eliminar e muito que devemos adquirir, se é que queremos seguir o caminho certo; mas o Sentimento equivocado do Eu não permite a muitos avançar pela difícil senda da liberação; esse Sentimento Equivocado do Eu é sempre confundido com o Sentimento do Ser, e se não abrirmos bem os olhos, o Sentimento Equivocado do Eu pode fazer com que fracassemos todos na presente existência.

O Ser é o que importa, mas está muito fundo, muito profundo… Realmente o Ser em Si Mesmo é a Mônada Interior. Lembremo-nos de Leibnitz e suas famosas “Mônadas”. A Mônada em si mesma é o que chamamos Neshamah em hebraico, ou seja, Atman-Budhi. Atman… Quem é o Atman? É o Íntimo, o Ser.

Precisamente sobre isso, o livro Deuses Atômicos nos diz: “Antes que a falsa aurora aparecesse sobre a Terra, aqueles que haviam sobrevivido ao furacão e à tormenta adoraram o Íntimo, e a eles apareceram os Arautos da Aurora…”

Neshamah, ou seja, Atman-Budhi, é a Mônada citada por Leibnitz em sua “Filosofia Monádica”. Atman é o Íntimo, Budhi é a Alma Espiritual, a Consciência Superlativa do Ser; os dois, integrados, constituem a Mônada, isto é óbvio. A Mônada, por sua vez, se desdobrou na Alma Humana, que é o “Manas Superior” dos orientalistas. Essa Alma Humana é em princípio completamente germinal, mas dela, por desdobramento, resultou a Essência, que é a única coisa que os animais intelectuais têm encarnada em seu interior. Essa Essência está “engarrafada” entre os diversos agregados psíquicos que levamos dentro de nós.

Em hebraico, Neshamah é precisamente Atman, Atman em seu aspecto inefável. Budhi é Ruach, e Atman-Budhi se diz “Ruach” em geral. Nephesh é a Alma Humana ou Alma Causal, de onde precisamente deriva a Essência que cada um tem em seu interior. Essa Essência precisa ser despertada, é a parte da Consciência que temos dentro, essa Essência há que pô-la em atividade; infelizmente está adormecida, presa dentro dos agregados psíquicos inumanos que por desgraça levamos em nosso interior.

É preciso entender que, quando alguém trabalha sobre Si Mesmo, entra no caminho da Revolução da Consciência, aspira a receber algum dia seus princípios anímicos e espirituais, quer dizer, converte-se em um Templo da Mônada Interior, pois é óbvio que uma Essência desenvolvida desperta, integra-se, funde-se completamente com a Alma Humana no Mundo Causal. Muito mais tarde ainda vem o melhor: os Esponsais, o Casamento, a integração dessa Alma Humana com a Mônada; quando isso ocorre, o Mestre se Auto-Realizou totalmente.

Assim, o que possuímos, a Essência, deve ser trabalhada. Devemos começar por “desengarrafá-la”; é uma fração da Alma Humana em toda criatura e há que despertá-la, pois está adormecida em meio aos agregados psíquicos que levamos em nosso interior.

Essa Essência tem seu próprio Sentimento Correto, que é diferente, completamente diferente do Falso Sentimento do Eu. Essa Essência – com seu Sentimento – realmente emana da verdadeira Alma Causal ou Alma Cósmica; assim, o Sentimento da Essência é o mesmo da Alma Cósmica, o mesmo que existe na Alma Espiritual, o mesmo que existe no Íntimo ou Atman.

Quando alguém entra por este caminho, descobre que ingressou na Senda da Revolução da Consciência, e a Revolução da Consciência é tremenda, porque de fato traz consigo a Revolução Intelectual e a Revolução Física. A Revolução da Consciência provoca uma série de revoluções intelectuais extraordinárias e, por sua vez, como resultado, dá-se a Revolução Física.

Na Alquimia, por exemplo, fala-se na Reincrudação do Corpo Físico, na Invulnerabilidade e na Mutação. É óbvio que aquele que obteve o despertar total, aquele que atingiu a Iluminação, pode alimentar-se com a Árvore da Vida, e seu Corpo Físico pode, se assim o quiser, tornar-se invulnerável e mutante – isto pode ser conseguido mediante a Reincrudação Alquimista. Um iluminado sabe muito bem como se consegue a reincrudação.

Assim, tem-se três Revoluções em uma: a Revolução da Consciência traz consigo a Revolução Intelectual e também a Revolução Física.

Os grandes Adeptos da Consciência, esses que obtiveram realmente o despertar, são Iluminados, e muitos deles são imortais. Lembremos Sanat Kumara, o “Ancião dos Dias”, o fundador do Colégio de Iniciados da Irmandade Branca. Trouxe seu corpo físico à Terra desde Vênus. Esse Grande Mestre, havendo já transcendido qualquer necessidade de viver neste mundo, deixou-se ficar aqui para ajudar aos que seguem a Senda Pedregosa que conduz à Libertação Final. Sanat Kummara pode se submergir totalmente no Oceano da Grande Luz, mas renunciou a toda felicidade para ficar aqui conosco, e permanece conosco por Amor a nós.

Neste caminho que estamos percorrendo, é urgente compreender a forma de nos relacionarmos corretamente com nossos semelhantes; se estamos trabalhando sobre Nós Mesmos, devemos também levantar a tocha para iluminar o caminho de outros, para mostrar-lhes o Caminho, e isso é precisamente o que fazem os Missionários Gnósticos: mostrar a outros a Senda da Libertação.

No Oriente se fala claramente de dois tipos de seres que seguem esse caminho. Podemos chamar o primeiro tipo de Srávacas e Budas Pratiekas. São obviamente ascetas, sabem que o falso sentimento do Eu só pode conduzir ao fracasso. Compreendem isto, preocuparam-se em trabalhar intensamente sobre si mesmos, fizeram seus votos; alguns deles até tem diluído o Ego, mas não fazem nada pelos outros, não fazem nada pelo próximo. Esses Budas Pratiekas e Srávacas obviamente gozam de certa iluminação e alguma felicidade, mas nunca chegaram verdadeiramente a ser Bodhisatvas no sentido mais restrito da palavra.

Há dois tipos de Bodhisatvas: os que têm o Bodhisitta em seu interior e os que não o têm. Que se entende por Bodhisitta ou Bodhisitto? Simplesmente que trabalham pela humanidade à base de diversas renúncias e por Kalpas inteiros, manifestando-se nos mundos e renunciando a qualquer tipo de felicidade. Estes possuem os Corpos Existenciais de Ouro Puro, pois é isto o Bodhisitta: os Corpos Existenciais do Ser e a Sabedoria da experiência adquirida através de sucessivas eternidades.

O Bodhisitta de um Buda é na verdade um Bodhisatva devidamente preparado, que pode realizar com perfeição e eficiência todos os trabalhos que o Buda Interior lhe confiou. Poderia o Bodhisatva que realmente se desenvolveu no terreno vivo do Boddhisitta fracassar nos trabalhos que deve realizar? É evidente que não, pois está devidamente preparado.

Entende-se portanto, por Bodhisitta, precisamente todas essas experiências, todos esses conhecimentos adquiridos através das idades, os Veículos de Ouro Puro, a Sabedoria Evidente do Universo. Obviamente, o Bodhisatva, provido do Bodhisitta, se manifesta ao longo (através) de vários Mahanvantaras e finalmente vem a converter-se num Ser Omnisciente. A Omnisciência é algo que se precisa conquistar, não se “ganha de presente”; é um produto de diferentes manifestações cósmicas e de renúncias incessantes.

O Bodhisatva que possui dentro de si o Bodhisitta, ou seja, toda esta soma de Conhecimentos, Experiências e Veículos de Ouro etc., jamais se deixaria guiar por um Falso Sentimento do Eu. Mas este Falso Sentimento do Eu costuma refinar-se espantosamente. Muitos indivíduos que já obtiveram grande elevação espiritual são ainda, entretanto, vítimas do Falso Sentimento do Eu. Compreender isto é básico para a Grande Obra, é fundamental…

Todos nós temos direito a aspirar à Iluminação; entretanto, não devemos cobiçar a Iluminação. Ao invés disso, devemos preocupar-nos com a desintegração dos Agregados Psíquicos que levamos em nós; vigiar intensivamente esse Falso Sentimento do Eu, aniquilá-lo, pois pode fazer-nos estagnar, pode levar-nos ao auto-engano, fazer-nos pensar que vamos indo bem, fazer-nos acreditar que é a Voz da Consciência, quando na realidade se trata da voz do Ego.

Quero que compreendam claramente que um dia terão de fabricar dentro de si mesmos o Bodhisitta, isto é, elaborar essa experiência, elaborar esse conhecimento que o Trabalho sobre Si Mesmos lhes vai conferindo. Com tal conhecimento e experiência, vocês não falharão. À medida que vão desintegrando esses agregados psíquicos que lhes dão o Falso Sentimento do Eu, irão se alimentando com o Pão da Sabedoria, com o Pão Transubstancial vindo do Alto, pois cada vez que se desintegra um Agregado Psíquico libera-se uma porcentagem de Consciência e se adquire de fato uma virtude, um conhecimento novo, algo extraordinário…

A propósito de Virtudes, devo dizer-lhes que quem não é capaz, por exemplo, de apreciar as gemas preciosas, tampouco poderia conhecer o valor das Virtudes. Estas são em si mesmas valiosas e preciosas, mas é impossível adquirir qualquer Virtude sem haver previamente desintegrado o defeito que constitui sua antítese. Não poderíamos, por exemplo, adquirir a Virtude da Castidade se não desintegramos o defeito da Luxúria. Não poderíamos adquirir a Virtude da Mansidão, se não desintegramos em nós mesmos o defeito do Ressentimento. Não poderíamos adquirir a Virtude do Altruísmo se não eliminamos o defeito do Egoísmo.

O que importa, portanto, é que compreendamos a necessidade de eliminar nossos defeitos, pois só assim irão nascendo em nós as gemas preciosas das Virtudes. De qualquer maneira, o objetivo desta prática de hoje foi o de chamar sua atenção para o Falso Sentimento do Eu. Vocês terão que aprender a sentir a Consciência, a ter um sentimento correto da Consciência Superlativa do Ser. Essa Consciência Superlativa emana originalmente de Atman, o Inefável, ou seja, o Íntimo, o Ser…

Assim, meus queridos irmãos, aqui terminamos esta palestra. Sintam-se inteiramente livres para perguntar o que quiserem em relação ao tema.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

P.: Venerável Mestre, qual a relação entre as sensações e o sentimento?
SAW: Sensações são sensações, e podem ser positivas ou negativas. Toda sensação resulta de alguma radiação ou impressão externa. Por exemplo: temos uma sensação de dor, produzida por alguém, seja através da palavra ou de uma pancada; sobrevém então uma sensação de dor. Ou uma sensação de alegria: quando alguém nos trata bem ou aspiramos um perfume delicioso. Em todo o caso, sensações são sensações; mas o sentimento se leva no coração. É diferente, envolve o Centro Emocional, e nunca se deve confundir o Sentimento Autêntico do Ser, de Atman, da Mônada, da Essência etc. (do Ser em geral) com o sentimento do Eu. Cada Eu tem sua forma de sentimento, e comumente esses sentimentos do Eu nos levam ao fracasso.

P.: Venerável Mestre, em que idade ou etapa do desenvolvimento do indivíduo se manifestam Eus característicos, próprios dessa idade?
SAW: Certamente que isto ocorre de acordo com a Lei de Recorrência, porque, se numa passada existência, aos 30 anos de idade, tivemos uma briga num bar, o Eu correspondente àquela rixa permanece no fundo de nós mesmos, aguardando aquela idade de 30 anos para voltar a manifestar-se. Quando chegar essa idade sairá então e irá procurar um bar com o propósito de encontrar-se com o homem com quem brigou. Este fará o mesmo, e por fim se encontrarão no bar voltarão a brigar, essa é a Lei de Recorrência. E se, na idade de 25 anos, tivemos uma aventura amorosa, também na mesma idade o Eu que estava aguardando lá no fundo sairá à superfície, controlará o intelecto, controlará o coração e irá procurar a amada de seus sonhos. Ela fará o mesmo, e ambos se encontrarão para repetir a aventura. Assim, o robô humano está programado pela Lei de Recorrência. Em todo o caso, o Ser, o verdadeiro Ser, não se expressa no animal intelectual, vive normalmente na Via Láctea. O que atua neste mundo é o robô programado pela Lei de Recorrência. É preciso desintegrar o Ego e despertar a Consciência para que a Mônada, Atman-Buddhi, o Ruach Elohim que, segundo Moisés, “lavrava as águas no princípio do Mundo”, o Rei-Sol, volte a expressar-se naturalmente dentro de nós, venha à manifestação, ingresse em nossa pessoa humana. Só Ele pode fazer. As pessoas crêem que fazem e não fazem nada. Atuam de acordo com a Lei de Recorrência, são máquinas programadas, e isto é tudo!

P.: Venerável Mestre, a Segunda Guerra Mundial foi uma recorrência da Primeira?
SAW: Tudo se repete sempre, é verdade, de acordo com a Lei de Recorrência. A Segunda Guerra Mundial nada mais foi que repetição da Primeira, e a Terceira será uma repetição da Segunda.

P.: Mestre, pode explicar-nos como alguém pode acreditar haver eliminado um defeito, quando na verdade não é assim?
SAW: Sim, pode-se acreditar que se eliminou determinado defeito psicológico, mas se o Sentimento correspondente a esse Eu continua em nós significa que o defeito não foi eliminado. Assim, esse conhecimento nos dá um modo de saber se realmente eliminamos tal ou qual Eu. É um padrão de medida que nos permite descobrir se já eliminamos determinado Agregado Psíquico.

P.: Mestre, como poderia explicar-nos o fato de que o Anjo Adonai tenha Karma?
SAW: Bem, Adonai, o Filho da Luz e da Alegria, que eu saiba não tem Karma. Se demorou a eliminar algum elemento indesejável, isso já passou.

P.: Venerável Mestre, pelo que compreendi, o Karma de Adonai se devia às lembranças da Alma…
SAW: Bem, mas isto é uma conjectura, e devemos basear-nos em fatos. Não sei se Adonai tem Karma, pelo menos não fui informado sobre isso, esta é a verdade. Pelo que entendi, não tem Karma. No momento tem corpo físico e vive na Europa, é um Adepto maravilhoso, pertence ao Círculo Consciente da Humanidade Solar, que age sobre os Centros Superiores do Ser; vive como um desconhecido na Europa, na França…

P.: Mestre, há outros Kummaras além de Sanat Kummara, o Venerável Mestre?
SAW: Entende-se por Kummara todo Indivíduo Ressurrecto. Desde que ressuscite é um Kummara. Obviamente os Kummaras, assim como os Pitris, são os que ajudaram a criar, a dar vida à nossa forma física humana. Entretanto, os Agnishwatas, que são os Deuses Solares, me parecem mais interessantes que os Kummaras. O certo é que os Deuses Solares que governaram a Terra e a Humanidade da Primeira Raça voltaram para o Sol. Haviam vindo do Sol e a ele regressaram, e na futura Grande Raça Raiz voltaremos a receber a visita dos Deuses Solares. Virão do Sol, viverão em meio à humanidade e estabelecerão a Sexta Raça Raiz sobre a face da Terra. Governarão os povos, nações e línguas, são Governantes. Entre as doze constelações do Zodíaco, a constelação mais importante é obviamente a de Leão. O Sol tem seu trono em Leão. Os Deuses Solares vêm periodicamente à Terra, cada vez que se inicia uma nova Raça… Mas não nos afastemos tanto da questão que viemos examinar. Devemos ter em mente a necessidade de estudarmos um pouco mais a Nós Mesmos e dar atenção a esta questão do Sentimento do Eu. Até aqui, minhas palavras.